Internet facilita violência entre crianças, diz especialista.

Do UOL Educação - Bruno Aragaki - Em São Paulo

 

"Fulano é CDF", "Beltrano, aprende a falar!" - o deboche entre crianças e adolescentes, freqüente nas escolas, ganha espaço e gravidade na Internet. Tratado muitas vezes como brincadeira, o bullying - termo usado para descrever essas agressões verbais ou fí... - pode ter conseqüências graves e requer atenção de pais e professores, tanto no mundo real quanto no virtual.

"A propagação de apelidos e histórias mentirosas ganham o respaldo da sensação de anonimato que a Web dá", diz a pedagoga Cleo Fante, autora do livro "Bullying Escolar - perguntas e respostas", Editora Artmed.
Segundo a pesquisadora, o cyberbullying - a versão online da prática - tem potencial para fazer ainda mais vítimas que o bullying tradicional.

"Basta uma foto ou um vídeo na Internet para virar motivo de piada ou de um perfil virtual falso. Alguém se passa por você e diz que você fez ou é coisas que não são verdade", explica Fante.

No bullying offline, as principais vítimas costumam ser crianças tímidas ou com características fora do que se considera padrão (desempenho escolar melhor ou pior que o dos colegas, peso abaixo ou acima da média, por exemplo).

 

Cuidados com os pequenos

 

A inexperiência com as ferramentas virtuais e a falta de malícia deixam os pequenos mais vulneráveis ao cyberbullying.

"É comum as crianças não tomarem cuidados básicos, como não contar as senhas que utilizam e esquecer de fazer logoff de e-mail e programa de mensagens. Por isso os adultos precisam orientá-los", diz Fante.

Para a pesquisadora, o medo do bullying não pode levar os pais a proibir as crianças a utilizar a Internet.

"É uma ferramenta útil, mas precisa ser utilizada com supervisão e cuidado", diz.

Vítimas de bullying devem acionar a Justiça

Alguém criou uma comunidade virtual para zombar de seu filho ou está distribuindo e-mails que o ofendem. O que fazer?
O promotor de justiça criminal Lélio Braga Calhau, de Minas Gerais, dá dicas: "Se for uma comunidade ou perfil falso, é preciso fazer um 'PrintScreen' (comando que copia a imagem exibida na tela) e imprimir a figura. O responsável pela vítima pode fazer uma denúncia em delegacia de polícia ou diretamente no Ministério Público".

É necessário fornecer o máximo de detalhes possíveis sobre o caso, como endereço do site que veiculou a ofensa, dia e horário em que estava no ar e nome de quem publicou se a vítima souber.

Feita a denúncia, a Justiça exige que o site tire a página ofensiva do ar, segundo o promotor.

"O anonimato pela Internet é uma falsa impressão. A Justiça brasileira consegue descobrir o autor da ofensa e encaminha o processo contra ele", explica o promotor.

O agressor pode ser processado e ter de pagar indenização. Se for menor de idade, a conta pode pesar no bolso dos pais.

"Por isso, é preciso cuidado redobrado: os pais precisam verificar se o filho não sofre esse tipo de intimidação, já que muitos têm vergonha de contar, e, também, se ele não é um possível autor de bullying", recomenda a pedagoga Cleo Fante.

A receita para proteger os filhos das ameaças dos tempos modernos é antiga: "tem de conversar em casa, ver se está tudo bem, analisar o comportamento. A vítima de bullying dá sinais de nervosismo, irritação, perde vontade de ir à escola, se afasta dos amigos. Já o autor costuma ter comportamento violento, agressor egoísta. Cada pai tem de conhecer o filho que tem", diz Fante.

 

Seu filho pode ser vítima de cyberbullying se...

 

Demonstra sinais de irritação (gritos, choro) durante e após o uso da Web
Quer checar e-mails e sites de relacionamento sempre
De repente, afastou-se da Internet ou aumentou a freqüência;
Apresenta desculpas para faltar às aulas;
Tem sintomas de nervosismo antes de ir à escola (dores de cabeça, de estômago, diarréia, vômitos)
Tem dificuldades de fazer amigos;
Volta da escola triste, machucado, com roupas ou material danificados;

 

Fonte: http://educacao.uol.com.br/ultnot/2008/05/15/ult105u6510.jhtm (15/05/2008)

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Respostas a este tópico

Alguns adolescentes usam a internet para agredir professores. Isso não é brincadeira, é crime. Evite-o ou defenda-se

"Perdi a vontade de dar aulas quando li que eles me achavam 'bisonho'. Nem consegui dormir." Sidnei Raimundo de Melo, professor de Matemática em Manaus

Fica livre dele eh a melhor coisa do mundo! Além de surdo eh chato! "
"Ela eh ridícula."
"Aquele vesgo do inferno sempre me dá nota baixa."

