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Flavio Lyra

Para o observador comum o momento político atual do Brasil se restringe a uma disputa superficial entre duas forças sociais que se propõem a governar o país em mais uma etapa de seu tumultuado desenvolvimento. Entretanto, para o analista da realidade profunda, evidencia-se o esforço final do capital financeiro para completar seu domínio sobre a sociedade, desta vez abarcando o processo político e impondo uma forma autoritária de governo.

Diante do fracasso da tentativa recente de assegurar o controle da economia, através das reformas propostas pelo governo Temer, graças às resistências das forças populares que se congregaram para impedir o avanço das reformas neoliberais, valendo-se do que ainda resta das instituições democráticas, preparam uma tentativa de chegar ao centro do poder político e violentar seus pilares democráticos.

O sistema financeiro hipertrofiado que controla as finanças do país há vários anos, tendo no Banco Central, seu principal articulador na esfera pública, já algum tempo transformou-se em obstáculo ao avanço produtivo do país. Através do controle da moeda e do crédito, dominaram as finanças das empresas, das famílias e do Estado que, sujeitos ao pagamento de taxas juros e serviços financeiros extorsivos, chegaram ao limite da capacidade de endividamento e caminham para a insolvência.

A estagnação econômica é a consequência natural do excessivo endividamento desses agentes, que já não dispõem de capacidade para investir, nem consumir. Nesse processo, os detentores da riqueza financeira fictícia, se submeteram facilmente ao dogma de que é preciso reduzir ainda mais a participação na renda dos trabalhadores, do Estado e das empresas produtivas, como forma de não desvalorizar a riqueza financeira acumulada.

As resistências que surgem naturalmente a essa tentativa de salvar a riqueza financeira em troca de sacrifícios adicionais das famílias, do governo e das empresas, levam ao apelo desesperado do sistema financeiro a formas autoritárias de governo, como único meio para evitar o derretimento da riqueza financeira fictícia acumulada.

Nos últimos dias, tem sido comum ver os beneficiários do moderno e bem aparelhado sistema financeiro e dos consultores, altos funcionários e agentes diversos desse sistema, batendo palmas e torcendo efusivamente pela candidatura do inepto e autoritário Jair Bolsonaro. Sem contar que os recursos que alimentam a campanha do referido candidato provêm de grandes empresários financeiros do país e do exterior.    

O sistema financeiro pretende estender seus tentáculos à ação política direta, reduzindo o raio de ação das empresas produtivas, das famílias e do governo, mas com isso podem estar contribuindo apenas para tirar o resto de ar destes agentes, o que lhes permite manter o sistema em operação. Nesse processo insano, o próprio sistema financeiro deixará de ser alimentado e poderá sucumbir abraçado com os demais agentes do sistema.  

Esta metáfora pretende servir para que os eleitores reflitam sobre o destino de seu voto no final do mês, antes que seja tarde de mais.

Brasília, 10 de Outubro de 2018.  

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