O silêncio obsequioso, para os que não sabem, é uma punição imposta pela Santa Sé a religiosos que, no seu entendimento, pregam ou divulgam doutrinas consideradas errôneas em relação à ortodoxia doutrinária da Igreja Católica, seja através de declarações ou da publicação de livros e artigos.
Lembremos que por defender através da Teologia da Libertação uma Igreja Católica mais próxima dos preceitos de Cristo, e por consequência mais próxima dos que mais precisam, Leonardo Boff foi , lamentavelmente, submetido a essa punição por parte do Vaticano, deixando a Igreja pouco tempo depois.
Vivemos momento de Campanha Eleitotral e devemos celebrar pela liberdade para a circulação de opiniões que estamos assistindo.
Nas Campanhas é comum vermos e ouvirmos pessoas de bem, com razoável grau de instrução, que, no afã de defender a posição de seus escolhidos, acabam disseminando determinadas informações sem o devido cuidado de verificar a real veracidade.
Assistimos da mesma forma líderes religiosos, de quem se espera maior responsabilidade, fazendo circular inverdades e calúnias, além de disseminarem preconceitos herdados de casa ou adquiridos ao longo da vida.
Não tenho convicções ou vinculações religiosas mas aprendi em casa a respeitar às escolhas alheias.
A despeito da minha escolha pessoal ouvi a vida inteira dos que professam as mais variadas crenças e religiões que Deus não precisa ser explicado. Que Onipresente, Onipotente e Onisciente é capaz de transformar o impossível em possível. Que Generoso perdoa e mostra os caminhos do Céu e da Salvação. É a Supra representação da Bondade.
Tirando as metáforas acho que tem sido um caminho que oferece uma alternativa válida e legítima aos desesperados para aplacar-lhes as aflições e os sofrimentos.
Embora não seja novidade exclusiva desse momento de Campanha Eleitoral , temos assistido ou ouvido falar de alguns poucos Padres e Pastores pregando a partir de lógica inversa ao que parece ser a representação de Deus. No lugar de levar a palavra do Deus que dizem acreditar incitam fiéis através da disseminação de preconceitos e revogam suas leis.
A Exceção do que vejo na mídia alternativa não tenho lido ou ouvido manifestações Oficiais das lideranças das diferentes denominações religiosas a respeito e Isso me preocupa.
Vejo com certa reserva a escolha desse caminho e dessa linguagem; um tanto quanto perigosas podem em algum momento levar a uma indesejável radicalização.
Temo por exemplo que a incitação à Homofobia de hoje possa autorizar o mesmo comportamento em direção à revogação da Lei Maria da Penha, amanhã.
Já vimos que nessa linha de comportamento, ao colocar o conjunto da população contra as suas fragilidades a TFP- Tradição Família e Propriedade em 1964, ajudou a produzir a radicalização e a disseminação da histeria com desastrosos resultados.
O Saldo dessa estupidez só pode hoje ser conhecido através de Obituários, de Arquivos Públicos e de Depoimentos dos que, de ambos lados, perderam entes queridos.
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Permalink Responder até luzete em 7 outubro 2010 at 16:12
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