Na segunda-feira (09/11/09) o programa CQC, exibido pela Rede Bandeirantes, deu a público a política de "tolerancia zero" implantada pelas polícias Civil e Militar na cidade de Assis (SP). Um repórter do programa, cujo nome ora me foge, disfarçado de mendigo, postou-se sentado em uma calçada no centro da cidade onde moro. Não se passaram dez minutos para que fosse abordado por dois soldados da polícia militar. Estes, tão logo abordaram o "mendigo", perguntando-lhe o que fazia ali e que retirasse a touca que vestia, sob o pretexto de revista-la. Tendo recebido a simples indagação sobre o motivo de tal abordagem, imediatamente o empurraram contra a porta de uma loja e, torcendo-lhe os braços e dedos das mãos, o algemaram e ordenaram-lhe que exibisse seu documento de identidade, bem como que abrisse a bolsa que carrregava. Obtiveram a resposta, óbvia, de que isso não era possível pois a pessoa se encontrava algemada por eles mesmos. Segue-se então um construtivo diálogo entre os bravos soldados e o perigoso elemento: "É mão na cabeça, vacilão", seguido de novos empurrões e torções nos dedos e braços, para, em seguida, ser o mendigo preso, pasme-se, por desacato e desobediência. A solução somente aconteceu quando os bravos soldados descobriram tratar-se de repórter de televisão, isto na delegacia de polícia civil para onde encaminharam, algemado, o "mendigo". Ficam as perguntas: o uso abusivo de algemas somente se aplica aos patrocinados pelos D'Ursos, Tostos, Torons e Leite Barros? A subsecção local da Ordem dos Advogados do Brasil, ao que eu saiba (e sou advogado) até o presente momento sequer se manifestou, aliás manifestação houve sim, quando da implantação de tal política foi ela a primeira a aplaudir a inciativa, óbvio, depois da valorosa Câmara Municipal de Assis, após: e o Ministério Público atuante na cidade, também até agora não se pronunciou e, mesmo não sendo penalista, me parece haver no ato noticiado, pelo menos, indícios de crime, estarei errado?; mais: ser mendigo é crime? Já disse não ser penalista, porém confesso que procurei no meu Código Penal e não encontrei nenhuma tipificação para essa involuntária condição social. Por favor, alguém me socorra, pois não estou livre de ser o próximo "vacilão"! Entretanto, quero aqui deixar claro: o fascismo não contamina a todos os habitantes de Assis.
Francisco Emilio Baleotti
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