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O Brasil inteiro tem acompanhado a questão: mais um dos escândalos dos livros didáticos no Estado de São Paulo. Neste texto quero pura e simplesmente comentar como são feitas as escolhas de livros nas escolas públicas Brasil afora, pois é a forma de escolher é padrão (vale ressaltar que este ano estamos com resolução nova para a escolha, e é preciso conhecer essa resolução), é o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático).

Não tendo a pretensão de eximir os culpados, quaisquer que sejam eles. Nos últimos meses o país tem sido bombardeado com a questão dos crimes de pedofilia, tanto dentro, como fora do território tupiniquim, porém o sensacionalismo midiático continua como vilão, por informar parcialmente a população.

Na tentativa de verificar todos os ‘possíveis’ culpados, precisaremos ir de encontro aos interesses de nossas vítimas, que, no caso, de tratam de pequenos inocentes: nossas crianças.

Peço licença para falar em prol da ordem social e não somente defender ou acusar, quem quer que sejam os culpados. O caso não de honra profissional, tomando as dores da classe sindical dos professores, mas é mesmo de indignação social.

Ora, todos nós temos responsabilidades com as crianças de acordo com a ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), sem eximir a sociedade de sua culpa pelo descaso geral com as crianças, digo: a LDB (Lei de Diretrizes e Bases), de 1996, deveria ser apenas o começo para regulamentarmos melhor a educação no país. Mas uma década se passou e mais nada foi regulamentado. Criaram-se vários outros mecanismos, mas a LDB precisa ser revista, pois ela não deixa claro o papel de cada ente social, na educação. Ficou muito mais a cargo governamental, que social.

A escola passou a ser depósito de criança, onde os pais também depositam as esperanças, quanto à formação moral de seu filho. Mas pergunto: O que a escola deve ensinar? Conteúdos ou comportamento social?

Bom, com disse, rever a LDB seria um passo, mas não o primeiro. O primeiro deve ser organizamo-nos para debater seriamente o papel da escola. E com todos participando veremos onde estamos errando, proporemos idéias, acertaremos, assim, os ponteiros de um relógio que não deveria marcar um futuro tão incerto para os inocentes.

E por que digo isso? Quando estava fazendo minha pós-graduação, em determinado conteúdo, nos deparamos com o assunto: escolha do livro didático, assunto que não ficou claro pra nenhuma das presentes, pois o assunto foi levantado da seguinte forma: se o livro passou por uma avaliação de pessoas qualificadas como: PHD, Doutores e Mestres em Educação, então por que não chega um material já seleto entre os melhores? A professora em voga estava nos administrando o curso, fazia mestrado em Barcelona e participava do seleto grupo de avaliadores dos livros didáticos. Quando a escola recebe a lista de livros para escolha, são poucas os profissionais que lêem o resumo sobre o conteúdo a ser ministrado. Alguns escolhem pela capa. Ora, estamos tratando de livro didático, ou escolhendo um livro de romance para distrairmo-nos? Mas o ponto ainda não é este, agora vêm às perguntas mais difíceis: Quem avaliou o livro previamente, e profissionalmente faz parte de um grupo seleto entre os melhores e mais renomados então, por que, deixar entrar na lista de livros didáticos aqueles que receberam classificação C, D, ou E? Por que já deixaram de fora estes e deixou apenas duas classificações (A e B), para os profissionais de ponta, aquele que faz o serviço braçal?

E digo mais: ora qual a formação acadêmica para quem elabora um livro didático? Garanto que passa primeiro pelos interesses financeiros, e em geral de pessoas que estão fora da prática de sala de aula ou nem nunca colocarão os pés na escola como profissional da educação. Senhores, livro no Brasil, é lucrativo, principalmente o didático, todo início de ano, recebemos a lista de material escolar e está lá o pedido. É preciso renovar o estoque. Mas, é o professor de ponta que rala, perde voz, passa por apuros e hilários momentos, que recebe um salário vergonhoso, sim, é este profissional vai escolher o livro, que muitos especialistas, das mais renomadas áreas, consideram – principalmente, se for professora de séries iniciais, a quem demos a liberdade de ser da família: a tia, e retomo ao livro de Paulo Freire, cujo título é: Professora sim, Tia não – Cartas a quem ousa ensinar (editora olhos d’água: 1977) –, sim, ao profissional visto como desqualificado, caberá a decisão de tal empreitada, é este quem faz a escolha. Ora você contrata um engenheiro para realizar determinada obra, mas o pedreiro é quem vai escolher o material? E você deixa, sem fazer objeções? Com certeza a resposta será não, pois sabemos que um edifício é feito de materiais e mão de obra qualificada, e é por segurança que se tem um engenheiro responsável.

