O VISIONÁRIO GORDURINHA

Na noite de 31 de março de 1964, quando as tropas do general Olympio Mourão partiram de Belo Horizonte para o Rio, muita gente não acreditava que estivesse a caminho um regime militar que condenaria o Brasil a mais de vinte anos de ditadura. O sempre bem-humorado compositor, cantor, comediante e homem de rádio Waldeck Arthur de Macedo (apelidado Gordurinha por sua extrema magreza na juventude) estava entre os que previam conseqüências desastrosas para aquele levante.
Em casa, no município fluminense de Nova Iguaçu, avisou a mulher, Eloide, e a enteada Evelyn, num tom muito distante do brincalhão que todos festejavam: "A coisa vai ficar feia. Preciso ir à Rádio Mayrink Veiga e dar um fim no livro dos treze. Vocês rasguem tudo o que possa me comprometer. Vou sumir por uns tempos". "Baiano Burro Nasce Morto", como ele mesmo compôs (a letra metralha: "O pau que nasce torto/ Não tem jeito, morre torto/ Baiano burro, te garanto, nasce morto").


"ELE DETESTAVA CHICLETE"

"Nos acostumamos a ouvi-lo dizer que ia ali na esquina e passar semanas fora de casa. Quando finalmente aparecia, minha mãe dava bronca e ele dizia na maior calma: ´Puxa, Eloide está nervosa´. Naquele dia sentimos que não era desculpa para a boemia. Desconfiávamos de sua ligação com grupos de esquerda, mas nunca soubemos o nível do envolvimento. Levou meses para voltar, sujo e maltratado, com a mesma roupa no corpo. Fizemos o que ele mandou, rasgamos tudo, até uma foto dele tocando violão para o João Goulart e o (Leonel) Brizola", lembra Evelyn Warthon, ex-chacrete, hoje vivendo ao lado da mãe, Eloide, e de João Pedro, 8 anos, neto de Gordurinha e a cara do avô, na praia de Mauá, distrito de Magé, Rio de Janeiro. Até hoje o tal "livro dos treze" é um mistério. "Ele não gostava de falar sobre o assunto, eu também não queria saber", cala Dona Eloide, 77 anos.
Ela conheceu Gordurinha no Recife, quando ele apresentava um programa humorístico na Rádio Tamandaré. Na época, era casada com o diretor da rádio, João Silvino (pai de Evelyn e Edna). Assim que enviuvou, porém, casou com o rapaz magro e asmático, que circulava pelos bares da cidade com o poeta Ascenso Ferreira, o cantor Genival Lacerda e o ex-técnico de futebol Gentil Cardoso. "Tivemos duas filhas gêmeas, Marileide e Mariloide. Nos anos 50, a música nordestina atravessava um bom momento, com o Jackson do Pandeiro e o Luiz Gonzaga, e mudamos para o Rio. Ensinei ele a vestir paletó, a fazer as unhas, a parar de usar gumex", conta, orgulhosa, a viúva.
Certo dia, a caminho da praia da Urca, Gordurinha começou a inventar um baião que falava em chiclete. "Ele detestava chiclete e implicava com tudo que era americano. Eu disse: ´Grave como mambo, está na moda´ ", lembra Eloide. Foi o que ele fez, em seu primeiro LP, lançado pela Continental em 1958. Deu certo: "Chiclete Com Banana", creditado a Gordurinha e Almira Castilho (então mulher e parceira de Jackson do Pandeiro), veio a ser grande sucesso.
"Só ponho bebop no meu samba quando o Tio Sam tocar no tamborim", condicionava a letra, antes de arrematar, antropofágica: "Quero ver o Tio Sam, de frigideira, numa batucada brasileira". Era tudo o que os meninos Gilberto Gil e Caetano Veloso, na época ainda descobrindo João Gilberto, viriam a amarrar mais tarde no Tropicalismo.
"Vendedor De Caranguejo", gravado inicialmente pelo próprio Gordurinha, depois por Clara Nunes, em 1974, e por Gil, em 1997, poderia muito bem ser um manifesto da geração mangue de Chico Science e Fred 04: "Caranguejo-uçá, apanho ele na lama e boto no meu caçuá, caranguejo tem gordo guaiamum, cada corda de dez eu dou mais um". Não foi por acaso que, antes de incluir a música, em Quanta (de 1997), Gilberto Gil a mostrou para Chico Science. "Eu queria que ele tivesse gravado."
"Até hoje rezo toda noite um pai-nosso para meus três grandes mestres: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Gordurinha", diz o cantor Genival Lacerda, realçando a importância de seu velho amigo. "Ele me chamava de ´cobra do norte´, que acabou virando título de um de meus discos", lembra.
Jards Macalé, que gravou duas de suas composições, "Mambo Da Cantareira" e "Orora Analfabeta", no antológico LP Aprender A Nadar (de 1974), acredita que, além de visionário, Gordurinha era um anarquista. "Seu humor propunha uma revisão dos valores e das relações sociais. Num país analfabetíssimo, uma música como ´Orora...´ prega uma peça nas elites." Esse anarquismo inspirou Macalé a protagonizar a mais sensacional performance de lançamento de disco - o próprio Aprendendo A Nadar - no Brasil: "Pulei da barca Rio-Niterói, ao som do ´Mambo´ nos alto-falantes".
Almira, hoje morando no Recife, tem lembranças poéticas do compositor: "Ele nos visitava quase toda a semana. Levava o violão, cantávamos a tarde inteira. Ele ia pra frente da gaiola e ficava tocando violão pros passarinhos". Esse mesmo sujeito, porém, ia fundo na crítica social, como provam os versos de "Meu Enxoval" (outra parceria com Almira), que fala de um retirante que dorme coberto por jornais: "Eu vou ficando, dormindo aqui na porta do Municipal, com 4 mil réis eu faço um enxoval: Diário da Noite e Última Hora".
"Ele tinha um humor sarcástico, inteligente, inovador para a época. Não sei se teria espaço na televisão débil mental de hoje em dia", duvida Juca Chaves, que foi, junto com Chico Anysio, seu colega no programa Boate Do Ali Babá, na TV Rio. "Na Rádio Arcoverde, em Pernambuco, Gordurinha era anunciado como o homem do raciocínio rápido", lembra o ex-radialista Severino Dadá, hoje montador de cinema.


