A iniciativa de abrir este tópico veio de uma conversa por email com várias pessoas. Estávamos discutindo o fato de certas postagens no blog-mãe favorecerem um clima não amigável às mulheres, por vezes até misógino, e como ele desanima as mulheres de postarem lá, por já saberem de antemão que terão de lidar com comentários desagradáveis, quando não ofensivos, como foi o caso do post Antidepressivo que acalma a mulher: o sêmen. Pensamos então em fazer uma espécie de "manifesto" a ser posto no Fora de Pautafalando em como aquele clima nos incomoda. Mas, para que isso não fique só atribuído a uma ou duas pessoas, combinamos que eu criaria primeiro um tópico aqui no Portal, onde várias pessoas pudessem se manifestar. A palavra está aberta.

Links para os dois topicos que provocaram nossa indignaçao: 

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/antidepressivo-que-acalma-...

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-semen-como-antidepressiv... 

   

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Respostas a este tópico

Nassif

Sinceramente acho que o assunto já deu o que tinha que dar, discussões mais importantes como sobre as SOPA e PIPA (para quem não sabe é Stop Online Piracy Act e Protect IP Act) legislações que estão para ser votadas no congresso e no senado norte-americano que travarão por completo a Internet, ninguém está dando bola.

São dezenas de postagens sobre um programa imbecil, feito por imbecis e assistidos por quem não tem mais opção. Inclusive vi um fato interessante, estava numa lanchonete comendo com a minha família e nesta lanchonete estava ligada a TV neste programa (que digo de passagem não o assisto), mas como estava na minha frente fui obrigado a vê-lo (sem o som é claro), o mais surpreendente de tudo é que chegando em caso vi uma das nossas comentaristas, que geralmente posta coisas inteligentes relatando (a vinte minutos antes, ou seja exatamente o tempo que demorei para voltar para casa)  o que tinha ocorrido no episódio (que vi a imagem mas não escutava o som).

O mantra que está sendo repetido inúmeras vezes contra este programa e esta emissora está surtindo tanto efeito, que mulheres inteligentes e politicamente engajadas, estão ficando assíduas assistentes do programa em questão. Exatamente como foi previsto nos laboratórios da emissora.

Tem razão.

Rogério, essa discussão do bbb entrou de gaiato no navio. A discussão central é outra. Isso que você colocou está descrito no meu post De Bial, BBB ... Aliás, a coisa é mais ou menos concatenada com as congêneres mundo afora. Isso já foi usado em pelo menos três programas diferentes mundo a fora...

Fecho contigo a respeito da SOPA e da PIPA. Temos que discutir mais também esses assuntos sem exclusão de outros.

Joel

O que me cansa não é uma discussão, algumas vezes mantenho algumas pequenas pendengas pessoais de assuntos pouco importantes só para divertir a todos (e as pessoas que estão discutindo comigo sabem que estamos brigando por uma vírgula colocada no local impróprio do texto).

Agora assumir ar de seriedade e ficar repetindo por todo o fórum dez a vinte vezes o mesmo pensamento achando que isto contribui para a melhoria da sociedade é no mínimo ingenuidade. Estou cansado de abrir o meu e-mail e receber a notificação de vinte entradas que repetem os mesmos argumentos. De um lado provocadores e do outro lado intransigentes militantes que não se dão conta que estão é valorizando uma estupidez que é o programa em questão.

Não sei se notaste que, às vezes, eu somente posto um determinado assunto e quando as respostas me satisfazem nem entro mais na discussão, pois como tu disseste, começam a repetir-se. Foi o que coloquei na primeira resposta que dei ao tópico:

Bem pessoal li muitas das respostas deste tópico e de um ponto em diante começaram a repetir-se. Talvez perca alguma coisa nova, mas para o que eu entendi, já está de bom tamanho para postar minha contribuição.

Gunter. Tópico Os partidos + corruptos do Brasil. Onde um troll destrambelhado, transformou um tópico que poderia gerar bons dividendos em um monólogo sem pé nem cabeça.

Teve um instante que pensei em postar algo extremamente machista para exercitar o que estou buscando: me tornar mais humano. Desisti pois que através dos outros escritos tenho contato com o pensamento das colegas e estou formando o que procuro.

Não entrei nesse tópico, Joel. Sei que a pesquisa que lhe dá origem é de uma ong, foi muito divulgada há uns 3 ou 4 anos atrás, não sei de atualização.

