http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2601200907.htm
São Paulo, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Jales tem boas notas mesmo com gasto menor
DA REPORTAGEM LOCAL

Apesar de ter um gasto por aluno 59% inferior à média nacional, a rede de ensino de Jales (SP) obteve notas 21,5% superiores na Prova Brasil.
Segundo a secretária da Educação, Élida Maria Barison da Silva, o desempenho pode ser explicado pela prioridade do município em capacitar seus professores -segundo dados do MEC, 90,5% dos docentes da rede completaram o curso superior (em 2005).
"Também há gestão rigorosa dos recursos disponíveis, com conselhos participativos que acompanham todas as metas e até os extratos bancários dos nossos gastos", disse Silva.
Em números absolutos, Jales investe R$ 415 ao ano por aluno (ante uma média nacional de R$ 1.015) e teve nota 216 em matemática, na quarta série, na Prova Brasil 2005 (ante uma média nacional de 177,7). Os alunos ficam 5,1 horas por dia na escola, segundo o MEC.
Em situação distinta está Barueri (SP). Segundo dados dos pesquisadores, a cidade investe R$ 2.722 (mais que o dobro da média nacional) e teve média 178 no exame federal (igual à média nacional).
"A prefeitura constrói prédios fabulosos. Mas há pouco investimento no educador", disse o presidente do sindicato dos educadores, Adenir Segura. A rede do município conta com 69,7% dos professores com ensino superior; a jornada média diária dos estudantes é de 4,7 horas (dados de 2005).
Por meio de nota, a Secretaria da Educação de Barueri disse que o desempenho da rede melhorou. Citou, como exemplo, o Ideb, outro indicador do MEC, que considera a Prova Brasil e dados de aprovação de alunos. Segundo os números de 2007, a cidade ficou 24% acima da média nacional.
Para a pasta, os dados indicam um resultado positivo dos recursos gastos desde 2005. A pasta diz que tem se empenhado em "cuidar da infraestrutura das escolas e valorizar o docente, através da oferta de formação continuada, melhores salários e condições de trabalho". (FT)

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2601200906.htm
São Paulo, segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Escolas com e sem verba têm nota parecida
Pesquisadores dizem que apenas o aumento da jornada escolar e do número de professores com ensino superior melhoram ensino

Não haverá avanços se apenas aumentarmos os recursos para equipamentos e salários dos professores, afirma pesquisador

FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Estudo da faculdade Ibmec São Paulo indica que o simples aumento nos gastos com a educação não basta para melhorar a qualidade de ensino.
A pesquisa cruzou o gasto por estudante do ensino fundamental, segundo dados do Tesouro Nacional, com o desempenho das redes municipais na Prova Brasil (exame federal).
A conclusão foi que os municípios que mais investiram não necessariamente tiveram médias melhores na prova. "Fica claro que, para que se obtenha melhoras no desempenho escolar, não basta um aumento de recursos", diz o trabalho.
Uma das formas utilizadas pelos pesquisadores do Ibmec para a análise foi separar os municípios de cada Estado em duas metades: o grupo dos que mais gastam por estudante e dos que menos gastam.
Em São Paulo, por exemplo, a média de investimento anual por aluno no primeiro grupo de cidades foi de R$ 2.018, ante R$ 1.080 do segundo bloco.
Apesar da diferença de quase 90% no investimento, as médias na Prova Brasil entre os dois grupos ficaram praticamente iguais -193,1 ante 191,8 (em matemática, na quarta série, na edição 2005 do exame).
No Amazonas e em Goiás, os municípios que menos gastam chegaram a ter médias no exame federal levemente maiores que os que mais investem.
O estudo também comparou os dados do país como um todo, mas com controle estatístico para que fosse analisado apenas o impacto do aumento dos recursos (excluindo-se fatores como a escolaridade dos pais dos alunos, que sofrem grandes variações entre os Estados).
Nesse recorte também não se verificou relação entre mais verbas e melhores notas.
Especialistas consultados pela reportagem discordaram da avaliação. Eles defendem que o estudo não capta ações essenciais, que só podem ser feitas com aumento de verbas, como aumento salarial para atrair os jovens mais bem preparados para o magistério.

Jornada escolar
"Os resultados mostram que não adianta colocar mais dinheiro em educação em um sistema como o atual", afirmou Naércio Menezes Filho, autor do trabalho, juntamente com Luiz Felipe Leite Estanislau do Amaral -ambos também pesquisadores da USP.
"Não haverá melhora na aprendizagem se simplesmente aumentarmos os recursos para coisas como compra de computadores, construção de quadras e salários dos professores, como vem ocorrendo. São ações que não têm trazido impacto na aprendizagem", afirmou Menezes Filho.
Segundo a pesquisa, apenas aumento da jornada diária dos estudantes e maior número de professores com ensino superior completo causaram impacto positivo no rendimento dos estudantes.
O aumento de recursos para a educação é controverso. Enquanto alguns pesquisadores defendem que o principal para melhorar a aprendizagem dos alunos é aperfeiçoar a gestão do dinheiro disponível, outros dizem ser impossível mudar a situação com o montante atual.
O próprio Ministério da Educação defende ser necessário aumentar a verba para a educação, considerando o "atraso" que o país sofre na questão da qualidade de ensino.
O movimento Todos pela Educação (que reúne empresários, educadores e gestores, entre outros segmentos) estipulou como uma das metas para o país a elevação do percentual do PIB (Produto Interno Bruto) para a educação básica, de 3,7% (dado de 2006) para 5%.
Segundo o movimento, a meta se baseia nos gastos dos países desenvolvidos com a área. "Atingindo, até 2010, patamar mínimo de 5% do PIB e gerindo de forma eficiente o investimento, objetivamos criar condições de atingir a cobertura e a qualidade que desejamos", diz o relatório do grupo.


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