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Estudo militar adverte quanto a uma crise petrolífera potencialmente drástica.

por Stefan Schultz


Um estudo de um think tank militar alemão analisou como o "Pico petrolífero" pode mudar a economia global. A minuta do documento interno – divulgada na Internet – mostra pela primeira vez quão cuidadosamente o governo alemão tem considerado uma potencial crise energética.


A expressão "Pico petrolífero" é utilizada pelos peritos em energia para designar o ponto no tempo em que as reservas globais de petróleo ultrapassam o seu zénite e a produção começa gradualmente a declinar. Isto resultaria numa crise permanente da oferta – e o receio da mesma pode desencadear turbulência nos mercados de commodities e de acções.


A questão é tão politicamente explosiva que se torna notável quando uma instituição como a Bundeswehr, as forças armadas alemãs, simplesmente utiliza a expressão "Pico petrolífero". Mas um estudo militar actualmente a circular na blogosfera alemã vai mais além.


O estudo é um produto do departamento de Análise Futura do Bundeswehr Transformation Center, um think tank cuja tarefa é fixar uma direcção para as forças armadas alemãs. A equipe de autores, dirigida pelo tenente-coronel Thomas Will, usa por vezes uma linguagem dramática para descrever as consequências de um esgotamento irreversível de matérias-primas. O estudo adverte de
mudanças no equilíbrio global de poder, da formação de novos relacionamentos baseados na interdependência, de um declínio na importância dos países industriais do ocidente, do "colapso total dos mercados" e de crises políticas e económicas sérias.


O estudo, cuja autenticidade foi confirmada ao SPIEGEL ONLINE por fontes em círculos governamentais, não era destinado a publicação. O documento diz-se estar numa etapa de minuta e consistir unicamente de opiniões científicas, as quais ainda não foram editadas pelo Ministério da Defesa e outros corpos governamentais.


O autor principal, Will, recusou-se a comentar acerca do estudo. Permanece em dúvida se a Bundeswehr ou o governo alemão teriam consentido em publicar o documento na sua forma actual. Mas o estudo mostra quão intensamente o governo alemão está empenhado na questão do Pico petrolífero.

Actividades paralelas no Reino Unido

A fuga do documento tem paralelos com informações recentes do Reino Unido. Só na semana passada o jornal Guardian relatou que o British Department of Energy and Climate Change (DECC) está a manter secretos documentos que mostram como o governo britânico está muito mais preocupado acerca da crise de oferta do que ele quer admitir.


Segundo o Guardian, o DECC, o Banco da Inglaterra e o Ministério britânico da Defesa estão a trabalhar lado a lado com representantes da indústria para desenvolver um plano de crise destinado a tratar da possível escassez no abastecimento de energia. Investigações efectuadas por peritos em energia, apresentadas em workshops britânicos, foram vistas pelo SPIEGEL ONLINE. Uma porta-voz do DECC procurou reduzir a importância do processo, dizendo ao Guardian
que as investigações eram "rotina" e não tinham implicações políticas.


O estudo das forças armadas alemãs pode não ter consequências políticas imediatas, mas mostra que o governo alemão teme que a escassez possa acontecer rapidamente.

Segundo o relatório alemão, havia "alguma probabilidade de que o Pico petrolífero ocorresse em torno do ano 2010 e que o impacto sobre a segurança seja expectável ser sentido 15 a 30 anos depois". A previsão da Budeswehr é consistente com a de cientistas bem conhecidos que assumem que ter a produção global de petróleo já ultrapassado o seu pico ou que o faça ainda este ano.

Fracassos do mercado e reacções em cadeia internacionais

Os impactos políticos e económicos do Pico petrolífero sobre a Alemanha foram agora estudados pela primeira vez em profundidade. O
perito em petróleo bruto Steffen Bukold avaliou e resumiu as descobertas do estudo da Bundeswehr. Aqui está uma visão geral dos pontos centrais:

  • O petróleo determinará o poder:
    O Bundeswehr Transformation Center escreve que o petróleo
    tornar-se-á um factor decisivo na determinação de uma nova
    paisagem das relações internacionais: "A importância relativa dos países produtores de petróleo no sistema internacional está em crescimento. Estes países estão a utilizar as vantagens daí resultantes para expandir o âmbito das suas políticas interna e externa e estabelecerem-se como um novo ou renascente poder regional, ou em alguns casos mesmo como um poder global".


