O Ministério de Justiça, publica dados do crescimento da ´explosão´ da criminalidade no Brasil, de 1992 a 2011, com aumento de 184%.

   Vejo que na relação preso/100 mil hab, estamos na média o que não significa que esteja bom, mas que, em todo o mundo tem havido esse aumento absurdo.

    A grande questão social disso, é que em cada crime, há sempre, no mínimo duas famílias vítimas que pagarão com muito sofrimento e desarticulação. Quase sempre são das camadas mais empobrecidas e hipossuficientes que ficam ainda mais fragilizadas.

    Em minha sistemática oposição às políticas em bases raciais, em razão dela produzir baixa-estima na comunidade beneficiária, sempre citei a tragédia que se abate, atualmente, sobre a comunidade afro-americana. Em 1970, apenas 0,1%, ou 30.000 estavam nas prisões. Em 2011, mais 2,5 milhões, ou 6% estavam sob custódia da justiça. Em alguns estados, 45/50% dos jovens de 16-30 anos, estão cumprindo penas. Nos anos 1960, 13% das crianças eram filhas de máes-solteiras. Com Obama na Presidência, mais de 70%. Um evidência de piora nas condições sociais das próximas gerações. Em 2008, em campanha, o candidato OBAMA obrigado a se manifestar disse: os afro-americanos vivem num niilismo social sem paralelo. Uma tragédia social em que a desarticulação familiar é o principal sintoma.

   Como não houve nenhum outro fator de grande alcance social, debito esse niilismo, à uma crescente desesperança e perda de auto-estima, exclusivamente às políticas de cotas raciais largamente empregadas a partir de 1969. Walter Williams, economista e pesquisador afro-americano, diz que em razão do ´privilégio de cotas´ as crianças e os jovens perderam o orgulho das conquistas de seus pais e avós e passam a viver sem vínculos familiares e com a igreja que formavam a base nuclear dos afro-americanos. O núcleo familiar se desintegra, diz o professor da Universidade George Mason.

   A opinião do professor é respeitável, para quem não crê nas teorias de Lombroso (da criminalidade inata), pois além de conhecer o ambiente político e social ele é um acadêmico que trabalha com dados da realidade e, assim, procura no ambiente social e nas políticas públicas compreender as razões que induzem uma parcela tão grande da população, historicamente unida para enfrentar desafios da pobreza e da opressão racista a uma mudança tão substantiva em sua sociabilidade.

   Enquanto a média nos EUA é de 730 presos por 100.000 hab., entre os afro-americanos são 3.670 a cada 100.000, ou seja, cinco vezes a média. Conforme Williams, não são apenas os pretos pobres. Há filhos de milionários, de atletas, jornalistas, executivos e empresários que estão cumprindo penas. No Brasil com a média de 288, entre os afro-brasileiros está pouco acima: 360. A dedução lógica é que nos EUA os afro estão delinquindo mais porque são pretos e ficaram desajustados em razão da política de estado. No Brasil, os pretos cometem mais crimes apenas por que são pobres, vivem na periferia, nos morros, à mercê de violência institucional. Somos 70% dos pobres e exatos 70% no sistema carcerário.

   Abaixo os dados dos dez países com maior número de presos. Para melhor visualizar, destaquei alguns dados e vejo que o problema é mundial. Pela ordem de quantidade. Como os números são absolutos e há diferenças grandiosas no número de habitantes, acrescentei o percentual de presos por número de habitantes e (presos por 100.000 hab.).

    Há dois destaques: nos EUA 730 por 100.000 e na Índia, apenas 30.

   População -  % de presos – total – (presos p/100 mil)  acréscimo: 1992/2011

Fontes: World Prison Brief / Ministério da Justiça do Brasil - http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/12/121226_presos_bras...

1

EUA  ( 340 mi/hab  = 0,67%)

 2.266.832

(730 p/100.000)  +

106% de 1992/2011

2

China (1.400 mi/hab= 0,17%)

 1.640.000

(121  “  )

n/d

3

Rússia (145 mi/hab= 0,47% )

   708.300

(495  “  )

+ 91%

4

Brasil (196 mi/hab=0,26%)

   514.582

(288  “ )

+184%

5

Índia ( 1.200 mi/hab = 0,03%)

   372.296

( 30  “ )

+112%

6

Irã    (  80 mi/hab = 0,31%)

   250.000

(333 “ )

+ 294%

7

Tailândia (70 mi/hab= 0,35%)

   244.715

(349 “ )

+195%

8

México  (120 mi/hab= 0,18%)

   238.269

(206 “ )

+126%

9

Áfr. do Sul (50mi/hab= 0,31%)

  156.659

(307 “ )

+132%

10

 Ucrânia (46 mi/hab= 0,32%)

  151.137

(334 “ )

+ 97%

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Respostas a este tópico

Nao nego que possa haver interpretaçoes de cunho propriamente racial. Mas tb acho que você interpreta a questao da auto-declaraçao de modo redutor. Acho importante que negros afirmem que sao negros! Isso nao é uma questao de 'raça" (biologia") mas uma questao de auto-aceitaçao e auto-valorizaçao, de nao pretender ser branco por preconceito contra o próprio povo. Tive uma faxineira, mulata, casada com negro, que achava um absurdo que eu entao namorasse um negro; para ela servia, para mim, uma branca de classe média, nao... É contra isso que a auto-afirmaçao se volta...

É mais ou menos o significado do "black is beautiful" -- e tb, noutra esfera, do "quero ser feliz na favela em que nasci". E, de modo mais geral ainda, ser brasileiro nao é ser de um "povinho de merda"... Ou seja, uma questao simbólica, nao biológica. 

Eu nao sou favoravel incondicionalmente às cotas para negros porque acho a implementaçao complicadíssima, exatamente porque nao pode ser feita por questao de genótipo, e nao pode tb se reduzir à cor da pele, porque dois irmaos, um branco e um preto, filhos dos mesmos pais negros ou mestiços, sofreram as mesmas consequências da situaçao dos pais (mas nao serao igualmente tratados numa entrevista de emprego, nem pela polícia...). E a auto-declaraçao, num país em que a "lei do Gerson" é uma constante, tb tem seus problemas. Esses sao os pontos que acho complicados nas cotas, nao o caráter "racial", que elas nao têm, ou nao precisam de ter.  

ANA-LU:

Essa é a questão. A causa das desigualdades de tratamento e de oportunidades a que vc se refere são reais e merecem tratamento estatal: "Mesmo os brancos pobres têm índices salariais e de escolaridade ´maiores´ que os dos negros pobres.".
A única política pública indicada para isso são Ações Afirmativas, no bom sentido: metas, programas indutores da igualdade. Isso não se confunde com políticas de segregação de direitos raciais. Pois se a desigualdade decorre das discriminações raciais, não será aumentando o racismo com tratamento racial que o solucionará.
Embora vc e ORLANDO não gostem foram as políticas institucionais de cotas raciais compulsórias induzidas pelo estado, nos EUA, que reduziram a auto-estima dos afro-americanos, especialmente das crianças e jovens, sendo essa a única explicação razoável para o absurdo aumento da criminalidade entre os afro-americanos que saltaram de 0,1% de condenados em 1970 para 6,00% em 2010.
Ambos, pelo jeito, preferem a doutrina da Senadora Ana Rita: o estado deve colocar a nossa juventude um dilema racial: "Ele vai se auto-declarar. Se faz parte de uma ´raça´ ou de outra.”.

Você mesmo fala que o aumento da criminalidade está acontecendo no meundo inteiro! Haja falta de coerência... As cotas viraram, para você, a causa de todos os males. Isso nao é sério! Fazer isso desmerece inclusive a sua posiçao... 

Brrr...
Tá difícil falar com os racialistas...

LÙ, o problema não são as ´cotas´ em si.... Eu sempre defendo as cotas sociais. Pelo simples fato de que sua aplicação pelo estado não viola a dignidade humana do beneficiário.

É difícil entender?? Ou teu superior paternalismo da raça superior pensa isso mesmo: a ´raça negra´ é inferior e vamos dar aos coitadinhos umas ´cotas´ de privilégios? Tem muitos que pensam assim. O principal patrocinador da lei de cotas raciais, Senador SArney, por exemplo se diz o ´maior defensor da raça negra´...

Ora, existem formas de inclusão sem ser o priviégio racial. O bolsa família faz isso e 80% dos beneficiários são pretos e pardos e nem eu, nem voce, ninguém diz que são raciais.

O problema, portanto, são as cotas com base na ´raça estatal´. Primeiro voce diz que elas não são RACIAIS. Eu te demonstro - por documento - que o espírito da lei e dos debates políticos são raciais. Afinal são cotas raciais ou não são??

Agora, em relação à criminalidade, enquanto a média nos EUA e no mundo é de 100% a cada vinte anos, isso seria normal também para os afro-americanos. Ou não??

Porém, veja os índices: foi de 0,100% em 1970 para 6,00% em 2010, ou seja, enquanto a média seria 200/250%% em quarenta anos, entre os afro-americanos foi de 6.000%.

Bem. Como eles vivem no mesmo país e sob as mesmas leis, o que deduzimos é que a única alteração substancial nesses 40 anos foram as cotas raciais compulsórias. Pode não ser a causa exclusiva. Mas essa foi a única alteração introduzida pelo estado na vida dos afro-americanos.

Portanto, se o beneficiário é visto como inferior pelo estado, isso viola a sua própria dignidade humana e reduz a sua auto-estima: essa é a minha dedução. Como não se trata de ciência exata, jamais haverá uma prova absoluta de ser essa a verdade, como tudo o mais, nas ciências sociais: são deduções lógicas.
Agora se você tiver outra razão, além da baixa-estima, que justifique esse aumento extraordinário de criminalidade entre jovens afro-americanos eu gostaria de a conhecer.

Ao contrário dos racialistas o que faço é a defesa da dignidade humana dos afrodescendentes. "Não queremos a vitimização. Queremos apenas o respeito a nossa condição humana" disse MALCOLM X num de seus último discursos após abandonar o discurso do ódio racial. Logo ele foi executado por pretos que tinham interesse político e viviam alimentando o ódio racial.

Ah, Militao, me poupe, tá? Nao me ofenda, tá? Nao quero mais discussao sobre esse assunto, é impossível discuti-lo com você, e eu ainda caio nisso. Chega! 

AnaLu:

Acho que você não deve compuscar o que tem de mais sublime no anarquismo. E você ao defender que o estado interfira no fôro íntimos dos afro-descendentes não condiz com a doutrina. Tudo bem. Há muitas razões para você encerrar qualquer debate, a ausência de bons argumentos, é um deles.

A respeito disso pontuo algumas das tuas incongruências decorrentes de um nefasto paternalismo racial perceptível em pessoas, como Sarney, que imaginam pertencer a uma ´raça superior´ e em razão disso, governam sonegando os direitos sociais de 70% dos maranhenses que são pretos e pardos (com o pior IDH dentre os afro-brasileiros) e discursam se ´auto-declarando´ (é bom se auto-declarar) como o maior defensor da ´raça negra´ apenas pelo fato de ter sido o autor dos primeiros projetos de lei de cotas raciais:

a) você (e os racialistas como a Senadora Ana Rita, Sarney e demais) quer a auto-afirmação racial que não temos. Querem, através do estado, nos impor um pertencimento racial que repudiamos: nós não somos a ´raça negra´ aquela que a ideologia do racismo diz ser a ´raça inferior´. Somos afro-descendentes que resistimos à opressão e exigimos a IGUALDADE de tratamento e de oportunidades. Não postulamos privilégios raciais.

b) Em trezentos anos de resistência há registros de milhares de organizações formados por quilombolas, quilombos, de Irmandades, de Cemitérios, de Igrejas e de terras de Homens´pretos´, HOmens Pardos e´pretos novos´, a reverência à liderança matriarcal da´ mãe preta´, a tradição religiosa/ritual pelo ´preto velho´, não há nenhuma, nenhuma relevante em que a alcunha racial de ´negro´ tenha sido admitida.
Senhora Anarquista: pode o estado nos impor isso? ´black is beauteful´, traduz-se como ´preto é bonito´ e não a ´raça´.
De outro lado: ´negro´ é designação racista, uma alcunha para designar a ´raça inferior´ e somente consolidada com a ideologia do racismo a partir do século 18 e mais especialmente a partir do início do século 20 quando a doutrina da eugenia queria a intervenção direta do estado para a classificação racial.

c) As pessoas brancas continuam profundamente delimitadas pelo racismo e, mesmo não querendo sempre pensam em termos compartimentados: separando, classificando, dividindo os humanos em raças diferentes. Foram bem recebidas nas Américas, na África e na Ásia e Oceania onde sempre foram vistos na condição humanos e usaram essa cordialidade nativa para destruir, oprimir, matar, sequestrar.

d) Você (e os racialistas) quer que os afro-brasileiros assumam uma postura de vitimização que jamais assumimos.

e) Você (e os racialistas) são detentores do poder político. Mesmo diante da tragédia que o pertencimento racial está fazendo na comunidade afro-americanca, pelo simples fato de deterem o poder político, não se importam. Querem também fazer dos afro-brasileiros seres ´raciais´ com baixa estima.

f) Você (e os racialistas) que são brancos não imaginam, não fazem idéia, do que seja para uma criança, um adolescente ter que se definir como pertencente a uma ´raça inferior´. Veja o vídeo (youtube) das crianças pretas e as ´bonecas brancas´, quem sabe você algum dia compreenderá essa violência racial.
http://www.youtube.com/watch?v=XyilexcWbSE -
É isso querem impor a essar crianças que façam a ´opção´ voluntária de pertencimento racial?
Vocês brancos, que o racismo diz serem superiores, podem achar bacana esse pertencimento. Mas essas crianças serão violentadas com a imposição da escolha.

g) eu tenho filhos: 22, 20 e 10 anos. Eu tenho participado de centenas e centenas de debates com jovens pretos e pardos, a respeito disso. Sei o sofrimento dessas pessoas imaturas que estão sendo obrigadas a viver eses anos bárbaros e perversos de ´auto-definição´ racial exigidos por essas pereversas políticas públicas raciais.
Um absurdo. Como pode dizer a Senadora Ana Rita: "Não é uma imposição do estado" se em troca dessa opção racial esteja, como prêmio, talvez a única oportunidade da vida de ingresso numa boa universidade pública?

h) como pode pessoas que jamais souberam o que é ser vítima do racismo defender uma lei de imposição compulsória e dizer, com um sorriso de vitória no rosto, as vantagens da ´auto-declaração´: " É o aluno que escolhe. Eu escolho fazer a opção que eu quero ser matriculado, quero concorrer a uma vaga porque sou negro, sou branco. Ele vai se auto-declarar. Se faz parte de uma ´raça´ ou de outra.”.

i) talvez o que queiram, todos os que defendem essa política racial mesquinha e perversa, é destruir a auto-estima dos afro-brasileiros que jamais se submeteram à opressão do pertencimento racial, e ao fazei-lo, através do estado, conseguirão mais uma vez, a vitória do racismo sobre a nossa condição de humanos.
Sei que você, por se auto-declarar da ´raça branca´, aquela que o racismo diz ser superior, jamais compreenderá o pensamento maduro de MALCOLM X (dita após abandonar o racialismo): "A estratégia do racismo foi sonegar o nosso direito natural que é ser visto como humanos. Nós lutamos para reconquistar o nosso direito de humanos."
E, por fim, não se faça de superior abandonando o debate: apresente seus bons argumentos para a defesa dessa política pública mesquinha com base nessa convicção doentia: o pertencimento racial.

FALE POR VOCÊ. NAO ME ATRIBUA O QUE NAO PENSO. E nao quero mais discutir esse assunto com você. Ponto. Passe bem. 

Para desanuviar um pouco o debate vou contar uma historinha que talvez explique porque da indignação do Militão, poderia até dar um nome:

Quando me senti um negro.

Quando cheguei a França para estudar uma coisa e tive que estudar outra (mas aí é outra história) eu e Ana fomos convidados para um jantar na casa do tutor da Ana, um excelente pesquisador francês de bom carácter e tanto ele como a sua esposa solidários com ao terceiro mundo.

Logo ao chegarmos a casa deste gentil casal fomos muito bem recebidos, como iguais, nem parecia que eramos brasileiros. Com a conversa ouvimos uma série de histórias que falavam do engajamento de Madame a causas de apoio do terceiro mundo, causas que mostravam quão piedosos e gentis eram aquele casal. Lá pelas tantas veio um assunto, que não me lembro exatamente o que era, mas falava de uma intervenção de uma ONG de origem francesa em um dado país, não me lembro o país mas me lembro qual era a organização que não vou declinar o nome.

Pois há dois ou três anos antes tinha assistido numa casa de um amigo um show de slides de um médico brasileiro sobre a permanência deste mesmo médico no Afeganistão na organização que estavam falando, este médico brasileiro, que tinha caído na mensagem de ajuda a outros países, tinha por companhia outo médico, um norte-americano, este médico ianque tinha uma pequena peculiaridade, conhecia tudo de armamentos e identificava o calibre dos obuses soviéticos somente pelo som, a conclusão que o nosso compatriota chegou que além de médico o norte-americano trabalhava para outras agências além da ONG, ou seja, tinha ido até o Afeganistão não por solidariedade, mas a serviço.

Relatando este fato ao casal de Franceses tive a petulância de dizer que o melhor que eles poderiam fazer é deixar o terceiro mundo de lado e não enviarem ONGs solidárias e tropas militares. No momento que falei isto a conversa esfriou e todos aqueles assuntos de solidariedade  ao terceiro mundo desapareceu, começamos a ser tratados mais como alguém que não aceitava a piedade e todo o amor que os europeus levaram e levam à África, Ásia e América Latina, compreendi naquele momento que deveríamos ser agradecidos a todo o esforço de espírito de bondade e compaixão que eles nos ofereciam, e não devíamos questionar aquilo que nos era oferecido.

Compreendi também que dentro do espírito destes abnegados europeus não deveríamos lutar com nossas forças contra a miséria e o subdesenvolvimento, mas sim sermos conduzidos por mãos piedosas que nos mostrariam o próprio rumo.

Depois deste jantar, comecei a formar amizades com vários franceses, principalmente aqueles que me tratavam como iguais e por conhecerem mais o nosso país até tinham determinada inveja de alguns aspectos de porte, de grandeza que temos em relação a eles.

Tanto eu e a Ana, que é bem mais centrada e dócil do que eu, entendemos o que é se sentir discriminado, discriminação piedosa ou não, mas discriminação. Posso dizer com clareza, foi a única vez que me senti discriminado piedosamente, e é bem mais duro e dolorido do que outros atos de discriminação truculenta que tivemos enquanto estávamos na Europa, pois a discriminação truculenta se reage da forma convencional e a piedosa nos diminui em muito a nossas defesas e a auto-estima.

Talvez seja por este simples ato pequeno e causal, que chegou exatamente num momento em que estávamos inseguros e começávamos a sentir saudades de nosso povo, que me leve a entender muito sobre os efeitos da introdução das cotas raciais.

Maestri!

Com o devido respeito, continuas a não entender nada.

Se você fosse realmente negro, bem provável, não seria nem convidado para o tal jantar. A cor da sua pele o descredenciaria... Não raro, negros são barrados na porta... Pelo menos, grosso modo, é o que ocorre no Brasil.

Abs.

Antonio

Poderia contar poucos eventos que sofremos discriminação do tipo que coloca acima, por exemplo de ser chamado "refugiado da România" (era a época da queda do muro e muitos romenos procuravam abrigo na França) e ser corrido como um cachorro porque estava em determinado local simplesmente para "roubar". Este fato eu chamo a discriminação truculenta, eu sei exatamente o que é isto! Mas uma discriminação deste tipo só dá raiva e desperta não perda de sua auto-estima, mas simplesmente ódio.

Não pense que a discriminação é privilégio de algum povo, etnia e ou cor de pele, é algo mais amplo do que isto, é só alguém sair do seu meio ambiente onde não é discriminado e terá surpresas.

O objetivo do meu relato não era falar sobre este tipo de discriminação, mas sim de algo mais sutil e que mina a auto-estima da pessoa, aquela discriminação que te trata com "pobrezinho ele é inferior e precisa de nossa ajuda para pelo menos sair da barbárie".

Acho inclusive que fatos como o que acima citas estão se tornando raros e são facilmente combatidos, porém o outro tipo de discriminação, mais sutil e elegante continua e continua forte, e acho que neste momento é este tipo mais sutil, elegante e delicado, que simplesmente és aceito desde que saiba exatamente o teu lugar que continua, é algo mais perverso e mais difícil de combater. E mais, conforme ele é operado o seu efeito é mais perigoso do que uma discriminação truculenta e aberta.

A "indignaçao" do Militao veio sobretudo quando eu mostrei o caráter ilógico e contraditório do argumento dele sobre as açoes afirmativas serem causa da maior criminalidade de negros, quando, como ele mesmo mostra neste tópico, a criminalidade está crescendo em todo lugar, quer tenham havido açoes afirmativas ou nao. Aí passou a me ofender, me atribuindo posiçoes racistas. E quando reagi a isso ainda diz que parei de discutir por falta de argumentos... Cara de pau pouca é bobagem. 

    

     Rogério,

     Ora, ´cara-de-pau´ é quem defende políticas raciais destinadas a humilhação dos pretos e pardos com a evidente violação da nossa dignidade humana e recusa assumir essa nefasta doutrina racialista.

    Pergunte ao Senador Sarney ou à Senadora Ana Rita ou ao Senador Paim se eles são racialistas e se estão defendendo políticas raciais e, todos, sem exceção, sentir-se-ão ofendidos. Já conheço bem esse tipo.

     - minha indignação é que pela falta de boa argumentação, os racialistas, você e Orlando, ficam apenas na vitimização que nós, pretos e pardos, não pedimos e deturpando minhas afirmações.

     - minha indignação é que de fato ´cotas raciais´ com base em raça estatal é a mais perversa política pública onde quer que seja adotada e é sim responsável pela piora do ambiente social onde quer que seja adotada.

     - minha indignação é que não há nenhuma boa experiência de ´cotas raciais´ que possa ser exibida como exemplar de boas políticas públicas.

     - minha indignação é citarem os poucos milhares de afro-americanos bem sucedidos (a elite privilegiada por cotas raciais) e esquecerem dos milhões de jovens nas cadeias, desempregados, nas drogas, nas ruas, marginalizados todos destituidos de auto-estima e de esperança num futuro melhor.

     - minha indignação é a imposição pelo estado a jovens afro-brasileiros um projeto político em que 70% das crianças são filhos de mãe-solteiras e 50% dos jovens de 16-30 anos estão cumprindo penas criminais.

      - minha indignação é que querem nos impor isso. Uma covardia contra nossas crianças, jovens e futuras gerações que pagarão com suas vidas o alto preço dessa mesquinharia estatal.

      - minha indignação é não ouvirem os beneficiários para a imposição de política que altera profundamente a identidade e cidadania com efeitos colaterais perversos.

     - minha indignação é se basearem nas palavras de cotistas beneficiários ou de profissionais de ONGs sobre tais políticas, que tem o mesmo sentido de ouvir a palavra de um alforriado sobre a validade da alforria, mesmo sabendo que o insititudo da alforria foi um engenhosos método de perpetuação da escravidão e de controle social. As cotas perpetuarão o racismo.

     Quanto à opinião política dos afro-brasileiros, vejam a resposta eleitoral da Bahia (77% de pretos e pardos) frente às políticas raciais do PT: em 2012 elegeram a ACMNeto, o representante-mór do PFL-DEM que foi o partido que teve a petulância e a ousadia de questionar as políticas públicas de Ações Afirmativas. (eu questiono apenas a segregação de direitos raciais impostas pelo Estado através da adoção de ´raça estatal´).

     E ainda procura confundir os argumentos que apresento sem contesta-los.

     Por exemplo, nessa questão da crimalidade, em momento algum me referi a ´Ações Afirmativas´- doutrina que sou defensor desde os anos 1980 - mas sim aos malefícios das COTAS RACIAIS COMPULSÓRIAS induzidas pelo estado como fator da evidência da baixa-estima dos afro-americanos. A baixa-estima expõe às jovens vítimas, fragilizando-as, e isso tem acontecido desde os anos 1990 nos EUA. Uma tragédia social. O maior niilismo social inédita no mundo civilizado, segundo OBAMA (2008).

     Veja o que escrevi e você está aqui depurpando (logo acima): " Agora, em relação à criminalidade, enquanto a média nos EUA e no mundo é de 100% a cada vinte anos, isso seria normal também para os afro-americanos. Ou não?? Porém, veja os índices: foi de 0,100% em 1970 para 6,00% em 2010, ou seja, enquanto a média seria 200/250%% em quarenta anos, entre os afro-americanos foi de 6.000%. Bem... Como eles vivem no mesmo país e sob as mesmas leis, o que deduzimos é que a única alteração substancial nesses 40 anos foram as cotas raciais compulsórias. Pode não ser a causa exclusiva. Mas essa foi a única alteração introduzida pelo estado na vida dos afro-americanos."

   Desculpe, não há contradição nem ilógica. Há uma constatação: enquanto a média de aumento da criminalidade subiu 200%, entre os afro-americanos o aumento foi de 6.000% ou 30 vexes a média.

   E ainda, por amor ao debate, perguntei se tivesse outra explicação sociológica que a apresentasse para nos ilustrar. Ora, pode ser uma dedução equivocada? Demonstre mas não diga simplesmente que soe contraditório e ilógico. Não é.

   Em vez de explicação alternativa, voce se diz ofendida??

   Tenho feito esse desafio a todos os defensores de segregação de direitos raiciais. Não tente iludir as pessoas. Assuma: eu sou uma racialista e defendo direitos raciais segregados. Pronto. Vou combater tua doutrina (não exposta). Mas ficar negando é isso que entendo seja ´cara-de-pau´.

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