Ou no governo de quem aumentou a carga tributária?

Ou o impostômetro como quantitativo da sonegação!

Costumo, ao ler algum comentário de qualquer natureza, verificar o maior número de informações possíveis. É assim até com assuntos mais triviais. Faço questão de ler também os contraditórios para ter um balizamento equilibrado. É do meu feitio. Por mais que não goste de alguns jornalistas, procuro ver se há algum fundo de verdade no que afirma. Quando vi o estardalhaço em torno da marca do impostômetro atingida neste mês, fui a campo. Há muitas surpresas. Assim que durante anos ouvia ministros se manifestarem sobre a sonegação (só sonegação) dizendo que para cada 1 unidade de moeda recolhida, 1 deixava de ser, numa sangria nunca estancada pelos governos Legais ou Ditatoriais. Sempre havendo um conluio empresarial/político que se sustentavam. Quem ousou quebrar isso, foi deposto ou morreu (excluindo-se Collor). Se as condições perdurassem até hoje, poderíamos afirmar que o Impostômetro é igual ao Sonegômetro.
Mas não, a situação melhorou muito. Mas mesmo assim aquele poderá servir de base para o segundo! Há meios de verificar qual o percentual de sonegação! Tenho alguns números que irei colocar aqui. É um estudo que foi elaborado por entidade alheia ao governo e aí podemos calcular o rombo efetuado por quem mantém o impostômetro.
Não achei estudo sobre a evasão de divisas que deve aumentar ainda mais a relação!
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ESTUDO SOBRE SONEGAÇÃO FISCAL AS EMPRESAS BRASILEIRAS
Gilberto Luiz do Amaral
João Eloi Olenike
Letícia Mary Fernandes do Amaral
Fernando Steinbruch
05 de março de 2009
ESTUDO SOBRE SONEGAÇÃO FISCAL
- Sonegação das empresas brasileiras vem diminuindo, mas ainda corresponde a 25% do seu faturamento;
- Em 2000 o índice de sonegação era de 32% e em 2004 era de 39%;
- Faturamento não declarado é de R$ 1,32 trilhão;
- Tributos sonegados pelas empresas somam R$ 200 bilhões por ano;
- Somados aos tributos sonegados pelas pessoas físicas, sonegação fiscal no Brasil atinge 9% do PIB
- Cruzamento de informações, retenção de tributos e fiscalização mais efetiva são os principais responsáveis pela queda da sonegação;
- Contribuição Previdenciária (INSS) é o tributo mais sonegado, seguida do ICMS e do Imposto de Renda;
- Indícios de sonegação estão presentes em 65% das empresas de pequeno porte, 49% das empresas de médio porte e 27% das grandes empresas;
- Em valores, a sonegação é maior no setor industrial, seguido das empresas do comércio e das prestadoras de serviços;
- Com os novos sistemas de controles fiscais, em 5 anos o Brasil terá o menor índice de sonegação empresarial da América Latina e em 10 anos índice comparado ao dos países desenvolvidos.
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ESTUDO E PESQUISA DE RESPONSABILIDADE:
IBPT – Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
Entidade criada em 11/12/92, cujo objetivo é a difusão de sistemas de economia legal
de impostos; divulgação científica do tema; estudo de informações técnicas para a
apuração e comparação da carga tributária individual e dos diversos setores da
economia; e, análise dos dados oficiais sobre os tributos cobrados no Brasil.
www.ibpt.com.br
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Como o PIB de 2008 foi de 3.851.490.000.000 de reais podemos calcular em 1.407.334.446.000 os impostos arrecadados (36,54%) e a Sonegação em 200.000.000.000
Conforme tabela na página 7 do documento acima.
1.407.334.446.000 => 100
200.000.000.000 => x = 14,2 %
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Já sabemos então qual é o valor que o nosso Sonegômetro atingiu:
Quase 150 bilhões de reais
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Ou no governo de quem aumentou a carga tributária?
Agora gostaria de falar sobre o aumento da carga tributária:

Evolução da Carga Tributária no Brasil

 Em 1947 = 13,8% do PIB;

 Em 1965 = 19% do PIB;

 Em 1970 = 26% do PIB;

 Em 1986 = 26,2% do PIB;

 Em 1988 = 26,4% do PIB;

 Em 1990 = 30,5% do PIB;

 Em 1991 = 25,21% do PIB;

 Em 1992 = 25,85% do PIB;

 Em 1993 = 25,72% do PIB;

 Em 1994 = 29,46% do PIB;

 Em 1995 = 37,3% do PIB;

 Em 1996 = 28,97% do PIB;

 Em 1997 = 29,03% do PIB;

 Em 1998 = 29,74% do PIB;

 Em 1999 = 32,15% do PIB;

 Em 2000 = 33,18% do PIB;

 Em 2001 = 34,7% do PIB;

 Em 2002 = 36,45% do PIB;

 Em 2003 = 34,92% do PIB;

 Em 2004 = 35,88% do PIB;

 Em 2005 = 37,37% do PIB;

 Em 2006 = 34,23% do PIB.