  • Aumento da importância dos exportadores de petróleo:
    Para os exportadores de petróleo, mais competição por recursos significará um aumento no número de países a competirem por favores junto aos países produtores. Para estes últimos isto abre uma janela de oportunidade a qual pode ser utilizada para implementar objectivos políticos, económicos ou ideológicos. Como esta janela de tempo só estará aberta por um período limitado, "isto podia resultar numa afirmação mais agressiva de interesses nacionais por parte dos países produtores de petróleo".


  • Política ao invés do mercado:
    O Bundeswehr Transformation Center espera que uma crise da oferta faça recuar a liberalização do mercado da energia. "A
    proporção de petróleo comerciada a nível global, o mercado do petróleo acessível livremente, diminuirá quando mais petróleo for comerciado através de contratos bi-nacionais", declara o estudo. No longo prazo, avança o estudo, o mercado global de petróleo só será capaz de seguir as leis do mercado livre num sentido restrito. "Acordos bilaterais, oferta condicionada e parceiros privilegiados, tal como visto antes das crises do petróleo da década de setenta, verificar-se-ão outra vez.


  • Fracassos do mercado:
    Os autores pintam um quadro negro das consequências resultantes da escassez de petróleo. Como o transporte de bens depende do petróleo bruto, o comércio internacional poderia ser sujeito a altas colossais. "A escassez na oferta de bens vitais poderia ocorrer" em consequência, como por exemplo na oferta
    alimentar". O petróleo é utilizado directa ou indirectamente na produção de 95% de todos os bens industriais. Os choques de preço poderiam portanto ver-se em quase qualquer indústria em ao
    longo de todas as etapas da cadeia de oferta industrial. "No médio
    prazo o sistema económico global e todas as economias nacionais
    orientadas pelo mercado entrariam em colapso".


  • Retorno à economia planeada:
    Uma vez que virtualmente todos os sectores repousam fortemente sobre o petróleo, o Pico petrolífero podiam conduzir a um "fracasso
    parcial ou completo dos mercados", diz o estudo. "Uma alternativa
    concebível seria um racionamento governamental e a destinação de bens importantes ou o estabelecimento de programas de produção e outras medidas coercivas de curto prazo para em tempos de crise substituir mecanismos baseados no mercado".



  • Reacção global em cadeia:
    "Uma reestruturação dos abastecimentos de petróleo não será igualmente possível em todas as regiões antes do início do Pico petrolífero", diz o estudo. "É provável que um grande número de estado não estará em posição de fazer a tempo os necessários
    investimentos", ou com "suficiente magnitude". Se houvesse
    crashes económicos em algumas regiões do mundo, a Alemanha podia ser afectada. A Alemanha não escaparia às crises de outros
    países, porque ela está fortemente integrada na economia global.



  • Crise política de legitimidade:
    O estudo da Bundeswehr também levanta temores quanto à
    sobrevivência da própria democracia. Partes da população poderia compreender a reviravolta desencadeada pelo Pico petrolífero "como uma crise sistémica geral". Isto criaria "espaço para alternativas ideológicas e extremistas às formas existentes de governo". A fragmentação da populaçã afectada seria provável e podia "em casos extremos levar a conflito aberto".


Os cenários esboçados pelo Bundeswehr Transformation Center são drásticos. Ainda mais explosivas, politicamente, são as recomendações ao governo que os peritos em energia avançaram sobre estes cenários. Eles argumentam que "estados dependentes de importações de petróleo" serão forçados a "mostrar mais pragmatismo em relação a
estados produtores de petróleo na sua política externa". As prioridades políticas terão de ser de alguma forma subordinadas, afirmam eles, à preocupação predominante de assegurar abastecimentos de energia.


Por exemplo: A Alemanha teria de ser mais flexível em relação aos objectivos da política externa da Rússia. Ela também teria de mostrar mais restrições na sua política externa em relação a Israel, para evitar
alienar países árabes produtores de petróleo. O apoio incondicional a Israel e ao seu direito de existir actualmente é uma pedra fundamental da política externa alemã.


O relacionamento com a Rússia, em particular, é de importância fundamental para o acesso alemão ao petróleo e ao gás, diz o estudo. "Para a Alemanha, isto envolve um acto de equilibragem entre relações estáveis e privilegiadas com a Rússia e as sensibilidades dos vizinhos (da Alemanha) a Leste". Por outras palavras, a Alemanha, se quiser garantir a sua própria segurança energética, deveria ser acomodatícia em relação aos objectivos da política externa de Moscovo, mesmo se isto significar provocar riscos nas suas relações com a Polónia e outros estados do Leste europeu.


