Deixando de lado todo apelo comercial que envolve a data, esse ano o mês da mulher tem significado especial, pois pela primeira vez em nossa história uma mulher, Dilma, tem grandes chances de vir a ser a Presidente da República.
Assim, como uma outra mulher, Marina Silva, candidata-se como alternativa política.
Mas, vou abrir esse mês com a  história de uma outra grande mulher, Aracy Guimarães Rosa:




A companheira de João Guimarães Rosa no período mais criativo de sua vida foi também responsável pela salvação de centenas de vidas judaicas durante a Segunda Guerra Mundial. Burlando as leis do Estado Novo, ela conseguiu vistos para refugiados judeus, que assim puderam entrar no Brasil.

“A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”. Com esta epígrafe, começa um dos maiores fenômenos da literatura mundial, Grande Sertão: Veredas, a obra-prima de João Guimarães Rosa. No entanto, ao se comemorar, no ano passado, os 50 anos da sua publicação, pouco se falou sobre esta mulher. Mas haveria motivos de sobra para manter viva a chama da memória de Aracy – ainda que ela não tivesse sido a companheira de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos.

Dona Aracy, como é chamada, salvou judeus na Alemanha nazista, enfrentou as leis anti-semitas do Estado Novo, e ainda escondeu perseguidos políticos durante a ditadura militar brasileira. Enfrentou, portanto, nada menos do que três regimes autoritários, conhecidos por sua violência inclemente. Em Hamburgo, no final da década de 30, como funcionária do consulado brasileiro, ajudou refugiados judeus a saírem da Alemanha, conseguindo vistos para centenas de pessoas, apesar da lei que proibia a entrada de imigrantes judeus no Brasil. Por isso, ganhou homenagens nos Museus do Holocausto de Jerusalém e de Washington e é conhecida pela comunidade judaica de São Paulo como o “Anjo de Hamburgo”.



                                                                  


Depois, já na década de 60, escondeu em seu apartamento de Copacabana o cantor e compositor Geraldo Vandré, perseguido pela ditadura militar, depois do AI-5. Bonita, culta e corajosa, não deve ter sido por acaso que chamou a atenção de Guimarães Rosa.

Aracy tinha certamente algo de Hannah Arendt, a extraordinária filósofa judia alemã, autora de Origens do totalitarismo e A condição humana, e que fez da própria vida um ato de luta contra o totalitarismo. Praticava aquilo que os alemães chamam de "amizade combatente": atuava a favor do amigo, sem esperar que este lhe pedisse ajuda.

Mais: http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=207

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Respostas a este tópico

Sempre que assisto a este filme ( O sonho de Rose) fico emocionada. Estamos longe de saber REALMENTE a luta de uma mulher MST,se sofremos preconceitos imagine uma MST. o que mais me deixa enojada é quando a Grande Midia denegride a imagem desse movimento, um dos movimentos mais bem organizados da america latina, é uma pena que nossa classe média ainda assiste tais noticiários e não FILTRAM suas notícias.

Viva as mulheres
Viva as mulheres do MST
Muitos vivas ,especialmente às bravas mulheres do MST.
para acalmar a claudinha e todas as mulheres rosas nervosas,o meu buquê de flores do campo, colhidas diretamente do... google!


Que exemplo maravilhoso! Parabéns por nos trazer essa história, que eu conhecia muito mal, e agora tenho a oportunidade de saber de mais detalhes! É exemplo dos mais dignos que já vi!
Obrigada, Eduardo por sua presença aqui, representando, com Sérgio e o ContiBosso os nossos companheiros homens, indispensáveis nessa caminhada...

Beijos aos três
Caramba! Não podia deixar de ter poemas e flores, ainda bem que vcs providenciaram...

Claudinha e luzete... não preciso dizer nada, vcs sabem... beijos...
A mulher forte, por CARLOS HEITOR CONY, RIO DE JANEIRO

Como todo mundo, sempre estranho alguma coisa quando leio ou releio a Bíblia. Há passagens naturalmente complicadas, que necessitam conhecimento especializado -e uma vida inteira dedicada ao estudo dos textos sagrados não basta.
Indo diretamente ao assunto: sempre estranhei a expressão "mulher forte", descrita como aquela que desperta cedo, assa o pão, provê a casa. Será só isso? Ou será também outra coisa?
Como tudo na Bíblia e em livros congêneres, as interpretações são várias e contraditórias. Quando tomei conhecimento da mulher forte, confesso que pela primeira vez deixei de ser o machista imperturbável que era, até então.
Mulher forte não pode ser a sublimação da mulher de tanque e fogão. Ela até que pode ser mestra em uma ou outra situação, boa de tanque, boa de forno e fogão. Mas a fortaleza dela é outra, embora não seja exatamente espiritual.
Dirão os apressados: é preciso ser boa, também e principalmente, de cama. Não, isso seria a exasperação do machismo.
Mulher forte é a mulher barroca, a Fornarina, de Rafael, a Noite, de Michelangelo, que está na Capela dos Médici, em Florença. Mulher forte pode até ser magra, mas tem um ritmo forte, determinado, soberano, que esconde sua fraqueza com a soberba de suas formas. Ela é forte porque sabe ser mulher.
As mulheres de Dostoiévski, como as de Rafael e Michelangelo, são fortes. As de Tolstói e Flaubert são fracas. Fraquíssimas são as de Puccini. Fortíssimas, ao exagero, são as de Wagner. A Vênus de Milo é forte, a Fiametta de Botticelli é frágil, vaporosa. O encanto de Capitu é que metade dela é fraca e a outra metade é forte. Lady Macbeth parece forte mas é fraca. Bem, diante de tantos exemplos, confesso que prefiro as mulheres fortes, mas não na cozinha nem no fogão.
Mudou bastante o Cony. Na primeira crônica que fez na Falha- entrou substituindo Otto Lara Rezende- deitou preconceito em cima das mulheres, das feministas aliás. Disse que elas eram daquelas que não podiam ter orgasmo enquanto durasse uma guerra, não me lembro qual citou. É bom saber que alguns homens evoluem, em certo sentido.





Ontem, após palestra com Luiza Erundina, bancárias fazem passeata pelo Centro de São Paulo.

(Fotos do Sindicato dos Bancários)




Mulheres iniciam Marcha Campinas a São Paulo, que deverá durar 10 dias.

(Fotos Brasil de Fato)

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