Aparentemente, os editorialistas da Folha de São Paulo não confiam muito nas notícias publicadas no UOL. Ou é apenas um caso de pirraça interna do Grupo Folha
No dia 28/09/2009, foi publicado no portal UOL (os destaques são meus)
GOVERNO DE HONDURAS É GOLPISTA E NÃO INTERINO, DIZEM ESPECIALISTAS
Maurício Savarese - Do UOL Notícias
http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/09/28/ult1859u...
A falta de devido processo legal, a inexistência de apoio da comunidade internacional e a origem em um levante para remover um chefe de Estado legitimamente eleito só permitem chamar o governo de Honduras de
GOLPISTA, não de
INTERINO, afirmam especialistas consultados pelo UOL Notícias. A atual administração do país centro-americano acusa o presidente deposto, Manuel Zelaya, de tentar violar a Constituição para buscar a renovação de seu mandato presidencial.
(...)
Para os analistas, ainda que Zelaya tenha tentado promover um referendo para mudar a Constituição hondurenha, nada nela prevê que o mandatário seria expulso do país, o que reforça os contornos de golpe de Estado na ação promovida pelo grupo de Micheletti. Além disso, dizem eles, pesa contra o regime de Tegucigalpa a ausência de reconhecimento não apenas por outros países, mas também pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
(...)
Os especialistas ouvidos foram
UNÂNIMES ao considerar que chamar o governo de Micheletti de interino seria uma concessão a uma gestão com traços autoritários - inclusive com suspensão de direitos constitucionais e censura à imprensa - e que carece de respaldo globalmente. Nenhum governo do mundo até o momento reconheceu o regime estabelecido em Tegucigalpa após a deposição de Zelaya, que desde a semana passada está abrigado na Embaixada do Brasil na capital do país.
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Especialista em questões latino-americanas, o venezuelano Rafael Villa diz que a administração de Micheletti não pode ser chamada de ditadura porque mal acabou de se instalar no poder, mas afirma que se trata de um governo golpista, que também pode ser chamado de regime de fato. "A linha divisória entre governo de fato e governo golpista não existe. Ambos emergem fora das regras estabelecidas e que dão legitimidade. Ambos supõem governo fora de legalidade e carentes de legitimidade. É esse o caso de Honduras", afirmou.
No dia seguinte, 29/09/09, sairam essas pérolas no editorial da Folha de São Paulo
(disponível em
http://edicaodigital.folha.com.br/home.asp)
UM PASSO ATRÁS
Brasil se intromete mais do que deve em Honduras e toma atitude estranha de negar-se ao diálogo com governo de fato
" O envolvimento do Brasil na crise hondurenha foi além do razoável, e provavelmente o Itamaraty já perdeu a capacidade de mediar o impasse. É preciso dar um passo atrás e recuperar a equidistância em relação seja à intransigência de um governo ilegítimo, seja a uma plataforma, dita bolivariana, descompromissada com a democracia.
(...)
Outra posição cada vez mais estranha do Brasil é a recusa absoluta de negociar com o
GOVERNO INTERINO de Roberto Micheletti. Tal intransigência contraria a tradição diplomática do Itamaraty, não contribui para a dissolução do impasse e cai como uma luva para o objetivo do chavismo -interessado em prolongar a desestabilização política em Honduras.
(...)
O regime chefiado por Roberto Micheletti em Honduras ocupa
CATEGORIA BEM MAIS TÊNUE DE ILEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA. Violou a Constituição ao expulsar do país um presidente eleito, quando a ordem da Corte Suprema era de prender Zelaya, por afronta a essa mesma Carta. O governo interino, contudo, respeitou a linha sucessória constitucional, assegurou o poder em mãos civis e manteve o calendário das eleições presidenciais, marcadas para 29 de novembro."
Nada a se estranhar: final, para os donos da Folha, Honduras vive hoje uma "ditabranda"