A Suécia tinha 56% de cobertura florestal em 1950 e hoje tem 69%. A China tinha entre 5% a 9% de florestas originais e plantadas há 60 anos, e hoje, com o intenso esforço de reflorestar, aumentou o percentual para 22%. O dado polonês era 24%, hoje é 30%.

A ideia de que só o Brasil protege suas florestas e que os outros acabaram com elas para se desenvolver, argumento forte da bancada ruralista ao propor mudanças no Código Florestal, está em xeque em um estudo divulgado ontem pelo Greenpeace.

O trabalho faz uma comparação do que aconteceu e o que acontece com as florestas de onze nações.

O estudo foi assinado por dois importantes institutos de pesquisa em floresta, o brasileiro Imazon e o britânico Proforest, ligado à Universidade de Oxford. Um dos objetivos era investigar "o quanto de verdade existe por trás de uma antiga crença - a de que o Código Florestal, como a jabuticaba, é só nosso", diz o prólogo do estudo. A intenção era descobrir qual a trajetória das florestas de cada país, qual o marco legal em relação ao desmatamento e quais os incentivos para quem quer reflorestar.

Alguns países foram escolhidos porque são potências econômicas e também pelo tamanho do território, como China e Estados Unidos. A China, além do fato de ser a principal potência emergente contemporânea e ter desmatado muito até recentemente, está em curva ascendente sob o ponto de vista de cobrir de verde suas terras. Os EUA não poderiam faltar: o país desmatou apenas 1% em 100 anos, mas "é o que mais produz grãos no mundo", lembra Paulo Adario, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace. Também estão no estudo Alemanha, França e Japão, Índia, Indonésia, Holanda, Polônia, Suécia e Reino Unido.

Em 1948, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Brasil tinha mais de 90% de seu território coberto, diz Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do estudo. Hoje, este percentual está em 56%. "Proporcionalmente, o Brasil tem menos floresta que Japão e Suécia", diz ele. O caso japonês é surpreendente: país pequeno e populoso, tem 69% de cobertura vegetal.

Segundo a FAO, o Brasil continua desmatando a uma taxa de 0,6% ao ano. "Se continuar assim, em 10 anos teremos perdido algo perto a 12 vezes o Estado do Rio de Janeiro", diz Veríssimo.

O estudo mostra que a trajetória florestal dos países começa muito alta e depois há um decréscimo bastante relacionado à expansão da agricultura, diz Adario. Com a percepção de que o desmatamento prejudica a própria produção agrícola, ocorre pressão da sociedade e a curva muda de direção. Entre os 11 países analisados, apenas a Indonésia prossegue desmatando. "O Brasil não estabilizou o desmatamento, continua caminhando ladeira abaixo", diz ele. "Temos que discutir exatamente isso: o Brasil quer ser moderno e manter floresta ou o quê?"

"O estudo é uma contribuição ao debate", diz Adario. "Mas o debate esteve marcado por premissas falsas, que, de tanto repetidas, viraram verdadeiras." Uma delas é que o marco legal brasileiro amarra os proprietários, a agricultura nacional e que o País é único no mundo a proceder assim, diz. "O trabalho do Imazon-Proforest demonstra que isso não é verdade."

Ele lembra que, na França, a conversão de florestas em terras particulares tem de ser justificada, e só pode ocorrer em áreas de até quatro hectares. Na Índia, onde quase todas as áreas florestais são estatais, uma decisão do governo central não pode ser revertida pelos Estados. O Código Florestal japonês não permite a conversão de florestas estatais ou privadas, exceto em casos muito específicos e raros. No Reino Unido, derrubar floresta para a agricultura não é permitido. A lei florestal chinesa, no geral, impede que florestas sejam suprimidas para dar lugar à mineração ou projetos de infraestrutura.