O Pico petrolífero também teria profundas consequências para a posição de Berlim em relação ao Médio Oriente, de acordo com o estudo. "Um reajustamento da política do Médio Oriente da Alemanha ... em favor de relações mais intensas com países produtores tais como o Irão e a Arábia Saudita, os quais têm as maiores reservas de petróleo convencional na região, pode implicar uma tensão na relações alemãs-israelenses, dependendo da intensidade da mudança política", escrevem os autores.


Quando contactado pelo SPIEGEL ONLINE, o Ministério da Defesa não
quiz comentar o estudo.


[*] Stefan_Schultz@spiegel.de


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/
.

O original encontra-se em http://www.spiegel.de/international/germany/0,1518,715138,00.html#r...


Tags: energia, geopolítica, petróleo, pico

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Almeida

Há fatores que não estão sendo levados em conta em toda esta história do fim do petróleo barato, e talvez o mais imortante estão sendo tangenciados nesses estudos, é a redistribuição do poder em todo o mundo e a imposição de padrões de consumo diferenciados.

Não é só quem tem petróleo ou quem depende do petróleo que deve ser levado em conta, há inúmeros países que talvez o fimdo petróleo barato favoreça mais do que prejudique. Vou tentar esclarecer mais.

Com o fim da União Soviética, Cuba, que recebia um petróleo subsidiado simplesmente passou de ter petróleo a custo praticamente zero a não ter petróleo. O que ocorreu? Além do discurso dos neoliberais e outros setores que cairam na mesma armadilha, sinalizaram para a falência imediata do governo cubano. Até cinco anos deste evento houve realmente uma penúria alimentar em Cuba caindo em muito o padrão de vida do povo cubano. Após este período de adaptação foram tomadas medidas de racionamento, e parte da agricultura canavieira da ilha voltou-se para outro tipo de produção. O que ocorre hoje em dia é uma adaptação ao cenário pós pico do petróleo.

De posse do exemplo cubano, pode-se ver um cenário pós pico do petróleo, diria que o cenário cubano ainda foi mais grave, pois a ilha não dispõe de outros recursos energéticos e não dispunha de tecnologia para migrar para fontes alternativas de energia.

Falando em português um pouco chulo, quando a água bate na b..... é que se acham as soluções. Várias pessoas manifestam preocupações sobre a falta de alimentos que pode causar esta crise com consequência na fome de continentes como a África. Simplesmente acho que talvez o fim do petróleo barato pode é acabar com um tipo de agricultura que existe no primeiro mundo e provocar o repovoamento do campo no terceiro mundo. Este repovoamento se dará em benefício dos agricultores de países periféricos que não terão a sua agricultura combalida pela concorrência predatória da agricultura subsidiada da Europa e Estados Unidos.

Ainda não se leva em conta toda a evolução tecnológica que deverá vir para substituir o petróleo. Muito se fala sobre novas tecnologias no aproveitamento da energia solar e eólica. Até hoje há o problema dor armazenamento da energia gerada, mas já aparece indícios que há várias soluções em laboratório que falta um mimpulso industrial para viabiliza-las economicamente.

Em resumo, quem está bem pode piorar, e que está feio na parada pode ficar como está ou até melhorar, mas uma coisa é certa o poder será redistribuído no mundo.
Rogério

Bem lembrado o caso de Cuba. Sempre costumo citar ele aqui. Mas, antes de discutir o problema pelo lado da tecnologia, devo lembrar que Cuba é uma economia planejada e sem o estatuto da propriedade privada dos meios produtivos. Isso faz uma enorme diferença. No capitalismo, um negócio que tem sua curva de produção em declínio está fadado ao fracasso, certamente não encontraria muitos investidores para encarar a tarefa de levá-lo adiante, não se sabe o que vai acontecer com as companhias de óleo, quando ficar evidente que a produção irá seguir em declínio. O modelo empresarial da exploração de petróleo enfentará sérios problemas. Será tarefa que os estados terão de assumir, sem constituir empresas negociadas em bolsa.

Cuba possuia, na época da crise ocasionada pelo fim da URSS, uma significativa parcela de sua população economicamente ativa com vocação agrícola, ou recentemente saída do meio rural, isto facilitou aos seus planejadores reformar a produção de alimentos. Veja o caso, por exemplo, da Inglaterra, somente 1% da sua PEA é empregada na agricultura. A população urbana vive há muitas gerações nas cidades, em matéria de conhecimento da lida rural, não sabem distinguir visualmente um galo de uma galinha.

