Há mal que vem para o bem, diz o ditado popular que espero estar aplicando bem para a questão dos jornalistas. Sei que vai ser dureza reparar o grande mal dos oito ministros do Supremo Tribunal Federal que decidiram jogar o diploma de jornalista na panela do cozinheiro, mas ontem presenciei um ato da categoria como poucos e acendeu a esperança de que podemos reverter a situação a favor da sociedade e da democracia, lutando pela obrigatoriedade do diploma para assegurar um jornalismo de qualidade, como também por uma legislação em favor da liberdade de imprensa e dos direitos do cidadão.

No início da noite desta segunda-feira (06/07), jornalistas veteranos e iniciantes, estudantes e professores fizeram um ato no auditório do Sindicato dos Bancários (Av. Sete de Setembro, Salvador) em defesa do diploma. Colher de pau, nariz de palhaço, fitinha preta na gola da camisa (símbolo de luto) e praguinhas compuseram o cenário de reação. Sim, não foi um mero ato de protesto, mas uma reação, com manifesto, propostas de mobilização e sensibilização da categoria e da sociedade para fortalecer a luta.

Depoimentos sinceros e carregados de sentimentos de indignação e decepção de veteranos, como o da jornalista Isabel Santos ( que compôs a mesa representando a velha guarda), que lutaram para conquistar o diploma e exercer a profissão, e também dos que ainda pagam a faculdade para alcançar o diploma que deixou de ter sentido, porque perdeu a obrigatoriedade marcaram o ato.

O deputado federal Emiliano José (PT), jornalista e ex-professor da Faculdade de Comunicação da UFBa, destacou a aberração gerada pelas decisões do STF: ficamos sem legislação para a mídia, porque derrubaram a lei de imprensa em 30 de abril, sem aprovação de outra normatização para o setor, e derrubaram a exigência do diploma para o exercício da profissão, que é muito diferente de liberdade de expressão, como querem fazer crer. A busca da informação diária, a investigação da realidade dos fatos e a produção da notícia de qualidade, isto nada tem a ver com a expressão de conhecimento de médicos, juristas, religiosos, economistas e outros sobre este ou aquele assunto, o que é assegurado nos artigos das páginas dos jornais e no comentário nas emissoras de rádio e tv.

Kardelícia Mourão, presidente do Sinjorba, observou que não cabe afirmar que diploma não assegura qualidade. Tanto assegura que não se derruba diploma de médicos porque alguns fazem barberagens que comprometem vidas, nem de engenheiros, porque o prédio de Sérgio Naia desabou. "Para os maus profissionais existe a lei", lembrou.

Manoel Macedo compôs a mesa representando os profissionais do interior e propôs a criação de um fórum de debate sobre a questão, como também o envolvimento do maior número de políticos possível em apoio à causa. Aliás, ele chegou com uma delegação de peso que veio de Feira de Santana especialmente para o ato.

No dia 16 de julho vai ter uma reunião da Fenaj com os sindicatos de jornalistas para organizar a luta. No ato de hoje foi aprovado uma ação política e jurídica, buscando apoio da OAB para que os jornalistas entrem com ação contra a União assim que sair o acórdão da decisão do STF, já que todos foram obrigados a ir para a faculdade para poder exercer a profissão.

Foi aprovado por unanimidade o texto do manifesto com o título "Jornalistas baianos em defesa do jornalismo de qualidade" e também apresentadas moções de apoio da OAB-BA, Sindicato dos Bancários da Bahia, CUT e Sindsefaz.

O pontapé inicial está dado. Agora é partir para o contra-ataque

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