Já quanto à educação: quem pega a empreitada de edificar a educação é um ‘peão de obra’, mas que serve, também de ‘escora’ na construção do edifício, que nem começou as obras, e já está prestes a desabar (digo isto, por que temos uma história de pouco mais de 500 anos de país). Quais os futuros têm planejando para os nossos filhos? O que estamos fazendo com nossas crianças? Quando nos daremos conta do caos social que estamos produzindo e perpetuando para o futuro? Espero que consigamos salvar alguma criança para contar histórias.

Blogger: www.educaurgente.blogspot.com

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Lúcio não creio que vc foi pessimista, mas assim como eu, vc tem visto uma lacuna que não sabemos onde começou ao certo e muito menos onde esta lacuna educacional levará. Isso não é pessimismo, mas ao contrário, é um olhar de critica construtiva para o bem comum da nossa sociedade.
Somos demasiadamente egoísta é por isso que as crianças tem a coragem de chamar adultos de metirosos sem pestanejar, pois o egoísmo da criança se dá diferentemente do adulto. O adulto sabe o que é egoísmo e mesmo assim o pratica a criança pratica por que não sabe, uma vez ensinado a dividir, ela divide sem problema algum.
Miriam e Lúcio
Vocês tocaram num assunto que tenho me batido muito, a transferência de responsabilidades da família e sociedade em geral para a escola.
A idéia de que a escola tem que formar cidadãos tem sido mal interpretada, todos estão julgando esta idéia como se a cidadania fosse composta por pessoas que apreendem na escola cursos de boas maneiras, educação para o tráfego, consciência ambiental e português, matemática, história, geografia, física e outras ciências básicas ficam para segundo plano. Cada deputado quer introduzir no currículo das escolas o que ela acha importante, não há um corpo lógico e estruturado que permita o essencial para a CIDADANIA a CAPACIDADE DE REFLETIR.
Transformam-se os professores e professoras em TIOS e TIAS que deverão ensinar o que as crianças deveriam estar apreendendo em casa. Sem o poder que os pais,tios e tias tem sobre as crianças elas questionarão não o que devem questionar, mas sim os princípios de civilidade que deveria vir de casa. Professores sendo desrespeitados, humilhados e até agredidos tem por raiz esta distorção que se está introduzindo no ensino. Confunde-se a possibilidade de uma criança refletir, questionar ou até no limite corrigir professores em matérias técnicas com o questionamento da atitude de um professor na sala de aula. Questiona-se a até validade da introdução de conceitos de matemática, pois não se tem o conhecimento da estrutura do ensino como algo gradativo preparando os alunos para um conhecimento maior.
Quanto aos sindicatos e associações de professores estes não estão preocupados com o que se deve estudar, aí está uma grande encruzilhada! Seria função de um sindicato de professores este tipo de tarefa? Ou eles teriam simplesmente a tarefa de reivindicar questões trabalhistas? Esta seria uma grande discussão a ser levantada, um sindicato comum trata das relações trabalhistas entre o empregador e empregado para tarefas pré-definidas, já um sindicato de docentes trata de tarefas que terão a sua implementação definida pelos seus filiados. Não é a mesma coisa. Podemos imaginar um sindicato de metalúrgicos que além de negociar as condições de trabalho teria que negociar o tipo de automóvel que seus filiados iriam produzir?
O ensino é algo muito maior, é como proposto em outro post, uma questão de estado.
Rogério, se o Sindicato estiver refletindo as posições tomadas pelos professores, ele é, sim, um dos que deve tomar posição quanto a currículos, e várias outras coisas do cotidiano escolar (pena é que nao fazem isso...). Ou quem deve tomar posições? Só os burocratas do MEC e das Secretarias de Educação, distantes há milênios de uma sala de aula e dos problemas que ocorrem lá? Ou socialites como a irmã do Senna, ou empresários como os da Votorantim, interessados apenas em formar mao de obra para suas empresas?
Ótimo, Ana Lú
Qual sindicato reflete as opiniões de seus associados sobre currículos.
Eu presenciei uma assembléia com dez mil professores em que se formaram grupos de trabalho, e após várias discussões chegaram a um consenso sobre os currículos que deveriam ser empregados no primeiro e segundo grau, só um detalhe esta assembléia era em MARTE.
Sabe muito bem qual é a minha opinião de empresários e dondocas falando sobre educação. Não preciso dizer o que acho dessas intervenções “bem intencionadas”, pois baixaria o nível do blog! Mas o que deixa nas mãos de burocratas do MEC e das secretarias de educação o poder de discutir e normalizar o ensino é também a partidarização do discurso dos especialistas que estão de fora do sistema. Não estou falando da POLITIZAÇÃO, que é necessária sempre, estou falando do uso do ensino como instrumento partidário.
Pois é, entao, quem deve participar das decisoes?
Pesquisadores em educação, educadores em geral, associações de docentes (não sindicatos, estes são feitos para lutar por melhores condições de trabalho – salário, carga horária, férias, plano de carreira, etc) e sociedade civil em geral. Parece um pouco anacrônico, mas vestir uma camisa de uma cor durante a segunda-feira e outra durante a terça-feira, além de ser anacrônico é imoral.
Ah, bom. Desde que associações de docentes estejam incluídas (mas quais existem sem ser sindicatos? Em Marte, tb?), OK.
Erraste, existe na Terra!!!!
Re: O DESCASO DIANTE DO ESCÂNDALO DO LIVRO DIDÁTICO.