 Em 2007 = 35,3% do PIB.

 Em 2008 = 36,54% do PIB.

Em 2009 = 34,85% do PIB.

 Em 2010 = 35,04% do PIB.

Era Ditatorial e Transição.

Começou com 19%, teve as maiores variações dos períodos- o que indica sonegação – e terminou com 28,97%.

Era FHC como presidente.

Começou com 37.3%, teve variação intensa – o que indica sonegação - e terminou com 36,45%.

Era Lula como presidente.

Começou com 34,92% e terminou com 35,04 %, sendo o período mais estável, com pouquíssima variação. Foi o período em que mais cresceu a arrecadação, mas com a mesma evolução do PIB, o que demonstra que o percentual (números relativos) foi mais ou menos constante! >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>

Carga tributária por países.

Olhando a tabela de carga tributária colocada na Wikipédia, podemos deduzir que estamos na média dos encargos dos países desenvolvidos e do BRIC. Se olharmos para os que estão abaixo do valor veremos que sua situação econômica tem também desempenho abaixo do nosso! >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
CONCLUINDO

Falácia 1 – A carga tributária está subindo!

                 Não é a carga tributária  que está subindo. O valor arrecadado mostrado pelo Impostômetro está subindo  por que o PIB está subindo. Está estável em números percentuais!

 

  Falácia 2 – O Brasil tem a maior carga de impostos do mundo (assertiva que se retira da gritaria do PIG e Empresas).                    

 Não há almoço grátis (alguém já disse isso). E esse almoço tem como prato principal as ajudas (socialização dos prejuízos) de empresas, agricultura e bancos. Pela tabela estamos na média.

Falácia 3 – A culpa é do governo que aí está.

Olhando os três períodos de governanças, o único que não subiu absurdamente foi o governo do PT. +++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

NÃO ACREDITE EM NADA QUE LER NESTA POSTAGEM. LEIA OUTROS AUTORES, PESQUISE, SE INTERE DA REALIDADE. NÃO SOU ECONOMISTA, SÓ SOU UM CARA QUE PENSA E ENXERGA.

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Respostas a este tópico

gosto muito da idéia de se criar um sonegômetro.

ele corresponde mais a realidade dos fatos, não é mesmo?

e, acredito que aquela idéia de diminuir, ainda mais, os impostos sobre produtos essenciais, tributar adequadamente as grandes fortunas, intensificar a queda da taxa de juros e parar, de vez, com esta idéia de privilegiar os rentistas, são caminhos interessantes, não?

Carta Maior - Saul Leblon 18/09/11

...

Cruzamentos de dados da Receita Federal demonstraram que dos 100 maiores contribuintes da extinta CPMF, 62 nunca tinham recolhido imposto. 
O roubo recente de 170 cofres particulares no banco Itáu em São Paulo, reafirma o calibre da sonegação. Apenas 3 donos dos mini-caixas 2 compareceram para registrar o tradicional B.O. Muitos contrataran detetives particulares na tentativa de reaver a fortuna sem ter  que dar explicações à Receita. Sob  sigilo do nome, um dos afanados revelou à Folha que guardava apenas algumas pedras de diamante no cofre: tres milhões de reais. Há, portanto, um rio subterrâneo de fastígio plutocrático que transita por debaixo da crise. Quem se dispõe a trazer um pedaço dele à superfície na forma de receitas fiscais indispensáveis à superação dos desafios, incertezas e carências desse momento?

ah, eu vi uma matéria com um representante das vítimas do roubo.

achei comovente. ele falava não apenas dos valores financeiros dos diamantes, rubis, das peças assinadas por grandes designers de jóias, e o escambau, subtraídos do cofre, mas, sobretudo, do valor afetivo... ahn, ahn!

 

ah, é? 62 nunca teriam recolhido imposto?! caramba! são mesmo uns caras de pau! 

