A natureza humana é um grande mistério mesmo. Para o bem ou para o mal, frequentemente ela nos surpreende. Vejam esse exemplo: esses dias conversei com uma senhora, empregada doméstica, que morava numa favela próximo ao aeroporto e que pegou fogo em dezembro. Comovidas, muitas pessoas se dispusseram a ajudar. Até aí tudo bem. Mas ela me disse, e ela tem "experiência" com essa situação, que muita gente se propõe a ajudar, mas, no meio da bagunça, roubam parte dos bens que sobraram dessas famílias.
A natureza humana nos surpreende às vezes mesmo...

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Paulo, se há alguma coisa que caracterize a "natureza humana" é o fato de NAO EXISTIR NATUREZA HUMANA. Humanos sao seres altamente condicionados pela cultura em que vivem, nao há padroes de instintos bem definidos que caracterizem a espécie humana.
Por que tem tanta certeza disso?
Nao sou eu quem diz, Paulo. Mas 95 em 100 dos cientistas sociais, e sem dúvida a Psicanálise. Embora os psicólogos evolucionistas tenham a opiniao contrária, mas, francamente, eles sao primários, nao dá para levá-los a sério. Mesmo nos animais essa história de instinto é muito variável segundo as espécies. Os primatas superiores, por ex., têm cultura rudimentar.

Mas basta você mesmo pensar na variedade de costumes e valores de diferentes grupos humanos. Se os humanos fossem guiados por instintos, esses instintos seriam os mesmos para toda a espécie.
Mas, por exemplo, o instinto da auto-preservação, não é universal?
Bom, alguma base instintiva ainda temos. Precisamos comer, tb (só que nao temos fome de comida, e sim de, conforme a cultura, de filé, bobó, frango ao curry, etc. ...).
Que eu saiba, há gente que escreve da esquerda para a direita, da direita para a esquerda e de cima para baixo. Nunca ouvi falar de quem escrevesse de baixo para cima. Haveria aí uma característica universal: ninguém escreve de baixo para cima. Na minha coleção de características verdadeiramente universais há muitas outras inutilidades como esta.
O exemplo que usas, caro Paulo é o do saque individualizado (furto). Nas catástrofes da história recente temos o Haiti, Nova Orleans, Santa Catarina (no do ano retrasado, há notícias). Me atenho a estes três apenas para demonstrar que em diferentes sociedades, culturas, economias, magnitude dos eventos, isto tem acontecido.

Penso que dos problemas, quanto às explicações, é que das teorias que temos acerca da vida humana (creacionismo ou evolucionismo) tendem a confundir mais ainda pois cada defensor de tese vem com justificativas, prerrogativas ou preconceitos para tentar explicar o decaimento, diante do que preconiza ou sugere aquela tese e por vezes tornam mais confusas e "desentendidas" as causas e possíveis soluções. Enquanto isto, apenas há o intervalo até o próximo acontecimento.

Particularmente, penso não ser, tais eventos da natureza (real) humana pois junto com estes modos de operatividade, há demonstrações de medo, angústia, fuga, tensão, acobertamento e arrependimento. Tais negatividades, pelo desconforto que causam ao réu ou vítimas, me inclina a pensar que são eventos anti-naturais.
Das principais causas que enxergo nos eventos são: a perda da esperança ou a desesperança, provocada pela competitividade reinante na maior parte da humanidade atual. Quando se instala a estratégia de vida do ganha-perde, é muito difícil que não se enxergue ao outro como um inimigo a vencer. Este "treino" diário, mesmo em condições "civilizadas" (ou sob controle) tem provocado o estresse moderno, inclusive. Quando se está bastante "adestrado" por tal modo de ver a vida, muitas das decisões serão baseadas através do medo, da escassez. Este modo de vida, deprime e oprime pois são contrários à real natureza humana.
Respeito as posições, mas para mim, são teses que não se explicam. Falta fundo lógico:

16/01/2010 - 07h43
Luta pela sobrevivência anula civilidade, dizem psicólogos

MARY PERSIA da Folha Online

As imagens de saques em meio às ruínas de Porto Príncipe rodaram o mundo e se destacaram em meio ao choro e à desolação dos haitianos em ruas, praças e tendas improvisadas. No cenário de destruição, a insegurança em relação à própria sobrevivência passa a ditar as ações das vítimas do terremoto que devastou o Haiti na terça-feira (12).

