Como era de se esperar a reação não tardou. O desembargador Carlos Marchionatti encontra até referência a divindade no hino nacional (?!?): 

"A maioria tem sentimento religioso, o hino nacional tem referência à divindade. Cristo, no âmbito do Judiciário, representa a Justiça"

Sugiro então, substituir a cruz pelo Cruzeiro.

Da Folha de São Paulo

São Paulo, sábado, 17 de março de 2012

 

Magistrados criticam fim de crucifixos no Judiciário

Ex-ministro Brossard ataca decisão do TJ-RS

FELIPE BÄCHTOLD
DE PORTO ALEGRE

A retirada de crucifixos de salas do Judiciário gaúcho, decidida na semana passada, causou controvérsia pelo Estado e já desperta reações, da igreja ao meio político.

Dois desembargadores declararam oposição à medida e anunciaram que não vão retirar o símbolo religioso de suas salas até que haja decisão definitiva sobre o caso.

No último dia 6, o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul decidiu atender a pedido da ONG Liga Brasileira de Lésbicas e mandou tirar os crucifixos de todas as salas da Justiça do Estado.

O desembargador que relatou o caso argumentou que a presença do objeto religioso pode levar o julgador a não ficar de modo "equidistante" dos valores em conflito.

Cidadãos comuns e a Associação de Juristas Católicos mandaram representações ao tribunal solicitando a reconsideração da medida.

O arcebispo de Porto Alegre, Dadeus Grings, disse que a atitude não foi democrática. Anteontem, Grings se encontrou com o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Paulo Brossard, também crítico da decisão, e conversou sobre o assunto.

Em artigo, Brossard citou a medida como sinal de "tempos apocalípticos".

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) disse que irá enviar representação ao Conselho Nacional de Justiça contra a medida e prometeu levar o debate ao Congresso.

Um dos desembargadores que se opõem à decisão, Carlos Marchionatti, diz que o Conselho da Magistratura não é a instância adequada para tratar do assunto e que a separação entre Igreja e Estado não é absoluta no país.

"A maioria tem sentimento religioso, o hino nacional tem referência à divindade. Cristo, no âmbito do Judiciário, representa a Justiça", diz.

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Respostas a este tópico

Cristo "crucificado", se algo deveria representar no âmbito do Judiciário, deveria ser, isto sim, a Justiça MAL FEITA. E deveria também representar os riscos de se envolver religião com política e, riscos muito maiores, de se envolver Justiça com política, mas, como para alguns os símbolos e as palavras mudam o seu significado com o passar dos anos, não é de estranhar o surgimento de posições vazias, com mãos mais sujas ou mais lavadas, em meio aos sucessores de Pilatos.    

Jose,

Não havia pensado sob esta perspectiva. Muito interessante a visão de Pilatos como patrono da justiça brasileira...

Não havia pensado numa relação tão "exclusiva", apenas rememorei o fato de que Pilatos foi o "juiz" e, portanto, representava o "Judiciário", naquela condenação também representada na guerreada "cruz" e, rezando a tradição que este "tinha conhecimento da inocência de Jesus", demonstra que o seu julgamento não foi, também, lá "muito limpo", por mais que lavasse as mãos, ou o que quer que fosse, em reluzentes bacias.  

 José,

Então, e eu me dei a liberdade de adotar o patrono... você sugeriu e eu, sem problemas, assumo a responsabilidade da relação "exclusiva"!

Diria que é muito "justo"...

(para não fugir ao tema)

Saudações

Dá um desânimo na gente... 

AnaLú,

Não é para tanto! Você esperava algo diferente? 

Bom, Gil, dizem que a esperança é a última que morre, nao? (rs, rs, meio amarelos...) 

eu já tinha dito por aqui, em algum topico ( não lembro onde)

que no final,  não deixariam  tirar a cruz..

Infelizmente!

como diz analú "Dá um desânimo na gente... "

Isabeau,

gostei do teu ponto de vista

(não do Cony)

Isabeau

Olhando sob a ótica religiosa, Cristo foi uma imolação e não um assassinato, tanto que Cristo na tradição religiosa é chamado Agnus Dei, ou seja, Cordeiro de Deus.

Nunca tinha me detido com calma neste ponto, veja João Batista em João, 1:29, diz "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.", ou seja, anos antes da morte de Cristo, aquele que vinha para anunciar a boa nova já previa a imolação de Cristo para a salvação dos homens. Também perante a crucificação, Cristo diz, "Pai, Pai, por que me abandonaste".

Fica claro que o sacrifício de Cristo era previsto desde os Salmos até o fim dos evangelhos, não como um erro judiciário, mas sim como uma predestinação já traçada há muito tempo.

Voltando ao Agnus Dei, o cordeiro era um animal que era oferecido em sacrifício à Deus para o perdão dos pecados, e da mesma forma, Cristo liberta os homens do pecado original com o seu sacrifício e a crucificação.

Quero dizer que não sou religioso, porém acho que tive uma boa educação religiosa, e baseado nesta posso dizer que segundo o Cristianismo, o grande erro judiciário que Pilatos e os Judeus poderiam ter feito era a não crucificação!

Kikiki, Rogério , tá tudo certinho, só faltou um detalhinho. Vc tá sabendo disto tudo agora né? Lá na hora, no momento em que se firmava na Terra o Cristianismo, com seu  dogma da ressurreição e da trindade do deus uno, se é que até mesmo o próprio Cristo sabia,  a informação era privilegiada. E, ainda assim, na hora do vamos ver mesmo, tremeu nas bases e se sentiu abandonado.  Tá achando que é fácil? Todo mundo quer ver Deus, mas ninguém quer morrer, nem prá Deus filho a coisa foi tranquilinha. Ele ali ainda era apenas mais um judeu. Seus seguidores, no máximo o viam como um judeu progressista, uma vez que o lançamento do novo testamento ainda não tinha nem acontecido. Agora, vinte e um séculos depois, depois que já te contaram tudin, até eu que sou mais boba, né Maestri? Pilatos declinou sim da jurisdição. O julgamento foi sumário, feito por tribunal de exceção. Não houve contraditório, as provas estavam todas viciadas e nem oportunidade de recurso houve. Foi sim um erro prá entrar prá história. 

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