Frases recentes do secretário Mangabeira Unger, seguidas de alguns comentários meus.

A.P.Santos

 

O destino de uma criança brasileira e da Educação que ela recebe, não pode depender do lugar do acaso onde ela nasce.", afirmou o ministro da SAE/PR, Mangabeira Unger, durante encontro de prefeitos.

Se uma rede escolar cai abaixo desse patamar mínimo, é preciso intervir para assumi-la, consertá-la e devolvê-la como se faz com uma empresa em situação de recuperação.", completou o ministro.

 

Sem organização não há soluções em educação ou em qualquer outra área da política social. Portanto, a cooperação deve ser a base para um produtivismo includente e capacitador, afirmou o ministro Mangabeira Unger ao pedir mais cooperação dos municípios para um novo modelo de desenvolvimento do país.

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  Agora, os meus comentários?

 

 Assino por baixo do que disse o ministro Unger. Há contudo, um aspecto que precisa ser debatido. Algumas poucas escolas brasileiras são, eufemisticamente falando, alemãs, enquanto que a maioria são biafrenses. Ocorre, contudo, que as IFES parecem empenhadas, a todo custo, em formar professores para as escolas alemãs, o que não conseguem, na medida das necessidades brasileiras, de modo que as escolas biafrenses ficam entregues nas mãos de professores formados por quitandas de ensino.

 

 Nos cursos de licenciatura das IFES perde-se muito tempo, ensina-se coisa desnecessária, verdadeira cultura inútil, de forma que o curso se converte numa verdadeira corrida de obstáculos que a maioria não consegue transpor.

 

 Como consequência, é grande o número de desistências. Nesse caso, quem fornece professores para a maioria das escolas são as quitandas de ensino, que dão diplomas a iletrados.

 

 Não estou negando a importância da matemática superior, do Cálculo. Só que enquanto as IFES querem meter Transformada de Laplace na cabeça dos alunos, bem como ideias de filósofos franceses e de marxismos nas mentes de jovens que chegam às IFES com poucas leituras, em escolas de ensino médio no interior da Bahia ainda estão ensinando frações aos alunos.

 Modus in rebus. Há que se chegar a um meio termo. Não adianta exigir que o professor tenha curso superior se a qualidade desse curso dito superior não é, minimamente, fiscalizada.

 A China, logo após a Revolução de 1949, criou a figura do Médico-dos-Pés-Descalços. O que impede o Brasil de ter o Professor-dos-Pés-Descalços?

 Na China, após a revolução, em muitas vilas, toda a população era analfabeta. O que fez o governo? Convocou as pessoas alfabetizadas para ensinar aos analfabetos, a cujas casas compareciam, a leitura e a escrita. Visitantes estrangeiros observaram que donas de casa escreviam as lições em canecas e panelas, de modo a poder estudá-las enquanto realizavam tarefas domésticas.

 Lições eram penduradas nas árvores ao longo das estradas, de modo que o trabalhador, no caminho do trabalho, iria aprendendo.

 Essas soluções nada tem de ideológicas. Dependem apenas de IMAGINAÇÃO CRIADORA. Depende da capacidade do governo de MOBILIZAR o povo em torno de uma CAUSA.

 Um cidadão do extremo sul da Bahia, pai de três filhos, me contou que no tempo em que médicos, engenheiros, advogados, padres, militares, podiam dar aulas nas escolas o ensino tinha qualidade muito melhor.

Não se trata de ser contra a ideia de que professor deve ter nível superior. Mas de que nível superior estamos falando? Nível superior de quitanda de ensino, que dá diploma a iletrado?

  “A educação é importante demais para entregá-la às variações do mercado e às boas intenções de amadores.”

Diane Ravitch

 Tendo em vista a frase da Diane Ravitch eu pergunto: por que não convocar o povo para ajudar o Brasil a sair dessa encalacrada educacional em que se meteu? Não será difícil achar pessoas competentes dispostas a ajudar.

 O problema é que o Brasil é um paquiderme burocrático muito pesado. E há a questão eleitoreira, que leva os governantes a evitar ferir susceptibilidades e a contrariar interesses. Nesse caso, seria de bom alvitre que se pensasse na próxima geração e não na próxima eleição.

 

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Esboço de um projeto para evitar que algumas poucas escolas brasileiras sejam, eufemisticamente falando, alemãs, enquanto que a maioria seja biafrense: 

https://www.facebook.com/LafaieteDeSouzaSpinola/posts/459567987533948

Olá, Lafaiete

Muito obrigado pelos seus comentários ao meu texto. Gostei muito.

Cordiais saudações.

Alfredo Pereira dos Santos

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