DISCO-TRIBUTO NA BAHIA

"Só mesmo vendo como é que dói trabalhar em Madureira, viajar na Cantareira e morar em Niterói", diz o "Mambo da Cantareira". "Orora Analfabeta" era "uma dona boa lá de Cascadura". "Tô Doido Pra Ficar Maluco" (veja letra na página ao lado) brinca com o antigo hospício de Jacarepaguá. O retirante de "Não Sou Mais Pau-De-Arara" aluga um apartamento no Leblon e o operário de "LBO" mora num barraco em Belford Roxo. Em "Festival De Bolachada", o inocente sai da delegacia e vai a pé pra casa em Bangu. Em sambas, baiões, mambos, cocos, Gordurinha cantou o Rio como poucos cariocas.
Mas é a Bahia que homenageia o compositor com um disco, previsto para maio, ano em que se completam trinta anos sem o compositor, morto em 16 de janeiro de 1969. O projeto é coordenado pelo produtor Roberto Santana - o homem que apresentou Gilberto Gil a Caetano Veloso - e tem o apoio da Secretaria de Cultura de Salvador. Roberto pretende convocar novos artistas baianos, como o grupo Confraria Da Bazófia, para interpretar canções de Gordurinha. "Tem gente que nem sabe que ele nasceu em Salvador, no bairro da Saúde. Suas músicas são atualíssimas e merecem reconhecimento", defende.


HOMENAGEM EM SHOW NO RIO

Elba Ramalho, que ano passado gravou a excelente "Pau-De-Arara É A Vovozinha", no álbum Flor Da Paraíba, é outra voz em defesa da memória do compositor: "Meu pai, que era músico, me ensinou a gostar de seus cocos, forrós e sambas. Ele tinha tiradas sensacionais e dividia muito bem os versos".
Atualmente o cavaquinista carioca Eduardo Galoti, 34 anos, produz um show - e sonha em lançar um disco - exclusivamente dedicado ao autor de "Calouro Teimoso" e "O Marido Da Vedete", dois "sucessos" de Gordurinha no circuito de rodas de samba do Rio. "Se um cara hoje quiser conhecer Gordurinha, faz como? Nos museus e nas bibliotecas, não se encontra nada. Só procurando feito um louco se acha disco dele nos sebos", indigna-se Galoti.
Enquanto a obra (uma edição em CD saiu em 1994, pela Continental, mas está esgotada) não é relançada, os curiosos aguardam. Como Dona Eloide esperava. A última vez que Gordurinha saiu de casa, levou três anos e meio pra voltar. Metido com outra mulher, foi para Recife. Reapareceu no dia 2 de janeiro de 1969, atacado pela asma que o maltratou toda a vida. Tinha se viciado em injeções de adrenalina, que ele mesmo aplicava na tentativa de aliviar as crises. Quatorze dias depois, aplicou a última dose. "Ele pediu: ´Eloide, traga minha injeção´. Minutos depois, caiu duro, fulminado por um infarto", lembra a viúva. Morria de overdose Gordurinha, um herói da música brasileira.


