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As coisas no Brasil vão tão mal que regredimos ao ponto de discutir a escola com partido.Voltamos aos problemas relativos ao totalitarismo!Isto sem falar  nos problemas relativos ao ensino religioso,quando a tendência na humanidade é a separação entre  igreja e o Estado.

A origem  desta discussão é a esquerda e com uma certa razão:as escolas que servem à burguesia passam uma ideologia de classe.Pode não existir um partido que seja beneficiário desta doutrinação nas escolas dos ricos,mas o problema existe.

Por uma questão de  equidade as escolas dos mais pobres poderiam passar uma ideologia(como passam)no minimo crítica ao estado de coisas:excludência,miséria,preconceito devem ser explicitados.

Em primeiro lugar é impossível para um professor com um mínimo de formação,ao entrar numa sala de aula em que predominam estes menos favorecidos,deixar de falar e atacar as causas desta situação,porque os alunos acabam por exigir.

Se nas escolas burguesas existe um indiferentismo  quanto á legitimidade da sua hegemonia,que não é,de modo geral,contestada por nenhum professor(salvo quando algum comunista é contratado[por engano{e mandado embora}]),nas dos pobres é impossível deixar de abordar estas questões,que,de um certo modo favorecem(até eleitoralmente )os partidos de esquerda.

A situação é esta e ela nos mostra o absurdo de colocar uma suposta exigência de neutralidade de quem quer que seja,de qualquer  trabalhador,no mundo em que nós vivemos  e em que dos menos favorecidos aos ricos todo mundo é de alguma forma militante.

A solução apresentada de partidarizar de vez as escolas,supostamente para sair desta hipocrisisa,é que não pode ser.Aí  o pensamento de esquerda,de classe,deve ser revisto e eu,como articulista,já toquei nesta questão quando distingui luta de classes e conciliação de classes,mas também quando disse que a esquerda deveria esquecer a mediação única do internacionalismo e incorporar ,como patrimônio teórico dela própria,a nação.

Glauber Rocha,quando fez a sua famosa inflexão,” apoiando” a distensão proposta por Geisel,afirmou algo que eu considero conceitualmente fundamental para a esquerda do futuro,a ser construída a partir de agora:” se o Brasil(palavras dele)se dividir,mais fácil ficará para o imperialismo dominar o nosso país”.

Defender a nação não é ,como na visão do passado,conciliar com a burguesia,mas proteger os trabalhadores,porque num enfraquecimento coletivo de uma nação,quem paga o pato(a história mostrou)é o trabalhador,a pessoa pobre,mesmo no países comunistas(China).

A alta burguesia se adapta a qualquer regime.Na China de hoje existe uma burguesia riquissima,protegida pelo Partido Comunista,uma burguesia ,inclusive,altamente preconceituosa.

Não abandonando a instância internacional(imperialismo[relações comerciais injustas]),a prioridade é a nação e o meio de manter a luta de classes na democracia é reinvindicar o reconhecimento dos direitos culturais e econômicos da maioria menos favorecida,diante das classes altas.

Existe um consenso sobre os problemas brasileiros que podem transitar como matéria em toda as escolas,para poder uniformizar a transmissão do conhecimento,que é efetivamente a tarefa,nesta questão toda,mais importante,e que já está sendo objeto de discussão no congresso e que eu já defendi em outros artigos,citando até Hitler.

Hitler ,que era pobre,estudou no mesmo colégio de Wittgenstein,que era um homem rico e chegava à sala de aula num rols royce da família.

Aqui no Brasil acontecia também.No Granbery,em Juiz de fora ,os alunos pobres viam chegar de carro importado o futuro Aureliano Chaves,mas ambos os tipos de alunos adquiriam conhecimento igual.

Esta é  a reinvindicação,não acusar a burguesia dos males do país(somente)e propugnar por uma revolução.Isto é fazer a esquerda se paralisar e pior, a defesa da pura partidarização divide o Brasil,facilitando a sua dominação,pulverizando a consciência nacional.

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