Eu tenho uma amiga com quem troco emails sobre o futuro do mercado do livro. Hoje ela me perguntou sobre o filme "It's a book" e o que eu acho que acontecerá.

Achei que havia potencial pra discussão e construção de conhecimento, por isso uso exatamente o que respondi como texto para um tópico.


Oioi, Helena.
 
Não tinha visto (o filme) postado por você, revi agora (tem tanta coisa no facebook que dificilmente vejo tudo o que colocaram, fico nas 3 ou 4 últimas horas uma vez ao dia.)
 
Eu acho que o futuro é um declínio da forma livro, principalmente para textos de estudo, romances e auto-ajuda. Para dicionários e enciclopédias já acabou. Livros ilustrados ou em formatos maiores que os aparelhos terão uma sobrevida maior.
 
E também acho que não desaparecerá totalmente. Talvez seja como os chapéus que viraram bonés. Menor número total de usos, forma adaptada...
 
Mas o livro também sobrevive na forma de sucedâneos. Catálogos de exposições, programas de tetro, revistas. A organização de texto e imagem em páginas reunidas é um "clássico".
 
Ainda bem que eu não tenho compromissos com descendentes ou responsabilidades assim. Senão não poderia ficar tão "cool" com o declínio. Hoje administro o encolhimento do negócio (e não buscarei nada pro lugar.)
 
(Uma questão paralela é o funcionamento de editoras, já há autores migrando para colocar textos diretamente em meios eletrônicos. O que se chama "livros didáticos", 2/3 dos impressos, devem sofrer queda muito rápida.) 
 
Eu não considero os e-readers um modismo. Não pretendo ter um porque como quase não saio de casa o PC convencional me atende muito bem para ler o que não foi impresso. Mas respeito que apresenta funcionalidades úteis.
 
Ele talvez viesse a ser obrigatório se continuasse o crescimento da população e a falta de espaço. Suspeito que decolará na China ou Índia. Mas nas sociedades ocidentais o crescimento das populações parou, ainda há espaço para as pessoas curtirem livros se desejarem.
 
A maioria das pessoas não sentirá muito tudo isso. Livro como objeto já era hobby minoritário. O que resta para a minimização de perdas é tentar agora a sobrevivência do "texto", das "mensagens". Não sei como será possível isso com os atualmente muito ruins sistemas de arrecadação de direitos.
 
Acho que vou transformar este e-mail num tópico de blog hehehe

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Respostas a este tópico

Eu coloco também matérias com as quais não concordo com a conclusão, mais para termos mais informação:

http://muitopelocontrario.com/2012/01/25/o-comeco-do-fim-dos-livros...

Que os livros de papel estão com os dias contados isso é dado. Sempre haverá um nostálgico aqui e ali que ainda vai ter pilhas deles, “saboreando” sua textura, a coloração da tinta nas pontas dos dedos, o seu cheiro de mofo e as alergias que o acumulo de ácaro e poeira trazem.

Mas assim que todos tiverem acesso a um tablet e um scanner de página dupla, será natural, como é pra mim, cortar seu velho livro, scannear e trocar aquele peso morto por um arquivo na nuvem.

Falando nisso, o próprio .pdf (como se encontra) está com os dias contados. É proprietário e rígido demais. Minhas apostas são, do lado proprietário, sempre ela com seu modelo verticalizado e eficiente, Apple com iBook Author exportando para um formato fechado e do lado aberto, com o Android e derivados (o que inclui os Kindle, Nook e similares) o HTML5 combinado com o ePub3, mas não sei se essa solução vai ter tanto suporte das editoras e desenvolvedores.

De qualquer forma, fica a dica para o MEC, ao invés de comprar milhões de computadores e livros pela FNDE e o PNLD (e por tabela cofinanciar essa mídia decadente e golpista), é melhor apostar logo em tablets e nos livros digitais que já começaram a fazer um grande estrago nessa multibilionária industria.

Para os saudosistas, sempre haverá um uso pra um velho livro de papel, como o da foto acima, ou em último caso, de peso para porta.

Sem lágrimas, por favor. Pra mim, já vão tarde.

Que coisa terrível o uso que será dado ao livro pelo autor do artigo. 

Sim e não Ivone...

Eu vi uma exposição ano passado em S.P., sobre biblioarte, objetos decorativos feitos a partir de livros. Tem um tanto de homenagem nisso. Foi no museu Lasar Segall (belíssimo, vc precisa conhecer se é que não conhece, ofereço-me como cicerone), tenho o catálogo mas não sei achar agora link. Muito interessante, mas em geral nessas obras (e não sei se o Fernando, esse autor, sabe) somente se usa livros e referência (enciclopédias, guias, didáticos)

Eu mesmo já pensei em algumas biblioartes que nunca toquei (sou bom de ideias mas não de mãos, preciso de parceria pra isso) e tenho uma estante com livros guardados (valor até negativo de mercado) que se prestariam a isso. Não me vejo como uma pessoa assombrada, nem nesse assunto...

Gunter,

 Aceito-o como cicerone para acompanhar-me ao Museu Lagar Sagall.

 Quanto ao uso dos livros para outros fins que não o da leitura , tenho que entender tratar-se de uma "situação" que devo encarar de frente, Como disse em minha primeira intervenção nesse tema do fórum, o assunto mexe comigo.

