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Movimento estudantil
quebra as vidraças do imperialismo
 
 
Reproduzo hoje mais um trecho do livro Os Carbonários: memórias da guerrilha perdidade Alfredo Sirkis. Anteriormente publiquei o trecho em que Sirkis descrevia sua participação no sequestro do embaixador alemão. Este post é de um momento anterior quando ele ainda era um estudante secundarista. Ele conta com detalhes como eram os conflitos entre os estudantes que protestavam contra a ditadura e a polícia nas ruas do Rio de Janeiro. Coloquei ao longo do post fotos aleatórias das manifestações do movimento estudantil para ilustrar, que não são necessariamente, fotos das cenas descritas por Sirkis.
 
 
AS VIDRAÇAS DO IMPERIALISMO
 
Vladimir Palmeira discursando
Vladimir Palmeira discursando contra a ditadura
 
Saí de alma lavada junto com um grupo de vinte companheiros rumo ao ponto de ônibus. À porta do bar da esquina, ainda fiz outro discurso pros operários de obra que tomavam café. Este menos feliz. Só um bateu palmas e teve outro que gozou prognosticando alegremente nossa prisão. 
Dividimos grupos por várias casas e voltei para a minha, junto com alguns companheiros do CAp e do Pedro II, para formar um grupo de choque, enquanto aguardávamos as dicas que o Cesinha ia trazer do seu ponto com o irmão, da UME. 
Também pintaram lá em casa alguns ex-alunos. Revi o Álvaro que sumira há tempos, deixando o ME pelas tais “outras tarefas”. Corria, à boca pequena, que ele fazia “trabalho operário”, isto é, dava assistência aos proletas. O contato com “a classe”, como alguns a chamavam conferia uma respeitabilidade quase mitológica ao quadro saído do ME. 
Também Minc apareceu atrás de notícias. Como todos nós estava preocupado com a queda de Carlinhos, na véspera, no Estádio do Botafogo. Mas o nosso estabanado rei da simpatia e do bom papo já fora solto.
Apareceu rodeado de frenética curiosidade. Alguns queriam ouvir casos de sangue, dignos do massacre da Reitoria, quinta-feira desinfeliz. Mas o Carlinhos levara apenas uns poucos creus. Contava, com profusão de detalhes, a complicadíssima história que inventara para enrolar os homis e provar que ele estava ali por engano. 
Álvaro e Minc discutiam: ir ou não à passeata. Mais valia “se preservar, em termos de segurança” pras “outras tarefas” mais importantes, ou aproveitar a vivência e o treino da luta de rua, que aquela jornada prometia?. 
Nós, da “nova” esquerda do CAp sacaneávamos: 
- Pô, companheiros. Num devem ir não. Melhor se preservar, ficar em casa estudando marxismo. Pensar na classe... 
Mas os dois eram de briga e decidiram ir à manifestação do meio-dia, sexta-feira, Álvaro prognosticando um massacre semelhante ao da véspera na reitoria, do qual escapara abrindo caminho a pedra. 
Ainda embalado com os feitos da manhã, em frente ao colégio fiquei pesando os prós e contras da situação, e me concentrei nas dicas que o Cesinha chegou trazendo. 

 

Continue lendo no link:

http://www.comunistas.spruz.com/pt/Movimento-estudantil-quebra-as-v...

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Respostas a este tópico

Eduardo.

excelente esta leitura.

 

O livro dele é muito bom, aos poucos coloco outros trechos.

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