Kassab: ele se acha a última coca-cola do deserto. VENCEU. E AGORA, TOMEM! (lamentavelmente atualizado em junho de 2009)

A Cássia me inspirou esta discussão sobre a figura de Kassab. É dela esta imagem. Candidato do PFL (atual DEM) à prefeitura de São Paulo, ele derrotou Alkimin e segue para o segundo turno, contra Marta (do PT).

Incensado pela imprensa e pelo psdb do Serra, Kassab representa (pelo histórico do seu partido) tudo aquilo que São Paulo não é: uma cidade moderna, de vanguarda, aberta a todos os povos e generosa com aqueles que acolhe. No deserto criado pela imprensa tem muito mais coisa do que esta coca-cola.

Marta já mostrou seu compromisso com a cidade, mas não detém a simpatia da mídia. Sempre teve seus defeitos (que todos nós os temos) superdimensionados (como o caso daquela frase infeliz na época do "caos aéreo" ) e muitas das suas virtudes (como a coragem de se desfazer de um casamento com um homem especial mas que deixara de amar transformada em desvio moral) apresentadas como defeitos, quando são apenas gestos de coragem e enfrentamento ao reacionarismo tradicional.

São Paulo tem em Marta a expressão da modernidade, da coragem e da integridade. Poderia ser uma dondoca. Escolheu ser uma cidadã plena. Será que os paulistanos não vão reconhecer isto e farão girar as rodas da história para a penumbra? Eu aposto que não.

ATUALIZAÇÃO: Preparando 2010

As urnas confirmararm os resultados da pesquisa de boca-de-urna. Em entrevista em frente à sua casa, logo após o fim da eleição, Kassab destacou o apoio do governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "Eu queria deixar um registro muito enfático à participação do governador José Serra nesse processo", afirmou.

"Todos nós sabemos o quanto foi importante sua atuação (de Serra), primeiramente à frente da prefeitura, num segundo momento nós assumimos no seu lugar e continuamos a cumprir seus compromissos". Além do apoio do governador, Kassab atribuiu os bons resultados à qualidade de sua gestão.

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Respostas a este tópico

Luzete, a propósito da aparente contradição entre a escolha dos paulistanos por Kassab e a "modenidade generosa" de SP vejo algumas similaridades com o povo dos EUA; são ricos, poderosos,recebram gente de todo o planeta e ao mesmo tempo elegem Bush,Reagan e outros..talvez haja um nexo causal entre riqueza e conservadorismo, quem sabe?? guardando as devidas porporções vejo certa semelhança também no que concerne ao isolamento de São Paulo com o resto do país..nada se sabe sobre o governo de Serra fora de lá, além dos boicotes às políticas sociais do Governo Federal..dia desse o Tarso Genro falou que é preciso que SP se integre ao resto do país e dou razão à ele.
Abraços
Celso,

O problema é que São Paulo se acha o País inteiro. E quer que o resto do Brasil se entregue a ele.

Luzete,

O kassab não tem nem cara de brasileiro. Se deixarem ele calado, com a gomalina em dia, chega um gringo e chama ele de brother.
Fábio,
mas você acha que Kassab derrotou Alkmin só por causa da cara de brother que ele teria? Eu não seria tão lombrosiana...
Não Luzete,