(Do Valor Econômico, publicado no Jornal da Ciência, em 07 de Outubro de 2011. E-mail no. 4360)

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Respostas a este tópico

Há algumas coisas que não são referenciadas nem contabilizadas, no Rio Grande do Sul, um dos estados mais sem florestas do Brasil, tanto por motivos do existência do bioma Pampa, como do desmatamento junto a Serra. Neste último bioma, devido a necessidade de mecanização da agricultura muitas áreas que eram utilizadas para tal foram abandonadas há quase quarenta anos, fazendo que a mata nativa progredisse sobre estas terras.
Pois é, no próprio Cerrado é assim. Há muita área que foi aproveitada para reflorestamento, quando a cultura de soja e milho foi transferida para o Pantanal.

Alexandre

 

Aqui nem é reflorestamento com essências exóticas, é mata nativa que toma conta da área que era plantado milho e uva.

Alexandre

 

Se não é verdade que o Brasil é o único pais do mundo que tem por obrigatoriedade a conservação das florestas, também é verdade que as florestas remanescentes nos países citados são remanescentes, por dois motivos:

Ou eram florestas voltadas para a caça dos nobres europeus, ou eram terras inviáveis para uma agricultura automatizada em outros países.

 

Plantação de Arroz

 

Os nossos amigos asiáticos ocuparam tudo que puderam, na foto se vê a ocupação de uma área que seria proibida no Brasil, e por que hoje em dia eles estão com o desmatamento zero? Porque não tem mais mão de obra (principalmente o Japão) para operar A MÃO estes terraços.

Devemos preservar a Amazônia e os remanescentes da Mata Atlântica, mas devemos preservar a verdade também.

Esses amigos do GreenPeace fazem um discurso completamente contraditório, toda esta "preservação e recuperação de florestas" está sendo obtida as custas da introdução de maquinismos nas plantações, aumento de adubação e de agrotóxicos em geral.

 

Recrimina-se toda esta eliminação da agricultura natural e depois fala-se da beleza que ela está produzindo em termos de reflorestamento. Ou é um ou é outro. As plantações orientais de arroz, devido ao tipo de cultivo são altamente econômicas em termos de todos estes componentes citados, quando se "moderniza" esta agricultura, como está sendo feito na China, grandes áreas produtivas são completamente abandonadas e viram florestas. Mais energia, mais agrotóxicos e mais adubos, parece que é tudo que o GreenPeace ama (não seria ao contrário?).


Na França o caso é mais gritante, o campo está sofrendo o que eles chamam uma desertificação humana, as pequenas propriedades estão ficando anti-produtivas vis-a-vis das grandes áreas mecanizadas. Em regiões mais montanhosas, ou regiões em que haviam minifúndios estes ou estão sendo transformados em áreas de lazer ou simplesmente estão sendo abandonados.

 

O aumento da área de florestas na Suécia pode ser visto sob o mesmo prisma, viver em áreas distantes dos grandes centros populacionais, e ficar praticamente isolado durante três a quatro meses por ano é algo que o Sueco mais jovem não aceita, um bom emprego urbano é muito mais confortável e recompensante.

 

No caso da Polônia é ainda mais fácil de interpretar, tínhamos até a queda do muro uma imobilidade social muito grande, e os habitantes dos campos se mantinham por aí devido a baixa diferença de remuneração entre um agricultor e um homem da cidade.

 

O que mais me chama atenção, que talvez estejam festejando mais uma derrota de uma agricultura mais natural do que uma vitória de um reflorestamento voluntário. Acordem todos, olhar grandes números, sem entender o porque, podem levar a grandes erros.

Rogerio, entendi o que queres dizer, mas a questão não é festejar. O motivo deste tópico não foi o de "viu, agora tá bom, agora podemos ir pra casa descansar".

Eu sempre clamo para que as partes sejam ouvidas. E que os contraditórios sejam postos à mesa para debate. Não sou partidário do GreenPeace, mas também não fecho a porta.

Há muito que se ouve dizer que só o Brasil é que é chamado no ambientalismo e que todas as ONGs do mundo nos apontam o dedo. Porém, podemos perceber que alguma coisa por aí também está ocorrendo e que é importante pôr tudo isso em xeque no sentido de a verdade prevalecer.

