Dia Mundial Sem Carro: Reflexão Sobre Mobilidade Urbana.

Vinte e dois de setembro é o Dia Mundial Sem Carro. Esse movimento começou na Europa, em algumas poucas cidade, nos últimos anos do século passado. Vem desde então se espalhando pelo mundo. As adesões são crescentes. É uma mobilização para refletir, sobre os imensos problemas causados pelo uso intensivo de automóveis como meio de transporte, sobretudo nas grandes aglomerações urbanas.

No Brasil, assistimos nossas cidades se tornarem inviáveis pelo automóvel. A degradação urbana e da qualidade de vida se espalha de forma avassaladora. A escravidão pela liteira moderna aumenta, trabalhamos cada vez mais para esse totem, as despesas com carros ocupam parcelas, tão significativas no orçamento das famílias de classe média, quanto as despesas de saúde, educação, alimentação ou moradia.

Na administração das cidades, a situação das despesas não difere. Demagogos prometem através de obras públicas - com as devidas comissões de praxe - soluções mirabolantes para resolução dos insolúveis problemas do trânsito, ocasionados pela proliferação do automóvel; aumentam as despesas com conservações de vias e com obras absolutamente inúteis, que apenas transferem os pontos de engarrafamentos.

Para reflexão deixo o vídeo abaixo, muito educativo. Ele traz uma lição da história. Há mais de quarenta anos foi apresentado uma obra "moderna", para solucionar o trânsito da nossa maior metrópole. Trocentos viadutos após, túneis, pontes, alargamento de ruas, construção de marginais e novas avenidas, crescimento de empreiteiras, financiamento de dúzias de campanhas para mandatos municipais, estaduais, federais e, obviamente, contas gordas em paraísos fiscais, a cidade virou o caos.

 

Exibições: 387

Responder esta

Respostas a este tópico

Essa campanha é ótima, n.

Não tenho mais carro, e já convenci duas pessoas a desistirem dessa droga.
Simone, amiga, aqui tem um prá familia toda , dos antigos oH!!
mas como moramos perto de tudo, e vamos caminhando pra todo lado, ele " coitadinho" deve de tá com os dias contados.só não sei quem quer...
mas nós o amamos com um velho burrinho.. já serviu muito.
Espero que esse movimento tenha força nas Grandes Cidades, E que seja uma vez por mês pelo menos.
E aproveitem para cobrar dos administradores alternativas de transportes, ou mesmo novas vias, para outros tipos de transportes, como Bicicleta, patins, a pé, etc.
Porque tem regiões que nem a pé da para andar.
Precisamos reforçar a todos respeitarem os Pedestres.
,...
Os acontecimentos de ontem, ocasionados pela ira popular no Metrô em São Paulo, servem para levantar essa discussão. Ninguém suporta ficar horas trancafiados num túnel sem iluminação, é compreensível que uma criatura humana levada a esse extremo se revolte. Eu diria até que a revolta foi pouca, diante do descaso contínuo pelo transporte público levado pelas administrações públicas. Pode-se condenar a depredação do patrimônio público, melhor seria depredar certas instituições constituídas pela força do poder econômico. Se essa ira fosse de apedrejamento de algumas autoridades públicas, seria mais legítima, pois só assim elas sairiam do imobilismo, quando tiverem o pescoço negociando com a guilhotina.

O problema de transporte coletivo no Brasil é uma tragédia em todas as suas cidades, um atraso de elevadíssimo custo social e financeiro. Devia estar no centro do debate eleitoral, apesar do assunto ser delegado às prefeituras, pois trata-se de um drama nacional, que atinge quase toda população. Infelizmente o que temos na campanha é tudo, menos debate político das questões que afetam o povo brasileiro, é mais um torneio esportivo, de pura empulhação, em prol dos interesses das forças hegemônicas no poder econômico e político do país. As classes dominantes querem evitar o confronto entre si, como se isso fosse possível, que haja espaço para todas elas explorarem a população, na taxa de cobiça que almejam, até o limite, sem que a população reaja.
Rogério

Esqueça a avaliação técnica, a fúria popular é um fenômeno político, contra um descaso das autoridades em relação ao interesse público. Nós já vivemos inúmeros episódios de revoltas contra sistemas transportes coletivos. A Revolta da Cantareira foi um bem documentado:

http://grandeniteroi.fotopages.com/?entry=1864047


http://niteroicidadesorriso.blogspot.com/2009/05/ha-alguns-meses-os...

http://books.google.com.br/books?id=_1_tlOMknqQC&pg=PA151&l...
Como estamos próximos da data, vou resgatar essa discussão do ano passado, para trazer o tema para discussão, neste ano.

