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Este texto foi feito a várias mãos e algumas ideias. O fato é que o episódio ocorrido com o garoto Cesar, de Brasília, noticiado pela TV Brasília - no link http://www.correioweb.com.br/tvbrasilia/index.htm?id=3337- do grupo do Correio Braziliense, nos chocou ou pelo menos motivou uma vontade grande de ir lá, falar com o dentista e tentar entender como é que ele decidiu tirar todos os dentes deste rapaz sem consultar a família? Teria sido descaso? Teria sido desrespeito? Ou mesmo demonstração de uma perversão?

A nossa intuição diz que não foi somente a falta de diálogo que provocou a perda dos dentes. Do ponto de vista do poder público as investigações estão caminhando.

O que podemos fazer para cutucar esta situação e aumentar a celeridade?

Quando este dentista arrancou os dentes, ele praticamente amputou uma parte da história desta família. A mãe coloca no vídeo que sempre cuidou deste menino e ele estava quase pronto para começar a trabalhar. Foram muitos anos de empenho, cuidado especial, levar à escola, segundo comentários do Edmar.

Já, Luzete, comentou que, quando o dentista extraiu os dentes, ele não apenas realizou este ato. Edmar afirmou que uma família como esta, que cuida de uma pessoa com alguma deficiência tem um grau de dedicação e atenção, viu-se abalada por esta mudança radical na relação.

Eu, Edmar, Rosiméri e Luzete estamos pensando a respeito. E você?

http://www.correioweb.com.br/tvbrasilia/index.htm?id=3344

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Respostas a este tópico

É preciso perguntar quais as consequências deste ato na vida do garoto Cesar, como isso afetará sua vida?

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é preciso perguntar a ele, mas pela matéria ele já diz que gostaria de ter seus dentes.

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Nao consigo nem pensar nessa imagem do garoto. Nosso amigo que nasceu com Down tinha varios dentes encavalados --ainda tem-- e nao conseguia engolir comida por outros problemas. Um dia teve uma "operacao" pra "consertar" alguma coisa na garganta --lembrei agora , era um buraco na garganta entre boca, narina, e esofago, e ele nao tem cordas vocais tampouco-- e nunca mais dormiu direito. Hoje ele acorda no meio da noite e senta pra dormir porque nao consegue parar de tossir se engasgando na propria saliva a noite toda, sem contar com a hora das refeicoes, nas quais ele chega a vomitar.

Perdao mas eu acho dificil comentar qualquer coisa inteligente lembrando dele. Acho que o dentista tinha tao pouca experiencia que nunca ouviu falar de gente com Down ter multiplos dentes encavalados. Eh triste. Nao foi "falta de dialogo", foi falta de pesquisa mesmo. So faltava essa, dentista analfabeto.

(Esse menino, ja com 22 anos, mal ja teve qualquer carie na vida. A mae dele nao deixa, ensinou a escovar muitissimo bem. Eu ganhei um barbeador de 200 dolares uma vez, nao fazia o menor sentido pra mim ficar com ele pra me barbear a cada duas semanas como sempre faco, e eu o dei pro nosso amigo, ele deve ter ate hoje.)

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http://www.correioweb.com.br/tvbrasilia/index.htm?id=3358

GDF vai assumir o implante do menino.

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Implante em quem tem problemas de dentes geneticamente determinados? Eles estao procurando por problemas! E se o implante for recusado e o menino nao souber o que esta acontecendo ate ser tarde demais? E se der infeccao?

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Ivan, o menino tem família, a mãe verificará isso. O que nao pode acontecer é o pobre do garoto ficar totalmente sem dentes. Ele já tem Down, o que já causa discriminação; ficar totalmente sem dentes arrasa com a auto-imagem de qualquer um. Sofrimento nao se dá só por "causas objetivas" nao, há sofrimento psíquico tb...

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Monstro!

Não tem outra coisa a ser dita a respeito desse ser.

