A idéia é relacionar as tentativas que a mídia brasileira fez (e continua fazendo) para criar artificialmente uma crise, no passado recente e ao longo da nossa história, relembrando Carlos Lacerda em Getúlio e Juscelino. O objetivo é o de criar um painel para um melhor entendimento dessa produção.
Podemos partir, de início, da identificação de dois tipos de invenção de crise: As crises artificiais e as crises parcialmente artificiais. As artificiais são aquelas sem nenhum fundamento e saem do fundo da cartola, como a da ficha falsa de Dilma Rousseff e a do grampo sem aúdio do Supremo. As parcialmente artificiais são aquelas em que a mídia pega carona, como a da gripe suína. A Folha de São Paulo projetou uma epidemia de 35 milhões de infectados (com risco de morte), de repente, depois de intenso bombardeio da mídia, a gripe sumiu do noticiário como num passe de mágica.
Pode-se pensar ainda em algumas subdivisões: recorrentes ou cíclicas? (da moralidade da UDN), ou catastróficas? (do sistema financeiro em 2008-2009).
As publicações e artigos produzidos pela grande mídia nacional, articulistas e formadores de opinião poderiam ser anexados para compor um acervo precioso.

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ALTAMIRO BORGES: GARCIA, PORTA-VOZ GOLPISTA
Atualizado em 07 de janeiro de 2010 às 20:07 | Publicado em 07 de janeiro de 2010 às 20:03

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Alexandre Garcia, porta-voz de golpistas

por Altamiro Borges, em seu blog

Não foi só o âncora Boris Casoy que revelou seus piores instintos na virada do ano. Outro pulha da mídia, o apresentador da TV Globo Alexandre Garcia, também cometeu suas atrocidades no final de 2009. Em artigo publicado em vários jornais, ele defendeu na maior caradura os golpes militares em Honduras e no Brasil. Intitulado “Zelaya e Goulart”, o texto tenta desqualificar a atuação soberana e altiva da diplomacia brasileira na crise deste sofrido país da América Central.

Para o “jornalista”, que mais se parece um porta-voz dos golpistas, a política externa do governo Lula seria equivoca. “O Brasil insiste em ficar na contramão, considerando Zelaya presidente de Honduras. Insiste em dizer que houve um golpe”. Na sua visão direitista, que serve para justiçar atentados à democracia e mesmo torturas, assassinatos e censura, não houve um golpe, mas um “contragolpe”. E ele ainda tenta justificar seu raciocínio tacanho, de viés fascista.

O fantasma da “revolução socialista”

Veja sua risível teoria conspirativa: “Ontem me caiu à ficha sobre que razões teriam levado o governo brasileiro a tão teimosa posição. E acho que as encontrei na História recente do Brasil. O presidente João Goulart, tal como Zelaya, estava influenciado por lideranças externas da esquerda revolucionária. Jango se deixava influenciar por Fidel Castro – que chegou a mandar milhões de dólares para a ‘revolução socialista’ brasileira... O mentor de Zelaya é o tenente-coronel pára-quedista Hugo Chávez, que quer implantar a ‘revolução bolivariana’ na América Latina”.

“Tal como Goulart, Zelaya promoveu movimentos populistas visando a permanecer no poder, a cancelar eleições e a fechar o Congresso. No Brasil, o povo saiu às ruas e os jornais publicaram editoriais de primeira página, exigindo um basta no governo Jango; exigindo corte na revolução socialista e populista que estava em marcha. Aqui, os militares deram o ‘coup-de-grâce’; em Honduras, o presidente golpista foi apeado do poder pelo Judiciário e pelo Legislativo... Lá como cá houve, na verdade, um contragolpe”.

As mentiras do serviçal da TV Globo

Apostando na desinformação, Alexandre Garcia, que envergonha a profissão de jornalista, ainda diz que o governo Lula converteu “a embaixada em palácio presidencial de mentirinha, de conto de fadas, em que só os governos do Brasil e dos bolivarianos acreditam”. Puro engodo, quando se sabe que a maioria das nações condenou os golpistas e sua eleição fraudulenta. O serviçal da TV Globo confirma que a mídia hegemônica aposta em golpes – seja em Honduras ou no Brasil!

Alexandre Garcia não esquece suas origens fascistas. Ele foi subsecretário de imprensa e porta-voz do general João Batista Figueiredo nos estertores da ditadura militar. Na época, ele já era metido a playboyzinho de luxo e foi exonerado após posar seminu numa revista masculina. Os generais não toleram suas aberrações. Imagine se ele fosse exonerado pelas besteiras que diz na TV Globo e em outros cantos. Não iria sobrar emprego para o porta-voz rastaqüera dos golpistas.
Cláudia, mas é essa a estratégia tucana, enquanto Serra diz que é a favor, terceiros solapam.
É de hoje?

Abs
É verdade, Luiza, Serra está mais para predisgitador
Claudia, você tem toda razão. Essa estratégia tucana de apropriação indébita vem ocorrendo desde o Plano Real. Itamar lançou FHC e este se apropriou do plano. Em seguida Serra fez o mesmo com os genéricos e com com o combate à aids, os quais não são, nem nunca foram de sua autoria. Durante algum tempo isso deu certo, mas como diz a canção "nesse mundo o malfeito é descoberto", essa tática está sendo seguidamente desnudada. Logo ele, auto-proclamado "competente", parece que está fazendo uma administração em São Paulo de poucos elogios. Resta o mundo virtual, onde TUDO pode ser inventado, com seu "sucesso" administrativo divulgado pela mídia aliada, o que inclui quase toda a grande mídia. E é aí que surge o artifício de inventar uma crise e o de se apropriar das idéias alheias, não é mesmo?
Essa crise pode seu definida como A CRISE ARTIFICIAL DO JOBIM...

NASSIF: AS TRÊS ENCARNAÇÕES DA FOLHA
Atualizado em 10 de janeiro de 2010 às 17:26 | Publicado em 10 de janeiro de 2010 às 17:24

O leitor Jefferson Nascimento, no blog do Nassif, foi pesquisar o noticiário da Folha de S. Paulo sobre os PNDHs, desde que surgiram no governo FHC, em 1996. Fez uma colheita significativa, que reproduzo abaixo.

Primeira encarnação: Plano Nacional de Direitos Humanos I, governo FHC:

São Paulo, terça-feira, 14 de maio de 1996

Programa prevê valorização das minorias

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O programa do governo prevê ações específicas e mudanças na legislação para valorizar as minorias da sociedade, como negros, mulheres, crianças, deficientes físicos, índios e idosos.
Segundo o plano, a Funai (Fundação Nacional do Índio) receberá recursos e será reorganizada para seguir com o processo de demarcação das terras indígenas.
O governo também fará campanhas de esclarecimento e prevenção sobre a Aids e o uso de drogas.
Aulas
Os policiais terão aulas sobre os direitos humanos incluídas em sua preparação. Existe ainda um programa para coibir o uso de armas pelas pessoas.
O tema também fará parte dos currículos escolares. O governo também quer punir televisões e rádios que transmitam programas que façam a apologia da violência e da discriminação.
O chefe de gabinete do Ministério da Justiça, José Gregori, afirmou que boa parte das 228 propostas do Plano Nacional de Direitos Humanos dependem da aprovação do Congresso Nacional.

Segunda encarnação: Plano Nacional de Direitos Humanos II, governo FHC:

São Paulo, terça-feira, 14 de maio de 2002

DIREITOS HUMANOS

Em discurso, FHC ressaltou que o governo apóia o projeto que prevê a união civil entre pessoas do mesmo sexo

Só 30% das medidas são para este ano

LEILA SUWWAN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A menos de oito meses do final de seu mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso lançou ontem a segunda versão do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) com 518 propostas, das quais apenas 156 estão previstas para serem implementadas até o final deste ano.
Além do PNDH 2, o presidente divulgou ainda na solenidade no Palácio do Planalto, para comemorar o dia da abolição da escravatura, outras oito iniciativas na área de direitos humanos.
As 156 propostas estão no chamado "plano de ação" -uma "seleção" feita pelo próprio Ministério da Justiça, que apresenta metas, órgãos responsáveis e orçamento. O plano servirá para que a comunidade fiscalize a execução dos projetos e é uma resposta às críticas de que o PNDH 1, lançado em 1996, era apenas "de boas intenções".
No total, os programas devem consumir R$ 26 bilhões.
Pelo menos três das propostas mais polêmicas do novo PNDH podem ficar para o próximo governo. São elas: o apoio à união civil entre pessoas do mesmo sexo, a criação de uma política de adoção de crianças sem discriminação por orientação sexual e a instituição de medidas compensatórias para afrodescendentes.
Isso significa que algumas das iniciativas mais celebradas pelos movimentos negro e gay devem ficar para o próximo governo.
Quanto à união civil, FHC ressaltou em seu discurso a recomendação para que o governo apóie o projeto em tramitação no Congresso (leia texto nesta página), mas não há previsão de data para que ele seja votado.
Entre as medidas previstas que devem ser implementadas neste ano estão algumas que dependem de outros ministérios -além do da Justiça- e de outros Poderes, como o Ministério Público. Um exemplo: assegurar a universalização do acesso à saúde pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
Para Luiz Mott, presidente do Movimento Gay da Bahia, o PNDH 2 avança porque inclui os homossexuais. Mas Mott reclamou que o presidente não utilizou a palavra "homossexual" em seu discurso. "Ainda é um tabu para presidentes", disse.
O combate à intolerância religiosa e a proibição de propagandas racistas, xenófobas, que difamam religiões e que incitam ódio contra valores espirituais também são metas do PNDH 2 que ficaram para mais tarde.
Outra medida prevista no programa nacional é a política de estímulo à adoção de crianças e adolescentes sem discriminação por gênero, raça e orientação sexual, o que permitiria, por exemplo, a adoção por homossexuais ou solteiros.
Outras iniciativas
Juntamente com o lançamento do PNDH 2, o presidente divulgou a criação de um grupo para implantar um sistema de cotas para minorias em órgãos do governo federal.
O decreto assinado por FHC determina que, em 60 dias, seja definido o sistema de cota mínima para a contratação de negros, mulheres e deficientes físicos no serviço público federal terceirizado e em cargos de confiança.
O grupo vai definir o percentual da cota e como ela será implantada. Atualmente, há cotas de 20% para negros nos ministérios da Justiça e do Desenvolvimento Agrário, de 20% para mulheres e de 5% para deficientes.

Terceira encarnação: Plano Nacional dos Direitos Humanos III, governo Lula:

São Paulo, domingo, 10 de janeiro de 2010

Editoriais

editoriais@uol.com.br

Direitos humanos

Documento do governo erra ao tentar doutrinar a sociedade e insuflar divisões em temas que exigem busca de consenso

IMPRESSIONA a latitude do espectro de temas, planos e diagnósticos do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, divulgado há três semanas pelo governo Lula.
De imediato criticado pelos comandantes militares, que o qualificaram de "insultuoso, agressivo e revanchista", o documento recebe agora críticas também de setores da Igreja Católica e de representantes do agronegócio. Isso por propor, além da criação de uma "comissão nacional da verdade", com o objetivo de examinar as violações de direitos humanos durante a ditadura, a descriminalização do aborto e a "regulamentação" dos mandados de reintegração de posse -no intuito de proteger invasores de terra.
Temas como o Estatuto do Índio, a taxação de grandes fortunas e os "impactos da nanotecnologia" foram incluídos.
Além disso, uma facção que não convive bem com a crítica mais uma vez se aproveita de sua posição no governo para apregoar o controle da imprensa. A ideia é "elaborar critérios de acompanhamento editorial" a fim de criar um ranking de veículos supostamente comprometidos com a doutrina enunciada no documento.
É fato que a definição do que sejam direitos humanos tem conhecido ampliação constante desde sua votação pela Assembleia Nacional francesa em 1789, abrangendo, ao longo do século 20, também os direitos sociais e a proteção de minorias. Seria assim possível arguir que todos os temas tratados no texto se relacionam, em última instância, com o título que os encabeça.
Ao reuni-los numa única e ampla carta de intenções, no entanto, o documento avança sobre a competência de várias áreas do governo, além do Legislativo e até do Judiciário. Essa desmedida atropela os trâmites democráticos e dificulta o encaminhamento de discussões específicas.
Se interessa ao governo, por exemplo, encampar a cabível discussão sobre a descriminalização do aborto, compete-lhe mobilizar sua base e tentar aprovar um projeto de lei no Congresso.
Agrupadas de forma indistinta, com apelos vagos à mobilização de diferentes esferas de governo, tais iniciativas servem apenas como uma compensação retórica a grupos de interesse específicos, muitos deles derrotados pelos fatos ou pelas escolhas políticas da administração petista.
Ao mesmo tempo em que cabe ao governo apresentar com clareza suas opções e usar as vias políticas adequadas para tentar aprová-las, não se justifica o uso oportunista de posições de Estado para ditar programas que, na sociedade civil, estão longe de angariar consenso. Como tem sido típico no governo Lula, confunde-se, mais uma vez, a lógica militante de partidos, sindicatos e ONGs com a ética da responsabilidade, que deveria prevalecer no trato da coisa pública.
Revive-se, em microcosmo, uma das piores tradições do esquerdismo, derrotada no decurso do século passado. Um grupo diminuto se elege senhor da razão e da história e se julga no direito de impingir suas posições à população.
Tais investidas terão escassa, para não dizer nenhuma, consequência prática, e esse não deixa de ser um indicador de que a sociedade brasileira amadureceu.
Mais uma para a CRISE DO JOBIM:

Do Terra

OAB apoia Vannuchi e sugere demissão de Jobim

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou este domingo uma manifestação de apoio ao terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos e ao secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi, que ameaça deixar o cargo caso o documento apresentado no dia 21 de dezembro sofra alguma alteração. Ele quer evitar a mudança que permitiria investigação de militantes da esquerda armada durante o período da ditadura.

Na mensagem divulgada pela assessoria da entidade, o presidente da OAB, Cezar Britto, afirma que quem “censurou, prendeu sem ordem judicial, cassou mandatos e apoiou a ditadura militar” (1964/1985) foi anistiado pela lei promulgada em 1979, mas que quem cometeu torturou cometeu crimes de lesa-humanidade e, portanto, deve ser punido pelo Estado conforme estabelece a Constituição.

Ainda de acordo com a mensagem, Britto ligou para Vannuchi a fim de se solidarizar com “sua luta pelo estabelecimento do direito à memória e à verdade”. Durante a conversa por telefone, Britto reforçou sua opinião pessoal de que a Lei da Anistia, de 1979, não implica no “esquecimento” dos fatos ocorridos durante o regime de exceção.

“Todo brasileiro tem o direito de saber que um presidente da República constitucionalmente eleito foi afastado por força de um golpe militar. Da mesma forma, não se pode esquecer que no Brasil o Congresso Nacional foi fechado por força de tanques e que juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal foram afastados dos seus cargos por atos de força, e que havia censura, tortura e castração de todo o tipo de liberdade”, diz Britto. “O regime do medo que sustentava o passado não pode servir de desculpa no presente democrático. Um país que tem medo de sua história, não pode ser considerado um país sério”.

O diretório da OAB no Rio de Janeiro também divulgou nota em que seu presidente, Wadih Damous, critica duramente ao ministro da Defesa, Nelson Jobim. No final de 2009, Jobim e os comandantes das Forças Armadas colocaram seus cargos à disposição por serem contrários à criação da chamada “Comissão da Verdade”, instância que ficaria responsável por investigar os atos cometidos por agentes do Estado durante a ditadura militar, com a possibilidade de que oficiais militares sejam punidos por crimes cometidos à época.

“Se é para haver demissões no governo que sejam as primeiras a do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e dos chefes militares”. Para Damous, setores historicamente ligados ao golpe de 1964 estão tentando criar uma crise artificial no país, distorcendo deliberadamente o conteúdo do programa.

Outros integrantes do governo, como o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, também criticam o programa, que também prevê medidas polêmicas relacionadas ao agronegócio, meio ambiente, comunicação, ciência e na relação do Estado com a Igreja. “É inaceitável que a sociedade brasileira volte a ser tutelada por chefes militares”, afirmou Damous, ressaltando que Vannuchi merece a integral solidariedade de todos aqueles que não querem ver o retrocesso da democracia brasileira.
Este texto do Nassif é extremamente esclarecedor
de como crises são inventadas pela nossa velha mídia.Nessae Estão tentando criar uma crise totalmente artificial para tentar segurar a queda da candidatura de Serra.

O fator Serra e as marcas no PSDB

"As obviedades dessa campanha são de cansar.

Serra dá o tiro na Bolívia. Aí a Veja aparece com a matéria prontinha, mostrando o perigo boliviano. Daqui a pouco vão ressuscitar os 200 mil guerrilheiros das FARCs que invadirão o Brasil pelo mar.

Agora, o Ruy Fabiano – contratado pela campanha de Serra – levanta a bola na coluna do Noblat, dizendo que graças à falta de ação do Itamarati, esse será uma das peças da campanha.

Onde esse pessoal está com a cabeça? Criaram um mundo circular em que meia dúzia de neocons falam para eles próprios sem se dar conta do entorno. É um autismo assustador. Montam toda uma encenação, articulam aqui e ali, Serra solta o rompante, a Veja repica a matéria, o Fabiano autoelogia o brilhantismo da estratégia do próprio grupo, todos rodopiando no meio do salão escuro, como nas velhas conspirações político-midiáticas, julgando que ninguém está acompanhando o bailado.

E a Internet inteira olhando aquele bailado louco e se indagando: o que deu neles? Montam toda uma encenação, supondo-a esperta, para um tema que só encontra ressonância em eleitores de ultradireita e nos órfãos de Sierra Maestra.

Cada vez que acompanho discussões sobre Cuba, Venezuela, Bolívia, guerra fria, aliás, dá um desânimo danado. São temas não apenas distantes da vida comum, do dia a dia real das pessoas, como da própria realidade política atual do país. É restrito a um mundico de nada na Internet, apenas isso. A importância desse tema é assegurar, no longo prazo, a consolidação de uma integração comercial e física da América Latina, algo que vai muito além das discussões de campanha.

Pode-se criticar pontualmente o Itamarati por uma ou outra atitude – quando, por exemplo, houve a expropriação de empresas brasileiras na Bolívia. Ou pela demora em se avançar na integração continental. Ou pode-se elogiar, sustentando que essa política cautelosa foi importante para garantir a estabilidade política da região, ameaçada pelos arroubos de Chávez e pela inexperiência de Morales.

Mas são discussões específicas, longe de configurar uma doutrina capaz de sensibilizar eleitores.

Em relação ao Mercosul, Serra repete os mesmos discursos dos anos 90, quando questionou o acordo automotivo com a Argentina. Em relação à Bolívia, retrocede ao período da Guerra Fria. Não conseguiu avançar uma análise minimamente diferenciada. É como se tivesse hibernado por 15 anos das discussões nacionais e acordado de repente.

E tudo para garantir o factóide da próxima semana, a próxima chamada de capa de Veja.

Não há a menor preocupação em definir um conjunto articulado de ideias e conceitos. É o que em jornalismo se chama de “o mancheteiro”, o sujeito capaz de extrair um slogan de uma matéria mas incapaz de escrever o artigo de fundo.

O resultado é patético.

Junto à centro-esquerda tornou-se uma caricatura. Quando cruzo com algum antigo militante do PSDB de Montoro e Covas, recebo olhares irônicos, tipo «em que fomos nos meter». Junto aos neocons, sempre será apenas um oportunista que quer embarcar na onda sem nunca ter pertencido ao grupo.

O resultado de tudo isso é o suicídio político de Serra. Terminada a aventura das eleições, haverá uma reconstrução da oposição. E, hoje em dia, sobram dúvidas sobre a viabilidade do PSDB de continuar comandando as oposições. As loucuras desse estilo neocon desvairado, a truculência nos ataques a adversários e a aliados, o uso de jornalistas cúmplices para atacar colegas, não apenas comprometeram a eleição de Serra, mas a própria viabilidade do PSDB como líder da nova oposição.

Será um duro trabalho de reconstrução da imagem do partido".

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria
A inventada crise do PT e da Campanha de Dilma, justamente no momento em que ela ultrapassa Serra nas pesquisas (simples coincidência, não é?).

Mais uma crise.
Crise de aloprados

Alcançado o empate com o adversário tucano nas pesquisas eleitorais, a campanha de Dilma Rousseff parece experimentar uma crise interna. Que não nasce de divergências ideológicas, tampouco de discordâncias sobre a estratégia de marketing a seguir, mas da disputa por poder.

Suspeitas levantadas pela revista "Veja" acirraram o conflito, ao que tudo indica já existente, entre um grupo de petistas de São Paulo -integrantes da coordenação nacional da campanha- e Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte e coordenador da candidatura governista.

Segundo a publicação semanal, um "grupo de inteligência" foi montado por homem próximo de Pimentel. Os "espiões" petistas sob o seu comando teriam investigado a facção rival. Suspeita-se que preparassem dossiês contra o postulante do PSDB à Presidência, José Serra.

Figuras de proa da candidatura Dilma, como o ex-ministro Antônio Palocci e o deputado Rui Falcão (SP), têm usado o episódio para tentar minar o poder de Pimentel na campanha.

A arapongagem de araque -tanto quanto o fogo amigo- não é nova no mundo petista. Em 2006, uma equipe de "aloprados", como vieram a ser caracterizados pelo presidente Lula, foi flagrada com malas de dinheiro sujo numa operação para atingir a campanha tucana ao governo de São Paulo.

O tosco pragmatismo de alguns setores do PT parece não conhecer limites, como provam os sucessivos escândalos gestados nos últimos anos. Aloprados e arrivistas sintetizam o que há de pior no petismo desde sua chegada ao poder na esfera federal. Atuam à sombra e buscam conspurcar o processo eleitoral com farsas e manipulações. Desrespeitam a democracia e o eleitor, que nada têm a ganhar com a praga dos dossiês.

Até aqui, a corrida presidencial não registrou golpes baixos ou grosserias. É de esperar que prossiga assim, em termos civilizados, e se paute pelo debate de propostas para o país. Para isso, eventuais movimentações de bastidores, como as mencionadas, devem ser cortadas pela raiz -tanto de um lado, quanto de outro.

Comentário de Luis Nassif:
Não existe materialmente o dossiê, não existe uma prova de que foi criado. A única informação é que a Veja publicou que o dossiê existe. A Folha, que acredita em denúncias por email (caso da ficha da Dilma), continua fingindo que acredita na Veja. Não tem jeito. Durante uma ou duas semanas tenta mostrar jornalismo isento para recarregar as baterias da credibilidade. Com a pilha ainda vazia, solta mais esse tiro no pé.
Estou trazendo a sugestão do blog feita pelo Luis Nassif e que se encaixa bem no tema da Invenção da Crise, são os dossiês: "Depois dos dossiês da ficha falsa de Dilma, contra o Paulo Renato, da ANP, das FARC, dos dólares de Cuba, dos dossiês de Dantas e, na outra ponta, o dos aloprados, que tal estrear o novo sistema do Blog com um belo apanhado sobre os dossiês na história. Nesse novo sistema há maneiras de incluir vídeos (incêndio do Reichstag, dossiês de Getúlio), documentos (Protocolos dos Sábios de Sião, Carta Brandi), fotos (capas da Veja)". Vou tentar colocar cada dossiê desse aqui.
Sei não, João Bosco, o que vc está propondo vai acabar sendo considerado um dossiê...rs...
Pode ser Luiza...rsss, mas aí fui na sua pagina e assisti o vídeo do desenho. Gostei muito.
Passado tanto tempo, a nossa velha mídia ainda continua tentando fabricar crises tiradas da cartola? Sem dúvida. Vamos citar algumas mais recentes. A tentativa de reedição das vassourinhas do Jânio Quadros, Os Indignados, estimulados pelos jornais, a tentativa de jogar o PMDB contra o PT. No ano passado, no final das eleições, a que ganhou o trofeu do ano: A Bolinha de Papel do Serra, uma parceria com o Jornal Nacional de William Bonner, que ganhou até um prêmio pela brilhante idéia.

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