NÃO, ELES NÃO PODEM!


Texto de um colega da CGU,

muito bom de ler sobre

a revista Veja.

 

Parece que existe aqui um fã-clube da revista Veja e de articulistas que nela escrevem: este é mais um texto repleto de meias-verdades, que escamoteia o real propósito de quem o escreve e de quem o veicula!

Quando a revista Veja publica matérias ou artigos sobre corrupção, ela não está realmente interessada em combater a corrupção propriamente dita, em extirpá-la ou reduzí-la significamente da sociedade brasileira, ela tenciona tão somente desgastar a imagem de um determinado segmento político ou de um determinado governo com fins eleitorais em prol do segmento político do qual ela é porta-voz não declarada. Se ela tivesse realmente o intuito de combater a corrupção, certamente veríamos em suas páginas matérias a respeito de corrupção na Unidade da Federação mais rica do País, que é pródiga dela, todavia nada se lê a esse respeito em dito semanário, pois a referida Unidade da Federação é governada há muitos anos precisamente pelo segmento político do qual ela é porta-voz!

Recentemente, o referido veículo de comunicação foi mais uma vez desmascarado: informações vazadas pelo Wikileaks revelaram que a diplomacia norte-americana comentou que a matéria publicada pela citada revista referente a suposto financiamento de políticos do PT pelas FARC era nada mais que propaganda eleitoral para fortalecer a candidatura do partido apoiado pela revista! E para colocar uma pá de cal sobre o assunto e desmoralizá-la por completo a esse respeito, o atual presidente da Colômbia, entrevistado pela dita cuja em suas páginas amarelas, respondendo a indagação do repórter que o entrevistou, afirmou que é incontroverso que políticos petistas encontraram-se com dirigentes das FARC, como ele próprio, atual presidente da Colômbia, já se encontrou, mas que não há nenhuma evidência de financiamento de políticos petistas pela guerrilha colombiana. Com essa resposta, o repórter da dita cuja ficou com a cara no chão!

Lembro que quando eu era funcionário do Banco do Brasil, no final da década de 80, essa revista se dedicava sistematicamente a atacar aquela Instituição, com a finalidade velada de detratá-la perante a opinião pública para desgastá-la e abrir espaço para as instituições financeiras privadas, pois todo produto que o Banco do Brasil lançava invariavelmente era bem sucedido, mesmo em áreas onde o BB ainda não tinha experiência ou tradição, a exemplo de seguros de automóveis, seguros de vida, cartões de crédito, etc. Os seus funcionários, por outro lado, eram execrados pela dita revista, que os apresentava como "marajás". Nesse período (1986 a 1992), o meu salário de "marajá" chegou a equivaler a três salários mínimos em meados de 1991, na gestão do tenebroso Lafaiete Coutinho, egresso do Banco Econômico (que viria a falir anos depois), em pleno governo do "caçador de marajás", cassado no ano seguinte (vale ressaltar que se tentou também, nesse período, mudar o nome da Instituição para "Banco Brasil", proposta feita por uma certa consultoria contratada que afirmava que a partícula "de" causava um "chiado" e que por isso era melhor eliminá-la; na realidade, a retirada da "partícula" visava desvincular a Instituição do Povo Brasileiro e transformar o seu nome numa espécie de nome de fantasia, preparando o terreno para uma privatização). Nessa época, percebi na pele a "seriedade jornalística" dessa publicação.

Mais recentemente, a referida revista produziu matérias atacando a CGU, sem procurar obter informações e dados junto à própria fonte e, por fim, ignorou as respostas da Instituição!   

Quanto a esse texto, seu autor começa retratando o que realmente ocorreu recentemente, ou seja, manifestações de cidadãos comuns contra a corrupção ignoradas pela mídia ou minimizadas pelos veículos de comunicação. Registra também outra constatação: a ausência, nessas manifestações, da UNE, das centrais sindicais, dos movimentos sociais, a exemplo do MST, e de quase todos os partidos políticos, exceto dois (PSDB e PSOL, mas só citou o PSOL com o intuito de caricaturá-lo), cujos representantes presentes nas manifestações foram impedidos pelos organizadores dos eventos de portar bandeiras identificadoras dos mesmos.  A partir daí, o seu autor se aproveita do tema para destilar os seus ódios, aversões, fobias e preconceitos: o anti-sindicalismo, o anti-petismo, o anti-socialismo, a aversão às manifestações dos movimentos de segmentos sociais historicamente marginalizados, expressa na depreciação de iniciativas como o Grito dos Excluídos, chamado ironicamente por ele de grito dos incluídos pelo governo petista, etc. (o Grito dos Excluídos, aliás, foi uma iniciativa da Igreja Católica concebida como forma de fazer esses segmentos sociais serem notados pela sociedade), denotando aí o seu espírito elitista, bem ao gosto do segmento político a que serve a revista para a qual escreve!

O autor aproveita o tema para afirmar que a contribuição sindical é indecorosa e é cobrada inclusive dos não sindicalizados. Independentemente de adentrar na questão do mérito dela, é claro que ele "esqueceu" de dizer que os não sindicalizados, tal qual os sindicalizados, também são contemplados pelos mesmos ganhos obtidos nas negociações trabalhistas pelos sindicatos representantes das diversas categorias profissionais.

Ele se refere a governistas arrogantes e oposicionistas espertalhões: será que entre estes ele inclui os do PSDB?

Este trecho do texto é sintomático quanto ao propósito do seu autor: "Os milhares que saíram às ruas ontem, tratados com desdém nos telejornais, fizeram a maior manifestação de protesto contra o “regime petista” em seus nove anos de duração. ". Quer dizer que as manifestações eram especificamente dirigidas ao governo petista e não contra a corrupção, de modo geral?! Foi o governo petista que inaugurou a era da corrupção no Brasil a partir de 2003?! O que é que tínhamos antes? Bem, imediatamente antes, tivemos oito anos de governo do PSDB, que foi marcado por um rastro de corrupção assombroso, inclusive no processo das privatizações, repleto de favorecimentos para beneficiar os amigos do rei! É também dessa época, mais especificamente de 1999, o Parecer GQ-191 da AGU, que blinda completamente todos aqueles que delegam competência a seus subordinados! E antes disso, o que é que havia por aqui? Uma Dinamarca, uma Suécia, uma Noruega, uma Finlândia dos trópicos?! Certamente os governos petistas representam a maior decepção ética sofrida pelo povo brasileiro recentemente, porém eles são decepcionantes não porque inauguraram a corrupção no País, mas porque aderiram a ela!

Outro trecho emblemático do texto: "Vocês viram que os milhares que saíram às ruas estavam acompanhados apenas de seus pares, que, como eles, também saíram às ruas. Era o verdadeiro Movimento dos Sem-Político. Não que eles não pudessem aparecer por ali. O PSOL até tentou “embandeirar” os protestos, mas os presentes não aceitaram. Aquele era um movimento das ruas, não dos utopista do século retrasado, que ainda vêm nos falar, santo Deus!, de “socialismo com liberdade”. O autor tenta desqualificar o PSOL por defender um socialismo democrático e taxa isso de utopia anacrônica! Será que ele manteria a mesma opinião para se referir ao Partido Socialista Francês, Espanhol ou Italiano?! Esses partidos também representam anacronismos?! Em caso afirmativo, ele tem que ir doutrinar com urgência a população desses três países, onde esses partidos encontram ressonância social! Ele também omitiu nesse trecho o fato de que membros do PSDB também tentaram embandeirar uma dessas manifestações contra a corrupção, talvez para tentarem resgatar o esquecido movimento "Cansei", por ele citado, mas também foram contidos! Aliás, esse movimento "Cansei", articulado por setores do PSDB, deveria se chamar "Cansei de ser oposição"!

É claro que ele também aproveitou a oportunidade para execrar os sistemas políticos de partido único. Será que essa execração vale também para a China ou é somente para Cuba, Coréia do Norte ou Vietnã? Aliás, sobre isso devo dizer que o fato de um sistema político ser fundado em partidos múltiplos ou partido único não faz por si só nenhum deles ser melhor ou pior que o outro, não faz nenhum deles por si só ser mais ou menos democrático que o outro.

Um sistema de partidos múltiplos pode ser pouco democrático, pois num sistema desses é provável que somente alguns poucos candidatos tenham chances reais de vencer as eleições: a grande maioria dos partidos podem ser meros coadjuvantes, sem qualquer chance. Isso porque só conseguem se eleger candidatos que possam fazer campanhas caras! Dois exemplos claros e diferentes disso são o Brasil e o país apontado por muitos como o paradigma da democracia moderna, os Estados Unidos da América. No Brasil, assistimos a isso recentemente, somente dois candidatos tinham chances reais de vencer as eleições presidenciais. Alguém pode objetar que Lula venceu duas eleições e não é alguém das elites; ocorre que ele só conseguiu eleger-se porque se aliou com segmentos das elites, que bancaram suas caras campanhas eleitorais. Já os Estados Unidos da América, o suposto supra-sumo da democracia moderna, possuem também diversos partidos, mas dois, e somente dois deles, ambos de direita, ambos de gente bem rica, tem condições de vencer as eleições daquele país. Os outros não passam de meros figurantes, sem qualquer chance. Certa vez, ouvi uma frase emblemática num veículo de comunicação brasileiro sobre um candidato independente que estava na disputa eleitoral estadunidense: "O candidato 'x' desistiu da corrida presidencial rumo à Casa Branca. Motivo: o dinheiro acabou!". Além disso, embora no sistema eleitoral do país paradigma da democracia o povo vote, no final das contas a eleição é indireta, pois são os delegados dos Estados que escolhem o candidato! Para completar o panorama "democrático" daquele país, nas eleições de 2000, que elegeu pela primeira vez o destrambelhado e pouco ético George W. Bush, foi determinada a recontagem de votos na Flórida, porém os votos não foram recontados em sua totalidade, pois a Suprema Corte daquele país deu um prazo inexequível para que todos os votos fossem recontados manualmente e assim boa parte dos votos não foram recontados! Quanta democracia, não é mesmo?! Pergunto: isso é lá modelo de democracia para algum país do mundo se espelhar?! Alguém pode objetar que Barack Obama não é propriamente da elite estadunidense e é negro. Isso pode até ser fato, contudo vale para ele o mesmo raciocínio válido para Lula: só se elegeu porque foi apoiado por parte da elite rica!

Por outro lado, um sistema de partido único pode ser mais democrático por propiciar mais chances para os candidatos, pois o peso do poder econômico tende a ser muito menor. Assim, alguém que não teria a menor chance num sistema de partidos múltiplos por não ser detentor de grandes recursos pode conseguir se eleger num sistema desse tipo. Assim, não é o tipo do sistema em si que o torna mais ou menos democrático, é a forma como cada um deles se operacionaliza. Ambos podem ser bons e ambos podem ser péssimos, vai depender das condições objetivas de cada sociedade e das regras eleitorais de cada uma! Além disso, democracia não se expressa apenas na forma de eleições. Aqui no Brasil, diversos instrumentos democráticos estão previstos na nossa Constituição, mas simplesmente não são utilizados, nem são do interesse da grande maioria dos políticos, que se utilizam do voto dos eleitores para representarem os seus próprios interesses.

Para finalizar, um trecho do texto que é puro disparate: "As TVs ontem deram menos visibilidade aos protestos do que dariam a uma manifestação de descontentamento no, deixe-me ver, Bahrein! Parece que há gente que acha que democracia é uma coisa importante no Egito, na Líbia e na Síria, mas não no Brasil." De fato, colocar no mesmo patamar o Brasil e esses países, que vêm sendo governados por ditaduras brutais há décadas, nas quais não há espaço para qualquer liberdade de expressão e de manifestação do pensamento, é simplesmente um despropósito completo, que dispensa maiores comentários! É algo típico de um discurso inconsistente ou de meias-verdades, ou quem sabe até de falácias ou sofismas!

Por isso, é recomendável que cada pessoa procure construir sua visão de mundo a partir de múltiplas fontes de informação e, na medida do possível, com sua própria experiência pessoal. Transformar-se em tiete de veículos de comunicação, que possuem formadores de opinião, com o intuito de, como já diz a locução, formar a opinião alheia, significa tornar-se refém deles e transformar-se num papagaio reprodutor de idéias de terceiros, as quais, muitas vezes, não refletem a realidade, mas, antes disso, procuram adaptar a realidade a elas.

