Governo chileno aprova anúncios publicitários em livros didáticos

Inews - Entre o abecedário e a tabuada, estudantes menores de 12 anos estão recebendo nas escolas privadas do Chile um bombardeio de propagandas feitas por empresas multinacionais, como a Claro, do setor de telefonia, a Monarch, fabricante de bicicletas, e a Nestlé, gigante mundial produtora de alimentos.
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Propaganda de suco em livro didático. Ao lado, exercícios para interpretar o produto.
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Os banners, jingles e outdoors aparecem entre diálogos de personagens infantis e inseridos em exercícios de leitura em voz alta. As editoras do Chile dizem não receber nada pela propaganda e o Ministério da Educação define o conteúdo como exemplos de textos autênticos e de circulação nacional.
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Em alguns livros, os anúncios aparecem em página inteira. Em outros, sites de empresas privadas estão indicados no final das lições, como sugestão de leitura para os estudantes.
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Em um dos livros, o enunciado convida o estudante a cantar: "Meu primeiro Claro (celular) a forma mais legal de falar com meus amigos". "Meu primeiro Claro é estar longe e me sentir em casa". "Se fala Claro, é claro que tem mais". O conteúdo é apresentado como um modelo de texto publicitário para alunos da 5 série.
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Carmen Urea, vice-diretora do Grupo Santilla Chile, uma das maiores editoras do país, diz que a utilização de marcas reais nos textos de Linguagem e Comunicação não constitui de forma alguma publicidade porque a editora não recebe dinheiro destas empresas para que figurem no material pedagógico. Mais do que isso, ela conta que foi a editora quem pediu autorização das empresas para usar suas campanhas.
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Os produtos anunciados são justamente os direcionados para o público infantil conhecido no mercado publicitário por seu grande poder de influência nas compras e pelo baixo senso crítico em relação aos anúncios.
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Muitos pais deram entrevistas a meios de comunicação chilenos protestando contra o ocorrido. Eles lembram que, ao contrário de um canal de televisão, os estudantes não podem virar a pgina ou mudar de canal para fugir da propaganda.
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Poema envolvendo a operadora Claro.
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A conivência do Ministério da Educação já tornou-se alvo de críticas da oposição. O atual governo do Chile teve início há um ano e, desde o começo, esteve marcado pelas ligações irregulares entre o presidente Sebastin Piñera e inúmeras empresas privadas. Piñera, que figura na lista dos homens mais ricos do mundo produzida pela revista Forbes, governou durante meses sem se desfazer das aes que detinha da empresa aérea LanChile, de uma emissora de TV, um jornal impresso e do clube de futebol Colo Colo.
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O Ministério da Educação aprovou textos escolares com publicidade de celulares, sucos, meias e outras coisas. "Não será demais?", provocou pelo Twitter a presidente do Partido Socialista, Carolina Toh.
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Respostas a este tópico

 

A verdade é que a dita "esquerda" chilena, agora na oposição recuou tanto que o resultado é isto aí, este governo do Piñera, e uma sociedade sem muita capacidade de reação.

O ditador Pinochet introduziu no Chile um modelo econômico, e de uma certa forma de sociedade, o mais parecido possível com os EUA, sem as tais "liberdades", é claro

Uma parte da oposição à ditadura já era neoliberal, mas antes da mesma tinham perdidos as eleições para os Socialistas, liderados por Allende.

Os socialistas se aliaram aos neoliberais democráticos, chegaram ao poder, e não mudaram nada do modelo imposto por Pinochet

Os setores do conservadorismo mais ligados ao falecido ditador sanguinário acabaram chegando ao poder pelo voto, não vendo os eleitores muita diferença com os partidos da chamada concertación, que transformaram o Chile na grande vitrine do neoliberalismo no Continente

Segundo o pig um exemplo a ser seguido.

Então, vais comprar esta idéia do pig?

 

A coisa tá feia mesmo. Ouvi dizer que algumas editoras já estão pensando até em introduzir textos na Bíblia. Parece, que lá no Genesis, quando Jeovah acabou de modelar o homem, soprou-lhe as narinas e disse: "drink coca-cola".

