Judeus alemães organizam Flotilha da Liberdade para levar mantimentos a Gaza

Israel e o sionismo estão conseguindo o impensável. Colocar os judeus contra eles.

O assassinato cruel pelas tropas de Israel de 9, 19 ou mais de 50 libertários, quando navegavam em direção a Gaza carregados de ajuda humanitária, continua causando comoção e indignação da humanidade.

Agora quem vai protestar são os membros da Organização Voz Judaica da Alemanha para a Paz no Médio Oriente

Já estão preparando uma Flotilha da Liberdade para seguir em direção à Palestina Ocupada.

Katie Laitrer, membro da organização, diz que os judeus alemães ficaram “assustados” não com o Hamas, mas pela virulência da soldadesca israelense.

“Pretendemos sair em julho”.

Explicou que inicialmente pretendiam seguir em apenas um barco, mas devido ao interesse de judeus de diversas partes do mundo em aderir, provavelmente haverá outros barcos.

Ela acusou Israel de agir “criminosamente” contra os membros da
Flotilha da Liberdade. E que Israel “não deve agir como piratas”.

"Katie afirmou que já esteve em Gaza e foi muito bem tratada.

"Nós também conversamos com os gazenses recentemente e eles estão muito ansiosos por nossa vinda. Estamos assustados com o que aconteceu no Marmara, mas se você está empenhado em fazer coisas boas, você tem que agir. Pessoas também foram mortas na luta contra o fascismo”

Edith Lutz, outra membro da Organização judaica alemã informou que "dois anos atrás, participou da
Flotilha Gaza Livre e quando chegou a Gaza, crianças perceberam que ela usava uma estrela de Davi.

“Fui cercada de crianças que diziam – olha, ela é judia. Quando nos encontramos com Ismail Hanieh (líder do Hamas) e o informaram que eu era judia, ele virou para mim e disse que o Hamas não tem nada contra os judeus ou israel, apenas contra a ocupação”.

Essas informações foram extraídas do jornal israelense Yediot Aharanot e pode ser lida em
http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-3899915,00.html

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Esse é o VERDADEIRO povo judeu...
hermê,
vi isto aqui também:

O velho menino de Gaza e o mar
por Ramzy Baroud


Nasci e cresci à beira do mar de Gaza. Nunca, na minha infância entendi como aquela água imensa, que prometida liberdade sem fim, servia também como limite intransponível de terra tão pequena e tão apinhada de gente – terra e gente que sempre, perpetuamente, vivia como reféns, por mais que perpetuamente sempre tenham vivido em estado de resistência.

Desde menino, fazíamos, minha família e eu, a pequena viagem, do campo de concentração de refugiados onde vivíamos, até a praia. Íamos numa carroça velha, laboriosamente puxada por um burrico também velho. No momento em que nossos pés tocavam a areia morna, começava a gritaria. Os pés das crianças corriam mais rápidos que campeões olímpicos e, por algumas horas, todas as preocupações desapareciam. Ali não havia ocupação, nem prisão, nem status de refugiados. Tudo tinha cheiro e gosto de sal e melancias. Minha mãe sentava-se sobre um lençol remendado, para impedir que voasse. E ria dos gritos do meu pai, tentando impedir que as crianças avançassem muito no mar.

Eu mergulhava, cabeça embaixo d’água e ouvia o barulho do mar. Depois levantava a cabeça, dava as costas à praia e olhava em frente, na direção do horizonte.

Aos cinco, seis anos, acreditava que logo adiante, depois do horizonte, havia um país chamado Austrália. As pessoas lá viviam livres, podia ir e voltar quanto quisessem. Não havia soldados, nem armas, nem atiradores emboscados. Os australianos – por alguma razão inexplicada – gostavam de nós e um dia apareceriam para nos visitar. Falei dessas ideias aos meus irmãos, mas ninguém se convenceu a esperar por eles. Minha fantasia cresceu, mesmo assim, como logo aumentou a lista de outros países que havia lá, depois do horizonte. Um desses países chamava-se EUA e as pessoas falavam engraçado. Havia também uma França, onde as pessoas só comiam queijo.

Eu vasculhava a areia, à procura de “provas” da existência de outro mundo depois do horizonte. Procurava garrafas com letras estranhas, latas, plástico que a maré trazia dos barcos que passavam distantes. Minha maior felicidade era encontrar letras em árabe, que tentava empenhadamente ler. Assim aprendi que havia países como Arábia Saudita, Argélia e Marrocos. Lá viviam árabes como nós, e muçulmanos que rezavam cinco vezes ao dia. Mistérios. O mar, pelo visto, era mais misterioso do que se podia imaginar.