Luis Joacy.
TFC/SE 

 

Agora, a título de informação,

o texto de

Reinaldo Azevedo na Veja

 

 

TEXTO DA REVISTA VEJA


ESTÁ CRIADO O MSP, O MOVIMENTO DOS SEM-POLÍTICO! INDIVÍDUOS LIVRES GANHAM AS RUAS! CUMPRE A CADA UM ROMPER O CERCO DA EMPULHAÇÃO E DA MÁQUINA OFICIAL DE PROPAGANDA

 


Os sem-partido, sem-bando e sem-bandeira vermelha, mas com vergonha cara, protestam em Brasília, em foto de Eraldo Peres, da AP

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a UNE não saiu, não!
É que a UNE estava contando dinheiro.


O governo petista já repassou aos pelegos mais de R$ 10 milhões e vai dar outros R$ 40 milhões para eles construírem uma sede de 13 andares, que serão ocupados pelo seu vazio de idéias, pelo seu vazio moral, pelo seu vazio ético.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a CUT não saiu, não!
É que a CUT estava contando dinheiro.


O governo petista decidiu repassar para as centrais sindicais uma parte do indecoroso imposto cobrado mesmo de trabalhadores não-sindicalizados. Além disso, boa parte dos quadros das centrais exerce cargos de confiança na máquina federal.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, o MST não saiu, não!
É que o MST estava contando dinheiro.


O movimento só existe porque o governo o mantém com recursos públicos. Preferiu fazer protestos contra a modernização da agricultura.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, os ditos movimentos sociais não saíram, não!
É que os ditos movimentos sociais estavam contando dinheiro.


Preferiram insistir no seu estranho protesto a favor, chamado “Grito dos Excluídos”. Na verdade, são os “incluídos” da ordem petista.

Os milhares que saíram às ruas, com raras exceções, não têm partido, não pertencem a grupos, não reconhecem um líder, não seguem a manada, não se comportam como bando, não brandem bandeiras vermelhas, não cultuam cadáveres de falsos mártires nem se encantam com profetas pés-de-chinelo.

Os milhares que saíram às ruas estudam, trabalham, pagam impostos, têm sonhos, querem um país melhor, estão enfarados da roubalheira, repudiam a ignorância, a pilantragem, lutam por uma vida melhor e sabem que a verdadeira conquista é a que se dá pelo esforço.

 

Os milhares que saíram às ruas não agüentam mais o conchavo, têm asco dos vigaristas que tomaram de assalto o país, não acreditam mais na propaganda oficial, repudiam a política como exercício da mentira, chamam de farsantes os que, em nome do combate à pobreza, pilham o país, dedicam-se a negociatas, metem-se em maquinações políticas que passam longe do interesse público.

 

O MSP - O Movimento dos Sem-Político


Vocês viram que os milhares que saíram às ruas estavam acompanhados apenas de seus pares, que, como eles, também saíram às ruas. Era o verdadeiro Movimento dos Sem-Político. Não que eles não pudessem aparecer por ali. O PSOL até tentou “embandeirar” os protestos, mas os presentes não aceitaram. Aquele era um movimento das ruas, não dos utopista do século retrasado, que ainda vêm nos falar, santo Deus!, de “socialismo com liberdade”.

 

Se políticos aparecessem para também protestar  — não para guiar o povo —, teriam sido bem-recebidos, mas eles não apareceram porque nem se deram conta ainda de que alguma coisa está em gestação, de que um movimento está em curso, de que algo se move no ventre da sociedade brasileira.

 

Na semana em que milhares de brasileiros evidenciavam nas redes sociais e nos blogs e sites jornalísticos que estão enfarados de lambança, governistas e oposicionistas estavam mantendo conversinhas ao pé do ouvido para tentar preencher a próxima vaga do Tribunal de Contas da União. A escolha do nome virou parte das articulações para a disputa pela Presidência da República em 2014… Governistas e oposicionistas que se metem nesse tipo de articulação, da forma como se dá, não estão percebendo que começa a nascer um movimento, que já reúne milhares de pessoas, que não mais aceita esse minueto de governistas arrogantes e oposicionistas espertalhões. Essa gente, de um lado e de outro, ficou irremediavelmente velha de espírito.

 

Os caras-pintadas, desta feita, não puderam contar com a máquina dos governos de oposição, como aconteceu com o Movimento das Diretas-Já e do impeachment de Collor. Ontem, e assim será por um bom tempo, eram as pessoas por elas mesmas. Sim, algo se move na sociedade. E é inútil se apresentar para “dirigir” o movimento. Marina Silva até percebeu a onda, mas errou ao apostar que os outros não perceberam a sua onda. Esse movimento, dona Marina, não nasce com assessoria de imprensa, assessoria de imagem, assessoria política e forte suporte financeiro. O seu apartidarismo, candidata, é transitório; o dos brasileiros que foram às ruas é uma condição da liberdade.

 

O maior em nove anos


Os milhares que saíram às ruas ontem, tratados com desdém nos telejornais, fizeram a maior manifestação de protesto contra o “regime petista” em seus nove anos de duração. E algo me diz que vai continuar e tende a crescer. Pagamos um dos maiores impostos do mundo para ter um dos piores serviços públicos do mundo. Sustentamos os políticos que estão entre os mais caros do mundo para ter uma das piores classes políticas do mundo.

Temos, acreditem, uma das educações mais caras do mundo para ter uma das piores escolas do mundo. Temos um dos estados mais fortes do mundo para ter uma das maiores cleptocracias do mundo.

 

O Movimento dos Sem-Partido não rejeita a democracia dos partidos — até porque, sem eles, só existe a ditadura do Partido Único —, mas quer saber se alguém se dispõe efetivamente a romper esse ciclo de conveniências e conivências. Os milhares que foram às ruas desafiaram o risco de ser demonizados pelos esbirros do oficialismo. Perderam o medo.

 

Sim, em passado nem tão recente, em 2007, um grupo tentou organizar uma reação à corrupção, que se generalizava. Não chegou a crescer como este de agora, mas se fez notar. Tinha uma espécie de palavra-chave para identificar os indignados: “Cansei!” O movimento foi impiedosamente ridicularizado. Escrevi a respeito à época. Foi tratado como coisa de dondocas, de deslumbrados insatisfeitos com o que se dizia ser a “democratização” do Brasil. Houve estúpidos que afirmaram que eram ricos que não suportavam ver pobres nos aviões — como se o caos aéreo punisse apenas os endinheirados.

 

A menor tentativa de esboçar uma reação aos desmandos dos ditos “progressistas” era tratada a pauladas. Na Folha, Laura Capriglione chegou a ridicularizar uma passeata de estudantes da USP, feita no campus da universidade, que protestavam contra as greves. Os que queriam estudar foram tratados como um bando de reacionários. Os indignados com a corrupção e com a mistificação perderam o medo.

 

Enfrentar a desqualificação
A tentativa de desqualificação virá — na verdade, já veio. Veículos a soldo, dedicados ao subjornalismo oficialista, alimentado com dinheiro público, já fazem pouco caso das manifestações. As TVs ontem deram menos visibilidade aos protestos do que dariam a uma manifestação de descontentamento no, deixe-me ver, Bahrein! Parece que há gente que acha que democracia é uma coisa importante no Egito, na Líbia e na Síria, mas não no Brasil.

 

É inútil! Os milhares que foram às ruas ontem não precisam da oposição, não precisam do subjornalismo, não precisam do jornalismo simpático às manifestações de protesto do Iêmen… A dinâmica hoje em dia é outra.

Que os sem-partido, sem-grupos, sem-líder, sem-bando, sem-bandeiras vermelhas, sem-mártires e sem-profetas insistam.

A oposição, se quiser, que se junte. Quem sabe até ela aprenda a ser livre e também diga com clareza: “Não, vocês não podem!”


 
Por Reinaldo Azevedo

 

 

 

 

 

 

 

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Respostas a este tópico

Sabe, marco..

sempre lembro desta historinha

aqui vai....


Barulho da Carroça

"Certa manha, meu avô José, muito sábio, convidou-me a dar um passeio pelo bosque do bairro onde morávamos. E eu aceitei com prazer. 

Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silencio me perguntou: 

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa? 

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi: 
- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo, disse meu avô, é uma carroça vazia ... 

Perguntei ao meu avô: 
- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos? 

- Ora, respondeu meu avô. É muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz. 

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura, inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo, tenho a impressão de ouvir a voz do meu avô José dizendo:
"Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz..."

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