O que está errado na educação: professores despreparados ou alunos desinteressados?

Gostaria de saber a opinião de voces a respeito do assunto.
Um abraço.

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O que representa a educação na vida das pessoas? Para responder, devemos deixar de lado os velhos chavões.
Será que a educação tem sentido para quem mora na periferia de São Paulo ou de outra grande cidade, acostumado desde cedo as migalhas oferecidas pelo Estado, que as chama como direito, de ver pela televisão propagandas e propagandas incentivando um consumo no qual ele está excluido?
A escola reflete o que a sociedade é, o que ela pensa. Educar é muitas remar contra uma forte correnteza. E diaramente, professores e alunos fazem isso. Todos não, mas a maioria procura dar o melhor de si.
Para que a educação venha a melhorar é preciso atos de rebeldia, atos que sejam promovidos por professores e alunos, atos que botem para correr os Serras, Kassabs, Paulos Renatos, Alexandes, diretores, supervisores que fingem se interessar pela educação.
Enquanto tivemos uma sociedade que tudo aceita, estaremos condenados a caminhar nesse deserto.
Caro José.

Eu não teria uma visão tão pessimista, se os professores procurarem levar ao diário tudo o que eles falam em aula, adaptando a realidade do grupo, crianças de periferia poderão ser motivadas, isto pode ser difícil e penoso, exige um pouco de criatividade do professor, mas é possível.

Aqui no Rio Grande do Sul há uma educadora de renome que chama atenção sobre a facilidade de crianças de periferia de aprender matemática mais rapidamente que outras disciplinas. Esta educadora atribui este fato a necessidade das crianças de lidar com dinheiro mais cedo do que crianças da classe média, inclusive ela verificou a facilidade de algumas crianças de seis ou sete anos em dividir, pois esta operação tinha que ser feita todo o dia!

Serras e Kassabs não são produtos novos no nosso mercado político, logo não devemos e não podemos tirar o interesse pela educação devido à existência desses senhores. Se mancomunar com o projeto dessas criaturas é uma coisa, outra coisa é deixar de fazer um trabalho correto porque eles existem. Não devemos aceitar este deserto como uma regra a ser perpetuada, mas usando uma figura de linguagem semelhante à por ti utilizada, podemos ser o Oasis dentro deste deserto.
Concordo com o Prof. Rogério. Independentemente das orientações dos MEC da vida, é importante adequar os conteúdos a realidade do alunado. A dissociação causa desinteresse dos alunos, o que, conseqüentemente, abate o ânimo do professor. Apenas esse passo, preparar os professores para essa adequação, já mudará em muito a história da escola no país.
Professores despreparados e descompromissados e alunos desinteressados têm pelo menos uma origem comum anterior, qual é?

Onde e como os professores são preparados?

Como incentivar a motivação dos alunos?
Vou insistir mais uma vez na minha conclusão: Educação é uma questão de tempo.

Somos um país relativamente jovem, se considerarmos 1808 como a verdadeira data da criação na nação brasileira, temos praticamente duzentos anos de vida. Considerando que saímos do período escravocrata a mais ou menos cem anos e entramos na era industrial há uns cinqüenta anos, estamos cronologicamente uns duzentos ou trezentos anos atrasados em relação a outros países. A Europa tinha universidades em vários de seus países membros a mais de quinhentos anos, os Estados Unidos há uns trezentos, tudo isto sem levar em conta países de tradições milenares como os países asiáticos.

Quando lemos relatos do que era São Paulo há duzentos anos atrás não reconhecemos o nosso centro industrial e cultural atual, se falarmos sobre cidades como Porto Alegre e outras essas eram vilas com um número reduzido de habitantes sem escolas, muito menos universidades.

Porque todo este comentário? Por um motivo muito simples, o que há de errado com o ensino brasileiro? Simples, está tudo dentro da previsão.

Há dias lendo uma dessas revistas que se acham importantes para a difusão da cultura no Brasil (não citarei o nome nem o lugar em que estava lendo, pois um era próprio do outro), li por cima um artigo em que mostrava que praticamente 90% da dos pais e professores estavam satisfeitos com o ensino e o treinamento dos mestres no Brasil. Num lampejo de elitismo cultural esta publicação ficava horrorizada com o resultado da pesquisa, pois segundo a mesma o nosso ensino está entre os piores do mundo! Para mim não houve surpresa nenhuma, a maioria das crianças de nossa escola são filhas de pais analfabetos ou mesmos iletrados, os mestres atuais tem em sua grande parte curso superior que bem ou mal são muito melhor preparados do que os professores leigos de cinqüenta anos atrás. Hoje em dia um professor de segundo grau tem por objetivo fazer uma especialização, um mestrado ou até um doutorado, se eles vão ou não conseguir não será por falta de esforço próprio!

