Governador de Mato Grosso, Zé Pedro Taques, no "Roda Viva" da TV Cultura. A entrevista, é claro, teve bons momentos e momentos tenebrosos.

Por Enock Cavalcanti em Gente que faz | Imprensa em debate | Jogo do Poder | Editar - 11/11/2015 23:12
Zé Pedro Taques, governador de Mato Grosso, no centro do "Roda Vida", na TV Cultura, em entrevista ao vivo, em 9 de novembro de 2015

Zé Pedro Taques, governador de Mato Grosso, no centro do “Roda Vida”, na TV Cultura, em entrevista ao vivo, em 9 de novembro de 2015

Zé Pedro Taques no Roda Viva na TV Cultura

Por Enock Cavalcanti

Meus amigos, meus inimigos: logo no começo, Augusto Nunes quis chamar Zé Pedro de governador “Pedro Traque”. Derrapou mas seguiu em frente. A produção do Roda Viva também confundiu o ex-procurador da Republica com um procurador federal prova de que a chamada grande mídia ainda tem muito que ler nossa Gazeta, Mídia News, etc, etc, para aprender pelo menos alguns fatos básicos sobre este Estado de Mato Grosso.

Ah, Zé Pedro Taques citando o ministro Gilmar Mendes como uma referência. Era a hora de alguém encaixar uma pergunta sobre o IDP, mas cadê algum dos blogueiros que deveria estar aqui, talvez o Rodrigo Viana, talvez o Azenha.

Ah, Zé Pedro Taques querendo lavar a imagem do procurador geral da República na época de FHC, o engavetador geral Geraldo Brindeiro. Será que Zé Pedro precisa enterrar tão fundo assim aquele procurador da República que tanto admirávamos? Dizer que Brindeiro atuava tal e qual o Janot é uma indecência, pois não? Mas, claro, a turma (ou turba?) do Facebook não tem memória histórica, de modo geral.

A pergunta sobre os inquéritos contra o PSDB no tempo do Dante, é claro, deveria ter sido bolada com a consultoria desse velho tucano Maurício Magalhães, dantista de boa cepa, mas não podemos exigir tanto da turma direitosa do Roda viva.

Seria a hora que encaixar uma pergunta sobre o Jayme Campos, denunciado pelo Zé Pedro e condenado pela Justiça Federal, por desvios de recursos no Hospital Geral que até hoje é um esqueleto na paisagem de Cuiabá, mas como dói. Mas cadê a pesquisa mais aprofundada da bancada de entrevistadores para contar que Zé Pedro e Jayme andam abraçadinhos, incluindo neste abraço o notório Júlio Campos?

Ah, Zé Pedro recebeu carinho e devolveu também carinho. Aquele elogio à independência editorial da TV Cultura foi bem encaixada diante do questionamento do Etevaldo Siqueira. Independência que ficaria, evidentemente, mas evidente se o Rodrigo Viana ou o Azenha ou o Paulo Henrique Amorim fossem frequentadores constantes daquela bancada. Mas para quem era bacalhau, quer dizer, uma boa retórica, basta.

Gostei, no geral, da defesa que o governador fez de Mato Grosso. Como ele memorizou os números de nossa produção, nossa potencialidade agrícola, os males que sofremos com a centralização dos recursos em Brasília, a partir da Lei Kandir! Neste ponto, realmente, palmas para o baixinho que, não sei por que ainda não procurou uma fonoaudióloga para corrigir aquela extensão inesperada da pronúncia das vogais que, de vez em quando, marca sua fala. Se o homem está pensando longe, em disputar mais adiante o Planalto, por que não se preparar convenientemente?

Naquela questão do financiamento da campanha e dos recursos recebidos da Odebrecht, o Zé Pedro driblou mais do que o Garrincha e não encontrou um Brito nem um Fontana para parar, convenientemente, a sua jogada. Ele deslizou facilmente entre os zagueiros, digamos assim e mais uma vez chegou ao gol, com essa sua retórica de professor de cursinho bem escolado, aluno de Michel Temer e colega de Zé Eduardo Cardoso, vejam só. (Como será que ficou a cabeça dos alunos desse cursinho, meu jesus cristinho, depois de submetidos a estes “mestres”?!)

Na questão do financiamento da campanha, tudo okay. A fiscalização é que o segredo. E aí está a Justiça Eleitoral mostrando como é rigorosa, permitindo que a campanha de 2016 já corra solta em Mato Grosso, até mesmo em destacados veículos de comunicação de nosso Estado, invadindo mesmo algumas propagandas oficiais que se viu ultimamente na TV. Mas o que fazer? Continuar clamando por esta tal fiscalização que, certamente, para se efetivar, depende muito do engajamento dos cidadãos conscientes. O Cearazinho e o MCCE são importantes mas não nos bastam o Cearazinho e o MCCE! Precisamos de mais fiscais!

Na defesa dos índios, o Zé Pedro chegou a ser tocante e foi uma pena que não pudesse discorrer mais sobre sua visão.

Também inesperado aquele misto de alegria e tristeza expresso pelo entrevistado com relação à prisão de Riva, Silval, Nadaf, e toda turma. Zé Pedro também se recusou, com muito senso de oportunidade, a assumir o papel de um desses personagens odientos do Quentin Tarantino, quando o Augusto Nunes, babando imbecilmente na gravata, veio com aquela história de espalhar algemas na tribuna do Senado. Tudo tem seu tempo, tudo tem seu lugar e os agentes definidos, constitucionalmente, para o exercício de cada uma das responsabilidades institucionais. Aplausos para o Zé Pedro que, nesse momento, soube se deixar levar por senso de humanidade que muita gente imagina que ele não tenha.