QUEM ROUBA LADRÃO, TEM PERDÃO.

A constituição de 1988 exige uma alta carga tributária. Não há outra forma de o estado cumprir com suas atribuições sociais sem recursos. Acesso universal a saude e educação só será possível com uma carga tributária em torno de 45% do PIB.

O que temos hoje é um desequilibrio na arrecadação. As parcelas menos abastadas arcam com um peso consideravelmente maior que os mais ricos.

Quando observamo a grita contra os impostos, observamos que ela parte justamente dos atuais beneficiários dessa distorção.

Eles sabem que é impossível a redução da carga tributária. O que eles querem na verdade é marcar sua posição e defender as regalias já conquistadas.

Joel, gostaria de lhe parabenizar pelo seu extremamente oportuno e lúcido texto.  Aviso que já o copiei e mandei para vários amigos da minha lista. 

Levando a convera para um outro lado acho importante também dizer que  Imposto virou assunto predileto da nossa midia para justificar os lucros absurdos do nosso empresariado.....coisa que ninguém fala.  O problema para a midia é sempre a carga tributária brasileira e nunca os 100% 120%, as vezes até mais, de lucro, que se coloca em cima dos produtos.  A título de curiosidade, uma garrafa d'água, vendida por 1,20, em estabelecimentos comerciais com lucro embutido, que em outros lugares podem chegar na incrível marca dos R$6,00 reais.......

CPMF foi o melhor imposto que já tivemos neste país...taxava todos.....mas tanto fizeram que conseguiram retirá-lo.......o povo(uma parte), burro, ainda achou bom!!!

Dê, obrigado e tudo que escrevo gosto que ampliem o público alvo. mais alguma coisa para você saber sobre a CPMF

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A verdadeira história da CPMF


Publicado em 06-Set-2011


votação no Congresso em 2007


O governador do Rio, Sérgio Cabral, tem razão ao criticar o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a famosa CPMF, e a falta de recursos para a Saúde. "Foi uma covardia a extinção da CPMF", afirmou. Para Cabral, o fim do tributo - cuja prorrogação até 2011 foi derrubada pelo Senado no fim de 2007 - fez muito mal não apenas ao governo do ex-presidente Lula, mas ao povo. Ele afirmou que assinará a carta dos governadores à presidente Dilma Rousseff (leia mais neste blog), na qual são pedidas novas fontes de financiamento para a Saúde, ou seja, a criação de algo, imposto ou tributo destinado à área a propósito da discussão da Emenda Constitucional 29, a ser votada no final do mês no Congresso.


"O Brasil assumiu um modelo de atendimento à população, a meu ver correto: o universalizado, no qual a população tem direito à saúde ampla e irrestrita", frisou. O governador fluminense argumentou que, no Rio de Janeiro, por exemplo, há hospitais públicos que eram referência nas décadas de 70 e 80, mas o deixaram de ser por falta de dinheiro. 

Vingança

A respeito desta discussão é bom recuperar a história. A CPMF, foi extinta pela oposição por vingança. A medida protegeu os sonegadores, já que, cruzando os dados da CPMF e das declarações de renda das pessoas físicas e jurídicas, tínhamos o controle mais eficaz  e barato do mundo contra os sonegadores. É importante lembrar alguns detalhes importantes a esse respeito. Na ocasião do debate de sua extinção, a oposição vendeu a ideia demagógica que o povo pagava CPMF e que ela não ia toda para a saúde. Isso era verdade no governo FHC e foi deixando de ser no governo Lula. O ex-presidente Lula havia se comprometido com os governadores e os parlamentares para que sua destinação fosse integralmente à saúde. Mais: assumiu o compromisso de reduzir sua alíquota até um valor simbólico, suficiente continuar o combate à sonegação. A oposição não aceitou nenhuma proposta de acordo com o governo Lula e extinguiu a CPMF na vã e criminosa esperança de uma crise geral na saúde que afetasse o governo e sua popularidade e a ajudasse na eleição. O que essas lideranças não contavam era com o aumento extraordinário da arrecadação, com o crescimento do país e com a superação rápida da crise mundial em 2008-2009. 

