Jair Alves - dramaturgo


A presidenta Dilma volta da China, após uma semana, trazendo em sua bagagem o resultado de negociações importantes com o governo chinês, entre eles destacando-se o aumento da exportação da carne de porco, além de um acordo com a Foxconn que prevê um projeto de investimento na área de tecnologia da informação, no valor de US$ 12 bilhões de reais em seis anos. A Foxconn é o maior fornecedor de produtos da Apple, na China. O investimento, firmado durante audiência com o seu presidente, Terry Gou, será para a instalação da produção de telas utilizadas em equipamentos como celulares de terceira geração e iPads.


 


 

 

Simultaneamente a essa viagem, a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, foi ao Plenário da Câmara dos Deputados e, diante da Comissão de Educação e Cultura, leu um documento em quatorze (14) minutos onde explicita as metas do governo Dilma Rousseff para a Cultura. Ainda durante a leitura ela reafirmou o compromisso de continuidade e, ao mesmo tempo, avançar. Sobre o governo Lula, deu grande ênfase à sua atuação na área da Cultura fazendo retornar ao Estado o papel de incentivador. Do governo Dilma destaca o combate à erradicação da miséria, à violência, ao narcotráfico, e a além da melhoria do ensino. No que se refere papel específico do Ministério da Cultura (MINC) da gestão atual, o propósito de aumentar empregos na produção cultural e cuidar dos interesses dos artistas nos eventos internacionais. Obviamente, estas são ainda apenas plataformas e não necessariamente programas, o que seria necessário um tempo maior para explicitá-los. Quanto à leitura num plano geral (do governo Dilma) e a sua relação com o específico das ações na área do MINC denotaria mais tempo e o plenário, pouco atento (durante todo o pronunciamento, pessoas conversam transitam pelo salão), a fase de apresentação impediu um aprofundamento das questões. De qualquer forma, são itens inequívocos para quem queria ouvir uma palavra oficial da Ministra.

 

O que se depreende disso tudo, é que nesse texto o conteúdo do primeiro parágrafo está em perfeita sintonia com do segundo. Ou seja, há um esforço claro em colocar o Brasil no mesmo patamar e em igual nível de competição com a segunda maior economia mundial, a China. Até este momento, o Brasil exportava apenas a matéria prima e, a partir de agora, também vai alimentar os chineses, porém, com o rápido crescimento econômico daquele País não tardará o tempo em que venha a importar em grande quantidade também o nosso produto artístico e cultural. A Cultura revela outros traços, além da contemporaneidade traz ainda os vestígios e heranças de outras gerações, muitas vezes arcaicas. Mora aí a nossa principal questão. Senão vejamos:

 

Os detratores de Ana de Hollanda se comportaram nesses quase quatro meses, como se o MINC tivesse vida própria e fosse uma espécie de capitania hereditária invadida pelos “sem terras” e que, na atualidade, defendem-se com o intuito de impedir uma Medida Judicial que viabilizaria a retomada de posse pelos “verdadeiros” donos da fazenda. Este é um Ministério da presidenta, Dilma Rousseff, que cuida da preservação e fomento das diferentes manifestações artísticas e simbólicas da Nação brasileira. Pensar ou agir de forma diferente disso é abusar da boa vontade dos homens e mulheres, minimamente informados. Fica pouco convincente opinar, avaliar, protestar, conceituar, ou xingar o atual Ministério da Cultura sem oferecer informações objetivas a respeito do seu funcionamento; é o que alguns movimentos têm feito, durante todo o último quadrimestre. A desinformação maior é tributar atual à gestão o poder de legislar sobre Direitos Autorais, como se este quesito fosse a principal razão existir do Ministério. Não é! Dezenas de falastrões falam, em nome dos titulares do Direito Autoral, mas onde estão eles, os autores? Sem contar que o esse tema está subordinado a uma esfera muito mais ampla que é a propriedade intelectual, mediada por uma Comissão interministerial do Congresso Nacional e que, em última análise, é quem determina a Legislação vigente.

 

Mas, o tangenciar de informações não se resume à questão dos DA - tem muito mais. O principal deles diz respeito ao processo de modernização da Economia Brasileira, sendo que a maioria das conquistas, e as suas indesejáveis conseqüências se resumem numa frase inequívoca - a Industrialização do País. Todo o processo, doloroso, que envolveu milhões de brasileiros, e várias gerações, provocou êxodos, a fragmentação de famílias, mudanças urbanas e ambientais, catastróficas, que ainda estão aí para serem equacionadas pelo governo Dilma. Todas as mudanças, traumáticas, ocorreram durante décadas, debaixo de som, imagem, movimentos, e palavras de diversos artistas brasileiros. Porém, como num passe de mágica, seus inimigos querem catalogar esses mesmos artistas como “reacionários”. O contraditório desse discurso de má fé, ainda não veio à tona.

 

Por mais que a Ministra insista, afirmativamente, em suas entrevistas pontos por onde se orientará a sua política nesse governo, não pode depender de um outro passe de mágica para reverter esse quadro de mentiras e insinuações. Muito menos não pode depender só de contatos individuais da própria ministra, mesmo com pessoas bem intencionadas. É preciso trazer a publico as contradições tão evidentes para um leitor atento. Durante leitura no Plenário da Câmara, Ana de Hollanda lembrou que a Cultura precisa de um programa “luz para todos”; eu diria, programa “emprego para todos (os artistas)”, consagrados ou não. No texto lido por Ana de Hollanda a solução parece estar embutida em propostas ainda tímidas, e aí, sim, será preciso luz, muita luz. A industrialização da produção cultural, nas atividades que lhe couber, se desenha como a grande mola propulsora do desenvolvimento das Artes brasileiras. Isso não quer dizer, necessariamente, institucionalização da exploração de mão de obra, como apregoam os “profetas de feiras” e “ativistas do Inferno”. Pelo contrário, a Industrialização poderá significar concomitantemente a distribuição (acesso) aos produtos culturais, pela maioria da população. De forma enfática, a Ministra pede aos deputados que aprove, o quanto antes, o projeto VALE CULTURA; e nenhum interesse foi manifestado pelas diferentes correntes de pensamento que compõem àquela Casa de leis, naquele dia 15 de abril.

 

Concluindo, aos olhos do MINC que diferença tem uma cantiga popular colhida no interior de Alagoas, identificada como originária dos tempos do Quilombo dos Palmares, e um iPad de última geração? A cantiga é uma expressão artística e cultural, de um indivíduo ou grupo social, fixado no tempo e no espaço; o Ipad, assim como qualquer outro produto material, é um veículo a que o homem pode e deve utilizar para se comunicar com os demais. Se não for essa a resposta, deveria ser. A confusão que se faz, é a mesma que compara um veículo de Comunicação Social como sendo “Mídia”. Já a Industria é um estágio próprio de nosso momento histórico, e que serve para o desenvolvimento de todas as potencialidades do ser humano, no trato das relações sociais, econômicas e financeiras. Esse governo não é eterno, mas tem no comando da Administração Pública uma experimentada economista, além de uma vivência invejável na história da política brasileira. É sempre bom lembrar que ela (Dilma Rousseff) estará à frente da Nação brasileira até o dia 31 de Dezembro de 2014 e, lá na frente com certeza, encontraremos um Brasil modificado e muito melhor. Assim acreditamos!

 

 


 

 

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No entanto amigos, a campanha para derrubar a Ministra da Dilma continua, aqui nas Organizações Tabajara inclusive.

o  esperado vale cultura

 

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