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Conferir a discussão 'Centésimo, Vigésimo Quarto ano da República Assassina (*)

Originalmente publicado no Portal Macunaíma em 16/11/2013

O acontecimento politicamente mais importante das comemorações do 124º ano da República Brasileira, o retorno à cena dos restos mortais do ex-presidente João Goulart em plena Capital Federal foi ofuscado pela ação Penal 470, outra cena mal ensaiada por oposicionistas e oportunistas na execução de pena dos condenados. Nesta salada de número é necessário incluir outros cálculos em forma de indagação. Por que uma ação judicial julga e condena líderes, pomposamente considerado o maior escândalo de corrupção da história da Republica a penas até o momento que não ultrapassam oito anos, e subalternos dessa mesma operação fraudulenta são condenados a mais de 40 anos? Falando explicitamente por que o ex-ministro da Casa Civil é condenado (até o momento, com direito ainda a recurso a uma parte de sua pena) a condenação menor do quer Marcos Valério e seus companheiros banqueiros a penas que vão atingem níveis três ou quatro vezes maior? Sem contar que esses últimos são réus de outras ações no Estado de Minas, onde "os lideres" são outros e não os ex-dirigentes do PT. A resposta é óbvia: faltou materialidade na condenação dos supostos líderes.

(*): a pessoa negra que aparece ao lado de Cantanhede acima não é que po...

O jornal conservador norte-americano NY Times com sua manchete de ontem talvez tenha escancarado à razão de toda essa encenação. Saúda os brasileiros pela condenação por corrupção de um número razoável de políticos e empresários, no entanto faz duas ressalvas: a demora do julgamento da ação e indaga porque isso somente agora aconteceu? No primeiro caso a resposta é "Judiciário no Brasil não é só lento é também contraditório e falho", sujeito, portanto, a manobras políticas e interesses muitas vezes explícitos, como agora. Segunda questão se relaciona à primeira resposta - a ação penal chegou ao seu quase final para condenar lideres do Partido dos Trabalhadores e tentar minar seu poder nas transformações que vem praticando no país. Alguma dúvida sobre isso?

Já no final da noite deste 15 de novembro que poderia ter como imagem a volta à cena a figura de um estadista (João Goulart) provavelmente morto pelos militares por envenenamento, vimos à histeria de jornalistas compromissados ganhou destaque com essa ação mal armada como Eliane Cantanhede. Embora menos excitada do que no dia anterior era obrigada a reconhecer o papel político deste partido na história recente levado a desgaste extremo neste momento, e por outro lado Merval Pereira calmo no dia anterior e irritadíssimo ontem diante da postura firme de Genuíno como de José Dirceu. Gaguejava Merval pelo fato de ambos se considerarem presos políticos. A mudança de comportamento de um jornalista e outro mostra claramente que os dois já sabiam no dia anterior os passos a serem dados pelo Supremo Presidente do Judiciário Brasileiro - Joaquim Barbosa. Ambos em nome da "democracia brasileira" regozijavam-se. Que palavra esses arautos da imprensa livre e democrática disseram ontem, dia 15 de novembro de 2013 a respeito de João Goulart, no Centésimo Vigésimo Quarto Ano da Republica Brasileira?

Que república democrática é essa, onde o Estado ainda tem um Judiciárioque ao contrário de seguir a Constituição faz a sua própria lei?

Que imprensa livre é essa que conglomerado de empresas de comunicação onde trabalham dominam 70 % da mídia brasileira.

Não sem razão que nesse aniversário de Cento e Vinte e Quatro Anos o justo homenageado tenha sido uma vítima por envenenamento.

 

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