Vinte e dois de setembro é o Dia Mundial Sem Carro. Esse movimento começou na Europa, em algumas poucas cidade, nos últimos anos do século passado. Vem desde então se espalhando pelo mundo. As adesões são crescentes. É uma mobilização para refletir, sobre os imensos problemas causados pelo uso intensivo de automóveis como meio de transporte, sobretudo nas grandes aglomerações urbanas.
No Brasil, assistimos nossas cidades se tornarem inviáveis pelo automóvel. A degradação urbana e da qualidade de vida se espalha de forma avassaladora. A escravidão pela liteira moderna aumenta, trabalhamos cada vez mais para esse totem, as despesas com carros ocupam parcelas, tão significativas no orçamento das famílias de classe média, quanto as despesas de saúde, educação, alimentação ou moradia.
Na administração das cidades, a situação das despesas não difere. Demagogos prometem através de obras públicas - com as devidas comissões de praxe - soluções mirabolantes para resolução dos insolúveis problemas do trânsito, ocasionados pela proliferação do automóvel; aumentam as despesas com conservações de vias e com obras absolutamente inúteis, que apenas transferem os pontos de engarrafamentos.
Para reflexão deixo o vídeo abaixo, muito educativo. Ele traz uma lição da história. Há mais de quarenta anos foi apresentado uma obra "moderna", para solucionar o trânsito da nossa maior metrópole. Trocentos viadutos após, túneis, pontes, alargamento de ruas, construção de marginais e novas avenidas, crescimento de empreiteiras, financiamento de dúzias de campanhas para mandatos municipais, estaduais, federais e, obviamente, contas gordas em paraísos fiscais, a cidade virou o caos.
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Permalink Responder até Stella Maris em 21 setembro 2010 at 12:18
Permalink Responder até Antonio C., J em 21 setembro 2010 at 10:10
Da Agência Senado
Comissão aprova Política Nacional de Mobilidade Urbana
É um começo, o caminho é por aí mesmo, abordar o tema em âmbito federal, pois é um problema da sociedade brasileira, majoritariamente urbanizada, do mesmo modo como o dia proposto discute a questão em instância global.
O problema do transporte coletivo é de todos, até de quem não se julga usuário e se enfia no seu casulo de quatro rodas, para não enxergar a tragédia. Vou pinçar do blog principal, alguns artigos que já li, muito interessantes a respeito do transporte coletivo. Quando tiver um tempinho para fazer a pesquisa, vou colá-los aqui, este acima é o primeiro.
Uma sociedade que depende de automóveis individuais como meio de transporte principal tem custos sociais e ecológicos elevados
15/07/2011
João Alexandre Peschanski
A criação de um sistema de transporte público gratuito universal no capitalismo soa como uma fantasia inatingível. Tal sistema, à primeira vista, seria economicamente ineficiente, na medida em que oneraria demais o Estado.
Mas, do ponto de vista econômico, criar um sistema de transporte público gratuito é vantajoso para o Estado. Uma sociedade que depende de automóveis individuais como meio de transporte principal tem custos sociais e ecológicos elevados. É preciso levar em conta esses custos no cálculo da eficiência de qualquer sistema de transporte.
Uma sociedade dependente de automóveis individuais tem altos níveis de poluição -- muito mais do que teria se o principal meio de transporte fosse coletivo. A contaminação do ar leva a doenças respiratórias e, consequentemente, gastos médicos, para o cidadão e o Estado. Na medida em que tais doenças respiratórias incapacitam os membros de uma sociedade levam a uma possível desaceleração econômica -- trabalhadores sem saúde não produzem no mesmo nível do que trabalhadores com saúde. Há outros gastos relacionados ao uso do automóvel em massa, como a manutenção de uma rede de fiscais de trânsito, fundamental para organizar cidades com tráfego intenso, e o tempo -- produtivo -- perdido em engarrafamentos. Quem paga a conta pelo trânsito são, de novo, o cidadão e o Estado.
As montadoras conseguem vender a preços mais baratos os automóveis que produzem porque repassam ao cidadão e ao Estado os custos sociais do sistema de transporte que patrocinam. Nos primeiros meses de 2011, o aumento na venda de automóveis chegou a 8% em comparação com o ano anterior. As montadoras exigem do governo redução de impostos e mais facilidade no crédito para compradores, isto é, querem se livrar ainda mais dos custos sociais relacionados a seus carros. Mas o imposto deveria aumentar, não diminuir.
O imposto deveria aumentar sobre as montadoras que lucram com a produção de um bem com alto custo social, como acontece com outros produtos nocivos (cigarro, bebida). Mas também deveria aumentar, paulatinamente, sobre o consumidor, à medida que se consolide um sistema de transporte coletivo funcional. Numa sociedade onde o transporte público é bom, um cidadão pode querer ou precisar de um carro, por conforto ou por qualquer outro motivo, mas como sua decisão tem repercussões sociais -- o custo social relacionado ao uso do automóvel -- cabe também a ele pagar por isso.
Permalink Responder até Hermê em 18 setembro 2011 at 0:46
Permalink Responder até luzete em 18 setembro 2011 at 0:56
na época, sobrou procê também, foi, hermê?
na verdade, sobrou prá sampa, né e taí o resultado, governado como se fosse gleba de uns dois ou três, sob o silêncio impostor da mídia. impostor ô diabo, né? tem preço. tem mensalão real mesmo. a editora abril que o diga, prá ficar no exemplo pequeno!
mas é aquela história, né, a sociedade não se põe problemas em que as condições de solução também não estejam postas... legal este dito (do meu querido gramsci) mas aí tô pensando, que diabo é isto de que, sob certas circunstãncias, não devemos impor certas medidas que se revelem fora do senso comum, mas carregadas de bom senso, né?
Permalink Responder até Hermê em 18 setembro 2011 at 1:32
Curioso, Luz, é que à época... não me lembro de ter sido usado o argumento (favorável à tese da tarifa zero, corretíssimo e irretorquível) de que os usuários do privilégio deveriam pagar pelo custo social do privilégio.
Mudanças na cultura? Que bom isso!
Quem pode falar disso com muita propriedade é Lúcio Gregori.
Permalink Responder até luzete em 17 setembro 2011 at 23:57
ene,
acredito que com estas novas inserções que você fez, o tema ganha mais consistência, na medida em que coloca os diversos ângulos da questão e, sobretudo, aponta as condições em que o transporte individual (taxi incluído) pode deixar de ser uma alternativa e, sobretudo, aponta razões que explicam tantas resistências em se oferecer um transporte coletivo eficiente e de custo zero para o trabalhador. isto é bom, muito bom.
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