De quando Mainardi plagiou minha idéia, mas que era dele

Sim, claro que o título acima ficou confuso, ou, sem nexo. Mas, creia-me, ele faz sentido e mostra como as idéias (por assim dizer) de Diogo Mainardi são tão medíocres quanto previsíveis. E só lembrei do tema quando me deparei com um artigo no blog do Nassif comparando o Orkut com o Facebook.  

 

Lembrei, por exemplo, de uma comunidade no Orkut montada para as pessoas se divertirem à custa do então colunista da Veja. Depois que a tal comunidade mudou de dono e de rumo, várias pessoas (como eu) saíram ou foram banidas.

 

Bom, lá pelas tantas (isto em 2005) lancei na comunidade uma série de textos e idéias medíocres que, na verdade, poderiam sair facilmente na coluna do Mainardi. Em suma, a brincadeira consistia em escrever boçalidades à moda do colunista da Veja. Por exemplo: sob o título "Qualquer idiota pode ser Mainardi", provei que qualquer argumento servia para falar mal do Brasil, da esquerda brasileira etc - e fazer muito sucesso entre a turba que ama a Veja e odeia o Brasil. No caso, usei como argumento a fila até entrar num tema caro para nós brasileiros: a invenção do avião. Clique no link abaixo para acessar o texto completo:

 

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=1072960&tid=7678856

 

Bom, o trecho que interessa é o que segue abaixo:

 

"Faz-se fila para tudo: beber água, comprar batata, apostar na loteria etc. Talvez daí tenha brotado a balela de que a fila é invenção de brasileiro. É uma pretensão tão idiota quanto dizer que foi Santos Dumont quem inventou o avião. Ora, o mundo todo sabe que o avião foi inventado na América do Norte. Só esqueceram de avisar aos brasileiros. Daí, aos intelectualóides de meia-pataca só resta ficar chorando contra o “imperialismo ladrão de idéias”. Se resta alguma dúvida, então peça para alguém dizer com quantos inventos os americanos contribuíram para o progresso da humanidade; e peça para alguém contar quantos inventos relevantes surgiram no Brasil."

 

A ideia idiota acima - em que eu me fazia de "clone" de Mainardi - é de fevereiro de 2005. No caso do avião, a autoria da invenção é polêmica. Mas o fato é que o primeiro aparelho capaz de voar sustentado por si mesmo (capaz de decolar, voar e pousar) foi construído e demonstrado em público por Santos Dumont. Enfim, brasileiros, franceses e norte-americanos brigam pela autoria da ideia e cabe à paixão de cada povo tentar convencer o mundo quem está certo. E cabe ao complexo de vira-latas de alguns brasileiros dizer que "esse Brasil imprestável nunca seria capaz de inventar algo relevante". 

Eis que em março de 2009 o colunista da Veja lança um artigo intitulado "A inteligência brasileira". Bem no intertítulo do artigo você lê:

 

"A verdadeira proeza de Santos Dumont foi conseguir inventar o avião três anos depois de o avião ter sido inventado pelos irmãos Wright".

 

E segue o artigo, do qual limito a reproduzir apenas o início - que fala pelo todo:

 

"– Chester.

– Copo de polipropileno.

– Chinelo de dedo.


Uma empresa internacional de assessoria, Monitor Group, publicou uma lista com as 101 maiores descobertas brasileiras. É um retrato da engenhosidade nacional. Quem precisa de Arquimedes, se nós criamos a lombada eletrônica? Quem precisa de Leonardo da Vinci, se nós criamos a caipirosca engarrafada? Quem precisa de Thomas Edison, se nós criamos o fast-food de bobó de camarão?"

 

Enfim, acho que agora o título deste tópico faz sentido... Ou não?

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Respostas a este tópico

Ô seo Michel Arbache! (isto é árabe ou iídiche?)  Posso dar uma palavrinha sobre este teu texto? Podendo ou não podendo, lá vai : SESQUIPEDAL!  Mais umas, à mando de minha esposa; Inrível, fantástico, extraordinário, maravilhoso!

Quando li "Euripedes", pensei que fosse o Alcântara, editor da Veja, para defender o seu pupilo rs.