Para os haitianos, a incerteza quanto ao futuro diz respeito não ao próximo ano ou década, mas à próxima hora. Onde não há quase nada, a civilidade desaparece. "Vemos o desespero ali. Existe uma perda de controle das pessoas", diz Leila Tardivo, livre-docente do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo). "Muito da própria civilidade se perde. Há um desespero mais que animalesco na briga por comida."

Para a psicóloga, o mundo está diante de um vórtice de estresse incomensurável. "É quase uma horda primitiva, e digo sem qualquer preconceito. É a perda da civilidade, da evolução como homem, provocada por uma situação extremada que não podemos julgar --não nos é dado esse direito. Qualquer um de nós poderia fazer aquilo."

Diferentemente do que as imagens divulgadas na TV e na internet podem sugerir, o ato de saquear comida pode ser a face de um contexto emocional que não tem relação com o egoísmo, ressalta Eliana Torga, coordenadora da comissão de emergências e desastres do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais. "As pessoas que saquearam podem ter tido um ato altruísta, no sentido de dar aquele alimento para o filho ou para a mãe. É uma situação muito além dos limites dele", considera. "Aquela realidade mexe tão profundamente com questões básicas do ser humano que eles perdem os controles sociais que todos temos, de moralidade."

Angela Coelho, colaboradora do Conselho Federal de Psicologia, esteve no Peru em 2007 para prestar auxílio às vítimas do terremoto em Pisco. Para ela, sentimentos e ações de toda espécie são esperadas após um desastre. "Não ter nenhuma reação seria estranho", diz a psicóloga, que estuda o tema há quase 20 anos.

Hoje, o Haiti é um terreno mais que favorável ao estresse pós-traumático, numa equação cujos fatores são muito mais antigos que os tremores de magnitude 7,0. "O desenvolvimento do quadro de estresse está ligado a comprometimentos anteriores ao evento. As pessoas já eram vítimas de problemas antes do desastre", diz Ângela. Se antes do terremoto os sentimentos de insegurança e desordem estavam sempre presentes, agora eles são gritantes.

Apoio e vitimização

A extensão dos problemas psicológicos dos haitianos terá relação direta com a demora no atendimento das necessidades básicas de sobrevivência, lembra Eliana. "Quanto mais rápido for restabelecida a normalidade da vida, menor o comprometimento", diz a psicóloga, referindo-se tanto a questões emocionais como físicas. "O fato de ter fé ajuda muito a manter a esperança. Mas o que vai confortá-los é o atendimento das necessidades básicas. É preciso um abrigo, de lona que seja. Um psicólogo pouco ou nada poderá fazer se não houver o que comer."

No trabalho da ajuda humanitária para prover comida, abrigo e um mínimo de sanidade, é importante não subestimar as capacidades das vítimas e buscar contemplar a cultura e a experiência locais, afirma Márcio Gagliato, psicólogo que atuou em regiões de conflito como Timor Leste, Ruanda e Sudão.

"É preciso ver essas pessoas como sobreviventes ativos. Eles são os proprietários da sua localidade, têm uma cultura. É necessário colocá-los nesse processo", diz o especialista. "É algo fundamental para pensar no processo de reconstrução."

Assim, a comunidade mostra-se mais importante do que um psicólogo, e as equipes de auxílio devem estar atentas a isso. "Coisas simples como facilitar a comunicação entre eles para que se encontrem são muito importantes", diz Gagliato.