Se houver comentário ilegal (injúria, matéria falsa, ofensa pessoal) é bom "relatar incidente" (canto inferior direito aqui) Se 3 pessoas acharem a mesma coisa alguém da equipe do portal vai analisar.

Se começa a haver muita baixaria (ainda que não ilegais) precisa cortar o suprimento de energia. Responder só leva o tópico "pra cima". Tem situações em que eu vou apagando meus comentários pra deixar a outra parte ainda mais desconexa e frustrada. 

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quem mandou nascer mulher?


Essa talvez seja uma pergunta que muitos não entendam. Quem mandou nascer mulher?
Podemos começar a resposta para essa pergunta (apenas começar, dada a extensão de possibilidades abertas pela questão) com a máxima de Simone De Beauvoir: “Ninguém nasce mulher. Torna-se”.
ornando-se, a partir de sua educação, homens e mulheres. Diferentemente do que se apregoa, tornar-se homem ou mulher não é uma transição natural, constituida por hormônios: é uma questão social. Ao nascer, garotos e garotas têm cada um uma educação diferente. Garotas são criadas para cumprirem determinado papel social, enquanto os garotos são criados para outro. A educação diferenciada para meninos e meninas é algo que vai desde o ambiente familiar até a escola. Não é o objetivo, por hora, aprofundar-se nas contradições de nosso sistema educacional; mas, a título de exemplo, vale a pena citar alguns fatos de conhecimento mais ou menos geral: a divisão entre os sexos nas aulas de Educação Física (e inclusive a estigmatização de esportes como “femininos” e “masculinos”), meninas serem consideradas “mais comportadas” e “mais cuidadosas” do que os meninos, enquanto os garotos seriam mais bagunceiros, menos cuidadosos.

Em outras palavras, o gênero é a construção social do masculino e do feminino¹.Ou seja, o gênero não é natural. O papel atribuído a homens e mulheres é construído, é social, cultural, passível de mudança. Não existe uma lei natural, pretensamente biológica, que defina que mulheres devem agir de uma maneira e homens de outra.

Não é permitido à mulher sair dos padrões estabelecidos para seu comportamento (por ser considerado algo como uma quebra de contrato). Uma mulher que não siga determinados parâmetros corre o risco de ter sua “identidade” questionada, inclusive sua sexualidade (afinal, ela seria identificada como não sendo mulher – o que acarreta uma série de preconceitos que não rotulam somente a mulher heterossexual, mas também a homossexual, aproximando-a do que seria “masculino”). O raciocínio é mais ou menos o seguinte: se uma moça não se comporta como é esperado, concluí-se que ela é lésbica, um “homem”.

Vale lembrar que , se existe um modelo do que é “feminino”, também existe um modelo do que é “masculino”, modelos estes que atuam um em oposição ao outro. Essa relação, no que tange à liberdade de comportamento, acaba por também ser prejudicial para o homem - em diferentes níveis, que serão explicados mais adiante. Se um garoto é sensível ou frágil, sua identidade e sexualidade podem também ser colocadas em questão, afinal, sensibilidade e fragilidade seriam características estritamente femininas, enquanto as características masculinas seriam a força, a brutalidade etc.

Agora, o segundo ponto: Quem mandou nascer mulher?

Três em quatro mulheres um dia sofrerão algum tipo de violência, e esse não é um problema exclusivo de países subdesenvolvidos, ou de “terceiro mundo”. De acordo com estatísticas na Colômbia, a cada minuto pelo menos seis mulheres são agredidas; na Espanha, um estudo demonstra que durante o período de gestação a violência contra a mulher pode se intensificar, o que leva a abortos espontâneos, doenças físicas e psicológicas; a Nicarágua apresenta os mesmos índices de violência sexual que países ocupados militarmente (onde estupros são utilizados como armas).

Entre 40% e 70% das mulheres mortas são assassinadas por seus maridos ou namorados em países como Austrália, Canadá, EUA, Israel. Mais da metade de todas as mulheres assassinadas na África do Sul, em 1999, foram mortas por seus parceitos, resultando em um feminicído íntimo a cada seis horas.Entre 40% e 50% das mulheres na União Européia sofrem de assédio sexual em seu ambiente de trabalho.