Apesar da boa fé

Essa é a verdadeira história do fim da CPMF, que levou, inclusive, setores da sociedade de boa fé a apoiarem seu fim. Tiraram mais de R$ 40 bilhões do orçamento geral do país e dezenas de bilhões de reais da saúde. Só que não colocaram nada no lugar. Esta foi uma decisão eleitoreira e demagógica, que agora precisa ser revista com a instituição de uma contribuição para a saúde. Até porque, nos últimos anos, o governo reduziu - e muito - os impostos sobre investimentos, exportação, micro e pequena empresa. Desonerou, ainda, a folha de pagamento e o investimento em inovação, protegeu setores da economia e da indústria expostos à guerra cambial e adotou medidas drásticas de ajuste fiscal.


Se queremos melhorar a saúde e salvar o Sistema Único de Saúde (SUS) precisamos de mais receita, seja dos cigarros e das bebidas, seja de outra fonte.


Foto: Wilson Dias/ABr

Pois é Joel.....aí que entra a midia safada e irresponsável pois ela também é uma grande sonegadora.....apoiaram totalmente a retirada da CPMF...mas claro que apoiaram......e fica claro o porquê. Não passam de um bando de safados que disfarçaram seus interesses atrás da boa-fé do povo com sindrome de Estocolmo...nem se dá conta que caíram de amor pelo algoz. Taí a Globo que não me deixa mentir. Foram pesado na propaganda a favor da retirada da CPMF....agora o povo não movimenta milhões e bilhões....quem movimenta este tipo de dinheiro realmente tem pavor da CPMf e quanto antes ela fosse retirada, melhor...só que "esqueceram" de avisar este  mesmo povo que eles também não possuem dinheiro para atendimento particular.......e agora ??  Será que dá para acordar o Brasil??

Perfeito, Joel!  Você explicou de forma lúcida e correta a quem não interessa a CPMF, em termos financeiros, e a quem interessou o seu fim, em termos políticos. A verdade pode demorar, mas ela chega! A propósito, os dados abaixo confirmam que o Brasil não é nenhum assaltante na cobrança de impostos, como tenta passar a mídia comprometida:

Suécia: Alíquota máxima do IR-58,2%, Carga tributária total(% do PIB)-53,2%. Alemanha: Alíquota máxima do IR-51,2% , Carga tributária total(% do PIB)-36,4%. Espanha: Alíquota máxima do IR- 48,0%, Carga tributária total(% do PIB)-35,2%. EUA: Alíquota máxima do IR-46,1%, Carga tributária total(% do PIB)-29,6%. Japão: Alíquota máxima do IR-45,5%, Carga tributária total(% do PIB)-27,1%. Chile: Alíquota máxima do IR-45,0%, Carga tributária total(% do PIB)-17,3%. Canadá: Alíquota máxima do IR- 43,2%, Carga tributária total(% do PIB)-35,2%. Coréia do Sul: Alíquota máxima do IR- 41,8%, Carga tributária total(% do PIB)-26,1%. México:Alíquota máxima do IR- 40,0%, Carga tributária total(% do PIB)-18,3%. Argentina: Alíquota máxima do IR-35,0%, Car-ga tributária total(% do PIB)-17,4%. Brasil: Alíquota máxima do IR-27,5%, Carga tri- butária total(% do PIB)-36,4%.

José

Vou copiar exatamente o que colocaste e reescrever de uma forma mais visível:

 

País

Alíquota máxima do IR

Impostos diretos

(Paga mais quem ganha mais)

Carga tributária total(% do PIB)

Impostos diretos

IMPOSTOS INDIRETOS

(pagam todos em mesma proporção)

Suécia

58,2

53,2

Alemanha

51,2

36,4

Espanha

48,0

35,2

EUA

46,1

29,6

Japão

45,5

27,1

Chile

45,0

17,3

Canadá

43,2

35,2

Coréia do Sul

41,8

26,1

México

40,0

18,3

Argentina

35,0

17,4

Brasil

27,5

36,4

Fica mais claro.

ou

Para ficar mais claro ainda.



Valeu Maestri! Obrigado! Ficou, realmente, bem mais claro e fácil de perceber que o Brasil não é a tal aberração (em termos de totais) que tentam lhe impor. Entretanto, ele destoa das demais nações comparadas e, de forma mais injusta, cobra mais imposto do consumo e "alivia" a renda.  Ou seja, privilegia o capital e "esfola" o trabalho.

Ola Joel. Só para aumentar os indicadores da bandalheira gerenciada pela choldra. São repassados aos municípios mais de R$ 100.000.000.000 ao ano. Desses R$ 20.000.000.000 são roubados pelos beneficiados.

E ainda existe movimento de prefeitos para aumentar o repasse.

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