Brasília, 11 de Julho de 2014.  Flavio Lyra

As vexaminosas derrotas da seleção brasileira de futebol nos jogos contra a Alemanha e a Holanda são apenas um sintoma, ainda que deprimente, de um quadro mais geral de incapacidade atual da sociedade brasileira de aproveitar o potencial de seu povo para se afirmar no cenário internacional.

Restringindo a atenção às questões relacionadas com a preparação e desempenho da atual seleção, resulta evidente que o mau desempenho da equipe revelou-se desde a fase inicial de atuação na Copa da atual Comissão Técnica, comandada por Luís Felipe Scolari.

Quem é apreciador de futebol já sabia que Scolari é um técnico ultrapassado frente ao processo de aperfeiçoamento do jogo de futebol, que vem ocorrendo no mundo desde a última Copa, ganha pela Espanha. Seu assessor Parreira, padece da mesma deficiência.

Nas grandes equipes do futebol mundial, juntam-se atualmente várias qualidades: refinamento técnico e polivalência dos atletas, excelente preparação física, sentido coletivo do jogo, conhecimento das equipes adversárias e capacidade de variação tática em função do adversário e do andamento da disputa, assim como liderança técnica dos treinadores.

É indiscutível que, salvo algumas exceções de menor importância, o refinamento técnico e a polivalência dos atletas brasileiros convocados esteve fora de dúvida. A grande maioria deles joga em equipes de destaque no mundo. O diferencial da atual seleção brasileira residia precisamente nesse aspecto. Formar uma equipe competitiva dependeria, portanto, da consecução dos demais requisitos.

Excetuando a preparação física, Felipão e sua equipe, falharam redondamente nos demais aspectos. Não conseguiram dar um sentido de ação coletiva à equipe, pois montaram um esquema tático pobre baseado no aproveitamento da capacidade de improvisação dos atletas, especialmente de Neymar. Com a contusão de Neymar a equipe desmoronou. Os lançamentos diretos da defesa para o ataque revelaram-se uma forma tosca e ineficaz de chegar ao gol dos adversários.

Frente a equipes que apresentavam um grande poder de variação tática   em função do adversário, mas também ao longo de cada partida, a monovalência da equipe brasileira a tornaram presa fácil das outras equipes.

Lamentável, sem sombra de dúvida, foi a atitude voluntarista e irrealista de Felipão e de Parreira em suas entrevistas públicas, quando procuraram impingir ao público uma interpretação positiva primária do mal desempenho da equipe em todas as partidas baseada em: insinuações quanto à correção das arbitragens, em alegações inconsistentes de que a equipe vinha atuando bem etc.

É muito provável que o desequilíbrio psicológico que afetou pesadamente a equipe desde o jogo com o Chile, tenha decorrido da constatação pelos atletas da inferioridade tática do esquema de jogo posto em prática pela seleção em comparação com as demais seleções, inclusive de países considerados de menor expressão no futebol internacional.

Salvo algumas exceções, os jogos entre países que gozam de prestígio no futebol internacional e países de menor expressão foram todos muito equilibrados, revelando uma tendência forte ao nivelamento da capacidade das equipes.   

É preciso ter em conta, entretanto, que o desempenho pálido da seleção brasileira insere-se num contexto mais geral de degradação relativa da qualidade do futebol jogado no Brasil, devido a várias causas.

A CBF e os clubes de futebol têm se notabilizado pelo baixo padrão organizacional e têm sofrido as consequências negativas de estar sendo comandados há muitos anos por dirigentes de visão estreita e, por que não dizer por verdadeiras máfias, que fazem do futebol fonte de enriquecimento ilícito.

É evidente o despreparo do quadro de técnicos de futebol do país, com a predominância da figura emblemática do “professor” que, na maioria das vezes, é de baixo nível intelectual, escravo de superstições, e que chega à condição de técnico apenas por ter sido atleta no passado. É notória a incapacidade desses senhores para acompanhar os aperfeiçoamentos que vêm ocorrendo em outras partes do mundo em que os técnicos são verdadeiros estudiosos do futebol e pessoas sensíveis ao avanço dos conhecimentos científicos.

As inegáveis virtudes que possuem naturalmente os brasileiros para a prática de futebol, que permitiram chegar a condição de vencedor de cinco copas no mundo no passado, conforme ficou cabalmente demonstrado na atual copa já não são, nem serão no futuro, suficientes para o Brasil voltar a ser campeão mundial.

O quarto lugar, a que chegou a seleção brasileira pode ser considerado injusto se se considera o bom desempenho de outras equipes como o Chile e a Colômbia, por nós derrotadas de modo pouco convincente. 