Antes do primeiro levante dos palestinos em 1987, a praia de Gaza ainda não fora declarada zona militar proibida. Os pescadores ainda podiam pescar, embora só numa área restrita e bem limitada. Podíamos nadar e fazer piqueniques, embora só até às 6h da tarde. Até que um dia, chegaram os jipes com soldados israelenses, sirenes tocando pela estrada asfaltada, e cercaram a praia, separando-a do campo de refugiados. Apontaram armas e exigiram imediata evacuação. Meus pais gritaram assustados, e nos fizeram correr de volta para o campo, sem nem nos vestir, só de calções de banho.

A televisão israelense anunciou em seguida que a Marinha de Israel havia interceptado terroristas palestinos, em barcos de borracha, que tentavam invadir Israel. Todos foram mortos ou capturados, exceto os que poderiam estar ainda a caminho das praias de Gaza. A confusão, para mim, foi terrível. As imagens mostravam imagens dos palestinos presos. Eles choravam ao lado dos corpos dos camaradas palestinos mortos, cercados por soldados israelenses armados, que festejavam, triunfantes.
Tentei convencer meu pai a irmos até a praia, para esperar os outros palestinos. Ele sorriu triste e não respondeu. Mais tarde, a televisão informou que não haviam sido encontrados; que se haviam perdido no mar, ou naufragado. Nem assim perdi a esperança. Pedi que minha mãe preparasse seu famoso chá com menta e sanduíches de pão e queijo. E esperei até a manhã seguinte, que os “terroristas” perdidos no mar chegassem ao nosso campo de refugiados. Se chegassem, queria que encontrassem o que comer. Mas nunca chegaram.

Depois desse dia, nunca mais faltaram barcos no horizonte. Todos da marinha israelense. O aparentemente pacífico mar de Gaza, era agora fonte de infinitos perigos, mas também de possibilidades. Então, aumentaram minhas idas até a praia. Mesmo depois de crescido, e mesmo durante os toques-de-recolher dos israelenses, eu conseguia ver alguma coisa: subia ao telhado de nossa casa e examinava o horizonte. De algum lugar, algum dia, algum barco chegaria a Gaza. E quanto mais difícil ficava a vida, mais aumentava minha fé.

Hoje, décadas adiante, olho um outro mar, distante, muito distante do mar de Gaza onde nasci. Já não tenho direito de pisar na Palestina há muitos anos. Olho o mar, aqui, e penso nos outros, em casa, à espera da chegada dos barcos. Dessa vez, há possibilidade real de que chegue algum barco. Acompanho o noticiário, com lucidez de adulto e, também, com a emoção, a trepidação dos meus seus seis anos. Imagino a Flotilha da Liberdade carregada de comida, remédios, brinquedos, logo ali, depois do horizonte, chegando, chegando, fazendo realidade o velho sonho. O sonho de que todos os países em cuja existência eu acreditava, embora meus irmãos repetissem que não, não, não existem, são ficção, sim, sim, existem; e chegarão, sob a forma de cinco navios e 700 ativistas da paz. Representam a humanidade, pensam em nós. Pensei em quantos, lá, naquela noit e, podendo, prepararam alguma comida, para alimentá-los quando chegassem, e à espera deles.

Quando começaram a chegar as notícias de que os barcos haviam sido atacados antes até de cruzarem o horizonte de Gaza, que havia ativistas mortos e feridos, o menino de seis anos que sobrevive em mim, encolheu-se de dor. Chorei. Mal conseguia falar. Nenhuma análise política daria conta daquilo. Nenhuma notícia de televisão conseguirá explicar aos meninos que hoje têm seis anos em Gaza, que seus heróis foram assassinados e sequestrados, simplesmente porque queriam abrir o horizonte.

Mas, apesar da dor que continua, mas aprofundou-se, desceu para bem dentro de mim, e das vidas ceifadas, e das lágrimas que, em todo o mundo, se choram hoje pela Flotilha da Liberdade, sei agora que minhas fantasias não eram sonho de criança. Havia, nos barcos, gente da Austrália, da França, da Turquia, do Marrocos, da Argélia, dos EUA e de muitos outros países, que vinham em nossa direção em barcos carregados de presentes de outros muitos, que, por alguma razão, ainda pensam em nós e nos amam.