Raridades Esquecidas

LBO
(Gordurinha)
Mas é que eu sou trabalhador
Moro em Belford Roxo
Numa viela, num barraco sem tramela
Pago no fim do mês
Dois contos e quinhentos de aluguel
Ao português seu Manuel
Eu ganho cinco contos de salário
Nem precisa dizer que eu sou operário
Trabalho sem pudor
Ando atolado até o pescoço
Estou todo bombardeado
Eu pago IAPI, IAPET, IAPETEC, IAPETUC
Meu patrão é cheio de truque
Agora vem dizendo
Que eu tenho que pagar até o LBO
Procurei o advogado lá no sindicato do doutor Macário
Fiquei sabendo que o LBO significa:
"Limpa o bolso do otário"

"Tô Doido Pra Ficar Maluco"
(Rodrigues da Silva/Ataíde Pereira)

Estou doido pra ficar maluco
Estou doidinho mesmo pra ficar maluco
Tenho calo na memória, tirei curso de caduco
Sou um matusquela que chegou de Pernambuco
Alô alô Jacarepaguá, voluntariamente vou me apresentar
Alô alô Jacarepaguá, guarda o meu cantinho, que eu já vou pra lá
Lá na Colombo eu fiz uma confusão
Pedi água sanitária e sanduíche de sabão
Mexi o cafezinho com o cabo de vassoura
Mandei somar na conta com pedaço de cenoura
Trabalho atualmente numa fábrica de areia
Me deito às quatro horas e levanto às três e meia
Sou telefonista, só atendo quando quero
Zero mil zerocentos e zerenta e zero

Revolucionário antes dos revolucionários

Atendia pelo apelido de Gordurinha e zoava nos programas humorísticos dos anos 50 fazendo um tipo gaiato à Zé Trindade - aquele mesmo, homenageado pelo Skank no disco O Samba Poconé.
Apesar de deserdado entre os mandões da terra onde ninguém nasce (estréia), virou da hora, giboiando em quitutes finos da MPB. "Chiclete Com Banana", megahit de Jackson do Pandeiro que Gilberto Gil regravou no Expresso 2222, é dele (em parceria com Almira Castilho, mulher de Jackson). "Vendedor De Caranguejo", emblema que prenuncia o manguebit de Chico Sicence (igualmente regravada por Gil), também, assim como o sucesso "Súplica Cearense" (na voz de Nelinho), um libelo contra a enchente que costuma arrasar o sertão pós-seca, e a hilária "Baiano Burro Nasce Morto". Metralha a letra: "O pau que nasce torto/ Não tem jeito, morre torto/ Baiano burro, te garanto, nasce morto".
Nascido em Salvador, Waldeck Artur de Macedo (1922-1969), o tal Gordurinha, se projetou via Pernambuco nas rádios Recife e Tamandaré, no começo dos anos 50. Mas tinha razões para defender os conterrâneos. Quando chegou ao Rio para batalhar um lugar ao som (bateu ponto nos programas Varandão Da Casa Grande, na Rádio Nacional, e Café Sem Concerto, na Tupi), a gozação (mesclada com preconceito) dos cariocas (e também dos paulistas) apelidava de "baianos" todos os cabras da peste. Não faltavam piadinhas maldosas do tipo "TV de baiano é janela de trem", "o que leva baiano pra frente é topada", reproduzidas na gravação de Gordurinha de "Baiano Burro" pelo ator Mário Tupinambá (que fazia o "deputado baiano" em antigos programas humorísticos). O mix de humor & música, um provável motivo de sua obra não ter sido levada a sério, também rola na gravação dele de "Chiclete Com Banana", aberta com um "oh yes, all right, thank you", seguido de um latido de cachorro (do próprio) sacaneando o sotaque ianque.
Pontuado por um baixo boogie, o sanduíche dos clichês de exportação dos dois países saiu em 1958 e serviria de inspiração tanto a uma peça nacionalista de Augusto Boal no Teatro Arena, em 1968, quanto à tira de quadrinhos anárquicos de Angeli. Mais que isso, antecipa uma fusão abordada sempre com ambigüidade ao longo da chamada linha evolutiva da MPB. Desde o samba "Boogie Woogie Na Favela" (do paulista Denis Brean, de 1945), o baião "Bibape Do Ceará" (Catulo de Paula/Carlos Garlindo), de 1955, até a bossa-nova "Influência Do Jazz" (Carlos Lyra), de 1962, questiona-se a mistura - misturando.
Também prenunciador de Raul Seixas, no rock "Tô Doido Pra Ficar Maluco" (Rodrigues da Silva/Ataíde Pereira), Gordurinha gravou pouco. Deixou alguns 78 rotações (o antigo single), dois LPs e antologias montadas com esses repertórios. Morreu antes de completar 47 anos, quase no anonimato. Mas o humor ingênuo do antenado retratista social merece ficar na história da música brasileira.