O FRACASSO DA SELEÇÃO  BRASILEIRA

Brasília, 11 de Julho de 2014.  Flavio Lyra

 

As vexaminosas derrotas da seleção brasileira de futebol nos jogos contra a Alemanha e a Holanda são apenas um sintoma, ainda que deprimente, de um quadro mais geral de incapacidade atual da sociedade brasileira de aproveitar o potencial de seu povo para se afirmar no cenário internacional.

Restringindo a atenção às questões relacionadas com a preparação e desempenho da atual seleção, resulta evidente que o mau desempenho da equipe revelou-se desde a fase inicial de atuação na Copa da atual Comissão Técnica, comandada por Luís Felipe Scolari.

Quem é apreciador de futebol já sabia que Scolari é um técnico ultrapassado frente ao processo de aperfeiçoamento do jogo de futebol, que vem ocorrendo no mundo desde a última Copa, ganha pela Espanha. Seu assessor Parreira, padece da mesma deficiência.

Nas grandes equipes do futebol mundial, juntam-se atualmente várias qualidades: refinamento técnico e polivalência dos atletas, excelente preparação física, sentido coletivo do jogo, conhecimento das equipes adversárias e capacidade de variação tática em função do adversário e do andamento da disputa, assim como liderança técnica dos treinadores.

É indiscutível que, salvo algumas exceções de menor importância, o refinamento técnico e a polivalência dos atletas brasileiros convocados esteve fora de dúvida. A grande maioria deles joga em equipes de destaque no mundo. O diferencial da atual seleção brasileira residia precisamente nesse aspecto. Formar uma equipe competitiva dependeria, portanto, da consecução dos demais requisitos.

Excetuando a preparação física, Felipão e sua equipe, falharam redondamente nos demais aspectos. Não conseguiram dar um sentido de ação coletiva à equipe, pois montaram um esquema tático pobre baseado no aproveitamento da capacidade de improvisação dos atletas, especialmente de Neymar. Com a contusão de Neymar a equipe desmoronou. Os lançamentos diretos da defesa para o ataque revelaram-se uma forma tosca e ineficaz de chegar ao gol dos adversários.

Frente a equipes que apresentavam um grande poder de variação tática   em função do adversário, mas também ao longo de cada partida, a monovalência da equipe brasileira a tornaram presa fácil das outras equipes.

Lamentável, sem sombra de dúvida, foi a atitude voluntarista e irrealista de Felipão e de Parreira em suas entrevistas públicas, quando procuraram impingir ao público uma interpretação positiva primária do mal desempenho da equipe em todas as partidas baseada em: insinuações quanto à correção das arbitragens, em alegações inconsistentes de que a equipe vinha atuando bem etc.

É muito provável que o desequilíbrio psicológico que afetou pesadamente a equipe desde o jogo com o Chile, tenha decorrido da constatação pelos atletas da inferioridade tática do esquema de jogo posto em prática pela seleção em comparação com as demais seleções, inclusive de países considerados de menor expressão no futebol internacional.

Salvo algumas exceções, os jogos entre países que gozam de prestígio no futebol internacional e países de menor expressão foram todos muito equilibrados, revelando uma tendência forte ao nivelamento da capacidade das equipes.   

É preciso ter em conta, entretanto, que o desempenho pálido da seleção brasileira insere-se num contexto mais geral de degradação relativa da qualidade do futebol jogado no Brasil, devido a várias causas.

A CBF e os clubes de futebol têm se notabilizado pelo baixo padrão organizacional e têm sofrido as consequências negativas de estar sendo comandados há muitos anos por dirigentes de visão estreita e, por que não dizer por verdadeiras máfias, que fazem do futebol fonte de enriquecimento ilícito.

É evidente o despreparo do quadro de técnicos de futebol do país, com a predominância da figura emblemática do “professor” que, na maioria das vezes, é de baixo nível intelectual, escravo de superstições, e que chega à condição de técnico apenas por ter sido atleta no passado. É notória a incapacidade desses senhores para acompanhar os aperfeiçoamentos que vêm ocorrendo em outras partes do mundo em que os técnicos são verdadeiros estudiosos do futebol e pessoas sensíveis ao avanço dos conhecimentos científicos.

As inegáveis virtudes que possuem naturalmente os brasileiros para a prática de futebol, que permitiram chegar a condição de vencedor de cinco copas no mundo no passado, conforme ficou cabalmente demonstrado na atual copa já não são, nem serão no futuro, suficientes para o Brasil voltar a ser campeão mundial.

O quarto lugar, a que chegou a seleção brasileira pode ser considerado injusto se se considera o bom desempenho de outras equipes como o Chile e a Colômbia, por nós derrotadas de modo pouco convincente. 

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