No princípio eram os I.A.Ps. Uns melhor  gerenciados que os outros, mas no conjunto com uma enorme Poupança Interna que fazia os olhos dos governantes brilharem de desejos. A foto acima foi tirada quando tinha três anos num lambe-lambe da Praça da República de Ijuí, para a carteira do I.A.P.F.E.S.P, ao qual meu pai estava vinculado como funcionário público municipal.

Até aos dezoito anos, nunca  tivemos problemas com consultas médicas, ou internações(para o meu pai). O tempo passou e veio o golpe de 1964. Os militares até hoje afirmam que foi uma revolução. Foi um golpe de estado orquestrado pelos EUA em toda a América Latina, nos mesmos moldes de outras intervenções feitas por esse País em todo o mundo. Bom, servi ao Exército Brasileiro em 1965 até 1966. Comecei a trabalhar neste ano e foi neste ano que começou o I.N.P.S. que conforme a Wikipédia evoluiu para:

"Em 1964, foi criada uma comissão para reformular o sistema previdenciário, que culminou com a fusão de todos os IAPs no INPS (Instituto Nacional da Previdência Social), em 1966. Em 1990, o INPS se fundiu ao Instituto de Administração Financeira da Previdência e Assistência ... (IAPAS) para formar o Instituto Nacional de Seguridade Social. O INAMPS, que funcionava junto ao INPS, foi extinto e seu serviço passou a ser coberto pelo SUS."

Foi o início da era das privatizações. O governo parou de investir em saúde para que se abrisse espaço às prestadoras de serviços de Saúde que podem ser de cooperativas e até bancos e financeiras. 

Hoje as filas e as dificuldades são tanto para os portadores de planos de saúde como para o SUS. Não há diferença. Os únicos que se salvam, pois não pegam fila e nem problemas de leito, são os que têm condições de pagar à vista os serviços médicos e hospitalares. Porém, presenciei um fato que me deu forças para a defesa do S.U.S..

No decorrer de minha vida profissional sempre tive convênios bons de saúde. Assim quando precisei operar as amídalas e a vesícula, fui muito bem atendido. Em casos de doenças que podem ser tratadas ambulatorialmente, também, com bons médicos e atendimento. E aí vem o período em que não estou coberto por nenhum plano. Sou eu e o S.U.S. com ambulatórios médicos municipais, filas e espera. Como sempre tenho presente o exato tamanho de cada problema e o contexto em que estou inserido, isso para mim não foi problema até julho de 2008. 

Nesse ano, ao visitar uma filha em Foz do Iguaçu-PR, senti um mal-estar que me fez procurar recursos médicos pois poderia ser problema grave de coração. Como não tinha o cartão do S.U.S., o meu atendimento foi particular. A minha filha teve que desembolsar por volta de R$ 300,00 por uma consulta, um exame laboratorial de sangue e um eletrocardiograma, que na opinião do médico, não apontaram nada. Saí com um receita de AAS e a recomendação de procurar o meu médico para maiores pesquisas, o que foi feito quando do meu regresso à ITAARA. Consultei um cardiologista da empresa em que minha esposa trabalha e fiz uma bateria de exames inclusive o de esforço na esteira, diagnóstico: estava para infartar.

De posse dos exames, fui encaminhado ao HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DE SANTA MARIA - HUSM, assim maiúsculo, onde após os encaminhamentos burocráticos de praxe, fiz um exame com cateterismo e foi diagnosticado 95% de entupimento de uma das coronárias e 80% de outra. Três dias depois foram implantadas dois stends. Quinze dias depois foi implantado mais um. Preço da brincadeira: em torno de R$10.000,00. Como fiquei muito bem, cometi um pecado: continuei fumando e isso dois anos depois me trouxe novamente para os braços do SUS/HUSM com nova angina. Exames e exames e em fevereiro de 2011 fiz duas safenas e uma mamária.  Durante a minha recuperação ainda no hospital, houve um internamento na minha enfermaria, de um Advogado e fazendeiro de uma cidade vizinha a Santa Maria, que correu do Hospital Particular devido ao custo da mesma operação que a minha: R$80.000,00 (oitenta mil reais). Pois bem: dado os descontos o SUS deve ter desembolsado em torno de R$30.000,00(trinta mil reais).  Como iria arcar com a despesa se não houvesse o SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE? Vale lembrar que são feitas três operações semanais do mesmo porte com internação média de 10 dias. Estas operações são eletivas, programadas e necessitam de alguns meses para acontecerem. Elas são entremeadas de Cirurgias de Urgência como aconteceu comigo que já estava sedado entubado na mesa de operação e tive de dar o lugar para uma senhora de mais de 90 anos que estava enfartando.

Fora isso, a dedicação, o empenho e profissionalismo de todo corpo funcional do HUSM é exemplar e deixa a gente contente e satisfeito de ter um Serviço de Saúde desse porte. Filas, as notícias sobre os Planos Particulares de Saúde tão caros e tão, tão, tão... SUS  estão começando a pipocar.Filas e atrasos para consultas, internações em Urgências por não terem leito, médicos descredenciados, etc, etc, etc...