As frases acima estão ou estiveram publicadas na internet. Elas foram redigidas e postadas por alunos com a intenção de humilhar e ridicularizar professores. Conhecido como bullying - atitudes agressivas intencionais e repetitivas -, esse comportamento já era preocupação de educadores, que há muito procuram maneiras de evitar suas manifestações entre os jovens. A diferença é que agora são eles as vítimas. Quem tem o propósito de ferir os sentimentos do outro encontrou uma poderosa arma na internet, na qual essa conduta recebe o nome de cyberbullying.

No mundo virtual, fica mais fácil tornar públicos imagens e comentários depreciativos, usando para isso blogs, fotologs e sites de relacionamento, de forma anônima ou assumindo a autoria.

Alguns docentes tentam não se incomodar. O professor de Química George Lopes, de Silvânia, a 80 quilômetros de Goiânia, diz não se importar com a comunidade em que é citado (veja imagem acima), que existe há três anos. Quando foi publicada, ele apenas quis saber o teor dos comentários. Descobriu frases como "Dar uma pedrada nele é o meu sonho" e outras ainda mais ofensivas. "Todo educador é visto como chato pelos jovens. Eu sempre fui rígido, por isso os estudantes criaram essa forma de protesto. Além disso, sei que alguns adolescentes se sentem bem humilhando os outros. Mas não ligo, não me atinge", afirma.

Inconformismo e atitude

Outros, como Sidnei Raimundo de Melo, que leciona Matemática em Manaus, não escondem a indignação. Ele não quis ser fotografado, mas declarou que até pensou em abandonar a carreira ao ler na internet "O professor Raimundo é bisonho". "Fiquei triste, tive insônia e perdi a vontade de trabalhar". Sem o apoio da direção da escola, ele procurou o responsável pela publicação para conscientizá-lo do caráter agressivo de sua atitude. O jovem pediu desculpas e deletou tudo. "É meu dever ajudar a construir valores éticos na sala de aula", afirma Sidnei. Ele estava disposto a prestar uma queixa formal caso a conversa não surtisse efeito: "Os jovens precisam aprender que não dá para desrespeitar impunemente."
Chocada também ficou Maria Aparecida de Carvalho, que dá aulas de Física no Rio de Janeiro, ao descobrir que uma de suas aulas fora gravada em vídeo e estava num site com o título "Maria recebendo um santo". Ela costumava fazer paródias de músicas e adaptar as letras com conteúdos da disciplina para cantá-las com as turmas. Os comentários diziam que ela era ridícula e adorava aparecer. O vídeo foi deletado após a professora avisar que tomaria providências legais.

Esforço conjunto

Tentar evitar essas manifestações deve ser uma preocupação da escola e dos familiares para que não seja preciso partir para medidas extremas (leia os quadros abaixo). De acordo com o psicoterapeuta José Augusto Pedra, presidente do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre o Bullying Escolar, em São Paulo, só o esforço conjunto de pais e educadores é capaz de resultar em conscientização: "A prevenção envolve palestras, atividades que estimulem a solidariedade e a discussão do regimento interno da escola".

Se mesmo assim o professor for vítima de agressão virtual, algumas providências podem ser tomadas. Segundo a pesquisadora Cleo Fante, também do Centro Multidisciplinar sobre Bullying, caso nenhuma medida pedagógica ou legal seja tomada, os jovens continuarão a repetir essas atitudes porque terão certeza da impunidade. "Eles podem se sentir à vontade para denegrir a imagem do professor ou de qualquer outra pessoa. E isso não deve ser permitido, sob pena de comprometer a formação do indivíduo."

Como se prevenir

• O psicoterapeuta José Augusto Pedra, de São Paulo, sugere algumas ações para evitar o cyberbullying:

• Converse com os alunos sobre o tema para que eles não vejam essa atitude como brincadeira.

• Chame os pais para palestras que tratem do assunto.

• Envolva os adolescentes em atividades solidárias para fortalecer o senso humanitário e de cidadania.

