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Criei esse tópico para levantar o debate, levantado antes por aquele que dá nome a esse forúm, considerando duas questões fundamentais: o que consideram como fundamento do neoliberalismo que foi refutado pela realidade? o que consideram como elemento fundamental para uma superação desse mesmo neoliberalismo agora defunto.

Acho que a crítica ao neoliberalismo, pelo menos no que diz respeito a denunciar sua falsidade e interesses disfarçados já se esgotou. Temos um lugar vago esperando uma política econômica que se coloque propositivamente no que antes era o altar de Friedman e Hayek. Por outro lado, o dito keynesianismo nada mais foi do que a organização teórica da pragmatismo pontual do New Deal americano, então, pouco podemos esperar dos modelos apriori se aceitarmos aprender com a história. Porém, essa crítica não pode ficar no nível do discurso melodramático das fórmulas retóricas de "liberdade" para um ou "igualdade" para outro, etc. Políticas, propriamente dita, acho que esse é o nivel mais elevado desse debate.

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Respostas a este tópico

Aqui, adiantarei a minha opinião. É o que considero como bons pressupostos.

Primeiramente acho que o neoliberalismo, que já se transformou em lugar comum ser tratado como teologia de mercado, pode ser essencialmente compreendido como monetarismo, acho que o debate deve se voltar fundamentalmente a uma crítica ao monetarismo. Indiferente se cabe aqui rejeitá-lo em bloco ou reformá-lo, ou ainda resgatá-lo em parte como substrato de um neodesenvolvimentismo.

Não podemos negar dois feitos, a de que o desenvolvimentismo ulterior culminou nas crises inflacionárias ainda que tenham sido por largo tempo provedores(ou coadjuvantes?) de uma expansão única do crescimento econômico. Por outro lado, o monetarismo apesar de seu fracasso inegável em prover o crescimento, conquistou e garantiu o equilíbrio monetário. Não fasso por rigor dialético, mas acho que o monetarismo não pode ser ignorado por um neodesenvolvimentismo que se preze. Sobre o tema estatização e privatização, acho que deva ser relegado, pois creio que estes temas permanecem bem ideológicos, não há uma criterização sobre uma ou outra ação. Apenas ideologias que pregam a perfeita eficiência de um ou de outro.

Acho que o socialismo científico nos oferece essa criterização, e também a própria rejeição a uma redução a um socialismo de Estado(Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico). Lendo O Capital, fica claro que a superação do capital se realiza imanente ao capital no processo de desenvolvimento das forças produtivas. Como essas forças produtivas, desde a grande depressão, dependem de um forte intervenção política para permanecerem em desenvolvimento, creio que uma possibilidade científica significa o caminho de instrumentalizar cada vez mais o Estado para gerar taxas altas de crescimento econômico, qualitativamente baseado numa forte política de pesquisa tecno-científica que dê sustentação a essa expansão.

Se não se considerar o Estado como capital público, e isso soa estranho ao socialismo ideológico que idealiza o Estado, e ao liberalismo em geral que o demoniza, uma máquina de geração de crescimento(o que socialmente temos em horizonte o pleno emprego e suas efeitos "emancipadores"), e assim, enquanto realiza tal proeza, provoca as rupturas imanentes analiticamente demonstradas por Karl Marx como contradições imanentes em direção ao socialismo, única hipótese até hoje desenvolvida de socialismo considerada científica. Isso não descarta um Estado mínimo, nem mesmo a privatização, já que o fio condutor aqui é altas taxas de crescimento com baixas taxas de inflação, não importa se o proprietário dos meios de produção é público ou privado (a não ser por um critério que sinalize em direção a questão do crescimento).

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Para mim, o mais alarmante no monetarismo é a via puramente recessiva de controlar o excedente de moeda, ou seja, deprimir o consumo. O que poderia se alcançar, e isso é demonstrado pelo êxito de nosso tímido desenvolvimentismo, com o estímulo a produção. Porém, o desenvolvimentismo novo deve não esquecer de se articular taticamente para uma situação de pleno emprego aonde as relações entre trabalho assalariado e capital perde sua força gravitacional. Acho que o velho desenvolvimentismo, por ter "ilusões burguesas", não se preparou para isso. Com o fim do "exército industrial de reserva", a forma de dominação capitalista(veja O Capital) se abole. Nesse estágio, se não for direcionado ao socialismo(apropriação direta das forças produtivas pelo trabalhador), culminará numa inflação salarial que reeditará o lema burguês, pregado pelo falecido neoliberalismo, de "desemprego natural" em oposição ao pleno emprego.

Infelizmente ainda existe no socialismo de nossos dias aquilo que Marx e Engels chamava de "crença superticiosa no Estado", pois o Estado como capital público também entra em crise quando é alcançado o pleno emprego, os funcionários públicos são também assalariados, ainda que assalariados especiais. Em pleno emprego, ou sem "reserva proletária" que pressiona o "proletariado ativo", as amarras do capitalismo se soltam, mas em direção a que? O pleno emprego sobre a forma capitalista gera uma desmobilização econômica que culmina em queda do crescimento, que por sua vez reeditará o desemprego que fará retornar as forças coativas do capital. Temo que não acha qualquer preparação para essa situação, mas como ela ainda está quase que perdida no horizonte, talvez até lá estejamos razoavelmente mobilizados para enfrentá-la.

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