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Não sei se apenas punições e retratações vão remediar o que já esta estabelecido.
É lamentável o ocorrido.
Violência x traumas xtristeza

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A matéria veiculada diz se, por acaso, esse procedimento foi realizado em apenas uma sessão? Ao que me consta, parece ter mais explicações. Não estou aqui defendendo um colega que nem conheço, mas creio haver necessidade de mais esclarecimentos antes da condenação. Ninguém faz 28 exodontias em uma só sessão. Ainda mais em alguém com tricromossomia.

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Eurípedes,
tudo leva a crer que foi tudo feito numa só sessão, sim, daí o desencanto da família, do menino. A mãe diz que entregou o filho para fazer duas extrações e recebeu o filho daquele jeito.

Se tivesse sido em mais sessões, ele, o louco, não teria praticado esta insanidade, entendeu?

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Bom dia, A minha formação primeira foi Odontologia, com especialização em Perio, que cuida de problemas de gengiva, ossos, estruturas de sustentação dos dentes. Na rede pública eu trabalhava exclusivamente com crianças de necessidades especiais. Já faz um tempinho que abracei outra carreira, tive um problema na mão direita que limitou meus movimentos, não poderia continuar operando. Mas ainda posso dar um pitaco ou outro.
O Eurípides tem razão ao dizer que o caso teria de ser conhecido em seus detalhes. Minimamente houve uma falta de preparo do dentista, ou um descaso na condução do caso. A extração total dos dentes de um ser humano é o último recurso, é um procedimento mutilante, o impacto psicológico é severo e só é indicado quando não há possibilidade de tentar algo mais conservador. (Ainda assim, em pacientes especiais, quando indicado, é feito de uma só vez, geralmente, sob anestesia geral ou sedação, conforme o caso.) Há que se dizer que, muitas vezes também fica indicado mesmo quando olhamos e não vemos nem uma cárie. É comum associarmos a perda dos dentes às cáries que são processos mais visíveis. Mas a doença periodontal, mais silenciosa pode chegar a um quadro tal que os dentes ficam todos indicados para a retirada. Mas é exatamente aí que quero me deter.

Isto, quando acontece, não acontece da noite pro dia e nem mesmo acontece sem que haja tudo o que fazer para impedir, e tudo aqui significa tão somente algo chamado Educação para Saúde. E educar para saúde tem de ser programático, tem de se perpetuar no tempo, tem de ter envolvimento de equipes multidisciplinares, da família, vontade e consciência de todos os envolvidos.
No caso da Odontologia especificamente, se é possível, optamos até por manter a doença sob controle – quando não há como curar – interrompendo ou adiando seu curso. Não sei em que estágio o dentista pegou. Ainda que tenha pegado num estágio sem retorno, se não preparou a família, a criança, especialmente sendo portador de Down, já com suas dores adicionais; se não pensou e planejou o depois – porque depois há que se reabilitar o sorriso de alguma forma com prótese – enfim, falhou com a ética que rege a profissão e, especialmente, com a ética que deveria reger as relações humanas. E isto não é pouco, porque nada, absolutamente nada, nem diploma, nem grana, nem conhecimento técnico, nada substitui a ética. Tecnicamente teria de ver todo o prontuário do paciente para opinar. Mas se era o caso, então foi mais um fracasso do sistema todo de saúde e do ensino nas faculdades de Odontologia que hoje proliferam como ratos.
Um ensino ainda voltado para o curativo, onde Prevenção é ensinada como matéria isolado, como se toda prática não tivesse de ter como pano de fundo sempre uma ênfase nos processos preventivos, uma grade que privilegia a incorporação de tecnologias caríssimas que alimentarão os lucros de grandes grupos, nenhuma formação na área de ciências humanas, porque afinal, as escolas se esquecem que preparam profissionais de saúde para lidar com pessoas e pessoas fragilizadas.
E um atendimento na rede pública que embora tenha melhorado em relação ao que era, ainda tem muito o que caminhar. Pouco antes de abandonar minha prática, a prefeitura daqui resolveu acabar com os serviços de atendimento para portadores de necessidades especiais. Éramos três profissionais e ela resolveu que seríamos transferidos para os postos de saúde e os serviços fechados. Que atender estes pacientes em separado ia na contra mão dos processos de inclusão dos diferentes. Vi dez anos de um trabalho muito sério sendo desmontado. Um trabalho conjunto de uma equipe que sabia, as diferenças que inferiorizam uma pessoa tem sim, de ser consideradas em separado. Um portador de Down tem uma prevalência maior de doenças periodontais, tem dificuldades maiores de controlar, precisa que seus pais sejam orientados e se tornem multiplicadores dos conhecimentos específicos necessários para o acompanhamento de seus familiares. Os retornos ao serviço tem de ser em intervalos menores. Idem com o deficiente visual e o auditivo e os portadores de paralisias e demências cerebrais. A vida me mostrou outros caminhos quando me vi impedida de continuar. Mas leio notícias como estas e sinto que tínhamos razão em resistir à esta inclusão de mentirinha que talvez, de forma relevante, tenha contribuído para o desfecho triste deste paciente da reportagem.
Sei que a vontade que dá é socar a cara do dentista. Lembro-me das trezentas crianças que tinha sob minha responsabilidade, da carinha de cada uma delas e certamente, a minha vontade é maior ainda. Mas ele é só uma pontinha do iceberg. De um mundo que se organiza de tal forma, que gera sociedades e Estados que tem feito sistemáticos desaforos com a ética, com a saúde e a educação, pilares do exercício da cidadania plena.