Outra coisa que se deve levar em conta no caso cubano é o nível de consumo da sociedade, antes e depois da crise soviética. Não se alterou de modo significativo o padrão de consumo entre esses dois momentos. Vale o ditado popular: quanto mais alto o coqueiro, maior é o tombo. Dá para imaginar o que uma retração do consumo de petróleo faria no vizinho de Cuba adito em petróleo.

Depois eu discuto a tecnologia. Cuba saiu da crise provocada pela abstinência forçada de petróleo, sem adotar nenhuma tecnologia de substituição de combustível. Sejamos realistas, não há nenhuma tecnologia para substituir o petróleo. Falar do que está hoje apenas em laboratório é, para usar também uma expressãochula, contar com o ovo no c* da galinha.
Almeida

Parece que chegamos a um consenso, que além do problema técnico tem-se um problema político. O em que divergimos é na intensidade de um fator sobre o outro. Na tua visão o problema técnico é preponderante sobre o político, na minha é exatamente ao contrário.

Vou tentar falar sobre o meu ponto de vista e talvez possamos discutir sobre isto.

Lembrei-me da Alemanha no fim da segunda guerra, quando ela se viu privada quase que totalmente dos combustíveis fósseis, mesmo com a penúria de qualquer outro insumo, os químicos alemães, com uma tecnologia de 1943 supriram grande parte da falta de combustível para a aviação através de combustíveis sintéticos. A produção era pequena e restrita a aviação, entretanto fica em parte demonstrado que soluções tecnológicas são achadas quando a situação fica insustentável.

Passando o raciocínio anterior para os dias de hoje, o que se vê, não teremos de um dia para o outro o fim, propriamente dito, do petróleo. Teremos o fim do petróleo barato. A solução desta forma passa pelo rearranjo da sociedade. Este rearranjo da sociedade será possível quanto maior a possibilidade desta se reorganizar, sociedades como a norte-americana, devido a limites políticos terão grande dificuldade em pular este passo. Vejamos, por exemplo, se houvesse uma lei que proibisse a fabricação de automóveis que consumissem mais do que tantos litros por 100 km rodados, em pouco tempo a pressão sobre o consumo de combustível diminuiria.

Poderíamos citar vários exemplos de ações viáveis, que diminuiriam o consumo de petróleo e outros combustíveis fósseis, entretanto o que faz o governo norte-americano, simplesmente procura avançar sobre as reservas mundiais de petróleo (vide Iraque e agora o Irã) para continuar com a farra.

Para não ficarmos somente no USA e colocar a nossa culpa no cartório, por que não é proibida a importação e produção de veículos que consomem muito combustível?

É espantoso, mas nunca, mas NUNCA mesmo vi a ação de grupos que se dizem favoráveis a uma economia sustentável levantar algo sobre isto. Qual a influência econômica que teríamos com esta proibição, seria certamente uma influência positiva, a medida que nossa indústria que produzem carros de menor cilindrada seria favorecida.

O governo federal pensou em lançar uma certificação de veículos econômicos, classificando-os como A, B, .... conforme a economia de consumo de combustível. O que houve, NADA, algumas poucas montadoras disseram que voluntariamente engajar-se-iam neste programa, outras disseram que jamais. A onde estão os “VERDES”? Eu acho que estão esperando o tempo para ficarem maduros.

Outra pergunta, há uma candidata do partido “verde” que assenta sua campanha no meio ambiente, ela só pensa que há meio ambiente na Amazônia.

Qual a conclusão que chego. No Brasil, onde a solução da diminuição do consumo de combustíveis fósseis poderia ser facilmente diminuída sem impactos negativos na economia (até diria, com impactos positivos), nada se faz. Isto tudo é produto da miopia política de toda a nossa sociedade, e da falta de capacidade política de se tomar providências contra o pico do petróleo, então vamos ao pico!
Rogério,

Na minha visão, o problema "técnico" precede a encrenca política e não pode ser resolvido por ela - a política - que servirá apenas para adaptar os homens à nova realidade que desponta. Nenhuma solução técnica é possível para preservar a atual sociedade de consumo de massa, diante do fato geológico de decadência da extração de petróleo, além de outras matérias primas ( leia: Até quando é possível extrair os minerais? ).