O artigo abaixo é um pouco longo. Reproduzo os primeiros parágrafos e deixo uma ligação para sua continuidade. Ele faz justiça a um pensador que expus em outro tópico, Henrique Rattner, com quem aprendi que não há neutralidade na tecnologia, por mais aparente inocência que tenha um artefato. No caso do automóvel, o autor nos dá conta nas primeiras linhas, da pesada carga ideológica por trás desse objeto de consumo.

Breve história socialista do automóvel, por Rob Rooke.

Não há nenhum outro produto comercial na história do capitalismo que tenha tido um efeito tão grande na economia e na política como o automóvel. Nenhum outro produto foi uma alavanca tão boa para aumentar o consumo e expandir os mercados do mundo desenvolvido. Podemos afirmar que o carro, mais do que qualquer outro produto, foi o principal motor da expansão económica do século XX. Nos últimos cem anos, na sociedade americana, o carro foi colocado num pedestal cultural que idolatra o individualismo e que define a visão de liberdade do grande negócio.

O carro acelerou o rápido desenvolvimento maciço dos subúrbios e influenciou o planeamento urbano dos EUA como nenhum outro produto conseguiu fazer. Hoje em dia, nos Estados Unidos, os transportes públicos representam uma longínqua alternativa ao automóvel, já que nove em cada dez trabalhadores usam o seu carro particular para irem trabalhar. Na vida quotidiana das pessoas, o carro é actualmente a segunda maior despesa familiar, a seguir à habitação. O carro atingiu o seu apogeu.

Esta breve história socialista do automóvel vai tentar enquadrar um pouco e inserir no seu contexto o mundo moderno dominado pelo automóvel. Vai tentar explicar como o automóvel e a caça feroz aos lucros reformulou o mundo e acabou por levar a humanidade ao actual beco sem saída, em que se caminha inquestionavelmente para a destruição global.


Esta história baseia-se no materialismo marxista, que parte da noção de que todos os fenómenos sociais e culturais do capitalismo são modelados pela luta contínua entre as classes patronais e trabalhadoras. Embora não seja uma história dos trabalhadores da indústria automóvel, tenta mostrar o papel das lutas dos trabalhadores que sempre estiveram nos bastidores do nascimento e da expansão do automóvel.

Um aspecto da indústria automóvel que não aparece na sua publicidade é a via sangrenta que percorreu. Esta indústria matou e mutilou centenas de milhares de trabalhadores, desde que apareceu e se instalou. Este sofrimento, por sua vez, foi ultrapassado por uma luta de um século, em torno dos recursos para alimentar os carros com petróleo, com borracha, com aço e com vidro. Morreram muitos milhões de pessoas em muitas centenas de guerras e de invasões imperialistas, directa ou indirectamente ligadas ao automóvel.

O artigo continua aqui.

Política de Mobilidade Urbana segue para sanção de Dilma


Da Agência Senado

Comissão aprova Política Nacional de Mobilidade Urbana 

 

É um começo, o caminho é por aí mesmo, abordar o tema em âmbito federal, pois é um problema da sociedade brasileira, majoritariamente urbanizada, do mesmo modo como o dia proposto discute a questão em instância global.

O problema do transporte coletivo é de todos, até de quem não se julga usuário e se enfia no seu casulo de quatro rodas, para não enxergar a tragédia. Vou pinçar do blog principal, alguns artigos que já li, muito interessantes a respeito do transporte coletivo. Quando tiver um tempinho para fazer a pesquisa, vou colá-los aqui, este acima é o primeiro.