Em 2004, quando um tsunami parte da Indonésia e outros países asiáticos, a organização local foi um ponto de apoio fundamental para a reconstrução. "A ajuda humanitária internacional ficou surpresa com as comunidades. Eles se reorganizaram e formaram guetos", relata. "É importante não vitimizarmos mais ainda as vítimas."
Por que você acha que falta fundo lógico, Ney? Gostei bastante do texto, e concordo com ele. Naquelas circunstâncias, ninguém sabe o que seria capaz de fazer ou nao.
Cara AnaLu, como vai?
De fato, a minha opinião, está no comentário acima da reportagem da Folha. A falta de civilidade, independente das circunstâncias é cada vez mais previsível. O mau comportamento tem sido a norma, mesmo em momentos de maior estabilidade. A questão é que a visão atual, se escora na TESE evolucionista: realmente, para quem "veio" do macaco parece que não se tem muito o que fazer. Alguns comportamentos de cunho violento, parecem ser aceitáveis, em situação de estresse. A questão principal é que o estresse, na maioria das vezes, é uma reação de defesa egótica (a visão que eu tenho de mim) e como esta visão é por vezes pouco sustentável, vivo sempre sob tensão e preparado a responder reativamente (conforme o "treino" egótico) às agressões que percebo serem dirigidas a mim (ego). Como acredito que muitos eventos "delicados" ainda devam ocorrer ao ser humano moderno, poderemos, ali, analisar melhor os grupos e pessoas que responderem reativamente ou proativamente aos "desafios" colocados.
Ney, nao entendi nada do que você quis dizer com isso. Em que a tese evolucionista entra nisso? Você nao está defendendo o criacionismo, está? Claro que é seu direito, se estiver, mas francamente... Estamos no século XXI.

Aliás, evolucionismo nao quer dizer luta de todos contra todos (o altruísmo e a cooperação tb ajudam a evolução das espécies) e, assim como nao há natureza humana única, tb nao há "natureza animal" única. Nos animais, há natureza (instintos que governam o comportamento), mas nao é a mesma em todas as espécies.
Cara AnaLu. Nem evolucionista, nem creacionista.

Penso que a TESE evolutiva não se fundamente por muitas questões, mas me atenho a que vejo como principal: a entropia da matéria nos lembra que tudo o que há, da forma como é conhecida, passa por um estado de disponibilização de uso (energia) até um estado de indisponibilização. Ou seja, a inevitável degradação entrópica, seria um impeditivo para que a vida transcorrese dentro da visão linear proposta pela teoria darwinista.

Penso que a TESE creacionista, tenha como sua maior inconsistência, o fato de que um Criador perfeito, teria pouca (ou nenhuma) possibilidade de criar o imperfeito.

O que vejo que ocorre é que muito da confusão que cientistas e criacionistas se perdem, perdem tempo, vivem em conflitos e discussões, tentando explicar que as "mazelas", fraquezas e imperfeições humanas estão ligadas a dois itens que escravizam ao ser humano e que não se enxergam soluções possíveis além de receitarem remédios e remendos: para o evolucionista, viemos do animal irracional, violento e que vivia unicamente pelo propósito da sobrevivência (como disse, comparando-se a isto, até que estamos bem e não há do que reclamar, apenas continuar a viver brigando com o outro, pois se não me entendo, como poderei entender ao outro?); para o creacionista, em sua maioria, apesar de nascermos do Creador, nascemos sob as limitações impostas pelo pecado e também ficamos aprisionados em um caminho e só resta a devoção, a penitência ou a negação.

Mas e aí que estamos no século XXI, chamado de a era da informação, se a maioria delas são pouco úteis, contraditórias e amedrontadoras. Digo isto pois trabalho na área de TI onde, segundo pesquisas, tem a maior quantidade de estressados. Informações, teorias e intelectualização demais, não quer dizer conhecimento.

Com todo o respeito, instintos não creio que governem ao comportamento. No máximo, provoquem inclinação, tendência. O que governa, em minha percepção às decisões humanas, é o intelecto (capacidade de discernir, julgar). A questão é que hoje, por este estar destreinado e "solto" no piloto-automático da reatividade, muito das vezes o intelecto julga ao feito, depois do ocorrido, motivo que consolida ao arrependimento, a tristeza ou a depressividade (nas vezes, como tem sido usual, em que o feito foi contrário a ética benevolente do ser).

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