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Respostas a este tópico

Oi Waldeck, que maravilhosas historias. Sempre fui fã do Gordurinha, mas sequer tinha ideia de suas posições políticas. O livro dos 13, que interessante. Seriam 13 subversivos?Caderneta de contribuição?
Célula? Rs.
Quem saberá?
Parabéns pelo cultivo da memória, precisamos.
Abração
oi boa tarde
que bom que tenha gostado,essa reportagem saiu na bizz de 30 anos da morte de meu avo,esse livro preto na verdade era um livro de musicas que ele tinha feito e ainda nao tinha lancado,so deus sabe onde foi parar esse livro,realmente ele era amigo de brizola e quando estourou o militarismo ele pediu para rasgar suas fotos com brizola.Mas ele so era amigo,naoo era envolvido em politica ao extremo,existe uma historia em que uma musica sua foi censurada e o rapaz do exercito ria da letra e dizia,eu nao posso autorizar ,mas ela e boa.Coisas da ditadura.
por que voce não escreve um livro sobre ele? estamos em época de biografias
foi lancado um livro no mes de janeiro na assembleia legislativa da bahia do jornalista roberto torres
minha mae estava la para prestigiar o lancamento
tenho um blog sobre meu avo
acesse e se associe e deixe um recado
wwwgordurinhaneto.blogspot.com
w sem ponto
e tenho um blog de poesias
wwwpoesiaspublico.blogspot.com
Muito bom "Gordurinha Neto", vc nos trazendo novamente novas histórias do seu avô.
As coisas bonitas merecem ser lembradas e cultivadas.
que bom que gostou,fico feliz,acesse meu blog
wwwgordurinhaneto.blogspot.com
pronto, vou colocar em meus favoritos!
Waldeck: o 'livro dos 13" era uma cartilha com orientações políticas, impressa e distribuida por Brizola e seus correligionários. O número 13 representa a totalidade dos participantes de cada comitê, espalhados pelo Brasil inteiro. Objetivo: defender as reformas de base em andamento no Congresso Nacional, com forte oposição da direita.
Naquela época a efervescência política e o radicalismo contagiou toda América Latina, culminando com o golpe militar aqui no Brasil. Muitos dos participantes do 'grupo dos 13' foram presos, outros conseguiram exilar-se. Brizola foi para o Uruguai, onde ainda tentou reerguer seu movimento. Mas não possuia uma arma! Ao contrário dos militares.
que maravilhosa historia,realmente eu nao sabia,e que estava em poder de meu avo,sempre soubemos que o livro dos treze , na verdade era um livro de poesias,assim minha mae nos contava ,ate hoje ela afirma isso e ela mesma disse que chegou a ver esse livro.Muito obrigado por sua colaboracao e ajudar a divulgar essa historia,gracas a deus hoje podemos falar abertamente sobre isso.obrigado
Quem conheceu o trabalho de Gordurinha sabe o quanto perdeu o Brasil quando ele se foi. Gordurinha sempre cultivou as manifestações da cultura nacional e se orgulhava de ser brasileiro. Não se deixava dominar pelo espírito colonizado de grande parte dos que faziam ou consumiam arte no Brasil. Especialmente quando havia ranço norte-americano. Era bom tudo que fazia, desde o sabor dramático de "Súplica cearense" ao tom hilário de tantas letras que escreveu. Lembro-me de uma música feita por ele, que não obteve o sucesso de outras composições, mas que divertiu muitos os cariocas: logo depois da revolução cubana, em 59, muitos dos que, juntos com Fulgêncio Batista, haviam transformado a ilha no maior bordel norte-americano no Caribe, eram fuzilados no paredão. Gordurinha fez, então, uma brincadeira com dois barbudos, Fidel e Tenório Cavalcanti, líder político de Caxias, que não se afastava de sua famosa metralhadora "Lurdinha". Transcrevo aqui a letra, que ainda guardo na memória. A letra é curta, mas fez muita graça na época.

Me chamaram pra cantar o samba em Havana
Eu prefiro cantar mambo em Copacabana.

Lá em Cuba o negócio é no fuzil,
Eu prefiro cantar mambo no Brasil.

Barba por barba, tiro por tiro,
Aqui mesmo em Caxias eu me viro.

***
muito obrigado por essa perola
se quizer conhecer um pouco mais de meu avo acesse meu blog
wwwgordurinhaneto.blogspot.com
inclusive vc vai achar a biografia que saiu esse ano sobre meu avo gordurinha
um grande abraco

Caro Luis, gostaria de saber se você tem gravação da música "LBO', do Gordurinha. Eu a ouvia quando pequena (tenho 60 anos) e me lembro com precisão a letra e a melodia, mas gostaria de escutá-la. Tínhamos um compacto com essa canção, não me lembro quem cantava. Talvez Germano Mathias.

Grata,

Thea

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