Pois é, quando a gente pensa que já viu de tudo, aparece essas coisas. O curioso é que o Chile é o berço de poetas como Pablo Neruda e Victor Jara que exaltam o amor, a simplicidade, a liberdade, a dignidade... E as crianças chilenas agora estão fadadas a poemas que prestigiam corporações e a maldita ditadura do consumo. Sem falar no quesito alienação da educação. Parece piada de mau gosto, lamentável!

Uma coisa é, em nome da diversidade dos tipos de textos usados na escola, dar alguns de propaganda. Outra coisa é essa enxurrada. E o correto seria escolher justamente anúncios NAO DIRIGIDOS A CRIANÇAS. Se é só para exemplificar o gênero textual, podia perfeitamente ser um anúncio de geladeira, por ex., que mostra as características da publicidade mas nao seduz as crianças.

De tudo isso, o mais grave, para mim, sao os anúncios de alimentos. Favorecendo a obesidade infantil.

 

Muito bem colocado, se não me engano alguns países já impõe restrições para propaganda  de alimentos para crianças, por aqui também já haveria iniciativas a este respeito no Congresso, e acredito que não se trata de proibir totalmente, como foi feito com o fumo, contudo alimentos, bebidas alcoólicas, e medicamentos devem sofrer restrições quanto à publicidade, principalmente se destinada ao público infantil.

Oi Anarquista e Fernando,

Existe sim um projeto de lei  da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) – ainda bem que ela é da direita, caso contrário iam dizer que ela esta perseguindo as empresas, inventando conspirações ou sei lá o quê – que pretende criar regras para a propaganda de alimentos, principalmente aos destinados ao publico infantil. O projeto prevê a proibição de brindes e brinquedos em alimentos que são sabidamente prejudiciais a saúde e até alertas do Ministério da Saúde quanto a “periculosidade alimentícia” dos produtos, além de outras medidas como as que dizem respeito a publicidade destes alimentos.

A senadora disse ter elaborado o projeto inspirada nos alertas do Ministério da Saúde nas carteiras de cigarro e em pesquisas realizadas por alunos da UnB do curso de nutrição.

Projeto de Marisa Serrano

Quanto aos alimentos;

Hábitos Alimentares

Muitos componentes da alimentação têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago.

Alimentação de risco
Alguns tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. Esses alimentos devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Neste grupo estão incluídos os alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, lingüiças, mortadelas, dentre outros.

Existem também os alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos. Por exemplo, os nitritos e nitratos usados para conservar alguns tipos de alimentos, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados, se transformam em nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas, que têm ação carcinogênica potente, são responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma abundante e freqüente. Já os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que tem ação carcinogênica conhecida.

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NO BRASIL A PROPAGANDA ´É PERMITIDA (?).

 

Propaganda em livros didáticos poderá ser proibida

Tramita na Câmara o Projeto de Lei 5136/05, que proíbe a propaganda comercial em livros didáticos. O texto altera o Estatuto da Criança e do Adolescente.

A autora, deputada Selma Schons (PT-PR), justifica sua proposta com os exemplos da Alemanha, dos Estados Unidos e da França, onde é proibido fazer esse tipo de propaganda. Nesses países, explica a deputada, não é permitida a mistura de conhecimento com publicidade.

No Brasil, segundo Selma Schons, a propaganda é usada sob o argumento de aproximar o conteúdo ensinado e o cotidiano dos alunos. Os recursos gráficos tornam atraente qualquer publicação. Há propaganda de inúmeros produtos, desde refrigerantes e marcas de café, passando por desinfetantes e remédios, acusa a parlamentar.

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, está na Comissão de Educação e Cultura, onde aguarda a apresentação de parecer pelo relator, deputado Humberto Michiles (PL-AM). Posteriormente, deverá ser analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Paulo, há alguns argumentos válidos para a inclusao de propagandas em livros de Português, para ensinar a variedade de gêneros textuais. O que me parece necessário sao limites claros: as editoras nao podem receber para isso; haverá um pequeno percentual de textos assim (afinal, textos de propaganda sao apenas um tipo entre vários de gêneros textuais) e nao devem ser escolhidos como exemplos produtos dirigidos a crianças ou adolescentes, nem alimentos, bebidas, remédios etc. E isso só em livros de Português. E fazer isso corretamente implicaria exatamente em mostrar os recursos de persuasao embutidos nesses anúncios, o que aumentaria o senso crítico dos leitores. Mas haja fiscalizaçao para garantir isso...

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