Lula X Obama - Nossa política "frouxa" ajudou Lula?

Achei essa questão interessante, ao ler o post sobre o Obama, no Blog, e a perda de apoio que o atinge. Será justo não pesarmos as realidades tão diferentes de EUA e Brasil? Essas diferenças pesaram a favor de Lula e prenderam parcialmente as mãos de Obama? Não sei, só emiti abaixo, uma opinião, talvez mais intuitiva do que "racional".

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Abordando a questão Obama por um ângulo que não vi a.qui manifestado e algo desagradável para nós brasileiros: comparando Obama com Lula, não teria o nosso presidente tido uma vantagem inestimável no nosso poli-partidarismo fisiológico, o que lhe permitiu literalmente cooptar o apoio de uma ampla maioria, podendo então, A PARTIR DESSE FATO PRAGMÁTICO, implantar seu programa de governo?

Obama enfrenta uma mídia mais selvagem, mais direta e agressiva do que a nossa (a mídia brasileira é mais mal preparada, suas tentativas de atacar Lula e/ou o PT ou Dilma, redundam muitas vezes, em autênticas "trapalhadas bizonhas", eles têm um certo poder, é claro, mas nada comparado à mídia norte-americana).

Obama enfrenta um partido - o republicano - unido, coeso, cujo único objetivo é derrubá-lo! No Brasil, graças aos centenas de deputados e senadores que não têm qualquer posição política - pertencem "ao poder", sempre, não importando a ideologia do governante de ocasião - o presidente sempre pode, como disse Ciro Gomes de forma brutal mas verdadeira, "meter as mãos na merda e fazer política ao modo brasileiro..." - ou seja, ceder a determinados interesses pouco éticos em troca de apoio.

Portanto, acho injusto julgar dois líderes diferentes, em contextos políticos completamente diferentes, onde um não tem praticamente arma alguma para "seduzir" a metade do Congresso para seu programa, vendo-se então, tentado a ceder mais do que gostaria, em troca de ALGUMA GOVERNABILIDADE. O outro, assim como sua sucessora, tem ministérios, cargos e liberação de emendas para, literalmente, "barganhar".   Lá, os opositores nem precisam, pois certamente ganham rios de dinheiro dos lobistas, talvez de forma "oficial", através das contribuições de campanha.

Por incrível que possa parecer, e até lamentável sob alguns aspectos, a "frouxidão" dos nossos políticos, e uma certa aceitação que nossa sociedade tem em relação à essa faceta pragmática do exercício do poder no Brasil, tudo isso auxilia barbaramente o presidente de ocasião. Ora, se esse presidente for um "animal político", inteligentíssimo e cordial, como Lula, dá no que deu: tornou-se um craque, um gênio nesse jogo pesado, e viu, todos seus adversários, incluindo aí grande mídia, Gilmar Mendes, FHC, saírem cabisbaixos e envergonhados, diante da História! Mérito óbvio de Lula, que construiu a si próprio, cada vez melhor, mais desenvolto, liso como sabonete, escapando de todas as armadilhas e fazendo um governo, hoje vemos, revolucionário. Mudou sim, a cara do Brasil!

Tão fácil crucificarmos Obama, que posso ver honesto sim, cheio de sonhos, talvez acreditando que o diálogo poderia funcionar, a sociedade ao seu lado. O creio mais ingênuo e perdido diante da ferocidade, malícia e grau de ódio e agressividade dos adversários, do que "covarde" ou "traidor". Duvido que mesmo os americanos consigam, hoje, no olho do furacão, ter noção exata das pressões canalhas, das traições, das armadilhas, que ele enfrenta todos os dias.

Mesmo Lula, genial que é, instinto muito acima da média, QUASE FOI ENGOLIDO À ÉPOCA DO MENSALÃO. E o poder de fogo, frieza e canalhice de nossa direita, não chega aos pés daqueles insanos dos EUA. E, talvez, Obama não seja Lula, simplesmente... - no sentido de saber ou ter como, agir com tanta habilidade e astúcia, e, repito, "botar a mão na merda", se necessário.

Se americano eu fosse, ainda gostaria de Obama, e nele acreditaria. O mundo melhorou, tornou-se mais respirável com Obama, do que com Bush. Ele pode fazer mais? Certamente que sim, e tomara que faça logo, para mostrar seu valor e conseguir se reeleger. Não gosto definitivamente de republicanos...  E, se Obama não reagir, que os americanos continuem tentando! Retroceder a um Bush 3, seria demais para a América, para o mundo.

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Oi, Marco! Penso que melhorou muito pouco, certamente menos do que todos esperávamos. Mas creio firmemente que o mundo, como você diz, estaria numa escalada "do mal", mais grave e perversa, se tivéssmos na Casa Branca um dos doidos, companheiros do Bush. É pouco para ficar satisfeito com o governo Obama? Sim!!! Mas, só quis demonstrar que, TALVEZ, não possamos ter exata noção do inferno que ele enfrenta por lá. Abraço!

Oi, Marco! Não sou especialista em EUA - rs - sei que muita gente acredita que republicanos e democratas são "mal maior" e "mal menor" - rs. Sei que jamais conseguiria votar num republicano, os caras são extremistas demais! Quanto a Obama, não o vejo como oportunista, mas como alguém que foi fraco, no sentido de não partir para a briga com os republicanos, e chamar a sociedade para o seu lado, enfrentando a grande mídia e as demais forças conservadoras que eram e são contra o seu programa, anunciado na campanha. A agressão à Líbia me pareceu mais coisa de Inglaterra/França do que EUA, mas quem vai saber, na verdade? Sei que Sarkozy espumava contra Kadafi diante das câmeras...

Enfim, o que quis refletir mesmo, insisto, é se Lula teve ou não sua vida facilitada, pela possibilidade de cooptar bancadas inteiras de partidos, graças às benesses que pode oferecer. Penso que sim! Abraço.

Confesso que não conheço o senador texano. Mas ser da terra do Bush - é isso, não? - rs - não é boa referência... - rs. - Eu queria muito, Marco - e, sei que pode ser apenas "romantismo" meu - rs - que o Obama tivesse uma segunda oportunidade, acordasse para o fato de ser sua "última chance" e fizesse um grande governo. Aliás, Lula foi, na minha opinião, muito mais solto, capaz e produtivo no segundo mandato. Foi lá que ele de fato impôs sua assinatura! Abraço.

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