Que não tá bom, não tá. O problema que temos que procurar o nosso bom, pois o modelo deles é de agricultura dependente de energia. Além de tudo eles fazem um discurso equivocado que simplesmente qualquer gestor público, numa hora a agricultura mecanizada é o ótimo noutra hora é o lixo.

 

Não precisamos desmatar nem um metro quadrado no Brasil, simplesmente não precisamos, mas não porque na Suécia as suecas.... é porque temos terras suficiente para produzirmos um monte. E o melhor de tudo, se incentivarmos a agricultura familiar a produção dobra.

Alexandre, utilizando suas palavras modificadas Outro argumento forte da bancada ruralista ao propor mudanças no Código Florestal, está em xeque em um novo estudo divulgado.

Data: 9/10/2011
Critério espacial no meio ambiente: Reserva legal não é exclusividade da lei brasileira.
Fonte: Rede Brasil Atual

Um dos principais argumentos de setores agrícolas e da bancada ruralista do Congresso Nacional para defender mudanças no Código Florestal brasileiro, as reservas legais não são de exclusividade das propriedade privadas no Brasil. De acordo com estudo feito pela professora de direito ambiental da Universidade de São Paulo (USP), Ana Maria de Oliveira Nusdeo, em outros países ou estados, sobretudo os que têm vegetação e clima semelhantes aos do Brasil, a legislação também exige a preservação de uma porcentagem da área e, na maioria das vezes, com determinações mais rigorosas que as do Brasil, por não autorizar brechas para novos desmates.

A condição de reserva legal, no caso brasileiro, se define por uma área localizada em propriedade rural, necessária à conservação de fauna e flora nativas. É um dos principais mecanismos de preservação previstos no Código Florestal brasileiro – outro são as áreas de preservação permanente (APP), perto das margens de rios e encostas de morros.

Ana Maria explica que, no Brasil, o produtor que respeita a reserva legal e as APPs obtém direito à supressão, ou seja, tem carta branca para desmatar outras áreas da propriedade. Ela lembra que apenas na Mata Atlântica isso não é possível por existir leis que impedem novos desmatamentos no bioma.

"Descobriu-se que no Paraguai, por exemplo, uma porcentagem deve ser preservada em cada propriedade rural, independente de sua área. Mais comum do que ter uma área já preservada é ter um zoneamento que determina qual é a área que, obrigatoriamente, deve ser preservada. As pessoas não têm mais o direito de fazer novos desmatamentos, diferente do Brasil", pontuou a pesquisadora.

No caso da legislação paraguaia, a parte preservada é de 25% do total da área, independentemente da região do país. Já nas determinações que referem-se à proibição relativa de desmatamento para uso alternativo do solo, no estado de New South Wales, na Austrália, por exemplo, se exige um plano de supressão da vegetação indicando a área que ficará preservada, com índices normalmente superiores a 20% do tamanho total da propriedade.

No estado da Califórnia, nos Estados Unidos, para se obter uma autorização de novos desmates, deve-se demonstrar que o propósito é de interesse público. Nesses casos, a obtenção de autorização de desmate será anulada caso as áreas sejam consideradas inadequadas.

No Brasil, a atual legislação obriga que a área de vegetação que deve ser poupada do corte raso em propriedades rurais seja de 80% na Amazônia, 35% no cerrado amazônico e 20% no restante do país. Entretanto, apesar de manter os mesmos índices de proteção, a proposta de um novo código florestal brasileiro contém itens que podem causar dúvidas na sua interpretação, como exemplo, a possibilidade de incluir no cômputo da reserva legal as áreas de preservação permanente (APPs), o que, no código atual, é proibido.

Ana Maria Nusdeo constata que a tendência de todas as legislações nos países e estados que foram pesquisados é de que a caminhada se direciona a um sentido de aumento da proteção ambiental, pois os países começaram a assumir obrigações internacionais e adquriram conscientização sobre o meio ambiente.