A liberdade para a divergência interna dentro de um partido foi outro grande momento e um conceito do qual ele, certamente, se apropriou a partir da experiência exemplar desenvolvida em nosso País pelo Partido dos Trabalhadores. Palmas para o PT¨que ele merece.

Acho que o momento mais cara de pau, diante de uma bancada de entrevistadores que parecia a zaga da seleção brasileira diante do ataque alemão em 2014, foi quando o Zé Pedro – que acaba de cometer crime de responsabilidade ao reter duodécimo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que será pago em cômodas parcelas mensais, já que os deputados são seus caititus e também, tal e qual, não respeitam a letra fria da Lei e não zelam pelas prerrogativas do Parlamento – insistiu em continuar se definindo como “fiel cumpridor da Constituição” e fazendo campanha eleitoral contra as pedaladas da presidenta Dilma, dada a imagem de carrasco destrambelhado que muitas vezes ele projeta. Quem tem o respeito a Constituição como mote de vida não pode sair por aí negando reposição salarial ao servidores e retendo o duodécimo dos poderes. Ou será que Temer não ensinou isso?

Para a Dilma, o rigor extraordinário da Lei. Para o próprio Zé Pedro, a compreensão dos deputados da base que, se bobear, são capazes até de fazerem como aqueles aldeões lá do tempo da Idade Média, que não vacilavam, na hora de seu casamento, em entregar as noivas para serem desvirginadas pelo senhor feudal que, pretensamente, detinha o direito divino de descabaçar as filhas de seus vassalos. Mas, claro, os entrevistadores não fizeram nenhuma pesquisa nessa direção – e se fizessem, talvez encontrassem apenas o solitário artigo do jovem jornalista Rafael Costa, na imprensa mato-grossense, sobre o assunto já que, como eu disse, por aqui a nossa imprensa gosta mesmo é de agradar ao poder temporal e não de esclarecer e informar devidamente os seus leitores, ou seja, os cidadãos que pagam a conta de tudo isso. Por isso, nada de gritaria sobre essa retenção do duodécimo, seja da parte dos caititus-deputados, seja da imprensa complacente.

Devo confessar que, como sou velho e um tanto quanto alquebrado, cabeceei diversas vezes durante a entrevista. Ainda mais que, nesses últimos dias, um cálculo renal tem me incomodado além da conta.

Na verdade, desliguei a TV Cultura no meio da entrevista. Fui ver o restante depois, na gravação.

Acho que, para um profissional que, até outro dia, não tinha a menor vivência na política partidária, o Zé Pedro Taques, dentro das regras do mercado, avança com mediana competência. Mas, para azar nosso, avança abraçando o lado negro da Força que, para mim, é a direita brasileira. Essa é a minha opinião e, como bem diz o Zé Pedro, tenho o direito constitucional de manifestá-la, agrade isso a ele e seus cumpinchas, ou não.

Zé Pedro falando que esse negócio de partido, de direita e esquerda, não tem a menor importância, chega a ser até engraçado, quando se ver a ânsia, a gula, o desespero com que o cabra se lança, no atual momento, ao fortalecimento da corrente direitista do PSDB em Mato Grosso.

Se o Zé Pedro Taques tivesse o mínimo de coerência política, por exemplo, ele não poderia fazer o que vem fazendo na gestão das verbas públicas que se destinam à publicidade oficial. Por que até agora não vimos uma distribuição equânime destes recursos entre aqueles, como o velho jornalista Eduardo Gomes, um dos mais competentes jornalistas – e, agora, escritores – deste Estado, editor do blogue e da revista MT Aqui?! Já ouvi dizer que o prazer do Zé Pedro seria processar, prender o Eduardo Gomes, calar de vez o Brigadeiro. Ora, que sectarismo contra um dos nossos mais ativos repórteres, desbravador dos rincões de Mato Grosso e, ao que sabemos, perfeitamente alinhado com a ideologia da direita! Para combater os possíveis exageros daquele jornalista ou de qualquer outro, há sempre a Lei a zelar pelos interesses do Zé Pedro, ainda mais agora, com o Direito de Resposta aprovado no Senado. O que não pode é o Zé Pedro ficar alimentando uma panelinha escolhida a dedo, exatamente como fazia o Maggi, o Silval e todos aqueles de quem o Zé Pedro diz estar revisando a prática, como sua gestão de “transformação”. Transformação, uma ova. Pelo menos que tange à mídia uma ova.
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Outro dia conversava com respeitável empresário do setor de publicidade e esse profissional me dizia que, na licitação que será, em breve, implementada para definir as 5 agências que cuidarão da conta do Estado, pelo menos umas três já estariam previamente definidas. Que transformação é essa? Voltaremos ao assunto.

Mas deixem-me parar por aqui. No destaque, a íntegra da entrevista do Zé Pedro para que cada um tire suas conclusões. E segue a vida. Como dizia o ex- deputado estadual mato-grossense Amador Tut, com sua sabedoria peculiar, tudo nessa vida é passageira, à exceção do trocador e do motorista. ( Alguém precisa atualizar esse bordão do Tut, por que, pelo menos em Cuiabá, o prefeito Mauro Mendes já tratou de matar a profissão dos trocadores, desmentindo seu próprio discurso eleitoral, em benefício, é claro, de seus colegas empresários que atuam neste setor.) E cest fini

Publicado originalmente na www.paginadoe.com.br

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