Ah e só porque li nos comentários. Alguém falou de crianças com fissuras, as mais conhecidas são conhecidas como “ lábios leporinos”. Temos em Bauru um centro que é referência na América Latina para tratamento destes casos. Nós o chamamos carinhosamente de Centrinho e é um hospital de reabilitação da USP, que tem um trabalho fantástico. Recebem pessoas do Brasil todo e de outros países, e tive a alegria de acompanhar vários pacientes que foram reabilitados por eles e que estão aí hoje reintegrados, vivendo normalmente. É um trabalho que merece ser reverenciado. Nos nossos serviços aqui, a gente tinha de se mobilizar pra conseguir a grana das passagens pro paciente e o acompanhante até lá, mas chegando lá o atendimento, as cirurgias, tudo era feito com excelência e gratuidade. Além de manter cursos de pós graduação e formação de multiplicadores. Vale a pena dar uma olhada no site e divulgar.
http://www.centrinho.usp.br/

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Wow Vera!

Muito obrigada por suas explicações. Aliás, me enriqueci lendo todos os comentários! Saí um pouco por motivo de trabalho e quando volto, esta riqueza!
Percebo pelo que foi comentado aqui algumas coisas:
- a imprensa infelizmente -até como jornalista posso falar - não se preocupou em falar de verdade com o dentista. Pareceu que a procura por ele mais pareceu já um julgamento e um inquérito policial 'jornalístico'. O que deve tê-lo afugentado. Que horro: a imprensa dá medo hoje em dia.
- a imprensa não conseguiu entender direito da mãe se tudo foi extraído no mesmo dia, se havia educação para a saúde etc. Não investigou o suficiente para dar subsídios necessários a todos nós opinarmos e formarmos opinião de forma suficiente para agregar valor de conhecimento a esta problemática de saúde pública.
- por conta da falta de acesso à informação qualificada, não conseguimos sequer saber coisas como o que a Vera ou o que o Ivan Moraes trouxeram sobre as peculiaridades destes meninos e meninas, sua dentição, suas necessidades. Quantos na sociedade sabem disto além dos poucos que estão lendo este fórum!
Enfim, será que ao menos estes dados estão chegando à mãe do garoto? O que será que está ocorrendo agora, neste exato momento, ao garoto?
E a outros garotos e garotas com a mesma necessidade ao assistirem às matérias veiculadas? O medo? Talvez.
Eu tenho me pegado muito nesta questão de quanto medo tem sido injetado em todos nós, em doses homeopáticas.... Só para refletir...

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