INTEGRALISMO BRASILEIRO - RACISMO E EUGENIA EM SÃO PAULO

O link abaixo leva a um trabalho de doutorado do professor Sidney Aguilar Filho, onde ele discute a segregação e trabalhos  forçados, no Brasil [fazenda em São Paulo], de jovens negros. Desde década de 1930 até o término da Segunda Guerra Mundial.

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Caro Antônio.

Sinto muito mas voltarei a discordar de ti e deste autor, que confundiu "trabalho escravo" com eugenia, nazismo a integralismo. Dizer que não haviam racistas eugenistas, sob o ponto de vista que foi mais desenvolvido nos USA e posteriormente na Alemanha Nazista, no Integralismo Brasileiro é totalmente errado, entretanto caracterizar o Fascismo Brasileiro representado pela AIB como um movimento racista é uma desonestidade intelectual.

O autor, da tese simplesmente não coloca em nenhum ponto o trecho básico do Integralismo brasileiro (Manifesto de 7 de outubro de 1932), que transcrevo a seguir, em que ocupa grande parte do seu texto para a definição do "Povo Brasileiro". Antes de seguir a discussão, gostaria que lessem este longo texto, que ao meu ponto de vista não me parece racista.

"Manifesto de 7 de Outubro de 1932

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IV

O Nosso Nacionalismo

O cosmopolitismo, isto é, a influencia estrangeira, é um mal de morte para o nosso Nacionalismo. Combatê-lo é o nosso dever. E isso não quer dizer má vontade para com as Nações amigas, para com os filhos de outros países, que aqui também trabalham objetivando o engrandecimento da Nação Brasileira e cujos descendentes estão integrados em nossa própria vida de povo. Referimo-nos aos costumes, que estão enraizados, principalmente em nossa burguesia, embevecida por essa civilização que esta periclitando na Europa e nos estados Unidos. Os nossos lares estão impregnados de estrangeirismos; as nossas palestras, o nosso modo de encarar a vida, não são mais brasileiros. Os brasileiros das cidades não conhecem os pensadores, os escritores, os poetas nacionais. Envergonham-se também do caboclo e do negro de nossa terra. (Os Grifos são meus) Adquiriram hábitos cosmopolitas. Não conhecem todas as dificuldades e todos os heroísmos, todos os sofrimentos e todas as aspirações, o sonho, a energia, a coragem do povo brasileiro. Vivem a cobri-lo de baldões e de ironias, a amesquinhar as raças de que proviemos. Vivem a engrandecer tudo o que é de fora, desprezando todas as iniciativas nacionais. Tendo-nos dado um regime político inadequado, preferem, diante dos desastres da Pátria, acusar o brasileiro de incapaz, em vez de confessar que o regime é que era incapaz. Cépticos, desiludidos, esgotados de prazeres, tudo o que falam esses poderosos ou esses grandes e pequenos burgueses, destila um veneno que corrói a alma da mocidade. Criaram preconceitos étnicos originários de países que nos querem dominar. Desprezaram todas as nossas tradições. E procuram implantar a imoralidade de costumes. Nós somos contra a influencia perniciosa dessa pseudo-civilização, que nos quer estandardizar. E somos contra a influencia do comunismo, que representa o capitalismo soviético, o imperialismo russo, que pretende reduzir-nos a uma capitania. Levantamo-nos, num grande movimento nacionalista, para afirmar o valor do Brasil e de tudo que é útil e belo, no caráter e nos costumes brasileiros; para unir todos os brasileiros num só espírito: o tapuio amazônico, o nordestino, o sertanejo das províncias nortistas e centrais, os caiçaras e piraquaras, vaqueiros, calús, capichabas, calungas, paroaras, garimpeiros, os boiadeiros e tropeiros de Minas, Goiás, Mato Grosso; colonos, sitiantes, agregados, pequenos artífices de São Paulo; ervateiros do Paraná e Santa Catarina; os gaúchos dos pampas; o operariado de todas as regiões; a mocidade das escolas; os comerciantes, industriais, fazendeiros; os professores, os artistas, os funcionários, os médicos, os advogados, os engenheiros, os trabalhadores de todas as vias-férreas; os soldados, os marinheiros – todos os que ainda têm no coração o amor de seus maiores e o entusiasmo pelo Brasil. Temos de invocar nossas tradições gloriosas, temos de nos afirmar como um povo unido e forte, que nada mais poderá dividir. O nacionalismo para nós não é apenas o culto da Bandeira e do Hino Nacional; é a profunda consciência das nossas necessidades, do caráter, das tendências, das aspirações da Pátria e do valor de um povo. Essa é uma grande campanha que vamos empreender."

Parece-me que o autor, na ânsia de provar a sua tese, simplesmente pinçou vários documentos. Também há uma clara confusão entre eugenia com higienismo, palavras que tem sentidos completamente diferentes.

Deixo claro que não estou aqui para defender ideologias fascistas, estou simplesmente defendendo a verdade.

Bom dia Maestri!

O autor discute em cima de fatos históricos. Irrelevante a carta de intenções. Isso só prova que as intenções eram umas, no entanto, as ações concretas foram outras.  

Você está então dizendo que os fatos narrados no livro são mentira? Ou que o autor inventou tudo?

Abs.

Se levantares as palavras e escritos de qualquer movimento político em qualquer país com liberdade de expressão, que era o caso do Brasil na época, verás que militantes dos partidos escrevem uma série de coisas que fogem da política institucional do partido.

Não estou defendendo os fascistas brasileiros, pois eles eram FASCISTAS, e para mim isto já é o suficiente para desqualificá-los, entretanto não podemos falsear a realidade.

A visão fascista de Plínio Salgado, e em fascismo o que vale é a palavra do líder, era de uma sociedade multicultural e multirracial, inclusive o próprio fascismo italiano não era anti-semita em sua essência, sendo que algumas leis anti-semitas só foram introduzidas em 1938 com a aproximação ao Nazismo, e a pleno na República de Salo em setembro de 1943 quando os alemães assumem este governo e Mussolini vira apenas uma figura decorativa. Esta última observação é importante pois o fascismo de Plínio Salgado era ideologicamente vinculado ao fascismo italiano e não ao nazismo alemão.

Quanto ao trabalho, propriamente dito, vamos a alguns cometários pertinentes.

No início de sua análise, o autor na página 52 cita Miguel Reale, figura bem mais proeminente do que a família paulista Rocha Miranda (esta sim nazista), demostra claramente a preocupação de Miguel Reale quanto a entrada de membros da alta burguesia paulista para o movimento Integralista, trazendo consigo um ideário racista derivado do Nazismo.

É importante destacar que se pode escrever algo de forma tendenciosa não pela citação, mas sim pela omissão, veja em 1930 tivemos figuras como Neiva Moreira, San Tiago Dantas, Dom Helder Câmara e Vinicius de Morais, vestindo a camisa verde do integralismo, e pelos escritos e feitos destas pessoas sabemos claramente que nunca seriam atraídos por uma ideologia racista.

Insistir nos escritos raivosos de racistas de Gustavo Barroso e alguns outros é simplesmente querer provar uma tese através de poucos, e não verificar o que realmente era o movimento fascista brasileiro.

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