Então quando lerem, ouvirem ou verem alguma notícia sobre o atendimento do SUS lembrem dessa postagem e de que quase todos os meus remédios veem do SUS...

**************

Lembrei de outro fato: logo após  ter saído do HUSM, estava, com minha fiel escudeira e companheiríssima  esposa, no supermercado da cidade usando ainda um travesseiro para tossir e espirrar sem comprometer a recuperação do corte, quando uma senhora perguntou se tinha feito a operação de safena. Minha esposa respondeu que sim, faziam duas semanas. Ela disse levanta as mãos para o céu, por que o meu marido fez a mesma operação no Hospital Particular e ficou penando por 2 meses até morrer de infecção hospitalar...

 

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Respostas a este tópico

Esta resposta esta endereçada a este pobre coitado do Salvador ou melhor perdedor Ortega. Se você adora barraco, infelizmente não tenho "papas na língua, não tenho rabo preso e não sou puxa-saco de ninguém. Agora vai embora de uma vez por todas, que eu trabalho, tenho família e pagos os meus impostos e tenho coisas mais importantes a fazer. Adios
Deste bate papo furado. Não tem mais razão de ser. Pois ninguém respeita ninguém. A falta de escrúpulos e preconceitos é tanta que sinto até vergonha de vocês: Joel das Contas e Savador das Entregas. Va com dios, vocês precisão Dele, com urgência.
melhorando, bem melhor. perdedor ortega contra salvador ortega é pequena chama de ironia. eu aplaudo. não é dificil a sutileza. menos truculento, não é? doeu? respeito uma ironia bem sacada, não respeito o respeito rígido como se imitando debates de televisão. 1 minutos para pergunta, 2 para réplica, 30 segundos para tréplica. cordialidade estúpida e engessada. prefiro você soltando o verbo dominado pela ira e mostrando na real a que veio. agora já sei. é bom cidadão, respeita pai, mãe, mulher e paga imposto. hitler fazia isso também. como a quatro olhos do tea party louca para fuzilar cucarachos, pretos, arabes e bolivas.
bela merda, e eu com isso? nem vou entrar na questão de impostos e tributos. é matéria que vocês entendem menos que saude e educação pública. pervesso ainda fala em demagogia, palavrinha mais chavão e velha que afirmar que bosta fede. o que é demagogia, pervesso, explica porque não sei ler grego.
mas está bom assim. você ainda quer brigar. bom sinal, sem ironia.
poiva aléia é póiva seca?
gasta o repertório, respeitório. sabe que estou com a razão e você não. fica de fator humano que é nome de livro. não tem fator humamo, tem fator desumano. é o que você acha que funciona. o que você acha que funciona? diz alguma coisa menos demagógica e prática. você é dono da realidade. diz como resolve. ou não resolve? fala. como direitista resolve? mata todo mundo de doença e de fome? não conhece médico que morre atendendo em zona de guerra? em vez de fuder tudo, diz só uma coisa que pode ser solução.
não diz porque não sabe, pervesso. está enganando e fazendo piada com gente morrendo de epidemia e de fome. sua piada perdeu a graça, pervesso, você é burro demais, insensivel demais para saber que tem gente morrendo enquanto você faz piada e brincadeira. e você deita e dorme contente. você é um merda.
viva boliva. não responda mais porque não te respondo mais. você não entende nem o básico. vai fazer troca troca com reinaldo.

A grande sacanagem (desculpem o termo) da medicina pública é a seguinte:

Até 1964 os médicos ocupavam cargos no Plano de Classificação de Cargos instituído pela Lei 3780/60 e eram obrigados a trabalhar as mesmas 6 horas diárias que qualquer outro funcionário público, com salários dígnos. Normalmente, trabalhavam das 6 às 12 horas ou das 12 às 18 horas. Fora desse horários, iam trabalhar em seus consultórios particulares e/ou em hospitais particulares.

Com o golpe de 64, instituiu-se no Serviço Público um privilégio para a classe do médicos (possivelmente copiando o que era praticado nos EUA), que permitia a esses profissionais a malfadada "acumulação de cargos" (os médicos poderiam possuir dois cargos públicos) e podiam ainda optar por cargas horárias de 12, 24 e 36 horas semanais.  Um verdadeiro absurdo e um "maná" para os filhinhos do papai que podiam "trabalhar" em dois empregos públicos, outro/outros hospitais particulares e nos consultórios particulares patrocinados por seus genitores ricos. Os filhos de pais pobres se contentavam com os possíveis dois empregos públicos. Aí começava a deteriorização do atendimento médico no Serviço Público.  Por que, só para os médicos, inicialmente, (bem mais tarde extendido a outros cargos técnicos) foi concedido esse privilégio?  Resultado da medida: por falta de condições de um efetivo controle, médicos passaram a ter 2, 3 ou mais cargos públicos e, no fim, praticamente, não cumpriam o mínimo de carga horária requerida. Cheguei a conhecer, recentemente, o caso de médicos com 5 vínculos empregatícios no Serviço Público. Isso é um absurdo, para não dizer outra coisa (CORRUPÇÃO).