Salve Ivone, então podemos contar com uma visita sua a Sampa em breve? Você já veio antes? Apesar de eu ter nascido e morar quase todo o tempo em Sampa eu nunca fui muito de sair, não conheço nenhum lugar de moda. Mas eu gosto de exposições e vou conhecendo museus assim, aproveitando uma exposição temporária e aí visito o acervo permanente. Eu não conheço todos os museus, porque há muitos aqui, mas conheço vários. Os que eu lembro são todos imperdíveis: Arte Sacra & Presépios; MASP; MArteContemporânea; Pinacoteca (este tem as melhores exposições); Coleção Nemirovsky; Museu do Ipiranga (este é um tanto "comum")

Agora estou morando a 45 km de S.Paulo e onde estou só tem lugares pra comer... (bem típico da metrópole de qualquer modo.) 

x-x-x-x-x-x-x

Acho que para "dessacralizar" os livros um ponto importante é ver se não estão sobrando demais na sociedade e se já não têm seu conteúdo na internet. Quando eu tinha sebo dava um pouco de pena ver como as pessoas atribuíam valor a tudo e queriam vender. Eu tentava explicar que há coisas que são como jornais e revistas, têm formato de livro, mas conteúdo perecível. Enciclopédias, por exemplo, não têm nenhum valor de mercado, eu comprei várias pagando R$ 1 o volume ora para ter para mim (porque eu pessoalmente gosto muito por razões várias), ora porque volumes soltos forrados dão excelentes bibliocantos para estantes de aço...

Aquelas coleções típicas dos anos 1960/70 também são de pouco uso hoje em dia, em parte porque já na sua origem foram feitas mais pra constar, já não eram a melhor informação. Livros didáticos em geral foram feitos aos milhões, só se deve guardar os mais antigos, até os anos 1970, para pesquisas de contraste.

Infelizmente acontece o contrário : as pessoas jogam fora coisas que não vão para bibliotecas e têm valor para pesquisadores e curiosos-colecionadores. Revistas com menor tiragem, catálogos comerciais, catálogos de exposições, programas de teatro.

Agora que as pessoas estão aos poucos passando sua leitura para meios eletrônicos itens como romances de muito sucesso, com tiragens imensas, também estão sendo abandonados. Mas livros difíceis de achar é o contrário! Enfim, tem as regras gerais, mas cada caso é um caso.

Eu duvido que irá acontecer algo tão dramático como o abandono do LP pelos CD (que por sua vez estão sendo abandonados agora)

Sabe o que eu adoraria comprar? (Mas nao sei onde poria...) Aquelas coleçoes antigas completas, encadernadas, da obra INFANTIL de Lobato, desde que na fase em que elas foram ilustradas por André Le Blanc. Podia até nao ser encadernada, seria até melhor, mas aí é mais difícil de encontrar a coleçao inteira (e eu tenho a maioria dos volumes, mas muito velhos, e nem todos ilustrados por Le Blanc). 

Essa edição com esse ilustrador não conheço, AnaLu, mas você mora no Rio, que tem o melhor fornecimento de livros dos anos 1930 a 1960. Você já percorreu os sebos perto da R. da Alfândega, da R. do Rosário, perto do Museu do Catete? 

Nao, na verdade esse é um desejo meio abstrato, porque gostaria de tê-la, mas nao tenho onde pôr. Mas acho que todas as coleçoes encadernadas eram com esse ilustrador. Os livros editados por Belmonte eram da Ed. Nacional; os já publicados pela Brasiliense eram ilustrados por Le Blanc (ainda no tempo de Lobato, e na minha infância; depois disso houve vários, acho). As ilustraçoes eram poucas, e a preto e branco; na minha infância as crianças liam, nao viam figurinhas... (rs, rs)

Esta apareceu no face agora, uma enciclopédia esculpida em forma de rosto.

Eu usaria livros fake, isto é, encadernações novas com papel em branco. Mas não é grave porque há uma grande abundância de enciclopédias, o mercado não absorve, alguns livreiros nem se oferecem a acolher ofertas para doar depois. No auge da Barsa, por exemplo, se vendia 120 mil por ano (na ausência de internet e PC as enciclopédias eram quase um componente obrigatório de uma casa de classe média, como um bom eletrodoméstico ou bons móveis.)

Talvez por saber disso, por estar do lado de lá do balcão, não me choque.

Mas eu adoro enciclopédias! Tenho umas 10 que vou expor no meu espaço pré-digital (um canto de pé-direito muito baixo em que se precisa entrar curvado, mas que terá almofadas para sentar, lps para ouvir, uma máquina de escrever pra brincar. A maior concessão à tecnologia será um vk7 e uma tv de tubo.) Mas isso pro futuro, tem uma goteira lá que não conseguimos resolver e as coisas estão guardadas enquanto isso.

Oportuníssimo o tópico. Passei hoje largas horas com a escritora portuguesa Teolinda Gersão (sobre cuja obra há cerca de trinta teses no Brasil, apesar de ter somente um livro publicado aí). Ela também acha que a tendência é que o livro em papel perca presença, fique confinado a bibliotecas ou centros de estudos, à medida em que os e-books avancem (são os mesmos textos, basicamente). 

Embora apaixonada pelos livros impressos (como eu), Teolinda acha que os tablets são mais cômodos, por exemplo, para se ler deitado. São mais leves do que um volume de 600 páginas. Seu marido, Luis, já disse que isso ocorrerá, mas ele não estará vivo quando acontecer. 

No Brasil, o perigo é a tecnologia espraiar-se antes que as pessoas tenham contato com o livro, que aprendam a gostar da leitura. Tablets para games ou para jogar paciência não são um bom caminho cultural, creio. Se for para facilitar a leitura, bem-vindos!

Olha aqui mais uma função do livro... Encontrei no Facebook.

 

http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/04/presos-do-parana-podem-t...

Presos do Paraná podem ter pena reduzida através da leitura de livros

Projeto deve ser executado a partir de maio nas 24 unidades penais estaduais.
A cada livro lido e resenhado, presos diminuem três dias de detenção

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