Gostaria de postar o texto que escrevi sobre a lova lei de cotas, pois há muita desinformação a respeito. Espero contribuir para o debate!

http://nathaliaduarteetceteraetal.blogspot.de/2012/08/50-de-cotas-e...

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Natália,
Desculpe, mas vamos ao texto legal do engodo: na verdade a lei reserva 50% de vagas pelo sistema tradicional, ou seja, os mais ricos que sempre ocuparam estes 50%.
Mais ainda, reservou mais a metade das vagas para escola pública,25%, sem recorte de renda, ou sejam mais uma vez os alunos mais ricos oriundos das escolas de excelência: técnicas federais e estaduais, experimentais das universidades, as boas públicas em regiões de elites, as de corporações militares etc.
Portanto, para a disputa racial entre os mais pobres, restam apenas 25% das vagas que serão disputadas pelos pretos, pardos e brancos pobres, todos de baixa renda e oriundos do mesmo ambiente social.
Isso será trágico.
Sempre defendi as cotas sociais com 50% das vagas pelo recorte de renda de 1,5 salário mínimo e os pobres disputariam em igualdade de condições independente da cor da pele.
A raça não pode ser objeto de outorga de direitos, pois isso, se configura racismo estatal.
abraço,
Militão

José Roberto, não sei se você realmente leu o texto ou a proposta, mas o que eu explico é justamente que todos os 50% tem a combinação dos critérios instituição escolar e de renda. Na lei não há nada falando que 25% não tem recorte de renda, dê uma olhada. 
Sobre ser "racismo estatal", discordo. Como você deve saber, houve um julgamento no STF (motivado por um processo do DEM, que afirma serem as cotas raciais inconstitucionais) e depois de um longo processo chegou-se à conclusão que as cotas raciais não tem nada de inconstitucional, uma vez que elas visam alcançar a igualdade - e essa sim está na constituição. 
Já que a raça serve pra discriminar, pra dar menores salários, pra ser alvo constante de revistas policiais, por que é que ela não pode ser usada para beneficiar essas pessoas que sempre sofreram e que nunca foram alvo de políticas públicas?
Um abraço.

Do seu texto Nathalia:

"Agora, se você está aí achando ruim fazer parte dos 20% da população que estuda em escola particular e que ocupa 85% das vagas das universidades públicas porque agora só vai poder concorrer a 50%, te digo que faltou uma parte importante na sua formação educacional de altíssimo nível: a formação humana. Ou, digamos, no mínimo, algumas aulas de matemática."

Um decreto autoritário que além de ratificar a existência de uma raça negra, passa por cima da opinião dos corpo docente das universidades, politizando um problema já grave, a educação desvinculada da cultura. Um decreto que contraria o ENEM e o PROUNI.

O argumento de que o "conceito" de raça pode ser usado para o bem significa para o bem de quem? Na Alemanha nazista foi para para o bem de muitos, sacrificando outros. Bem econômico, reforço de identidade cultural e nacional.  E daí? 

Seria o bem de uma classe média que será privilegiada pela cor da pele? Os pobres desse país nem chegam a concluir o ensino fundamental, seriam eles os beneficiários?  

As instituições universitárias privadas, de baixa qualidade, estão repletas de estudantes da "raça branca"? As universidades públicas não permitiram acesso à "raça negra" e aos "pardos"? 

A falta de rigor da argumentação confunde "elite" econômica com elite universitária e agrega o maldito conceito de raça.

Filho de elite econômica não tem de disputar 50% de nada, não perdem nada, nunca. Quem perde é o país.  

Esse bem racial passa por cima de um bem maior na tradição ocidental. Tradição universalista construída com o esforço de alunos e professores que não foram apenas privilegiados por estudarem em escolas privadas de ensino de excelência. Esforço árduo, saiba disso. Estudaram muito, vindos da classe média especialmente, das famílias que privilegiaram a educação dos seus filhos. 

A UFMG e a UFRJ talvez tenham 85% de vagas ocupadas por alunos oriundos de instituições privadas, mas quais são elas? Excluíram os cursinhos que juntam alunos de instituições públicas e privadas, estas últimas de qualidade de ensino baixa?

Os alunos provenientes dos cursinhos somam somente 20%?

Os alunos da nova raça negra brasileira virão diretamente das escolas públicas, do extrato econômico sem grana mesmo para pagar e acompanhar um pré-vestibular? Disputarão a metade das vagas oferecidas sem passar pelos cursinhos?

Os alunos que se declarem brancos terão exclusividade nos 50% de vagas restantes?   

'O mérito não pode ficar em segundo plano'

Pesquisador contesta visão dos sindicatos, que pregam salários idênticos a professores de todo o País 

06 de agosto de 2012 | 3h 07 - Estadão

OCIMARA BALMANT - O Estado de S.Paulo

Em meio à greve das universidades federais que já completou 80 dias de paralisação - começou em 17 de maio -, o sociólogo, professor e pesquisador Simon Schwartzman questiona o modelo de ensino superior brasileiro, o papel dos sindicatos e a "suposta" autonomia defendida por essas instituições. "Os orçamentos públicos de universidades de todo o mundo estão associados ao desempenho. E isso precisa ser medido externamente", argumenta, na entrevista a seguir.

Um dos pontos criticados pelos sindicatos é o atrelamento da promoção à titulação. Como o senhor vê isso?

Acredito que a proposta do Ministério da Educação (MEC) valoriza o desempenho. E isso é bom. Se um órgão de ensino não valoriza e prioriza o desempenho - valor central de uma instituição acadêmica e profissional - não pode ser uma universidade. Sem isso, o que sobram são funcionários públicos brigando pelo seu salário. O mérito não pode ficar em segundo plano. 