O tal problema que você considera "técnico" é um fenômeno natural. Considero esse fato determinante, é uma questão central em nosso tempo. A política deve se reorientar a partir dele, sem ilusões de saída de uma tecnologia milagrosa que o supere. Não guardo nenhuma dessas ilusões. Por favor, me inclua fora de uma visão que privilegia, a leitura tecnológica das soluções para o problema. O dilema é "técnico", mas a saída do impasse é política.

Quanto a saída tecnológica que você aponta, a da Alemanha nos anos quarenta do século passado, nunca é demais lembrar que eles perderam a guerra. E perderam exatamente no momento que partiram para conquista do petróleo no Cáucaso. Eles não estavam contentes com as limitações do processo de Fischer-Tropsch, daí partirem em desespero para conquista do petróleo. A adoção em larga escala dessa tecnologia, de obter combustíveis líquidos a partir do carvão, foi até agora coisa de país sob cerco militar, o caso da Alemanha, ou sob cerco político, a África do Sul. Atualmente, o processo é desenvolvido para a conversão gás para líquidos (GTL), por se mostrar mais eficiente, mesmo assim, ninguém revela a taxa de retorno energética (TRE ou EROEI, na sigla inglesa) dos processos patenteados. Talvez seja o caso de queimar diretamente o carvão ou o gás, para obter mais energia que o combustível líquido obtido. Só sociedades de desespero buscam soluções de taxa de retorno energético baixa ou negativa, para superar carência de combustível líquido.

O petróleo assumiu a primazia como fonte energética, por se mostrar a mais eficiente e versátil fonte que a humanidade já teve. Sua substituição será por fontes menos eficientes e versáteis, o que levará ao declínio inevitável da produção econômica. É você que ainda privilegia uma saída tecnológica.
Almeida

Quando falo que o problema é político está implícito a mudança da forma de consumo da sociedade, não digo que acabará o consumo das massas, mas sim o consumo em massa. Explico: Temos tecnologia atual para produzir bens de consumo duráveis MESMO, não os atuais que são planejados para uma vida útil reduzida.

Temos tecnologia para produzir automóveis que consumam dois a três litros de combustível para cada 100km (hoje em dia a média deve estar em torno dos 10 litros). Em resumo, se houver uma intervenção do Estado (de todos) podemos normalizar a qualidade dos produtos para que estes mudem, sem esperar que o próprio mercado faça isto.

Quanto a Alemanha, se leres o que escrevi de novo, sabendo já um pouco o que responderias coloquei "A produção era pequena e restrita a aviação, entretanto fica em parte demonstrado que soluções tecnológicas são achadas quando a situação fica insustentável." Hoje em dia se tem novas tecnologias de biocombustível e engenharia genética que permitem a criação de bactéria que convertem tipos de moléculas não combustíveis em materiais que podem ser utilizados para tanto.

Não sou pessimista quanto aos recursos técnicos, sou pessimista somente quanto a vontade política em utilizar estes recursos técnicos e IMPOR um novo padrão de consumo.

Retomo a pergunta que ninguém responde. Por que não há uma política de controle de gastos da nossa frota de veículos? Por que não há simplesmente a obrigatoriedade de um fabricante indicar o consumo de cada veículo na propaganda?

São coisas extremamente simples que induzem ao controle real do consumo, mas nada é feito. Me ache algum projeto de lei obrigando a indicação da durabilidade de produtos. Temos deputados "verdes" que simplesmente repetem o que o GreenPeace manda dizer, não vejo nenhuma atitude propositiva dos mesmos.
E os EEUU querendo convencer os alemães, ingleses e franceses a continuar no Iraque... Bem na fita está o Brasil. Um colapso do petróleo, desde que seja progressivo, nos permitirá aprofundar experimentos que já existem. Alguns deles já praticamente em stand-bye, como é o caso do alcool. Digo isso, pois uma coisa é suprir 20% do tanque de um carro, outra é suprir 100%... A maior providencia mesmo é a questão do transporte de massa. O Brasil está atrasadissimo. O pico do petróleo vai, sem exagero, proibir a fabricação de carros individuais movidos a petróleo ou, até mesmo, alcool. No mais, é Belo Monte, usina nuclear e captador doméstico de energia solar, pra aquecer a agua e para gerar parte do necessário à casa. O resto virá da energia eólica, das marés e solar direta em larga escala, e essas, só o tempo dirá pois são mais esperança que fato.

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