O que há de errado na nossa educação é uma priorização da mesma por nossos governantes, mas esta só virá no momento que a sociedade cobrar. Quando os filhos desta geração que através de esforço próprio atingiram o grau médio e mais um curso superior (graduação ou não), verificar que o estado deve investir mais na educação, o estado assim o fará. A luta que todos aqueles que se importam com a educação devem levar a diante é mostrar a importância do investimento em educação.

Há pouco foi definido como obrigatório o segundo grau, ou seja, estamos só há meses em que a quantidade foi definida como obrigatória, o próximo passo é lutarmos pela qualidade, MAS ACIMA DE TUDO NÃO DEVEMOS DESQUALIFICAR TANTO OS NOSSOS MESTRES COMO OS NOSSOS ALUNOS, eles fazem parte de uma nova geração desbravadora que colocam mais uma pedra no nosso alicerce de um país em formação chamado BRASIL.
Caro Rogério, parabéns. Aprendí algo que, para mim, é novo. Lia outro dia sobre sociedades secretas. E lí algo sobre a Maçonaria que, já no ano 1.200, organizava-se para preservar e transmitir, lógicamente que aos iniciados, os conhecimentos, as artes e ofícios dos construtores - simples pedreiros - daqueles tempos. Tinham eles identificado a necessidade da educação para o exercício da profissão. Preservação, ampliação e divulgação de novos aprendizados. Repito, ano1.200 e qualquer coisa são os primeiros registros. Se depois o foco mudou, não nos importa. Ainda vale o exemplo.
A nosso educação formal foi por quantos anos baseada no quem sabe ensina a quem não sabe. Depois, preservando o que lhes é de direito, as moças do Magistério. Que fizeram certamente o melhor que podiam com o que estava disponível. As nossas faculdades e universidades já datam de quando? Fins de 1.800, início de 1.900? E num país hávido por liturgias, de nobrezas. Ainda em fins de 1940, quando o alunado (paletó e gravata) das universidades era obrigado a bater palmas, em pé, ao professor antes e ao fim de uma aula - aulas magistrais, como eram chamadas. A forma era mais importante que a substância.
Isso tudo mostra que começamos a formar nossa base histórica, referencial, da educação 600 ou 700 anos depois dos pedreiros... É, temos que dar tempo ao tempo.
Rogério, foi uma boa aula esta sua. Entendimento incorreto ou interpretação diversa é apenas culpa minha.
Eduardo

Não considero uma interpretação incorreta, considero simplesmente a ansiedade de pessoas que querem o melhor para seu país e que tem noção que há coisas melhores em outros países.

A tua imagem da nossa universidade dos anos quarenta é perfeita, agregaria simplesmente que a maior parte daqueles professores que recebiam palmas dos alunos estavam no mínimo trinta anos atrás dos seus congêneres europeus ou norte-americanos. Pesquisa e inovação tecnológica eram palavras que não pertenciam ao léxico daqueles professores, e por que? Eles eram desinteressados? Incompetentes? Burros? Não simplesmente ser professor de nossas universidades era uma honra e simplesmente cargos honoríficos não precisavam de remuneração!

Eu chamo a atenção de meus alunos que no século XVIII e XIX, serviços de água e esgoto em Paris e Londres tinham engenheiros-pesquisadores! No início do século XX às sociedades norte-americanas de engenharia tinham periódicos científicos de alta qualidade (não estou falando de sociedades de físicos, químicos e matemáticos, aí nem tem como começar a comparação).

Quando cobramos de nós uma excelência científica e de educação nos mesmos níveis do chamado primeiro mundo estamos simplesmente perguntando porquê uma criança de nove meses não sabe andar.

Calma, muita calma, sem perder a perspectiva de lutar por melhores condições de ensino.
Divino

Respondendo diretamente a grande pergunta.

Nossos professores não são despreparados, nossos alunos não são desinteressados, eles são simplesmente produto de uma sociedade em formação que descobriu que a educação é algo importante na sua vida, só não sabem o quanto (os alunos) e todos tentam baixar a auto-estima dos nossos mestres.
Rogério, outra vez vou te lançar minha "ameaça": você às vezes me dá vontade de te dar um beijo! Os professores, além de mal pagos e sobrecarregados, ainda vivem sob desvalorização constante, assim nao dá!
Bjs
AnaLú

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