Que se entende por biblioteca no Brasil? Algo geralmente silencioso, mas não em respeito a sua essência, e sim da total ausência de pessoas!

Este é o retrato de qualquer biblioteca de uma escola estadual ou municipal em São Paulo, um ente que ainda não faz parte da sociedade, nem da escola. Estudei a vida toda no ensino público estadual de São Paulo, rara foram às vezes em que fizemos visitas assistidas ou fomos estimulados a freqüentar a biblioteca de nossa própria escola; posso dizer que o acesso era bem dificultado.

O descaso com a leitura começa na base, os pais não leram e os filhos não irão ler e assim sucessivamente, devido à falta de cultura do livro em nosso país. Quem poderia quebrar este circulo vicioso é a escola, atuando como peça geratriz de uma verdadeira revolução social.

Mais do que nos preocuparmos em centralizar ainda mais a escolha dos livros, realizada muitas vezes por professores distantes da realidade de Parelheiros ou do Capão Redondo, deveria ser dada maior independência- aliado ao investimento mais importante de todos, que é a formação do professor.

O professor, localmente, deve ser o artífice dessa transformação de hábitos, jamais poderá ser excluído da escolha desses livros, estes “pedreiros” são o nosso contato imediato com o aluno, e retira-lo do processo de escolha é um erro.

Infelizmente, as crianças não irão sozinhas buscar a biblioteca, por isso a importância daquele que esta em permanente contato com a criança.

O alvo principal de qualquer política pública que queira produzir resultados nesse sentido deve focar primordialmente o papel do professor, este deve ser estimulado e preparado a usar a biblioteca e fazer as escolhas pedagógicas corretas.
Daniel
Só algumas retificações. Não há descaso pela leitura, os pais não liam porque eram analfabetos, bibliotecas não são utilizadas, porque não existem, e por último, as pessoas também não lêem porque o livro é caro.
Concordo com seus argumentos e acrescento a "fábrica de livros" em que as Editoras se transformaram, estamos (Escolas Públicas) escolhendo os livros didáticos para 2010, o assédio é imenso e a qualidade péssima, não só na questão qualidade de material, (esses livros devem ou deveriam durar 3 anos, mas desmancham-se com 1 ano de uso), e o pior é a qualidade do conteúdo, com a obrigatoriedade do ensino de 9 anos, nos deparamos com livros que apenas receberam "capa nova" mas, o conteúdo não dá conta das mudanças. infelizmente não temos opção diante de tudo isso.

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