Amigos.

Durante algum tempo procurei colaborar com algumas crônicas e, raramente, opiniões sobre o desagradável hábito humano de julgar a tudo e todos, você e eu sabemos que nem Ele escapa, tem gente que acha que levando menos tempo, devesse ser mais profissional e eficiente na criação do mundo.

Mas como não mando nem no tempo nem no vento, ando afastado do blog e hoje, me dei aquele tempo lendo e tentando manter algum critério sobre a dinâmica do desenvolvimento das Culturas em geral. Depois de ler o que disse o Alceu Valença sobre Chico Cézar, não resisti, a área musical é onde eu procuro nadar sem me afogar, então:

O melhor que se pode dizer sobre a música popular brasileira é que realmente existem duas, a boa e a ruim.

A boa, para alguns, seria aquela que de alguma forma é capaz de acordar nossa curiosidade e modificar a nossa vida. Como se fosse um túnel, nos convida para entrar por ele com a proposta de sairmos renovados mais vivos e sendo outros do outro lado.

A ruim, para alguns, aquela que “tanto faz quanto tanto fez”, chega sem cara nenhuma,  eventualmente porque é sempre a “mesma” repisando melodias que foram feitas para discos infantis que, pretensiosamente, davam-se ares de “primeiros passos” para o pequeno ouvinte e nós, entre músicos, dizíamos que para sua execução no arranjo só precisavam de um bumbo e duas flautas.  

Esta, a que deve ser ruim, nem sei mais, tem letras tipo “meu amor você partiu e triste me deixou...” ou então “preciso ficar rico a qualquer custo para comprar um Land Rover, senão não vou comer você atrás da minha Fiorino”.

Sinceramente, fica difícil viver com “isso” que anda solto por aí, prefiro mesmo aquela, cuja melodia e letra (quando tem) me façam tentar “amarrar o tempo” sem que ele me escape, me lembre que estou vivo e ainda posso ser outro amanhã.

Mesmo que esteja errado, a ruim seja a boa e a boa a ruim e eu não saiba mais o que é música, por continuar gostando de mim mesmo e estar mais velho e cheio de dúvidas, não quero mais ser infantilizado por ninguém.

Era isso, mas, lembrei que existem exemplos de músicas quase infantis e belíssimas. Quem não sabe de um, vai lá e ouve “A banda” do tal do Chico Buarque.

Ah! Uma vez fui entrevistar o Edu Lobo para um filme que fiz com o Piazzola e perguntei o que achava do boato de que a musica do Milton Nascimento era complicada.

Ele respondeu.

“Nada disso! Acho é que o ouvido das pessoas é que é muito simples.”

(Desculpem. Este texto era pra discussão do Forró de Plastico, mas, como ando esquecido, não sei entrar com ele por ali.

Exibições: 273

Responder esta

Respostas a este tópico

Beto ,

enquanto não se define melhor se definir pelo sentimento e engasgando com letras.

Dias destes li que um bom poema não precisa nada mais que "sentimentos", embora tanta gente declara que são arranjos de palavras.  Penso música pelo mesmo caminho, já que intrinsecamente vinculada a poesia;  poesia musicada.

Representação da vida que não dá pra ter preconceito, no final td é vida, por vezes medíocre  ou complicada ou elevada.

abço

 

E'lena, cordei ca macaca e elegi pros planos horizontes da minha vida três chatos que acharam seus caminhos pra seguir em frente.

Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas. Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim esse atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manoel de Barros

---

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

Mario Quintana

daí que:

http://www.youtube.com/watch?v=T19k4Gj_QPY

Brassus!!

encontrei hoje  sua  postagem de  manoel no facebook, lá curti (pela possibilidade que dá)

amo este Manoel de Barros desde a primeira vista, ele fala tudo que sinto, entende meu pensar.

Falei  que não dá pra ter preconceito, mas isso na escrita  fica bonitinho, na prática sou chata 

com vontade, descrimino no coração e acabo xingando músicas aos montes aquelas que impedem meu raciocinar.

é linda!!

Beto vê se é mais ou menos isso.

Eu só gostaria de poder "passar ao largo" destas coisas que nem conheço, mas aqui, cidadezinha pequena, soam nas ruas e...vamu qui vamu!

Um dia a coisa uda pra melhor!

Atés

RSS

Publicidade

© 2019   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço