Prezados,

         Neste mês da ´Consciência Negra´ de 2012, para a nossa reflexão, uma mensagem do notável e mais prestigiado ator afro-americano e talvez, a meu sentir, o maior ator afrodescendente de todos os tempos.

         Num vídeo de menos de 1 minuto:

         http://www.youtube.com/watch?feature=player_detailpage&v=BOPcy-...

         Mês da ´Consciência Negra´, o que acha disso? Ele responde: ridículo.

         Na condição de ativista contra o racismo, defendo a destruição do conceito de ´raça humana´ e mais ainda, compreendo que somente racistas aceitam o estado patrocinando a ´raça estatal´ e as políticas públicas em bases raciais, que vulgariza e torna costumeiro o uso de critérios e causas raciais.

         O conceito de ´raça´ e a prática de classificação racial dos humanos deve ser estigmatizado e repudiado, cabendo ao estado, a abstenção de sua prática.

         Ao contrário do que pensam os defensores de políticas raciais, prefiro o racista constrangido e envergonhado de sua má formação e de seu defeituoso caráter.

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Militão.

Vou dar um exemplo do que fez uma cidade no interior do Rio Grande do Sul de colonização alemã, onde pelo último censo 91,57% da população é branca (27.572) e os negros são menos de 2% (414), elegeram a única prefeita negra do Rio Grande do Sul.

A base política dela não sei, mas sei que ela era enfermeira atendia pelo SUS e depois de ser eleita vereadora por duas legislaturas e ser a mais votada em 2008 o seu trabalho foi reconhecido e resultou na sua eleição para prefeita.

 


Se der certo ótimo, se não der certo não haverá nenhuma ligação com cor ou raça, porque ela não foi eleita por isto, mas sim pelo que fez primeiro como enfermeira e depois como vereadora.

Chamo a atenção que para muitos o Rio Grande do Sul é um estado racista, mas já elegemos um governador e um senador negro. Também chamo a atenção que a população autodeclarada branca no Rio Grande do Sul em 2006 era de 82,3% do total.

Rogério

Acho que o racismo nos EUA, tem uma característica, ou várias, que o tornam, grosso modo único. É o país mais racista do mundo a eleger um presidente negro.

Morgan Freeman, hoje em dia, só pode ir à TV falar sobre negros e racismo, por que, antes dele, muitos  outros negros deram, literalmente, a cara para bater e tiveram orgulho de serem negros. Muitos morreram por isso. Isto é, antes do Morgan Freeman, muitos negros foram hostilizados, e até morreram, por ousarem serem negros em uma sociedade de brancos e, sobretudo, lutarem para que o negro pudesse ser respeitado pelas suas ações e não, só, pela sua cor. Ou seja, lá, nos EUA, uma etapa foi cumprida, o que deu, hoje em dia, ao Freeman a oportunidade de querer ir além.

Essa etapa inicial dos EUA, ainda, não aconteceu no Brasil. Nesse sentido, cotas/ações afirmativas  são sim necessárias. Quanto ao Dia da consciência Negra, ela é tão útil, e nobre, quanto o Dia Internacional da Mulher - dia de reflexão e debates sobre a condição do negro e da mulher na sociedade.   

Abs.

Caro Antônio

Quem elegeu Obama nos Estados Unidos foram basicamente os Latinos, grupo que cada dia é mais numeroso na sociedade Norte-americana, e atualmente é o grupo que sofre com o racismo daquele país.

Entretanto o voto norte-americano não foi um voto racial, foi um voto naquele que era menos ruim para imigrantes e negros pobres. As políticas dos republicanos são claras, isenção de impostos para os ricos e retirada de benefícios sociais para os ricos.

Eu pergunto o que é feito neste dia da consciência Negra, acho muito mais importante que no lugar de termos um dia da consciência Negra tivéssemos um movimento de elaboração de uma História dos Povos Africanos para ser utilizado em nossas escolas, não um História que valorizasse o pobre-coitadismo dos escravos, mas sim que descrevesse a grandeza daqueles povos e a própria beleza da África.

Somos completamente ignorantes quanto a história africana, sabemos sobre reis e rainhas europeias e nada sabemos dos reis africanos. Sabemos das divisões culturais da Europa e Ásia, mas consideramos a África como um continente como se este fosse formada por um só povo, uma só cultura e uma só tradição.

A Unesco, por exemplo, tem uma série que trata da África, nos seus mais diversos aspectos escrita por historiadores e geógrafos africanos, alguém já pensou em traduzir isto?

A história da África não começa com a dominação européia, é o continente em que a RAÇA HUMANA nasceu, antes do século XVIII houve e haviam grandes civilizações africanas, esquecem todo que os Ibos na Nigéria lá pelo século XV ou XVI (não guardo bem datas) tinham uma industria metalúrgica bem avançada. Esquecem que na parte oriental da África existiam grandes cidades e civilizações comerciais.

Esta ênfase na África escravizada dá uma falsa noção que a mesma era um bando de tribos desorganizadas e atrasadas que não podiam fazer frente ao colonialismo europeu, e mais dão uma impressão que antes dos europeus não havia nada.

Para encerrar, se algo conhecemos sobre impérios africanos e civilizações foi mais pela tradição oral que foi transmitida e que aparecia com exuberância nas apresentações das escolas de samba cariocas do que nos manuais escolares. Acho que deveríamos centralizar os esforços para mostrar que os africanos eram o que eram, não o que a historiografia européia do século XIX e XX tentou passar para todos. Isto talvez fosse bem mais proveitoso do que vitimizar permanentemente os africanos, dando a impressão que aquele continente não progrediu não pela invasão selvagem e bárbara que os povos do norte promoveram, mas sim por incapacidade dos africanos.

Maestri

Somados: negros, latinos e asiáticos são 33% da população americana. É óbvio que nem todos os negros, latinos e asiáticos são democratas e votaram no Obama. Creio que poderíamos dizer que, no máximo, o voto dos negros, latinos e asiáticos, no Obama,  tenha composto cerca de 25%  dos votos.Os eleitores brancos compuseram o restante, isto é, cerca de 30% dos votos no Obama.  Ou seja, na realidade, o Obama foi eleito com o voto dos brancos e não, com efeito, dos latinos. 
 
Se foi, ou não, um voto "racial" é indiferente. O relevante é que o país mais racista do mundo escolheu, pela segunda vez, um presidente negro. E nesse sentido, a sociedade americana está mais madura e, sobretudo, avançou mais do que o Brasil na questão da segregação étnica/racismo. Em outras palavras, a verdadeira democracia étnica/"racial" é nos EUA e não no Brasil.
 
Quanto ao dia Consciência Negra, já está contemplado no Estatuto Racial o ensino da história negra/África nas escolas. 
 
Acho que a história do negro brasileiro, embora tenha como origem a África, seu cenário é o Brasil e  é aqui, no Brasil, que o negro tem que conseguir seu espaço, visibilidade, ascensão social e econômica e, sobretudo, respeito.
 
Abs.

Ótimo.

Este é o raciocínio de nossas elites intelectuais, se faz UMA LEI sobre o ensino da história Negra com a visão somente do Africano colocado como uma vítima, como um povo que não criou nada em seu continente e que por isto devemos só destacar os grandes feitos dos Gregos, Romanos, Francos e daí por diante.

É excelente para a autoestima de uma criança que tenha origens africanas ver o continente de origem como algo que só se deve ter pena, afinal história universal não passa pela África.

Quanto aos latinos aproximadamente 70% votaram em OBAMA e é importante destacar que os Hispânicos ou latinos já são 16,4% da população norte-americana e os negros são somente 12,6%.

ROGÉRIO,

Essa é a prefeita eleita, negra e divorciada. Essa é Tânia Terezinha da Silva, primeira prefeita eleita em Dois Irmãos vem nos certificar que os brasileiros não são ideologicamente racistas e não veem o pertencimento racial na forma tão nefasta que os norte-americanos.

Sem dúvida o RS é um exemplo extraordinário do Brasil que estão tentando destruir. Aliás, na audiência pública na CCJ do Senado em que fui expositor ´contra´ as leis raciais, em 2009 - http://www.inacio.com.br/interna.php?acao=comunicacao/noticias&... CCJ+realiza+segunda+audiencia+publica+sobre+cotas+nas+universidades.html - tive a oportunidade de dizer isso aos nobres Senadores gaúchos - PEDRO SIMON e PAULO PAIM - lembrando que ambos, além de Brizola e Colares, não eram exatamente brancos e todos tinham sido eleitos em disputas majoritárias.

Lamento que ambos tenham sido cabos eleitorais de SARNEY na tramitação tanto do Estatuto da Igualdade ´Racial´ quanto na lei de cotas raciais. E mais ainda, lamento que o governador do PT TARSO GENRO, tenha dado sustentação a uma ´réplica´ do Estatuto Racial federal, para a aprovação na Assemblélia Legislativa. É a única lei federal, da série de ´Estatutos´ corporativos tão a gosto do Senador PAIM que tem uma réplica estadual, totalmente desnecessária, senão teratológica. Nem o Estatuto da Criança, nem do Idoso ou a lei Maria da Penha têm réplicas estaduais.

A única razão para isso - que tende a ser replicado em outros estados e municípios - é o objetivo da racialização estatal expressa, reiterada.

Compartilho com FREEMAN, a nossa luta deve ser a destruição do conceito de ´raça´, que embora seja uma construção social, e sempre o foi, essa construção teve por função produzir na sociedade a idéia de classificação racial dos humanos e sua hierarquia presumida, em que há uma ´raça´ superior e as demais inferiores.

abraço,

Caro Militão.

No assunto ações afirmativas há quase que um modismo na opinião de pessoas que não poderiam ter: a opção de cotas raciais para a defesa dos mais oprimidos no nosso país. Porém vejo que começa a haver alguma reflexão neste sentido, e vejo que a tua ação é extremamente importante em mostrar que temos no Brasil dois tipos de pessoas, os oprimidos e os opressores. Agora se estes são brancos, pretos, pardos, asiáticos ou qualquer denominação estúpida que se quer utilizar para dividir os oprimidos, não me interessa.

Temos que mostrar que exatamente esta tentativa de "racializar" o conflito social no Brasil, só serve a um interesse, ao interesse dos opressores. Da mesma forma que os Europeus a invadirem a América, África ou Ásia, procuraram dividir os povos em aspectos raciais, étnicos e religiosos para poder governar, SirNeys da vida brasileira utilizam a mesma técnica.

Quando revejo mais uma vez a entrevista do nosso saudoso, e talvez uma das poucas pessoas que posso citar como intelectual brasileiro, Milton Santos a elogiar a "tolerância relativa brasileira" (o relativo é claramente grifado pelo entrevistado) e dizer que isto deveria ser um "ponto de partida" para a liberdade de todos.

Agora sendo um pouco irônico com alguns dos defensores das cotas raciais, vejo neles uma espécie de consciência de culpa causada pelo conceito do pecado original, consciência esta que é exacerbada por identificação tardia as suas origens e fatores religiosos (espero que saibas de quem falo!).

Esta noção de pecado original, que em séculos passados seriam castigados com a auto-flagelação, leva a estes, e mais a pessoas em que o racismo foi arraigado na infância, (para a minha felicidade, quem me criou nunca passou uma grama desse sentimento estúpido, mas isto é uma bela história) a procurarem se penitenciar de seus próprios crimes do passado.

Como o reflexo de comportamentos do passado é algo irracional, vejo simplesmente uma rejeição pura e simples deste passado, fazendo com que a negação leve a atitudes não racionais e maduras.

Continuemos a lutar, pois um dia verão, que a redenção de todos os oprimidos, é que levará a vitória.

Maestri

Com o devido respeito, acho que estás a misturar alhos com bugalhos.

O cenário e enredo do debate étnico/"racial" dos EUA, é muito mais complexo do que podemos aferir a milhares de quilometros de distância. Como negro, acompanho o que ocorre nos EUA há mais de 40 anos e, nos últimos vinte anos, o que ocorre lá, grosso modo, desconstrói muito aspectos da história do racismo americano. E a eleição do Obama é só a ponta do iceberg.  

É um erro pensar que por ser multiculturalista os EUA sejam, necessariamente, racialistas. Lá as identidades étnicas são bem definidas, no entanto, a representatividade [social, econômica e política] de latinos, negros asiáticos e outras minorais é infinitamente superior às do Brasil. Ou mesmo qualquer outro país em situação semelhante, por exemplo: Inglaterra e França onde as minorias étnicas vivem à margem - em todos os sentidos -e, não raro, sob constante ameaça de deportação - mesmo sendo franceses ou ingleses e tendo nascido lá.

O discurso, no Brasil, é não "racializar", isto é, não existem negros ou brancos ou asiáticos ou indígenas. Somos um país miscigenado e todos são iguais.  Somos, no Brasil, "iguais" mas não somos [negros/indígenas] tratados de forma equânime e isonomica. Vivemos, com efeito, no Brasil, uma farsa teatral onde os negros, e outras "minorias", são as marionetas. Ou será que na democracia étnica  brasileira o negro só pode receber, grosso modo, 60% do salário de um branco? Isso sem contar a indigência profissional das mulheres negras!! 

Ademais, essa história de "raça" só demonstra a enorme ignorância de como, na verdade, o conflito étnico, no Brasil, funciona. O que vale é a cor da pessoa e não a composição de seu DNA. Quanto mais escuro [mais negro] mais você sofrerá com o racismo. Esqueça Freire e similares.

Talvez não sejas racista. Creio que não. Mas seu discurso é. A negação, no Brasil, do racismo, ou a tentativa de colocar panos quentes e, sobretudo, dizer que as cotas para negros são racialistas [enfim somos todos irmãos/miscigenados e "iguais"] é um mito realimentado e, em especial, repercutido por pessoas que não lidam, no cotidiano, com o racismo. Ou, uma forma   descontruida  e [re]elaborada de racismo. Ou seja, neo racismo. O neo racismo usa todos os estereótipos históricos de negação do racismo para evitar o debate e, sobretudo, a superação do racismo. Confunde e atrapalha. E, na verdade, é esse o objetivo.

Acho que as pessoas, no Brasil, que defendem as cotas para negros e indígenas são aqueles que, com efeito, depuraram  sua consciência histórica e, via de regra, têm uma real capacidade de empatia com as lutas alheias. No caso a do negro no Brasil. Sobretudo, não se contentam como um país de faz de conta na questão étnica.

Prezado Maestri, sua contribuição para o debate étnico é inócua. Sua ignorância sobre o racismo no Brasil  soa muito mais seletiva e não se coaduna com a enorme erudição que você, não raro, demonstra aqui no Portal.

Abs.

Antonio

Quem está misturando alhos com bugalhos acho que não sou bem eu.

Em nenhum momento disse que não há discriminação e racismo no Brasil, há e ainda há muito, e quanto a isto devemos combatê-la, e combatê-la com força.

Também acho que há disparidade de renda entre negros e brancos, como evidenciam com clareza as estatísticas, isto também é inegável e ninguém com o mínimo de honestidade intelectual pode negar os fatos mais subjetivos (discriminação e racismo) com fatos fartamente documentados (disparidade de renda).

Também as nuances do racismo brasileiro, mais escuro, mais discriminado, é outro fato inegável, e iria mais adiante, estas nuances e avaliações subjetivas de quem é mais ou menos negro são regionais.

Deixo claro aqui que em nenhum momento nego a existência do racismo, mais ou menos gentil, pouco importa, racismo é racismo.

Também aceito a colocação que racistas escondem os seus sentimentos através de explicações e negações de fatos, objetivos ou subjetivos, e que atrás do discurso da democracia "racial" há um enorme cinismo das elites brasileiras.

Entretanto, vamos aos pontos que divirjo, primeiro sobre a origem da disparidade salarial. Vejo claramente nesta uma origem de má formação técnica que se perpetua pelo mau ensino público de primeiro e segundo grau, mau ensino que tem suas origens em diversos fatores. Primeiro deles é a indiferença dos governantes e TAMBÉM DOS GOVERNADOS (de todas as categorias sociais) do ensino como um fator de ascensão social. Segundo, e não menos importante, é que como os filhos da burguesia não utilizam escolas públicas, logo não há interesse desta na melhoria do nível de ensino público.

Há um terceiro fator, este mais subjetivo e mais difícil de destacar, é o fator cultural. Filhos de pessoas analfabetas não tem o mesmo estímulo, e não tem o mesmo nível de controle no desempenho acadêmico, do que filhos de pessoas letradas. Isto que provavelmente que nos diferencia dos norte-americanos em termos de evolução da burguesia negra. Com o fim da escravidão mais tardio no Brasil, com a falta da tradição de alfabetização universal que existia nos USA, nos deixa duas ou três gerações atrás dos norte-americanos neste item.