Motivos econômicos pelo transporte público gratuito

Uma sociedade que depende de automóveis individuais como meio de transporte principal tem custos sociais e ecológicos elevados

15/07/2011

 

João Alexandre Peschanski

 

 

A criação de um sistema de transporte público gratuito universal no capitalismo soa como uma fantasia inatingível. Tal sistema, à primeira vista, seria economicamente ineficiente, na medida em que oneraria demais o Estado.

Mas, do ponto de vista econômico, criar um sistema de transporte público gratuito é vantajoso para o Estado. Uma sociedade que depende de automóveis individuais como meio de transporte principal tem custos sociais e ecológicos elevados. É preciso levar em conta esses custos no cálculo da eficiência de qualquer sistema de transporte.

Uma sociedade dependente de automóveis individuais tem altos níveis de poluição -- muito mais do que teria se o principal meio de transporte fosse coletivo. A contaminação do ar leva a doenças respiratórias e, consequentemente, gastos médicos, para o cidadão e o Estado. Na medida em que tais doenças respiratórias incapacitam os membros de uma sociedade levam a uma possível desaceleração econômica -- trabalhadores sem saúde não produzem no mesmo nível do que trabalhadores com saúde. Há outros gastos relacionados ao uso do automóvel em massa, como a manutenção de uma rede de fiscais de trânsito, fundamental para organizar cidades com tráfego intenso, e o tempo -- produtivo -- perdido em engarrafamentos. Quem paga a conta pelo trânsito são, de novo, o cidadão e o Estado.

 

As montadoras conseguem vender a preços mais baratos os automóveis que produzem porque repassam ao cidadão e ao Estado os custos sociais do sistema de transporte que patrocinam. Nos primeiros meses de 2011, o aumento na venda de automóveis chegou a 8% em comparação com o ano anterior. As montadoras exigem do governo redução de impostos e mais facilidade no crédito para compradores, isto é, querem se livrar ainda mais dos custos sociais relacionados a seus carros. Mas o imposto deveria aumentar, não diminuir.

O imposto deveria aumentar sobre as montadoras que lucram com a produção de um bem com alto custo social, como acontece com outros produtos nocivos (cigarro, bebida). Mas também deveria aumentar, paulatinamente, sobre o consumidor, à medida que se consolide um sistema de transporte coletivo funcional. Numa sociedade onde o transporte público é bom, um cidadão pode querer ou precisar de um carro, por conforto ou por qualquer outro motivo, mas como sua decisão tem repercussões sociais -- o custo social relacionado ao uso do automóvel -- cabe também a ele pagar por isso.

 

Continua Aqui.

Meu Deus do céu!
Lembram-se como a Erundina tomou porrada da primeira vez em que se propôs tarifa zero?

na época, sobrou procê também, foi, hermê?

na verdade, sobrou prá sampa, né e taí o resultado, governado como se fosse gleba de uns dois ou três, sob o silêncio impostor da mídia. impostor ô diabo, né? tem preço. tem mensalão real mesmo. a editora abril que o diga, prá ficar no exemplo pequeno!

 

mas é aquela história, né, a sociedade não se põe problemas em que as condições de solução também não estejam postas... legal este dito (do meu querido gramsci) mas aí tô pensando, que diabo é isto de que, sob certas circunstãncias, não devemos impor certas medidas que se revelem fora do senso comum, mas carregadas de bom senso, né?

Curioso, Luz, é que à época... não me lembro de ter sido usado o argumento (favorável à tese da tarifa zero, corretíssimo e irretorquível) de que os usuários do privilégio deveriam pagar pelo custo social do privilégio.

Mudanças na cultura? Que bom isso!
Quem pode falar disso com muita propriedade é Lúcio Gregori.

ene,

acredito que com estas novas inserções que você fez, o tema ganha mais consistência, na medida em que coloca os diversos ângulos da questão e, sobretudo, aponta as condições em que o transporte individual (taxi incluído) pode deixar de ser uma alternativa e, sobretudo, aponta razões que explicam tantas resistências em se oferecer um transporte coletivo eficiente e de custo zero para o trabalhador. isto é bom, muito bom.

RSS

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço