O capitalismo é a fonte da riqueza, da prosperidade e do bem-estar

Primarismo, oportunismo e gatunismo a céu aberto! Sempre a covardia de colocar nos outros a própria culpa. Cansei de ver loas a termos como "neoliberalismo" nos anos 90, que agora eles renegam, dizem que não inventaram. Renegam as Agências que eles pediram para criar, pois seriam contra o governo e pró mercado, e agora quase que insinuam que são criações socialistas. Mas o que esperar de gente que acha que a soma dos nossos egoísmos pode resultar algo de bom? Gente que pensa assim sempre renega e joga sua próprias crias no lixo, quando não saem como acham que devem. Não há solidariedade entre covardes que vêem o outro ser humano como um competidor a ser derrotado!

 

Durante a realização da última reunião da cúpula do G-20, vimos grupos de protesto exibindo cartazes declarando a morte do capitalismo e a exigência de que seja substituído por outro sistema que seja “mais justo”.

Não existe sistema mais justo que o capitalismo!
Explicarei:

O capitalismo, no presente momento, tern sofrido inúmeras críticas, por diversos atores, devido à atual crise mundial.

A destruição de riqueza pela atual crise deve ser colocada no contexto e comparada com a enorme criação de riqueza e melhora do bem-estar durante as três décadas passadas.

Observa-se, em todo o mundo, uma clara correlação entre liberdade econômica e a prosperidade dos povos, sendo que os países mais capitalistas têrn maior renda per capita e, por consequência, melhor qualidade e maior expectativa de vida.

Graças ao capitalismo e sua geração de riqueza e prosperidade, a saúde global medida pela expectativa de vida também aumentou rapidamente, especialmente naqueles países que mais se desenvolveram devido à liberdade de empreender.

Pelas lições da história, jamais existiu sistema que produza e distribua mais riqueza do que o capitalismo, principalmente quando deixado funcionar adequadamente através do livre mercado.

O produto doméstico bruto mundial cresceu cerca de 145% nos 27 anos, de 1980 a 2007, ou a uma média de cerca de 3,4% ao ano. A assim chamada “ganância capitalista” que motivou homens de negócios e trabalhadores ambiciosos, ajudou centenas de milhões de pessoas a sair dos grilhões da pobreza.

O papel do capitalismo na criação de riqueza ensejou também, de forma exemplar, clara e inequívoca, o rápido crescimento da renda dos chineses e indianos, depois que eles introduziram reformas baseadas na economia de mercado.

A China, no final dos anos 1970, e a Índia em 1991.

Naturalmente, junto com a glória de décadas de sucesso, o desempenho do capitalismo deve incluir esta crise e outras anteriores.

Mesmo que esta crise seja inteiramente considerada como culpa do capitalismo, ou que ele mereça uma considerável parte da culpa, as perdas induzidas pelas recessões são insignificantes em comparação com as grandes conquistas do capitalismo nas décadas anteriores.

Analisemos, por exemplo, uma suposição pessimista em que a atual crise se converta em uma depressão, onde o PIS mundial tenha uma retração de 10%.

Entâo, o crescimento líquido do PIB mundial, de 1980 a 2010, seria de 120%, ou aproximadamente 2,7% ao ano neste período de 30 anos. Isto ainda permitiria a renda real per capita aumentar em quase 40%, embora a população mundial crescesse aproximadamente 1,6% ao ano no mesmo período.

Não há como deixar de considerar as realizações do capitalismo!

A produção, o emprego e os ganhos foram prejudicados pela crise e piorarão antes que melhorem.

Todavia, até os grandes declínios representam pausas no progresso de longo prazo se conservarmos os fundamentos necessários para o crescimento de longo prazo. Este crescimento vai depender dos investimentos de capital, em pessoas, ou capital humano, e na produção de conhecimento novo.

Isto necessita de um ambiente econômico estável. A incerteza sobre o alcance da regulação que os governos, neste momento de desespero, pretendem fazer, provavelmente, terá a conseqüência não intencional de tornar aqueles investimentos mais arriscados.

A ausência de prosperidade nos países não capitalistas da América Latina, da África e outros, por falta de educação e de liberdade econômica, mostra que a falta de capitalismo, que depende substancialmente destes dois fatores, impede estes países de produzir e distribuir riqueza no nível dos paises capitalistas.

Os governos não devem, assim, dificultar que mercados que foram impedidos de proporcionar crescimento rápido às economias pobres da América Latina, África e de outras regiões, por meio do protecionismo, tenham participação limitada na economia global.

No artigo “A importância da Liberdade”, de James A. Dorn, Vice-presidente para assuntos acadêmicos do Cato Institute e professor de Economia da Towson University em Maryland – EUA, o autor mostra que “Aquelas nações que fracassaram na adoção da liberdade como o princípio primordial, também fracassaram em perceber os benefícios da liberdade. Elas ignoraram a grande idéia liberal, articulada em ‘A Lei’ por Frédéric Bastiat em meados do seculo XIX, de que “a solução do problema social está na Iiberdade.”

Por “problema social” Bastiat referia-se ao problema de coordenação que confronta todas as sociedades – isto é, o problema de satisfazer os desejos das pessoas por bens ou serviços sem planejamento central.

A beleza do sistema de mercado, baseado nos direitos de propriedade privada e liberdade de contrato, e que permite que os indivíduos conti¬nuamente se ajustem às novas informações sobre desejos, recursos e tecnologia, e que se engajem em trocas mutuamente benéficas.

A liberdade econômica amplia o leque de escolhas e, portanto, a riqueza das nações. Os países com maior liberdade econômica têm um padrão de vida mais alto do que aqueles que têm menos liberdade.

Alem disso, os paises que se liberalizaram mais rapidamente – segundo foi medido pelo índice de liberdade econômica – tenderam a um crescimento mais rápido do que os países que fracassaram na liberalização ou que liberalizaram mais lentamente.

Os economistas James Gwartney e Robert Lawson, autores da publicação anual do Fraser Institute, intitulada Economic Freedom of the World, consideram que as diferenças de longo prazo em liberdade econômica explicam aproximadamente dois terços da diferença na renda per capita entre os paises.

“Não é nenhum segredo que os paises que se abriram para as forças do comércio internacional e restringiram o crescimento do governo prosperaram, enquanto os paises que têm um escopo de mercado limitado e governo grande estagnaram.”

Adam Smith compreendeu que o livre comércio não é um jogo de soma zero, mas um jogo que beneficia ambos os parceiros. Escreveu ele em seu livro “A riqueza das nações”: “Cada individuo irá buscar aplicar o seu capital da melhor forma possível, objetivando a própria satisfação.

E, direcionando seus esforços e capital para aquela indústria que produza o maior valor posslvel, ele pretende apenas gerar seu próprio ganho, e nisso ele é guiado por uma “mão invisível” que promove um resultado que não fazia parte de sua intenção.

Cada um buscando satisfazer os próprios interesses, o resultado final acaba sendo benéfico para a grande maioria.” Então, podemos concluir que através da “mão invisível” da economia, cada um irá investir no negócio onde possa ter os melhores retornos, onde exista vantagem comparativa e o resultado geral tende a ser maior.

A lógica serve para derrubar também os argumentos dos defensores de um grande planejamento central, que deposita numa suposta clarividência de poucos o destino da nação.

Quando a “mão visivel” do Estado prejudica o funcionamento da “mão invisível” do livre mercado, o progresso acaba comprometido.

Hayek argumenta que o cálculo econômico para o uso racional dos recursos disponlveis não é viável em uma economia com planejamento central, ou- seja, socialista. As informações e o conhecimento existentes na sociedade estão dispersos entre os milhões de indivíduos.

Como esse conhecimento será utilizado é uma questão fundamental para a eficiência do sistema econômico. O arbitrador que ganha com essas assimetrias de conhecimento, através dos diferentes preços praticados, exerce uma função essencial para o funcionamento econômico.

A idéia de que a assimetria de informações impede a livre concorrência é totalmente falsa, já que nem mesmo faria sentido falar em concorrência real caso houvesse perfeita simetria de conhecimento. Um planejamento central com base em estatísticas jamais poderia substituir esses ajustes realizados com base no conhecimento disperso e assimétrico dos indivíduos.

No entanto, os positivistas passaram a acreditar que era possível impor de cima para baixo as decisões de alocação dos recursos disponíveis, ignorando justamente o mecanismo que torna viável e eficiente esta alocação.

E também a competição, que torna possível uma alocação eficiente dos recursos, um processo dinâmico na busca pela satisfação dos desejos e demandas dos consumidores. Estes desejos não podem ser tratados como dados disponíveis e estáticos, pois dependem do valor subjetivo de cada indivíduo, e estão sempre em constante mutação.

A função da competição é justamente nos ensinar quem pode nos servir melhor, e essa resposta nunca é fixa. O problema econômico é o de fazer o melhor uso dos recursos que temos, e não faz sentido falar numa situação hipotética onde um “mercado perfeito” existiria.

E assim se assentaram as bases do capitalismo, que depois da Revolução Industrial proporcionou, aos países que o praticaram, cem anos de constante crescimento econômico, resultando também que até mesmo os trabalhadores, e não somente as classe superiores, tivessem acesso a bens que antes do advento do capitalismo só estavam ao alcance da nobreza.

E o padrão de vida foi se elevando, com benefícios para a população através da melhora da higiene pessoal e doméstica, proporcionando mais saúde e aumentando a longevidade das pessoas nos países que adotaram o capitalismo como forma de produção econômica.

A Irlanda é um caso exemplar de impressionante sucesso das reformas liberais que reduzem a intervenção estatal e aumentam a autonomia individual. A Irlanda, que era um dos mais pobres paises da Europa, ao aderir com vontade ao capitalismo global, obteve enorme crescimento econômico − 6% ao ano entre 1995 e 2006 − aumentando substancialmente a renda dos irlandeses.

A renda per capita da Irlanda atingiu impressionantes US$ 44.500! − uma das mais altas da Europa. O governo irlandês adotou políticas liberais (1) reduzindo a inflação, (2) reduzindo os gastos públicos, (3) facilitando, desburocratizando e promovendo o investimento estrangeiro. Conta ainda com elevado nível de liberdade para os negócios, investimentos e finanças e garante de forma inequívoca os direitos de propriedade privada, que são garantidos por um sistema judiciário de alta qualidade.
O contrário do Brasil, cujo MST, organização criminosa sem personalidade jurídica para permanecer inimputável, invade e destrói propriedades rurais em todo o Brasl, com financiamento ilegal do governo, e o judiciário, quando ordena reintegração de posse, não é obedecido pelos governos estaduais, especialmente no Pará. Este desrespeito à propriedade privada, desvalorizando-a, afasta investimentos e promove a pobreza.

Mudanças regulatórias na Irlanda foram realizadas para facilitar o empreendedorismo. 0 imposto para empresas foi reduzido para apenas 12,5%! As tarifas médias de importação são de apenas 1,7%! 0 governo vendeu sua participação na última estatal do setor financeiro. 0 setor financeiro é totalmente competitivo e aberto aos estrangeiros, onde 115 bancos e instituições disputam o mercado.

Como consequência disso, quatro milhões de habitantes do país desfrutam de uma expectativa de vida de 80 anos e com apenas 5,2% de mortalidade infantil, contra 27,6% no Brasil.

A Irlanda simplesmente resolveu encarar a dura realidade e adotar o capitalismo global como modelo, reduziu o peso do Estado e acolheu o capital estrangeiro. Já os países que não adotaram o capitalismo ficaram sujeitos a sofrer o que Adam Smith descreveu como “a lógica que serve para criticar muitos tipos de intervenção do governo no comércio”, como o protecionismo defendido pelos mercantilistas da época.

Se a produção doméstica pode ser feita tão barata quanto a estrangeira, então a regulação é inútil, e caso não possa, ela será ineficiente.

Abandono do capitalismo

A Grande Depressão dos anos 30 do século passado induziu as pessoas a um maciço abandono mundial do capitalismo, e a uma súbita aproximação do socialismo e do comunismo, que continuou até os anos 60. A Grande Depressão criou também uma crença de que o futuro está na administração da economia pelo governo, não em mercados mais livres.
O resultado foi o crescimento, geralmente lento, durante aquelas décadas, na maior parte do mundo menos desenvolvido, inclusive na China, nas nações do bloco soviético, na Índia e na África. Isto leva os governos a uma visão comum, mas equivocada, até entre muitos defensores do livre mercado, que é melhor fazer algo para tentar ajudar a economia do que não fazer nada.

A maior parte das intervenções, inclusive as políticas casuais, por sua própria natureza, prejudicam em vez de ajudar, em grande parte acrescentando problemas à incerteza e ao risco, que já são tão acentuados, durante esta recessão.

As reações dos governos demonstraram o perigo que as intervenções destinadas a ajudar podem é exacerbar o problema. E como os governos continuam determinando quantas restrições querem impor aos mercados, especialmente aos mercados financeiros, a destruição de riqueza pela recessão deve ser colocada no contexto e comparada com a enorme criação de riqueza e melhora do bem-estar durante as três décadas passadas.

De acordo com Ludwig von Mises, da Escola Austríaca de Economia, o intervencionismo do Estado no mercado não realiza os seus fins pretendidos. Em vez disso, ele altera o mercado. E aquela distorção precisa de ajuste. O resultado é mais distorção, conduzindo a mais intervenção e à concomitante estagnação causadora, muitas vezes, de falência de negócios.

Uma prova real é a presente crise econômica que assola a economia mundial. O presidente Herbert Hoover, dos Estados Unidos, nos anos 20 do século passado, fez intervenções no mercado, com gastos públicos para tentar aumentar o nivel de emprego causado pela lei federal americana que garantia uma Iinha direta de crédito pelo Tesouro para financiamento da casa própria através de hipotecas, que expandiu imoderadamente o crédito bancário, o que resultou na formação de um verdadeiro castelo de cartas nos investimentos especulativos na Boisa de Nova York, causando a quebra daquela Bolsa em 1929, e levando os Estados Unidos e o mundo à maior depressão econômica da história.

Eleito o presidente Franklin Roosevelt em 1932, este aplicou as idéias do economista inglês Lord John M. Keynes, que recomendavam que o Estado deveria gastar em investimentos para reanimar a atividade econômica reduzida e promover o aumento da taxa de emprego. O Prof. Friedrich Hayek, ex-aluno do Prof. Ludwig von Mises na Escola Austriaca de Economia, e colega de Keynes na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, avisou que os elevados gastos estatais trariam (i) inflação, (ii) nova queda na atividade e (iii) novo surto ainda maior de desemprego.

Tal não ocorreu logo porque estourou a segunda Guerra mundial, em 1939, e os Estados Unidos, que só entraram na guerra no fim de 1941, após o bombardeio japonês na Base Naval americana em Pearl Harbour, no Havai, passaram a fornecer à Europa não só armas, munição, veículos e soldados, mas avi5es, tanques de guerra, petróleo, alimentos, vestuário e remédios.

Como resultado, o PIB americano cresceu 6 vezes no período da guerra, de 1941 a 1945, escondendo a inflação. Mas, em 1938 o presidente Roosevelt interveio no mercado e criou duas empresas de financiamento da habitação, a Fannie Mae e a Freddie Mac, para financiar hipotecas a juros reduzidos, garantidas pela Federal Home Administration.

Elas foram usadas por cada presidente que sucedeu a Roosevelt, como um meio de realizar este estranho valor americano que que cada cidadão deve possuir uma casa, não importa quem. Assim, deram permissão legal a essas duas companhias de comprar hipotecas privadas e incorporá-Ias às suas carteiras, as subprimes, ou hipotecas de segunda mão.

Mais tarde, nos governos dos presidentes Lyndon Johnson e Richard Nixon, elas foram estatizadas, ou transformadas em empresas públicas, e venderam ações nas bolsas. As pessoas chamaram esta venda de ações de privatização, mas não foi o que aconteceu. Elas continuaram travestidas de empresas privadas e com o mesmo acesso a uma linha garantida de crédito junto ao Tesouro dos Estados Unidos, com direito a taxas de juros mais baixas do que qualquer de suas concorrentes do setor privado.

Nos anos 70, a inflação prevista por Friedrich Hayek ocorreu, virando o que se chamou então de “estagflação”, misto de estagnação econômica e inflação. Depois da crise do primeiro choque do petróleo dos anos 70, em que os árabes da OPEP decuplicaram os preços do petróleo, o presidente Richard Nixon acabou com o que restava do padrão ouro para regular a moeda americana, o dólar, e adotou o câmbio flutuante.

Os Estados Unidos estavam então com inflação elevada, tendo o Fed, Banco Central americano, subido a taxa de juros para compra de títulos do Tesouro para 6% ao ano, numa política monetária para controlar a inflação. Mais tarde o Fed, sob a presidência de Alan Greenspan, abaixou a taxa de juros dos fundos federais de 6 % em Janeiro de 2001 para 1 %, até junho de 2004, por cerca de 3 anos e meio, causando uma explosão inusitada dos empréstimos hipotecários.

Sem a baixa agressiva e prolongada das taxas de juros pelo Fed, os empréstimos hipotecários não poderiam ter explodido daquela maneira. A política monetária adubou o terreno para várias atividades que não teriam sido viáveis sem aquela facilidade.

Mesmo se as autoridades tivessem mantido controles fortes sobre os empréstimos hipotecários, enquanto ao mesmo tempo criavam dinheiro “do ar rarefeito”, como escreveu Frank Shostak, em artigo publicado no site do Ludwig von Mises Institute em 29.09.2008, e os excessos teriam surgido em algum outro setor”. Os bancos acabariam tendo ativos ruins não-hipotecários. Portanto, a política do Fed foi o ponto crucial do problema.

Assim, antes que culpar os sintomas, o que é necessário é “deixar o mercado trabalhar e fechar todos os buracos que permitem a criação de dinheiro e crédito a partir do nada”, como defende Shostak.

É sempre assim, intervenção do governo traz problemas e as autoridades acham que o remédio é mais intervenção, como ensinou von Mises, jogando sempre a conta para os contribuintes pagar. Eles juram que qualquer outra opção seria devastadora para o já sofredor mercado de habitação.

A razão deste setor estar tão inflado é que os bancos sabiam que a Fannie Mae e a Freddie Mac seriam capazes de comprar qualquer dívida de hipotecas criada pelo sistema bancário. O resultado está no pânico que tomou conta dos mercados mundiais, e que Lula achou que chegaria ao Brasil apenas u’a marolinha e não o tsunami que atingiu a Europa e a Ásia em 6 de outubro de 2008, a “segunda-feira negra”, como foi chamada.

Mas vejam que não estamos falando sobre o fracasso do mercado. A imprensa e o governo americano estão se esforçando para encontrar um culpado para esta calamidade (i) os tomadores de empréstimos privados e (ii) os emprestadores, ou seja, os bancos.

Mas a origem dessa tragédia foi a legislação federal americana. Essas duas companhias, Fannie Mae e Freddie Mac, não são entidades de mercado. Elas foram por muito tempo garantidas pelo Tesouro, ou seja, pelos contribuintes. Assim aconteceu com a atual crise da habitação. Os bancos estão sendo culpados do fiasco inteiro, e o capitalismo está sendo submetido a uma surra.

Mas a causa real permanece, e há só uma razão para a crise que se agravou a esse ponto. A causa está no intervencionismo, como ensinou Ludwig von Mises nos anos 20 do século passado. E acrescento, (i) imprimir dinheiro para comprar duplicatas podres, (ii) estatizar bancos para salvá-los, (iii) investir em infraestrutura para criar empregos não é uma solução de mercado. Isto eqiuivale a apagar incêndio com gasolina.

Só vai prolongar a crise, fazendo sua curva em vez de ser em forma de V, ser em forma de U, com a base dessa letra bem comprida. E a maior parte da conta deverá ser paga pelos mais pobres, através da inflação. Então é preciso cuidado. As reformas financeiras e a regulação do mercado e outras medidas não devem se arriscar a provocar a destruição da fonte desses ganhos de prosperidade, que é o capitalismo.

A maior parte das intervenções, inclusive as políticas casuais, por sua própria natureza, prejudicam em vez de ajudar, em grande parte acrescentando problemas à incerteza e ao risco, que já são tão acentuados, durante esta recessão.

As reações dos governos demonstraram o perigo que as intervenções destinadas a ajudar podem é exacerbar o problema. As intervenções do Tesouro dos Estados Unidos nos mercados financeiros acrescentaram incertezas e reduziram a velocidade de resposta do mercado, que reagindo por si mesmo ajudaria a estabilizar e recapitalizar o sistema.

O governo ignorou contratos e recompensou muitos daqueles cujas decisões erradas ajudaram a criar a desordem. Em consequência das ações do Tesouro, vemos tomadas de decisão erradas no mercado, pois a propriedade do governo de grandes instituições financeiras ameaça substituir decisões de negócios por decisões políticas na administração destas companhias.

Enquanto tais medidas dramáticas podem ser tomadas, elas provavelmente terão sérias consequências adversas. Esses problemas são sintomáticos de três falhas básicas na abordagem atual da crise. Eles são um diagnóstico por demais falho do problema, uma concepção errônea de que os fracassos de mercado são prontamente superados por soluções do governo e um fracasso em concentrar-se nos custos de longo prazo dessas ações.

O Ímpeto de “resolver” os problemas da crise abriu as portas para ações do governo em muitas frentes. Muitas dessas ações têm pouco ou nada a resolver sobre a crise ou as suas causas. Mesmo uma das idéias mais desacreditadas, o protecionismo, ganhou apoio sob a aparência da estimulação da economia. Tal politica seria um grave erro.

Elas não fazem mais sentido hoje do que fizeram há alguns anos e podem levar muito tempo para serem revertidas. O fracasso de inovações financeiras, como seguros apoiados por hipotecas secundárias, problemas causados por modelos de risco que ignoraram o potencial de quedas íngremes nos preços dos imóveis, e a sobrecarga do risco sistêmico, representam claros fracassos de mercado, embora as inovações em finanças também contribuíssem para o crescimento econômico global nas três décadas passadas.

Quem cometeu erros perdeu, e muitos perderam bastante. As instituições que fizeram maus empréstimos e investimentos tiveram grandes perdas em sua riqueza, enquanto os investidores que financiaram essas instituições sem cuidadosa avaliação viram sua riqueza cair para a metade ou muito menos.

As famílias que tomaram empréstimos exagerados também tiveram duras perdas. Considerando as perdas, os atores nesses mercados têm um estímulo forte para corrigir os seus erros na próxima vez. Neste aspecto, muitas ações do governo foram contraproducentes, protegendo atores das consequências das suas ações erradas e impedindo ajustes do setor privado.

As incertezas da confusa política do Tesouro sobre o capital bancário e a estrutura da propriedade, a vontade do governo de modificar contratos de hipoteca e de dívidas, unilateralmente, e a natureza incerta da futura regulação, assim como a ajuda de subsídios impedem a maior recapitalização privada. Antes que resolver problemas, tais politicas tendem a prolongá-Ios.

A reclamação de que a crise foi devida à insuficiente regulação também não é convincente. Por exemplo, os bancos comerciais estavam mais regulados do que a maior parte de outras instituições financeiras, ainda que eles não tenham ido melhor, e de muitos modos pior. Os reguladores ficaram tomados da mesma mentalidade de bolha que os investidores e falharam em usar a autoridade reguladora disponível a eles.