Arbache é sírio. É a mesma coisa que Arbach ou Arbex. Na pronúncia brasileira, a segunda sílaba (ba) é a tônica. Mas na pronúncia original, a primeira sílaba (Ar) é a tônica e a última é fricativa, com o final "ch" (sem o "e"). A forma mais correta de grafar seria algo como "Árbech". Enfim, a família "Árbech" se "dividiu" nos cartórios espalhados pelo Brasil, nos quais cada escrivão registrava à maneira que ouvia. O mesmo fenômeno ocorreu, por exemplo, com "Nassif" e "Nasser". E o mesmo fenômeno ocorre com o "Maicon" (de Michael) ou "Sirlei" (de Shirley).

 

Abraços a você e esposa e obrigado pelo comentário simpático!

Não me ofendi, pois sei que associações de ideias ocorrem justamente ao que está mais próximo, mas logo com o Alcantara, pô? Não dava pelo menos para lembrar do Barsanulfo, aquele baluarte mineiro do espiritísmo? Melhor seria associar meu nome ao célebre poeta teatral grego, autor de Eletra e Alceste, de onde realmente foi tirado. Mas, do Alcantara? Maldade.

Michel, me desculpa, mas estás errado. Não é qualquer idiota que pode se comparar ao Mainardi. O cara é inigualável e insuperável em idiotice. Abraços.

Concordo contigo. Mas me perdoe porque o texto é de 2005, tempo em que eu mal conhecia o dito cujo. Depois que eu soube do grau da importância dele para o nosso progresso intelectual, não perdi mais tempo em falar sobre ele.
Depois que ele foi prá Venesa fiquei sem fonte de informação segura. Procurei saber onde fica, como é a cidade. Vi uma foto e fiquei pasmo !!!! Ir tão longe pra viver numa cidade com enchente. Sem esse meu guru estou perdido. Alguem aí pode indicar um ??? Reinaldo Azevedo não gostei, tem cara do Amigo da Onça. Um mais bonitinho, moderninho. Quem souber me avisa por favor. 
Nassif diz que Mainardi & "Tio Rei" formam a dupla ideal para aquela revista semanal extravasar o esgoto que o veículo evita despejar mais abertamente. Mas no fim das contas a revista despeja semanalmente seu esgoto e é a mais vendida. E Veneza (que todo mundo ama) é a única cidade turística do mundo onde o esgoto é despejado nas ruas e ninguém reclama. Mainardi já morou lá e, pelo visto, vai morar de novo. Tudo a ver, não!?  
Se o esgoto é jogado nas ruas, praque ir lá? Aqui em SP o Cerra póe agua e esgoto prá todos. Ah!!!!!!!! tem as pombas. Igual dos Mamonas, tem mira a laizer.

oxente, faz todo o sentido, michel (ou archel, né?)

e gostei demais destas tuas reminiscências: quanto ranço este espírito colonizado do mainardi guarda no coração, hein?

cruzcredo!

Luz, não me venha com esse papo de "oxente" tirando onda de nordestina. Porque você é mineiríssima como eu rs.

 

Sim, "espírito colonizado" é uma das definições para o filhinho do seu Enio. Para quem não sabe, o elemento quis ser cieneasta e fracassou. E na empreitada, torrou muita grana do papai.

nem vem que não tem, seu moço.

a parte mais bonita que tenho comigo é nordestina...

bão, mas tenho um lado mineiro, né?! entendi perfeitamente, viu!

mas esta porção mineira é artigo de primeiros socorros... sobrevivência que a vida ensina...

 

quanto ao dito cujo é estrangeiro mesmo. aqui, ali e acolá, enfim, não tem pátria, naquilo que a pátria representa a identidade de um povo.

A imprensa brasileira sofre com saudades do cáustico, adorável rabugento, o polissêmico Paulo Francis. O que naquele era charme na rabugice , neste  aspirante a polemista cheira a mamadeira rançosa, perdido seu tempo de ingesta, de uma criança crescida e não notificada, da necessidade de ser adulto. Sua ira verborrágica  contra tudo e todos é caso de fixação oral , Freud diria. Um embalar de carinho materno resolveria a contento.

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