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O novo colunista da revista Veja, Lobão, já tem pauta quentíssima para os próximos dias: a “censura” que teria sofrido no Youtube. É que o canal de vídeos, de propriedade da Google, suspendeu a conta dele no espaço sob a alegação de que o usuário teria exibido “sexo explícito”, o que “viola as diretrizes da comunidade”. Isto bastou para que Lobão, o novo neocon do pedaço, fizesse um barulho enorme no seu perfil no Twitter, acusando a “censura” que, segundo ele, teria como alvo o bate-papo por videoconferência que teve com Olavo de Carvalho, um fanfarrão que não é levado a sério nem pela direita nem pela esquerda. Houve até quem, devidamente ‘retuitado’ por Lobão, apontasse a “censura” como o “início do Marco Civil da Internet da Dilma”. No dia seguinte, o Youtube reconheceu que houve um “erro de avaliação” e devolveu o perfil de Lobão. Pessoalmente, não tenho motivo algum para confiar no que diz o Youtube; muito menos no Lobão.

Desde o ‘Caso Salman Rushdie’, em 1989, aprendi que a censura é o melhor marketing que já inventaram para uma obra, ou, autor. Para quem não conhece ou não lembra do caso do escritor indo-britânico, ele foi condenado à morte por um líder do Irã por ter publicado o livro “Versos Satânicos”, que conteria “blasfêmia contra a fé islâmica”. O fato é que o escritor, com tal “sentença”, ganhou o mundo e potencializou as vendas do seu livro. Evidente que, a despeito do involuntário sucesso, isto só levou aborrecimento para a vida de Rushdie e foi um golpe contra a liberdade de expressão. Mas o fato é que, hoje, a censura figura como ótima propaganda – por estupidez do censor ou pela esperteza do censurado. Alguém poderia falar da “censura do Facebook”, que é algo real. Mas, cá entre nós, o Facebook, Twitter, Google etc nunca foram "redes sociais". São empresas que, se assim julgarem, suspendem qualquer conta que venha a desagradar os seus donos – e parceiros, aliados, patrocinadores etc. Assim como a mídia em geral, a única preocupação que tais empresas carregam com a pratica da censura é estragar a fachada de "democracia" que gostam de ostentar. 

Voltando ao Lobão, alguns dos seus fãs já publicam no Youtube o mesmo vídeo – o do bate-papo com Olavo de Carvalho – com a roupagem de “censurado”. Aliás, há anos circulam na internet incontáveis textos e vídeos com advertências tipo: "censurado"; "assistam antes que apaguem"... Com o "selo de qualidade" da censura, qualquer assunto acaba ficando mais atraente - independente de a censura ser real ou falsa.  No caso do vídeo do Lobão, o curioso - para não dizer engraçado - é que em certa altura do vídeo ele diz, a sério, que “comprar livro de Olavo de Carvalho numa livraria é como se fosse ir para uma boca-de-fumo; algo subversivo (sic)”. Enfim, ele encontrou uma ótima maneira de transformar pérolas afins em “subversão”: dizer que foi censurado. Lobão é hábil em faturar com as polêmicas – atacando pessoas ou os fantasmas que ele mesmo cria. Isto cairá muito bem para os leitores da Veja. Afinal, ficar batendo na mesma tecla da demonização da esquerda todos os colunistas da revista da Abril já fazem. 

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Respostas a este tópico

Sinceramente, eu levava a sério o Lobão na sua luta quase solitária procurando furar o rolo compressor da indústria fonográfica, isso algumas décadas atrás. Hoje Lobão engrossa a fileira dos ex-rebeldes, ex-esquerdistas, ou ex-comunistas como Soninha, Roberto Freire, Gabeira, Arnaldo Jabour et caterva. Não há nada pior do que um direitista que já foi comunista. O maior exemplo dessa triste trajetória foi Carlos Lacerda, um dos mentores do golpe de 64, depois devorado pelo mesmo. Vamos todos combinar: não dá para levar a sério o Lobão. Deixemos ele em paz na veja. Eles se merecem. 

disse o que eu queria dizer...

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