Mal posso esperar para chegar a Gaza, a bordo de outro barco, e dizer aos meus irmãos: “Viram, só? Eu sabia!”

mais detalhes aqui:
(Ramzy Baroud (www.ramzybaroud.net) é jornalista, escreve em vários jornais do mundo.
É editor de PalestineChronicle.com. Seu livro mais recente é My Father Was a Freedom Fighter: Gaza's Untold Story [Meu pai foi combatente pela liberdade: a história não contada de Gaza]
(Pluto Press, London), disponível agora em Amazon.com.

todas estas informações foram extraídas do insuspeito blog do bourdokan que,aliás, deveria ser visitado por todo mundo.

http://blogdobourdoukan.blogspot.com:80/
Precisa ser completamente tapado pra não se comover, não é, amiga?
Não vão passar enqto a comunidade internacional não interferir drásticamente.Altos negócios com Usa faz nenhum país entrar frontalmente contra Israel e a fragilidade que se encontra os países europeus,hoje alemanhã maior força econômica dentro da europa faz restrinções severas de gastos.Por isso essa história ainda vai demorar pra parar.Exceto se permitirem o Irã e seus navios de guardas a embarcações que queiram chegar a Gaza.Irã nesse momento nessa região é guerra na certa, é isso que Israel quer com suas provocações. A força da industria de armas, como disse Stone ontem na entrevista a Kennedy Alencar, pedi guerras para se alimentarem econômicamente.
E mais uma vez o justo pagará pelo pecador.
Hermê

A luta dos verdadeiros judeus contra os Sionistas não é de hoje, e eles não se escondem. Leia o livro "Judeus contra Judeus", e verás que há razões profundas (bem mais do que uma política partidária) para haver uma desavença tão grande.
maestri, existem judeus pacifistas E sionistas.

O sionismo é o movimento nacional que advoga o princípio do direito dos judeus ao que eles julgam ser seu lar nacional - a Terra de Israel.
difícil um judeu não sionista tomado nesse sentido, já que isso significaria a não-existência de Israel - exceto os ultra- religiosos...

Minha amiga que mora lá, por exemplo, nem é a favor de dois estados, dois povos e sim de um estado, dois povos, por acreditar que a Palestina pertence aos dois povos (ISRAELENSES E PALESTINOS)

grande parte dos judeus que atacam a existência de Israel, o faz por motivos religiosos, a terra não deveria ser dada pelos homens, e sim pelo Messias - mas aí complica, é a Grande Israel...

o movimento sionista não é sinônimo da belicidade da política externa Israelense, inclusive os kibutz foram das experiências socialistas mais produtivas.
nem me fale....
só quis colcar isso poque às vezes aparecem como sinônimos coisas distintas..
Cabocla

Se tiras a religião judaica de uma pessoa ele deixa de ser Judeu, ele fica Norte-americano, Brasileiro e daí por diante. Quando não existe a influência de uma mama iídiche ou quando esta pesoa perdeu a religião, ele se descaracteriza por completo. Há um grande movimento na comunidade judaica para impedir a diminuição do seu número, mas esta diminuição está se tornando inexorável, e um dos motivos para que muitas pessoas não Sinistas continuarem apoiando Israel é para não perder suas origens (até certo ponto correto a tentativa de manter a cultura), mas a cada geração sobram de um lado os religiosos e do outro os Sionistas. Com o que está fazendo o Estado de Israel esse fosso aumenta eliminando aqueles que querem somente manter a rica cultura judaica
Rogério, vou ler assim que encontrar, obrigado.

Faça-se um favor: não deixe de ler o texto que a Simone postou neste tópico, logo adiante.

abraço
Sem Título

Uma nova construção

Nos é possivel

No caminho desta

Deparamo-nos

Com veredas nunca traçadas

Com vôos impensáveis

Com. O proibido

Com. O pensamento

Com. O tangível


Traduzir os conflitos,

Em versos

Extrair da vida

A poesia.


( stella maris )
e o que é ser judeu? pra mim todo mundo é judeu, pra significar que ninguém é de maneira monolítica. a questão é européia e norte-americana, pra mais uma vez marcar suas diferenças pela exclusão.

leitura recomendada, muito esclarecedora:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-33002007000300006&scr...

falamos de política de estado, o Estado de Israel. não de poucos heróis e gente decente que vive em Israel, contra o sionismo, humanistas.

há reações contra o último desastre contra Gaza, realizada pelos fuzileiros israelenses, que são defesa do establishement. há motivos de sobra.

a Turquia é o aliado muçulmano de Israel.

leia-se: a Turquia é chave como escala obrigatória de grande parte das importações - todo o petróleo, praticamente -; os prejuízos do priaprismo bélico contra Gaza atingiram grande parte do mundo ocidental, o Japão e a Rússia. A Nicarágua, o Equador e a África do Sul cortaram relações diplomáticas com o Estado terrorista.

a questão passa pela sobrevivência de Israel, sem que se desconsidere que a fissura criada, que talvez favoreça aos palestinos. mas em qual direção?

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