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Flavio Lyra (*). Brasília, 28 de maio de 2017.

As únicas armas efetivas de que dispõe o povo para se defender do ataque devastador que a classe empresarial vem realizando contra seus direitos e contra o Estado Nacional é a organização e a permanência nas ruas.

 A classe empresarial corrupta e seus representantes nos três poderes, apoiados pelas grandes potências internacionais, já vêm há bastante tempo buscando desestabilizar a democracia brasileira para afastar os trabalhadores do Poder e impor um modelo de política econômica e de reformas que coloque o mercado como o centro-motor da vida econômica do país. Para essa classe não importa destruir o Estado Nacional, nem suas instituições, pois para eles a sociedade se restringe ao mercado. O que não oferece oportunidade de lucro não importa que seja destruído ou absorvido pelo mercado de modo a tornar-se fonte de lucro.

Objetivos e valores, como soberania e identidade nacionais, Pátria, luta contra o desemprego, preservação do patrimônio público e redução da pobreza não interessam a essa gente.

O golpe de estado que afastou Dilma Rousseff da Presidência trouxe para o centro do poder o que existe de pior na vida política nacional, como tem sido evidenciado pelas denúncias diárias de conluios entre políticos e empresas para influenciar nos resultados eleitorais, para assaltar os cofres públicos, para produzir leis casuísticas que beneficiam empresas nacionais e estrangeiras, assim como para entregar os recursos naturais e o patrimônio público ao setor privado e aos monopólios internacionais.  

Depois da desmoralização do Presidente da República e da máfia que o cerca pelas delações premiadas, que já mostraram que pelo menos 1/3 dos parlamentares estão envolvidos com o recebimento de propinas de empresas públicas e privadas, já se acha em plena articulação a escolha, por via indireta, de um novo presidente.

A grande mídia monopolizada, por três ou quadro famílias que a exploram economicamente para fazer a fortuna de seus donos e acumpliciados, já deflagrou a campanha em favor de alguns nomes comprometidos até o pescoço com os grupos empresariais opressores da classe trabalhadora e negociadores da soberania nacional, como candidatos à eleição indireta.

Chegam a propor, o nome de Henrique Meireles, atual Ministro da Fazenda, reconhecidamente ligado aos bancos privados e homem de confiança do grupo JBS, em que ocupou até recentemente o posto de Presidente do Conselho de Administração. Nem parece que os delatores, que estão colocando em maus lençóis, Aécio Neves e Michel Temer e que distribuíram propinas a grande parte dos políticos do atual congresso, são os donos do mesmo grupo JBS.

No Congresso, à frente das iniciativas, coloca-se o PSDB, o partido cujo dirigente máximo, ex-candidato à Presidência da República, Aécio Neves, acaba de ser flagrado solicitando e recebendo malas de dinheiro da empresa JBS. Sim, é o mesmo PSDB que conspirou para o golpe que derrubou Dilma e que deu sustentação ao governo do corrupto Temer, que tem a pretensão de assumir a Presidência da República, através de uma eleição indireta pela corja de corruptos que domina o Poder Legislativo e que tem projeções no Poder Judiciário.

O objetivo claro é eleger um presidente que leve adiante as reformas contra os direitos da classe trabalhadora e contra o povo, que continue a atual política econômica de austeridade, que afunda o país na recessão e no desemprego. Que leve adiante as  políticas de venda ao capital estrangeiro das reservas de petróleo do Pre-Sal e de desmonte da Petrobras.

Sem qualquer cerimônia, estão todos defendendo com unhas e dentes o dispositivo constitucional que determina que a eleição deva ser indireta. Esquecem, por pura conveniência, que a Constituição vem sendo alterada por eles mesmos para introduzir medidas que retiram direitos da classe trabalhadora

O povo precisa permanecer mobilizado e ocupando as ruas, pois esses senhores que, indevidamente, se elegeram ou se escondem atrás de importantes cargos públicos para favorecerem a classe empresarial contra os trabalhadores, não tem legitimidade para comandar o país.

Só dá para negociar com essa gente de uma posição de força, ganha através da organização e mobilização das organizações de trabalhadores, afirmada com a presença nas ruas. O objetivo, agora é a realização de eleições diretas, sem as quais a classe trabalhadora não conseguirá recuperar e manter seus direitos. Não faz sentido realizar qualquer negociação na cúpula da sociedade. As reformas que, certamente, o país precisa realizar requerem da participação de todos os segmentos da sociedade, o que somente poderá acontecer com um governo que tenha a legitimidade obtida nas urnas.

(*) Economista da Escola da Unicamp. Ex-técnico do IPEA

   

 

 

   

 

 

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