• Verifique se o regimento interno da escola prevê sanções a quem pratica atos agressivos. Em caso negativo, discuta com colegas e direção a possibilidade de incluir o tema.
Como se defender

O advogado Rodrigo Santos, de São Paulo, especializado em crimes virtuais, afirma que as vítimas têm o direito de prestar queixa e pedir sanções penais. Caso o autor das ofensas tenha menos de 16 anos, os pais serão processados por injúria, calúnia e difamação; se tiver entre 16 e 18 anos, responderá junto com os pais; e, se for maior, assumirá a responsabilidade pelos crimes. Algumas formas de se defender:

• Salve e imprima as páginas dos sites.

• Consiga testemunhas do ocorrido.

• Preste queixa em delegacia comum ou em uma especializada em crimes virtuais, se houver em sua cidade.

Ana Rita Martins - Nova Escola 212 - 05/2008
http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescente/comportamen...
Como vai Maria Tereza? Saudações.
É fato o que mencionas e sabe-se como fazer para minorar e depois sanar, já que é uma doença, um hábito humano não saudável. O bullying nada mais é que o desrespeito ao outro, invariavelmente deriva-se de nossa falta (ou falha) no auto-respeito. Quem não se está respeitando, tem pouca força, vontade ou intenção em respeitar aos demais. Isto alimenta a baixa auto-estima e é até por aí que o bullying é como o "novo humor" de hoje em dia, reflexo do mau-humor individual: programas que gozem dos outros, façam chacota, ironizem ou exclua. Não é sem razão que a audiência juvenil está em videocacetadas, CQC e BBBs. E de adultos em programas da tarde, sobre os desentendimentos pessoais e grupais ou que mostrem ao mundo cão. O problema é que entretêm sem desvendar soluções. Transforma ao homem em "bem informado", inteligente, mas não um sábio (sensato, tolerante e resolutor de problemas). Sem solução, caminha-se para a desesperança; depreciado e sem auto-respeito, se entrega à depressividade. É fácil entender aos caminhos, delatar causas e sintomas, culpas e culpados. Mas o que se precisa cuidar com atenção, discernimento e amor está bem próximo, basta olhar no espelho....do seu próprio coração e colocar (que valor eu dou à minha vida, verdadeiramente?). Quando o ser voltar a se revalorizar de modo sincero e pleno, terá de volta o caminho de relacionamentos mais sudáveis, sem a aridez e o rancor, que tanto lhe faz mal.
Sucesso.
Pois é isto, Maria Tereza.
Então é sensato, ao lidarmos com estas ferramentas todas da modernidade, verificarmos que são mecanismos de comunicação e sempre comunicamos a partir de nossa percepção, nossa capacidade de observação e estas estão vinculadas com a forma como estamos nos sentindo. Se estou de mau-humor, provavelmente serei reativo com algo que me "incomode". Possivelmente serei menos tolerante e me sentirei indignado com possíveis "ataques", ainda mais se eu já estiver internamente fragilizado. O contário é verdadeiro: se estou bem comigo, não quererei julgar ou agredir ao outro.

Seria prudente, antes de clicarmos no 'Adicionar resposta' se parássemos alguns segundinhos para refletir quanto ao que estou remetendo para alguém (que nunca é entre dois, pois na internet o escrito está para todo mundo, até mesmo para mim, em um dia em que estiver de bem comigo, ao reabrir aquela página do comentário, me deparar com aquele "insulto" e depois experimentar vergonha e arrependimento. Antes de enviar algo, poderia eu me perguntar:

- o que estou enviando vai tornar ao outro, ao mundo e a mim em melhor ou não?
- fosse eu o destinatário de tal comentário, como me sentiria ao lê-lo?
- se considero a todos como filhos de Deus, como me sentiria diante do Pai, ao ter insultado um(a) filho(a) Dele?
- se somos todos irmãos nesta grande casa, é este o tratamento correto numa irmandade?

Creio que se conseguirmos repensar um pouco, diminuiremos as nossas próprias tensões e conviveremos menos com o arrependimento. Com mais saúde e serenidade
Sucesso e paz
Agradeço, o título minha cara, mas não sou filósofo e apenas perçebo e não tenho o menor rastro de dúvidas de que o mundo, não sem um parto doído, ainda será consertado, pois deve ser reformado primeiro aquele que lida diretamente com as ações concretas e com a matéria: o ser humano. Por isto deverá ser um pouco doído pois dor e/ou sofrimento são possibilidades de todo processo transformativo. O importante é fazermos com entendimento, pois este, ameniza ou elimina ao sofrimento. Diz-se que a dor é real, mas o sofrimento é opcional. Quanto aos animais, como sentem e experimentam dor ou êxtase, estes dependem de como o homem trata a eles também. Se alguém não quer receber tristeza, é prudente nem dar e nem patrocinar tristeza ao outro, mesmo que a um animal. John Lennon disse certa vez que se os matadouros tivessem vitrines, muitos eliminariam o hábito de consumir seus produtos.