Em parte, devido ao colapso da construção de casas e dos mercados de capitais, a hostilidade aos homens de negócios e ao capitalismo cresceu fortemente outra vez. E ainda, num mundo que é principalmente capitalista, este é “o unico sistema” que pode produzir, além disso, grandes aumentos da riqueza e da saúde, tanto nas nações pobres quanto nas ricas.

Esperamos que os nossos líderes não se desviem demais de um sistema econômico global orientado para o mercado. Assim fazendo, arriscar-se-iam a danificar um sistema que nos serviu bem durante 30 anos.

Não existe sistema mais justo que o capitalismo!
Muito obrigado.

 

Sobre o autor: Salim Mattar, CEO e Presidente do Conselho de Administração da Localiza, é formado em administração de empresas pela FUMEC – Fundação Universidade de Minas Gerais. Foi eleito por dois anos consecutivos “Best CEO” pela Revista Institutional Investor, uma das mais respeitadas publicações financeiras.

 

Fonte: Libertarianismo




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Felipe, os ultra-liberais defendem uma falácia, que é a saída do Estado sendo substituído pela iniciativa privada, enquanto progresso social. Não conheço um empresário que pemse em recuperar investimento em dez anos, ou trocando em miúdos, não há empresários que investirá numa simples rede de esgôto numa favela. Por que? Porque a lógica neoliberal é de só investir no retorno mais rápido, sendo assim, "inventam" a produção de papel valorizável, e se fartam do suor alheio. O neoliberalismo inventou o empresário de bunda grande, vagabundo e sem empresa, que compra pelo telefone ou internet um monte de papel valorizável, e acha que deve ganhar muito e primeiro que todos. Ainda por cima insinua que os trabalhadores são pobres porque merecem, afinal vivem trabalhando ao invés de se tornarem "competitivos", que no sistema por eles inventado, é eufemismo para vagabundos que vivem do suor alheio.
Serjão!!
excelente!!!( nem vou me estender muito, pois conheço estas historias não de leituras mas de vivências)
Putesgrila, há tempos eu não produzia um texto tão cheio de erros de portugues e concordância! Mas dá prá entender, então apenas minhas excusas.
O capitalismo é intrinsecamente desumano, cruel e exclui aqueles menos favorecidos, aqueles que não tiveram oportunidades de lhes fornecer uma melhor força de trabalho, então podemos dizer que é um sistema economicamente fascista e discriminatório, pois não gera oportunidades de vida e agualdade para todos os cidadãos, que por motivos adversos e alheios a suas vontade (acesso a educação, dificuldades culturais, étnicas, físicas e outras), não podem lhes servir como força de trabalho, em suas máquinas fabricantes dos ganhos do capital. É a própria lei da oferta e da procura na relação da mão de obra ofertada: já que existe em abundância, paga-se o que quiser por ela, para aqueles que lhes convém, e detém assim o direito a um bem maior, que é o trabalho; como um bom escravo, que pode produzir bastante para o seu dono, que se utiliza de sua força de trabalho, sem que tenha o direito de escolha, sem que seja tratado com respeito e dignidade. Muitos chamam isto de democracia, mas chamo isto de injustiça perversa e desumana, pois a liberdade não deve passar nunca a frente da justiça e da dignidade humana, e se alguém tiver alguma dúvida de que o capitalismo fere ambas, me perdoe à sinceridade, alienado está.
Bayardo