A mutilação sexual contra mulheres em alguns países (como a Guiné, Egito e Eritréia) também é assombrosa: a percentagem de mulheres de 15-49 anos que sofreram e sofrem dessa violência é extremamente alta, aproximando-se de 100%.

Os dados apresentados são a forma escancarada do que apresentamos anteriormente: vivemos em uma sociedade que prima pela supremacia masculina em detrimento da liberdade feminina, uma sociedade patriarcal.

A luta pelo feminismo e direito das mulheres, mesmo com esses dados alarmantes, contudo, continua sendo ignorada. O machismo se prolifera como uma situação normal, entre piadas, músicas, postagens de blogs, anuncios de cerveja, mantendo um pensamento arcaico responsável pela morte anual de milhares de mulheres no mundo todo.

Esses preconceitos disseminados na sociedade podem ser visto inclusive na esquerda. Nós que temos uma pequena experiência no Movimento Estudantil podemos perceber que alguns militantes quando não negligenciam a referida pauta, tecem comentários machistas, opressores, muitas vezes ridicularizando a causa, sem perceber que o machismo e o sexismo estão no mesmo patamar que o racismo, a homofobia, e a xenofobia, cometendo o terrível deslize de criar uma hierarquia das opressões.

Mas, lembremos: os seres humanos fazem sua própria história. Dentro de determinadas condições, somos capazes de agir de maneira a mudar nossa realidade, e é essa a nossa intenção. Ajudar, de alguma maneira, no desenvolvimento teórico da luta feminista, não mantendo-se, porém, somente na teoria: é preciso transformá-la em prática, força material, ações concretas.

Ocupando todos os espaços possíveis, e resgatando a importância da pauta para a esquerda. Em um movimento feminista ambicioso e radical, consciente de que seu inimigo é uma constituição de sociedade, o patriarcado. Um movimento consciente de que a nossa meta é mudar toda uma configuração do que é ser mulher na sociedade. Expondo para quem quiser ver como fomos -machos e fêmeas- transformados em produtos de masculino e feminino com o passar dos séculos. Não sendo, essas, condições naturais. Repetindo uma vez mais Simone De Beauvoir: ninguém nasce mulher, torna-se.

Por isso é sempre válido lembrar:

Meu nome é resistência. Leia-se: mulher!


[1] SAFFIOTI, Heleieth I.B, Gênero, patriarcado, violência, ed. Fundação Perseu Abramo, p. 45.

http://nascermulher.blogspot.com/2011/01/quem-mandou-nascer-mulher_...

A Rede Globo ensina não só a empresários inescrupulosos, como a politicos, lideres religiosos e outros que desejam alcançar o poder e riqueza, como é facil enganar quase toda uma nação.

Será possivel que a maioria dos brasileiros são tão idiotas ou inocentes a ponto de não perceber que o tal BBB não passa de um folhetim, por sinal muito mal escrito, dirigido e com péssimos atores???

A idéia era inventar um escândalo, ter o mesmo inflado pela mídia, causar polêmica e com isso aumentar indices de audiência e faturamento.

Quando é que o brasileiro vai passar a perceber que 90% (talvez até mais) do que é vinculado na TV é pura  ficção ???

Apenas e tão somente isso.

Sejamos um pouco mais adultos e inteligentes.

"Quando é que o brasileiro vai passar a perceber que 90% (talvez até mais) do que é vinculado na TV é pura  ficção ???

Apenas e tão somente isso.

Sejamos um pouco mais adultos e inteligentes."

Gabriel, estais descobrindo a pólvora sobre a TV Globo.  

Infelizmente são nessas horas que percebemos o quanto o povo brasileiro é ignorante e influenciável além de crer piamente em tudo que ouve, assisti ou lê na mídia sem um mínimo de análise.

O mais triste desta "história" é a comprovação mais uma vez pelos empresários inescrupulosos, políticos, governantes e lideres religiosos, de como é fácil de se enganar quase toda uma nação. 

Recomendo os livros da série Millenium, do jornalista e ativista político sueco Stieg Larsson. Eles abordam todo esse universo das agressões sofridas pelas mulheres, dete estupros, assassinatos e até tráfico de mulheres e põem, de modo não planfetário, a discussão em dia. São três títulos: Os Homens que não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar.
Todos viraram filmes e o prímeiro título terá uma refilmagem americana, que deve estrear no circuito no final deste mês. Vale à pena!

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