Existe um documentário do instituto Nina Rosa, chamado "A Carne é Fraca" e está no You Tube. Se puder assita-o
PARTE 1 - 32min - http://www.youtube.com/watch?v=EghRqeZA-TU
PARTE 2 - 21min - http://www.youtube.com/watch?v=SKz6sgnUgdg&feature=related

Ou veja um trecho onde pessoas sérias e estudiosas e que se ocupam de atentar à saúde pública e individual, como o jornalista Washington Novaes (Repórter ECO), abaixo

Tudo na vida tem causa (ainda que eu não perceba, entenda ou aceite) e é até assim que a terra, após receber uma semente de maça, nos dará uma macieira, ao invés de jabuticabeira e esta, terá sobrevida, na extensão em que é cuidada (por alguém ou pelos próprios métodos naturais). Assim como a violência nasce de uma causa violenta, a paz também nasce de uma causação pacífica interior. Até por desconhecimento ou falta de experimentação, muitos se iludem que paz, seja "passividade" e ficam esperando que o outro, que Deus, o governo, a natureza, o trânsito se resolvam para deixá-los estáveis. A paz é uma valor qualitativo, portanto é ativa. Toda atividade depende de um empenho em prol daquilo. Se desejo paz em minha vida (e é fato que todos merecem - até se guerreia em busca de "paz") preciso promover paz ao meu entorno.
Ney,

O tema do cyberbullying é extremamente preocupante, pois que as crianças e adolescentes se sentem protegidos agindo por detrás de um pc.
Meu filho foi vítima de bullying quando estava na 3ª série e o colégio não tomou providência nenhuma, mesmo depois de falarmos com a orientadora etc. Agora, que ele tem 12 anos, sabe o que é e tenta ajudar os colegas que são vítimas disso, mas mesmo sendo um colégio particular não percebo que estejam preparados para isso.
Esses dias escrevi algo a respeito das pessoas se referirem, jocosamente, aos famosos por alguma situação ou outra. Isso quando surgiu no Twitter o #soniabraofacts, não sei se recordas disso (http://zapt.in/3vd). Eu acho que tudo tem um limite e mesmo que pessoas se exponham por serem famosas isso não é desculpa ao esculacho.
O importante é que possamos interagir e reeducar as pessoas nesse processo, principalmente quando ainda estão na fase inicial da vida. Às vezes o fazem por pura inocência e não sabem que aquilo pode constituir um ato infracional (menores de 18 anos) ou crime (18 anos ou mais).
Parabéns pela iniciativa de debater tão importante assunto.

Abração.
Como vai dr Emerson? Saudações.
Estava dialogando com a sra. Maria Tereza, neste tema e ela foi "apagada" (ou se "apagou") do/no Portal LN e ficou este "buraco" nas conversações. É fato esta questão do bullying (virtual ou não), que está muito mais ligada com a pouca habilidade presente em lidar com a diversidade. Penso eu que a falta de auto-respeito (que nasce da falta ou da falha no auto-conhecimento - "matéria" fundamental e excluida no atual curriculum da vida moderna) é que faz nascer o desrespeito pelo outro e pelo mundo e estas são sementes principais, creio eu, da intolerância. Através de uma comportamento intolerante, é mais provável que eu me conduza através da diversidade (realidade do momento, para a qual é necessária a utilização da tolerância) de forma adversa, advresária. De fato, percebo que este modo violento de lidar com o outro (sejam entre jovens ou adultos), está conectado com o medo do desconhecido ou da complexidade. A violência, é afilhada da ignorância humana. Indica falta de "luz" (entendimento) da/na vida ou ao menos esta "luz", talvez esteja fora de foco. Dizem que é preciso entender para só assim, ser entendido pelo outro, ou seja, o próprio processo comunicatório diz que passamos a maior parte do tempo de nossa vigília consciente, ouvindo/vendo; falando; lendo; escrevendo (nesta sequência). Já notou que nosso ensino formal e mesmo o processo social, costumam nos "treinar" para fazermos apenas os três últimos item da lista? O ouvir/ver (de fato é o enxergar e "traduzir" o mundo para buscar dar a melhor resposta) que é o que passamos a maior parte do tempo a fazer, é o que menos nos é ensinado.

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