Porém aqui vem uma ressalva sobre a pseudo-melhor-situação-dos-norte-americanos-sobre o Brasil, e talvez neste ponto tenho uma experiência nada subjetiva, e mais clara do que a tua, do que ocorre nos USA em relação ao Brasil. Naquele país criou-se uma escola pública a duas velocidades que perpetuará por muito tempo a disparidade entre negros e brancos até nos estados em que a população negra é significativa.

Tenho a experiência de duas pessoas muito próximas a mim que realizaram estudos de segundo grau em escolas públicas norte-americanas (uma no sul e outra no norte), e tanto um como o outro chamaram a atenção a má formação que estão sujeitos os negros norte-americanos por cursarem disciplinas básicas no segundo grau no lugar de cursarem disciplinas avançadas.

No segundo grau norte-americano os jovens escolhem dentro de um elenco de disciplinas aquelas que querem cursar, e por falta de estímulo e de tradição, as classes de aula são completamente racializadas, disciplinas fáceis, que não contam muito para o ingresso nas universidades de ponta, são ocupadas na maioria por estudantes negros, disciplinas difíceis que contam como currículo para o ingresso nas universidades, são ocupadas praticamente de forma exclusiva por brancos, quero dizer com isto que devemos ter cuidado quando copiamos modelos norte-americanos para o nosso meio.

Agora voltando ao Brasil, a minha discordância na política de cotas esta na forma que esta mesma é concebida. Tu bem mesmo dizes que a disparidade de renda no Brasil tem um corte "racial", no que concordo totalmente, logo se reservarmos vagas na Universidade Pública para as categorias de mais baixa renda, AUTOMATICAMENTE ESTAREMOS FAZENDO UMA POLÍTICA QUE FAVORECERÁ os mesmos que se favorece com uma política "racial", com uma pequena (e grande diferença), não estaremos dando chances para perpetuar e aguçar o racismo e a discriminação racial no nosso país. Continuará a discriminação social contra os mais desfavorecidos mas sem um viés racial, mas sim social.

Quanto a minha ignorância sobre o racismo que atribuis a mim, associada a erudição que também ressalta, talvez não tenha fatos objetivos tanto para uma como para outra, porém vou dizer uma coisa que talvez seja uma novidade para ti. Eu tenho um determinado trânsito em setores ditos "intelectuais" (eu deploro esta expressão, pois parece que outros setores não tem intelecto!), e setores ditos "intelectuais de esquerda". Pois bem, nestes setores há uma espécie de complacência, quase que uma complacência "cristã", com os movimentos negros. Vejo esta complacência da mesma forma que europeus, nativos na Europa, tinham com os exilados ou mesmo estudantes brasileiros, quando estes chegavam há vinte ou trinta anos atrás naquele continente. Era a mesma complacência e o mesmo olhar, que senhoras de fino trato tem com animaizinhos de rua feridos ou famintos. Quem não se ajustava ao padrão esperado (como foi o meu caso durante três anos e meio) era rapidamente alijado do esquema de caridade e deixados de lado por possuírem soberba demais para o padrão dos dominadores.

O que quis dizer com isto, que talvez grande parte desses aliados, intelectuais dos mais diversos matizes, nutrem em si não um espírito de tratar realmente iguais como iguais, e simplesmente adotam um discurso "integrador" sabedores que em nenhum momento as criaturas ultrapassarão os criadores.

Eu simplesmente não escondo o que sinto, e não considero outras raças e etnias melhores ou piores, não esquecendo que o aspecto histórico que é o mais relevante e que a disparidade entre pessoas de diversas origens (independente de cor de pele ou status social) só poderá ser eliminada com ações bem mais profundas do que meras políticas de cotas, pois o reformismo nunca foi solução para este tipo de problema.

PS.: Sugiro que assistas o filme francês "Entre os muros da escola" que mostra com clareza o que o cinismo daqueles que se acham portadores da cultura, tem com os imigrantes na França. Se já assistisse, sugiro que assistas de novo, procurando ter outra ótica na leitura do filme. Ele mostra bem o que "intelectuais engajados" tem de discriminação contra outros grupos que eles acham que devem ser assistidos.

      Valquiria,

      Agradeço a literatura indicada. Vou ler com toda a atenção, pois desde os anos 1980 quando li Maria Emília Viotti e os debates sobre a Lei de Terras de 1850, compreendi a importancia desse período pré-abolicionista nas questões ´raciais´ que vão muito além da simples ideologia para o plano econômico e políticas públicas. O fato da lei ser concomitante com os debates da ´Homelaw´ nos EUA também é interessante, pois, a nossa lei proibia a aquisição da propriedade pela simples ocupação como veio permitir a lei a norte-americana.

      Segundo Clovis Moura, saudoso pesquisador e militante do MNU, a diferença das leis induziram também o processo imigratório. De 1880 a 1920 nós recebemos cerca de 3 milhões de europeus trazidos para serem colonos e os EUA mais de 20 milhões que vinham ocupar terras e ´fazer a América´.

       Enfim, nada acontece por acaso.

muito obrigado.

      Sim, Valquíria,

      referi à literatura da professora EMÍLIA VIOTTI DA COSTA, em ´Da Monarquia à República´, com escusas pelo erro na citação um pouco devido a correria desses dias de tantas atividades, debates e ´festividades´ raciais... rss. 

      Estou chegando agora de Santos de um debate e ainda preciso escrever algo sobre ´recusar o convite´ para a posse de um afrodescendente na Presidência do STF em razão da motivação da solenidade assumir equivocado aspectos de exemplaridade racial em vez da honraria consagrada à Justiça e às teses da igualdade e dignidade humana.

Valquíria.

Ouvindo o programa não vi grandes novidades. Acho que a grande novidade que poderia ser incluída no nosso país era uma historiografia não só do negro escravizado, pois esta mostra somente uma posição de inferioridade do africano perante o europeu. Na minha concepção de luta contra a discriminação em geral uma das ações que é deixada totalmente de lado é uma história da África como continente e como etnias que é completamente ignoradas pelos manuais escolares.

Se perguntarmos para qualquer pessoa razoavelmente bem informada quem foi a tribo dos Belgas rapidamente as pessoas se surpreenderão com a pergunta, primeiro por chamarmos os Belgas de tribo, e segundo porque acham que o conhecimento deste povo é algo essencial e comum para qualquer um (que inclusive não é um único povo, mas sim um estado tampão), por outro lado se falarmos nos povos Massai, Ibos, Zulus e outros, a ignorância da importância e desses na história africana não é recebida com surpresa.

Dentro de um verdadeiro espírito de não discriminação, deveríamos tratar a história africana com muito mais respeito do que ela é tratada nos dias de hoje.

Para passarmos para uma situação de igualdade devemos tratar os iguais como iguais, mas para muitos saber que Maria Antonieta mandou os pobres comer bolo, falar que na batalha de Isandlwana (11 de janeiro de 1879) o então orgulhoso exército colonial britânico sofreu a sua maior derrota na história contra os ferozes e destemidos guerreiros Zulus, mesmo estes não possuindo o mesmo armamento moderno que os Ingleses dispunham na época. É importante destacar que este feito bateu tão fundo no orgulho inglês repercute até há poucos anos, tanto que o filme "Zulu", que é apresentado insistentemente na seção da tarde de muitas das nossas TVs, mostra o feito de uma guarnição de um pequeno número do soldados ingleses que resistiram a uma coluna secundária do exército Zulu (22 de Janeiro de 1879), 11 dias após a derrota de Isandlwana.

Também fico triste que ninguém saiba que o domínio da tecnologia metalúrgica do ferro fosse dominada já há 4.000 anos atrás de forma autóctone por povos que viviam na da Etiópia, Tanzânia e Botswana, e que para conseguir referência disto tenho que consultar artigos técnicos de metalurgia, não manuais escolares. Inclusive segundo novas descobertas começa a se ter como hipótese da primazia da invenção da tecnologia de fundição do ferro como Africana (Smelter and smith: Iron Age matal fabrication technology in souther...). Esta afirmação encontra-se no livro de história da áfrica do autor norte-americano da UCLA Christopher Ehret.

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