A um ano do fim do mundo, o jogo deste domingo entre Santos e Barcelona poderá ser o último da história do futebol neste planeta, pois estarão em campo as duas maiores equipes dos dois últimos séculos. Brincadeiras e hipérboles à parte, é verdade que Santos e Barcelona escreveram (e escrevem) uma página gigantesca no esporte mais jogado neste planeta, às margens da Via Láctea.

E só assim mesmo, analisando galacticamente, que se consegue entender a dimensão e a grandeza da história destas duas equipes.

O Santos foi, no século 20, a maior equipe de futebol desde que o esporte bretão foi inventado. Com Pelé e seus discípulos em campo, o Santos foi uma unanimidade durante os muitos anos em que jogou. Diversas pessoas, no mundo, passaram a admirar este esporte graças aquele Santos, muitos conflitos foram interrompidos com a presença deles em campo, e muita gente passou a definir futebol de um jeito e o Santos de outro. O Santos em campo era sinônimo de espetáculo. Não havia um jogo em que não houvesse uma jogada magistral, um lance mirabolante, um momento mágico, que seriam comentados por semanas a fio.

Foi o único clube brasileiro a conquistar, num mesmo ano, um título estadual, um nacional, um das Américas e um mundial. E depois que a CBF revisou seu ranking, é tido como o clube com maior número de títulos em nosso país, empatado com o Palmeiras. Desde 1956, quando Pelé chegou ao Santos, até 1973, quando ele jogou a sua última temporada pelo time da Vila Belmiro, ambos jogador e time sinônimos um do outro, o Santos foi referência mundial de se jogar futebol.

Nos dias de hoje, o Santos revive uma magia. O Santos tem Neymar. Ainda é cedo para definir em qual categoria estelar ele está situado. É jovem, imaturo, verde, mas com um potencial assombroso. Se os anos lhe forem pródigos, poderemos voltar aos estádios para assistir à alegria jogar.

A história vitoriosa do Barcelona, por sua vez, é bem provável que não seja tão longa e tão grandiosa quanto a do Santos, mas é considerável, principalmente nas duas primeiras décadas do século 21. O clube da Catalunha tem uma estrutura de base largamente conhecida. Alguns bons jogadores são formados dentro do seu reduto, o que contribui para que um estilo próprio de jogar seja mantido ao longo de anos. Com o tempo grandes jogadores do futebol mundial foram sendo contratados, agregando mais qualidade a um futebol já reconhecidamente eficiente.

Desde que Johan Cruijff, como técnico, implantou um estilo de jogar inconfundível no time espanhol, o mundo da gorduchinha virou os olhos para eles. Foi como se a própria magia do Santos houvesse trocado de lugar. Agora quem dá a bola é o Barcelona. Além de jogadores de renome mundial, brasileiros como Romário, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaucho acrescentaram brilhantismo e esplendor aos espanhóis azuis e grenás.

E aí surgiu Messi. O jogador argentino É. Simplesmente assim. Não é possível defini-lo. Não há um adjetivo ou significado nas línguas faladas no mundo que estabeleçam, com precisão, o que ele joga. Eu vi Pelé jogar, vi Garrincha, vi Zico, vi Maradona. E tenho visto Messi. E afirmo, categoricamente, que depois de Pelé, há Messi. E depois do Santos, há o Barcelona.

O jogo do fim do mundo, o jogo deste domingo será a oportunidade para admitirmos que o futebol ainda tem magia. Não há como se perder esse momento, para o bem da nossa existência.

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Respostas a este tópico

Alexandre

Comparar Messi a Pelé, isso, com certeza, é o fim do mundo.

Vi o Pelé jogar na Vila Belmiro algumas vezes e, é claro, o Santos. Pelé e o Santos eram melhores.

E Maradona, sóbrio, sempre será melhor do que o Messi. Maradona era Maradona em qualquer time e, em especial, na seleção. Messi amarela fora do Barcelona e não resolve nada - nem na seleção argentina cheia de craques.

Um abraço

PÔ! Alexandre. Não gostei do início de teu texto não! O meio e o fim até que foram muito bons. E concordo aí com o Orlando. Não se compara (em campo) ninguém com o Pelé, pois o cara, como diz o Pepe, não é humano. Mas o que realmente me preocupou, foi o início do texto em que falas no fim do mundo. Queres dizer então, que não ha esperanças de o Avaí voltar à elite?

Meus caros, não estou comparando Pelé a Messi como jogadores de futebol unicamente. Pelé é imbatível e transcende a isso. Essa comparação não existe.

Estou colocadno como jogadores que conduzem seus times.

No Santos do meio do século passado, era Pelé e mais 10.

No Barcelona de hoje, embora seja um time completo, se Messi não jogar o Barcelona se torna um time comum. Bom, mas comum.

E o Avaí, meu caro Soripes, vai ressurgir numa outra era, após o fim do mundo. rsrsrs.

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