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A expansão do duguinismo no Brasil tem sido muito rápida mas, como não poderia deixar de ser, passa totalmente despercebida da mídia e dos “formadores de opinião”, assim como aconteceu com a ascensão do Foro de São Paulo de 1990 a 2007. http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/america-latina/co...  +  https://www.youtube.com/watch?v=Gs4fj8h-XyA

Dentre os movimentos neofascistas que floresceram na Rússia PARA OCUPAR O ESPAÇO IDEOLÓGICO DO COMUNISMO, o mais interessante e, de longe, O MAIS FORTE, é a corrente “EURASIANISTA” criada e liderada pelo prof. ALEXANDRE DUGUIN. Filho de um oficial da KGB, Duguin é ele próprio um colaborador e um protegido do governo russo, o ideólogo maior por trás das decisões estratégicas de Vladimir Putin. Sem um estudo sério dos seus ensinamentos é impossível entender a linha de ação do Kremlin. Creio ter sido o primeiro a chamar a atenção do público brasileiro, desde uns quinze anos atrás, para a importância crucial do fenômeno Duguin. Graças à MÓRBIDA INDOLÊNCIA MENTAL DE NOSSAS ELITES,  a advertência caiu em ouvidos moucos. Mas, se são AVESSOS A TODO ESTUDO SOLITÁRIO,   OS BRASILEIROS  de classe média e alta SÃO, na mesma medida, altamente PROPOENSOS A DEIXAR-SE ARRASTAR POR QUALQUER BANDEIRA IDEOLÓGICA QUE CHEGUE DO EXTERIOR COM SUFICIENTE RESPALDO FINANCEIRO E DISPOSIÇÃO DE CONQUISTAR TERRITÓRIO.   Assim, se NINGUÉM SE PREPAROU INTELECTUALMENTE  para enfrentar a EPIDEMIA DUGUINISTA  que eu anunciava como inevitável, essa epidemia acabou ENTRANDO NO BRASIL  como quem arromba uma porta aberta, fazendo não só centenas adeptos nas universidades como também cooptando agentes pagos dispostos a tudo pela glória do Império Eurasiano, que no fim das contas não é senão a boa e velha Mãe Rússia com roupagem multinacional.

DUGUIN e Limonov divergiram quanto ao governo Putin, que o segundo  condenava e no qual o primeiro viu sua grande oportunidade de subir na vida. Duguin tornou-se o ideólogo do regime, vivendo em instalações  confortáveis, rodeado de centenas de assessores, tudo pago pelo governo, enquanto Limonov ia para a cadeia. O nacional-bolchevismo estava acabado: nascia, em seu lugar, o “EURASIANISMO”, que é praticamente a MESMA COISA ADORNADA com uma profusão de novos e rebuscados argumentos extraídos das obras do  geógrafo inglês Halford J. Mackinder (1861-1947), dos pensadores “russófilos” do início do século XX, dos teóricos nazifascistas e dos tradicionalistas guénonianos e schuonianos.

O núcleo da doutrina é a idéia de que a história humana inteira é pautada por uma guerra sem fim entre “potências terrestres”, ou “eurasianas”, e “potências marítimas”, ou “atlânticas”. Hoje em dia essas duas forças são representadas, respectivamente, pelo bloco russo-chinês e pela “aliança atlântica” dos EUA com a Inglaterra e Israel. Segundo DUGUIN, os povos “terrestres” são guiados por altos ideais heróicos, os “ATLÂNTICOS” pela cobiça e desejo de poder. O mundo só será feliz QUANDO o BLOCO ATLÂNTICO FOR DESTRUIDO E O IMPÉRIO EURASIANO DOMINAR – sem nenhuma cobiça ou desejo de poder, é claro – o globo terrestre inteiro. So simple as that.

A força do duguinismo reside no atrativo que exerce sobre mentalidades diversas e aparentemente incompatíveis entre si: patriotas russos ansiosos para restaurar as glórias imperiais do czarismo, saudosistas do Führer e de Mussolini, comunistas em crise de desamparo ideológico desde o fim da URSS, católicos tradicionalistas inconformados com as reformas do Concílio Vaticano II, INTELECTUAIS GUENONIANOS 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Gu%C3%A9non​    revoltados contra o materialismo moderno e, como não poderia deixar de ser, brasileirinhos universitários sempre dispostos a receber de braços e pernas abertos uma formuleta ideológica prêt-à-porter QUE OS DISPENSE DE LER LIVROS.

A expansão do duguinismo no Brasil tem sido muito rápida mas, como não poderia deixar de ser, passa totalmente despercebida da mídia e dos “formadores de opinião”, assim como aconteceu com a ascensão do Foro de São Paulo de 1990 a 2007. http://www.olavodecarvalho.org/semana/070115dc.html

E é justamente aí que eu entro na história. Momentaneamente em crise de dúvida, ALGUNS DUGUINISTAS PRINCIPIANTES DECIDIRAM PÔR AS IDÉIAS DE DEU GURU EM TESTE,  promovendo um debate entre ele e este articulista. O texto integral dos pronunciamentos de parte a parte foi publicado pela Vide Editorial, de Campinas, sob o título Os EUA e a Nova Ordem Mundial. Um Debate entre Alexandre Duguin e Olavo de Carvalho (2012).  http://www.livrariacultura.com.br/p/os-eua-e-a-nova-ordem-mundial-3... Mesmo o leitor que não morra de amores pela minha pessoa notará que, nesse confronto entre um escritor independente e o poderoso representante da ditadura russa, os argumentos do meu adversário  foram reduzidos a pó. As mensagens finais do prof. Duguin não escondem sua irritação e despeito ante um oponente que não lhe deixava mesmo margem para outra coisa.

Incapaz de refutar qualquer das minhas objeções ao eurasianismo, o prof. Duguin não era e não é, no entanto, sonso o bastante para deixar de perceber na minha influência o principal obstáculo à penetração das suas idéias no Brasil. Era de se esperar, portanto, que mais cedo ou mais tarde a militância duguinista, inconformada com a humilhação do seu guru, desistisse da concorrência intelectual e partisse para uma campanha de “character assassination” no bom e velho estilo KGB, muito mais maliciosa, peçonhenta, organizada e bem subsidiada do que qualquer iniciativa similar da esquerda nacional. Nos próximos artigos darei alguns detalhes sobre o episódio, altamente significativo do futuro que se prepara para o Brasil.

Publicado no Diário do Comércio.

Fonte: http://www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/15032-o-duguinism...   


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