Cuidado com os termos impropriamente utilizados. Teoricamente (na prática é outra) o fascimo é contra o liberalismo, logo dizer economicamente fascista e liberal ao mesmo tempo é uma contradição.
Rogério quando descrevi o capitalismo como fascismo, quis sintetiza-lo como impositor de uma conduta econômica (principalmente em seus primórdios) nociva a maioria das pessoas e não como uma doutrina político social. E quando falo em liberalismo, espelho apenas a conduta econômica adotada mais recentemente.
De qualquer forma está incorreto. Poderias utilizar então a palavra totalitarismo, agora quando se utiliza a palavra fascismo tem que se levar em conta que todo o discurso (não a prática) do fascismo era intervencionista como mediador do capital e trabalho, lembre-se que a primeira grande legislação trabalhista do mundo foi implantada pelos fascistas italianos, sendo copiada posteriormente pelo trabalhismo brasileiro.
Caro Maestri, não poderia usar a palavra Totalitarismo como expressão de um pensamento socioeconômico, mesmo que parecesse errôneo utilizar-me da palavra fascismo, pois são ambas condutas de um sistema político e não econômico, que foi a razão de minha explanação. Quando usei a palavra fascismo, tive somente o intuito de reforçar a ideia de imposição, mas somente num contexto econômico, onde realmente esta palavra não deveria estar contextualizada e nem mesmo a palavra Totalitarismo. Como você mesmo quis dizer: (na prática é outra)... O que vale é o contexto em que se usa o termo, mesmo que subjetivamente ou aparentemente infundado, e não a retórica.
O capitalismo não é um sistema baseado na justiça ou fundamentado no bem estar de um povo, ele é baseado no ganho de capital e no acúmulo de riqueza; na utilização deste capital para a compra da mão de obra, como senhores feudais e seus escravos modernos, numa troca e combinação baseado tão somente no saciamento de algumas necessidades básicas oferecidas pelos capitalistas aos seus trabalhadores, que são quem lhes proporcionam os ganhos com o seu trabalho, que em troca da mão de obra vendida por um pequeno percentual baseado no lucro (mais valia) e da garantia de um ilusório e pequeno poder de consumo, garantem ao capitalista o seu produto final, que é o lucro individual e eletivo, além de patrocinar a manutenção do status quo de sua sociedade, que é estabelecida pelas diferenças econômicas e pelo preconceito resultante deste modelo socioeconômico.
E acrescento... Ao advogarem (von Mises, Friedman) que o Estado se retire de todas as decisões econômicas, se abstenha de políticas de inclusão social, de fornecedor de saúde e educação, se mantendo apenas como instância de poder policial, e garantidor da propriedade privada, quem acaba "aparelhando" o Estado são os poderosos e ricos, enquanto o povo fica a mercê de decisões do punho invisível (mas que todos sabem quem são os donos dele) do mercado.
Uma esbórnia anti-democrática, vendida como aqueles remédios do século XIX, que serviam tanto para curar câncer quanto unha encravada.
Serjao, por um momentinho cheguei a ficar preocupada, achei que você tinha ensandecido... Mas, claro, bobagem minha, nao havia hipótese de você estar subscrevendo isso.
O QUE A IRLANDA TEM A DIZER AO BRASIL, MAS OS JORNAIS ESCONDEM

Depois de quebrar o país com políticas fiscais ortodoxas, o governo neoliberal da Irlanda anunciou nesta 4º feira um plano de 'ajuste' do tipo 'gasolina na fogueira'. A saber: corte da ordem de 20% no salário mínimo; corte de 24.750 vagas no setor público e redução de 10% nos salários dos que ficam; redução de gastos com o bem-estar social, incluindo aposentadorias e aumento do imposto de renda sobre os assalariados. As empresas e o grande capital foram poupados. O déficit fiscal do outrora cintilante Estado mínimo irlandês, se somado o dinheiro para ajudar bancos falidos, transita na faixa dos 32% do PIB. Os jornalões, colunistas & consultores nativos que no passado fizeram genuflexões ao ' Tigre Celta' como exemplo de eficiência mercadista fingem que o funeral planetário do laissez-faire não é com eles. E continuam chantageando o governo Dilma a 'provar' que seu ministério econômico será ortodoxo e que o BNDES vai minguar juntamente com 'a gastança' fiscal. (Carta Maior - 25/11)

fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/blogMostrar.cfm?blog_id=6

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