Segundo ela, caso o Brasil tome um rumo oposto ao da maioria dos países, haverá uma profunda insegurança jurídica quanto à inconstitucionalidade da mudança da legislação. "As demais legislações tendem a restringir progressivamente as possibilidade de conversão de novas áreas de exploração econômica. Exatamente o contrário do que o Brasil vem propondo (no atual debate de revisão do Código Florestal)", finaliza a advogada.

Caro Alexandre
Posso trazer para cá algumas perguntas que lhe fiz há semanas, e que lhe passaram desapercebidas? Acho que tem relação com o tema.

Pensando bem, se têm relação... trago agora:

1. No meu curso primário, nunca ouvi falar das algas azuis, nem dos processos que levaram à oxigenação da atmosfera, mas aprendi que a reação de fotossíntese (12H2O + 6CO2 → 6O2 + 6H2O + C6H12O6)  é um dos sustentáculos da vida no planeta, não apenas por iniciar a maioria das cadeias alimentares, mas também por ajudar a manter equilibrada a relação entre as quantidades de O2 e CO2. Se não for isso, vou reclamar com a D. Guiomar e a D. Irene, apesar de imaginá-las finadas, mas nem por isso menos queridas.

Minha primeira questão é: alguém sério já questionou a tese de que, a partir de certo nível de presença na atmosfera, o CO2 pode resultar em aquecimento atmosférico?
Pergunto isso porque já foi dito aqui (e ficou sem contestação) que o efeito estufa é um delírio sem a menor base científica, inventado pela orquestra que quer frear o desenvolvimento dos países do andar de baixo. Quem defende este ponto de vista chegou ao cúmulo de saudar o CO2 como ''o'' gás da vida, insinuando que a natureza agradeceria o incremento.

 

2. Suponho que o equilíbrio entre O2 e CO2 esteja na base do protocolo de Kyoto (aquele que os EUA se recusam a assinar), que visa a redução das emissões de gases do efeito estufa impondo obrigações bastante diferenciadas entre os países plenamente industrializados e aqueles que se encontram em desenvolvimento.
Como você diz, a questão é a dose. Ora... (essa é minha segunda pergunta) a vegetália (digamos) do planeta sequestra CO2 da atmosfera, e isto me parece absolutamente vital. Cadê a bobagem no raciocínio? É ''moda da burguesada à toa''?

 

Por hora, fico aqui. Mas tenho outras questões, se você me permitir.  

Caro Hermê

 

Sei que a pergunta não foi endereçada a minha pessoa, mas vou respondê-la:

 

Este é a grande discussão atual, até que ponto há mecanismos de Feedback que agem sequestrando o CO2 naturalmente. O que se sabe hoje em dia que as as árvores das florestas em todo o mundo estão "engrossando" mais rápido, é um mecanismo de Feedback que ninguém ainda quantificou devidamente. Outra constatação, no Sahel, sem grandes alterações na pluviosidade está havendo um aumento na massa vegetal. Em resumo, não é o Protocolo de Kioto que define a estabilidade mas sim a natureza e esta ainda não se conhece direito.

 

Quanto ao CO2 ser um dos gases de efeito estufa está claro que ele é, porém procure na composição da atmosfera quanto corresponde o CO2 e quanto corresponde outro gás de efeito estufa, o vapor d'água. CO2 = 0,039% Vapor d'água = 0,4% (alta atmosfera, 1% a 4% na superfície), ou seja o vapor d'água varia de 10 a 100 vezes mais do que o CO2.

Obrigado pelas respostas, Maestri

Coincidentemente, há uma semana assisti um documentário sobre uma iniciativa no Senegal (The Great Green Wall) que talvez tenha a ver com o aumento da massa vegetal.

Al Jazeera english - Earthrise

Como você poderá ver, é um projeto que se enquadra como beneficiário dos créditos de carbono. Parece que a população está satisfeita. 

Há programas que estão vinculados a créditos d carbono que são bons e outros que são péssimos, não há nenhum meio ou avaliação se esses programas favorecem a população local.

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