E o que é pior, optavam por trabalhar e, consequentemente, contribuir para a Previdência Social com base na carga horária de 12 ou 24 horas durante a quase totalidade de sua vida funcional para, no final de carreira, solicitarem a carga horária de 36 horas (atualmente 40 horas) e se aposentarem com o ponposo salário integral.  Ou seja, ganhavam a vida na iniciativa privada e/ou no consultório particular e garantiam um boa aposentadoria integral no Serviço Público, sem ter contribuído e trabalhado integralmente para tanto.

Essa situação esdrúxula perdura até os dias de hoje.  Somente os médicos filhos de "pé-rapado", ou seja, de família pobre, que não podem bancar um consultório particular, se dedicam um pouco mais ao atendimento no Serviço Público.

Dou esse depoimento porque trabalhei durante anos no antigo IAPM e fiz parte, como representante desse ex-IAP, da comissão citada pelo Joel Bento carvalho, que criou o INPS, além de ter sido Diretor de Recursos Humanos, até 3 anos atrás, de um hospital de cardiologia no Rio de Janeiro, e sofrido, como tal, na tentativa de manter o pleno atendimento médico no hospital, notadamente nos finais de semana e nos feriados longos, quando, praticamente, os hospitais públicos passam por injustificada e imoral carência de médicos.

Esta é a pouca vergonha dos hospitais públicos.  Centenas, milhares de médicos contratados e apenas "meia dúzia" de abnegados tentando dar certo atendimento humano nos hospitais públicos. 

Quando um cidadão consegue passar por todos os estágios burocráticos e é atendido em um hospital público, eu não tenho dúvidas de que o atendimento é bem superior ao de um hospital particular, primeiro pela qualificação técnica dos médicos e auxiliares do hospital público (normalmente foram submetidos a um concurso público) e, segundo, porque não há a sonegação ou "economia" com medicamentos e procedimentos laboratorias.

Vejo, pois, como solução para os problemas dos Hospitais Públicos, o fim do processo de acumulação de cargos (igualando médicos e auxiliares de enfermagem aos demais cargos do Serviço Público) e o fim de cargas horárias fracionadas (12, 24 e 36 horas).  Há que se acrescentar, também, a fundamental economia que se fará com salários pagos sem a correspondente prestação de serviços. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Numero de clientes de Planos de Saúde cresce mais que a oferta de serviços

No último ano, planos ganham 4 milhões de clientes, aumento recorde de 9%, mas leito particular só cresce 3% Aumentam queixas de consumidores; faturamento de seguradoras cresce 20% no primeiro semestre

ANTÔNIO GOIS na FSP

Entre março de 2010 e março deste ano, mais 4 milhões de brasileiros passaram a ter plano de saúde. Olhando a série histórica da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), iniciada em 2000, foi um crescimento recorde, de 9%, numa área que já estava em expansão. A bonança levanta dúvidas se o setor está preparado para absorver esse crescimento chinês, como definiu o diretor-presidente da ANS, Maurício Ceschin. Analisando a expansão de leitos e o número de reclamações em órgãos de defesa do consumidor, há razões para se preocupar. No caso dos leitos, a variação de março de 2010 a março de 2011 em todo o setor particular que não atende ao SUS foi de só 3%. No Procon-SP, de 2009 a 2010, queixas contra planos subiram 30%.
Apesar disso, há sinais de que o setor está respondendo com investimentos. Operadoras como Amil, Unimed-Rio ou Intermédica anunciaram recentemente expansão da rede própria. Movimento semelhante foi feito por grandes hospitais privados paulistas -casos de Samaritano, Einstein, Sírio-Libanês e Oswaldo Cruz- e da rede D'or, do Rio.
O crescimento se reflete também no faturamento das seguradoras. Bradesco (23%), Porto Seguro (20%) e Sul América (19%) registraram crescimento no primeiro semestre deste ano em comparação com o do ano passado. A expansão do número de beneficiários é explicada pelo crescimento da renda e da criação de empregos formais, já que a maioria dos novos planos é empresarial.
Maurício Ceschin, da ANS, diz que a agência está atenta e mapeando os problemas. Para ele, no entanto, o número de leitos não é o melhor indicador de qualidade.
"Há uma tendência mundial de desospitalização e diminuição do tempo de internação. Preferimos olhar para o tempo que o beneficiário leva para ser atendido. Por isso fizemos uma resolução [que passará a valer a partir de 18 de setembro] estabelecendo prazos máximos."

Lígia Bahia, doutora em saúde pública da UFRJ, faz análise mais pessimista. Segundo ela, houve muitas aquisições e fusões, mas pouco investimento em pesquisa e ampliação da capacidade. Em sua avaliação, para suprir o deficit de leitos e médicos, as empresas estão enviando pacientes para a rede pública para realizar tratamentos mais caros e impondo novas condições contratuais para os médicos, alternativas que são "mais improviso do que solução". Como resultado das novas condições impostas aos médicos, a pesquisadora diz que muitos passaram a cobrar pelas consultas do paciente.
Postado por Mario Lobato da Costa às 16:28

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