E a titulação é o que mede isso, não é?

A titulação não deve ser o único critério, mas é um indicador importante de desempenho, mostrando o esforço do professor em se aperfeiçoar e o reconhecimento de seus pares.

Os grevistas questionam as avaliações externas por acreditarem que isso pode ferir a autonomia. Qual é a avaliação do senhor sobre isso?

Em todo o mundo as avaliações são externas. Não são realizadas necessariamente pelos governos, mas muitas vezes por instituições independentes, credenciadas para isso. Avaliações internas são necessárias em qualquer instituição, mas quando ficam apenas nisso, o grande risco é de se resumir a uma ação entre amigos. Isso não é autonomia. Autonomia não pode ser o direito de fazer o que se quer sem prestar contas, mas sim liberdade para buscar os melhores caminhos para exercer as funções públicas pelas quais as universidades são financiadas.

O que uma avaliação externa não invalidaria...

Claro que não. Os orçamentos públicos de universidades de todo o mundo estão associados ao desempenho. E isso precisa ser medido externamente. A sociedade não pode dar um cheque em branco. Aliás, uma universidade verdadeiramente autônoma não funcionaria como querem os grevistas, com essa isonomia que prega salários idênticos aos docentes. 

Como seria?

A tendência em todo o mundo é que as universidades, mesmo públicas, uma vez bem avaliadas, recebam um orçamento integrado e o administrem com autonomia, buscando sempre os melhores talentos, até mesmo negociando os salários de cada um individualmente. Os professores com melhor desempenho recebem ofertas, podem ganhar mais e mudam muitas vezes de instituições, buscando as que oferecem melhores salários e condições de trabalho. 

Isso não acontece por aqui...

Aqui fica tudo em família. A pessoa se forma e se torna professor da mesma instituição. E de lá nunca sai. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma universidade não contrata uma pessoa formada por ela. Na Alemanha, o professor, para ser promovido, precisa ser convidado a ir para outra instituição. Elas seguem um princípio de mobilidade, de que é preciso circular, criam um mercado de talentos, e acabam se valorizando nesse trânsito. É por essa autonomia que os professores universitário brasileiros deveriam brigar. Mas, pelo contrário, os sindicatos fogem disso. Querem todos iguais. Se esquecem de que as universidades não são fábricas. 

Mas elas se comportam como se fossem?

Para os sindicalistas, que querem tudo igual para todo mundo, sim. Mas há muita gente fora disso. Mesmo durante a greve, basta entrar nas melhores universidades e departamentos que você encontra laboratórios em funcionamento, professores que continuam seus projetos, que seguem participando de congressos científicos, que têm pesquisas financiadas e não podem paralisá-las. Eles não participam dessas assembleias grevistas. Aliás, acham essas assembleias muito chatas, com aquele blablablá e sem solução. 

Isso desgasta a instituição?

Isso deteriora a universidade. Os alunos se desinteressam, os cursos são mal dados, cria-se uma atmosfera de total desestímulo que enfraquece a instituição pública. À medida em que fica desacreditada, professores e alunos podem migram para universidades privadas. Isso foi o que aconteceu no ensino médio há algumas décadas, quando a educação pública, que era referência, se deteriorou e quem podia pagar foi para as escolas particulares. Se continuar assim, esse será o futuro de nosso ensino superior público.

Como o senhor vê a discussão sobre a cobrança de mensalidade no ensino público?

Hoje, o ensino público é mantido integralmente pelo governo. Acredito que seja necessário criar condições e estimular as instituições a buscar recursos próprios, até mesmo cobrando anuidades dos alunos que podem pagar. Quase todo o mundo faz isso - China, Inglaterra, Estados Unidos, Chile, Rússia, Japão, Austrália, Canadá -, aliado a programas específicos de ajuda ou empréstimos aos que não podem bancar. Se isso acontecesse, as universidades federais teriam mais recursos para gerir com autonomia e só ficariam na instituição os estudantes que realmente quisessem investir em seus estudos. 

Como o senhor avalia a nossa produção científica?

A pesquisa no Brasil está concentrada em poucas universidades e em alguns departamentos. Dentre as universidades federais, umas cinco ou seis têm pesquisas mais densas, mas, na grande maioria, ela é muito rarefeita. Mas nem toda instituição e nem todos os professores devem se dedicar à pesquisa. É preciso haver uma combinação de instituições de pesquisa e outras voltadas ao ensino. Nos cursos profissionais como Engenharia, Medicina, Direito e Administração, é importante que muitos professores tenham contratos de tempo parcial, trabalhem em suas respectivas profissões e transmitam essa experiência do mercado de trabalho para seus alunos. 

Nos últimos anos, houve no Brasil um investimento público na expansão de universidades que seguem a mesma estrutura de dedicação à pesquisa. Não teria sido melhor apostar em outros modelos, como centros de formação técnica etc?

Sim, mas foi feito o contrário. Nos últimos anos, o governo transformou os antigos centros de formação técnica, os Cefets, em institutos universitários, com a mesma estrutura de cargos e salários das universidades federais. Com isso, em vez de avançar na diferenciação do sistema, abrindo espaço para a formação técnica intermediária de que o País tanto precisa, o movimento foi no sentido contrário.

Por fim, o senhor acredita que o professor universitário é mal remunerado no País?

Não. Participei de um estudo internacional comparado e os resultados mostraram que o Brasil não se sai mal. O padrão de vida do professor de uma universidade federal não é ruim e cresce à medida em que ele se qualifica, participa de grupos de pesquisa, de projetos, recebe bolsas. Mas, para isso, ele precisa ser bom. Estamos de volta à discussão do desempenho. E, como se vê, os sindicatos não querem falar disso.

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