A única cara bonita na campanha do Kassab é a da onça pintada da nota de 50, que deve ter de sobra por lá.
Celso, sou paulista e tenho que concordar contigo. Paulista é metido a besta mesmo. Acho que vem de longe isso, mas não vamos discutir História neste momento.
O importante é que lutemos, de perto ou de longe, com as armas e mãos e mentes, para derrotar esta direitona medieval que existe aqui em São Paulo e em toda parte.
Marta é apenas um instrumento, uma etapa nesta grande luta social que ocorre na América Latina e no mundo.
Gostei do brother....mas de quem? rsrsrsrsrsrs
Celso,
naturalmente que a relação entre riqueza e visão de mundo conservadora existe e é forte, mas ela não é fatalista. veja a própria história da Marta.
São Paulo tem mais mistérios do que sonha nossa vã filosofia. Arrisco dizer que em São Paulo, as forças conservadoras estendem seus tentáculos para todas a vida social com muito mais vigor do que em centros onde a tradição, lastreada na grana, não é tão forte.
Luzete, me parece que no caso de Marta o rico e de família tradicional era o Suplicy.. as exceções existem para confirmar a regra..
Mas marta encarnaria bem os valores tradicionais, mas ela rompe, rompe incluisive ao se descasar (de um homem bom, digno) e assumir, com muita dignidade, um novo relacionamento. Onde a imprensa (conservadora) vê defeitos, eu vejo virtude. e coragem.
Não gostaria de dar à Folha toda esta força. Quantos exemplares ela vende na capital, por dia? Uns 100 mil? Ela é parte de um grande esquema de comunicação que pertence a oito famiglias no Brasil, que dominam jornais, TVs, rádios e tudo mais na área de Comunicação.
A esquerda não conseguiu até hoje botar um jornal com 100 mil exemplares diários da rua! E temos um governo progressista, e temos os melhores jornalistas e intelectuais, e sindicalistas, e ONGs, e movimentos sociais. Temos também um povo ávido por informação, ainda que não possa pagar por ela, portanto, sucetível a qualquer papel marrom que lhe chega aos olhos, na banca de jornais da esquina. A este povo nós, esquerda e governo que eu quero considerar popular ("Eu não sou socialista, sou torneiro mecânico") nós nada oferecemos em termos de informação de massa. Doamos o espaço para a direitona deitar e rolar, criar uma "crise" por semana, e até falar da vida conjugal de nossos candidatos.
Cadê o inventário do ACM, por falar nisso? rsrsrsrsrs
Em Fortaleza, pela segunda vez, a luiziane bate nos coronéis. sem esquecer que da primeira vez ela, mesmo contra a vontade da "direção partidária". Uma guerreira. E muito bonita, sem o glamour chic de Marta.

São Paulo é uma briga simples: contra a folha, estadão e globo. só!

Mas, eu acho, dá prá vencer.
Luzete, concordo com vc neste ponto. O conservadorismo de São Paulo me parce uma defesa contra a própria agressividade do capitalismo aqui existente. Creio que (posso estar errado) uns 60% da população da capital veio de fora, e aqui encontrou toda acolhida - graças ao seu trabalho. Quem vem de longe pisa no chão devagarinho, dizia a canção.
As pessoas que estão em São Paulo por um tempo não são obrigadas a pensar no futuro da cidade, porque sonham em voltar para sua terra natal. Por favor, não pense que estou sendo contra os imigrantes: falo sobre aquele compromisso que cada um tem com sua terra.
Quem não é da terra, vota no status qüo, ou porque sente-se melhor em relação ao passado, ou porque não se sente à vontade para dar palpite por uma mudança. É uma timidez, vem lá na nossa formação de Casa Grande e Senzala.
Não foram os grandes empresários que criaram Maluf (só eles): foram votos de pobres que jamais viram um Reino tão deslumbrante e moderno como São Paulo. "Quem manda aqui? Ah, é seu Maluf? Então eu voto nesse cara!"
Realmente São Paulo tem mistérios, e sei que você e os amigos entenderão meu pensamento. Morei na Liberdade, em Higienópolis e numa pensão mequetrefe da Av. Duque de Caxias. Cada coisa, uma coisa, três São Paulo. Mas conheço a Vila Ré também....um outro Universo meu Deus! rsss
Celso, não houve uma escoha por Kassab: 1% de diferença não significa muito, nada irreversível. Isso é o que mídia quer nos doutrinar: venceu hoje, vencerá sempre!
Calma amigo! O meu amigo (porque somos de cidades vizinhas), Geraldinho perdeu três milhões de votos no segundo turno, fato meio inédito no mundo.
É óbvio que minha opinião é suspeita, porque so anti tucanos-pefelistas, mas vejo totais possibilidades de Marta vencer. O eleitorado não está comprado, como quer pregar a Folha e o PIG. Basta levar a sério a disputa na qual estamos envolvidos, com humildade e coragem, e teremos uma grande vitória.
(Apesar que minha candidata sempre foi Luiza Erundina, a melhor de todas e todos!)

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