Em tributo a um ritmo musical que consegue expressar a realidade cruel das periferias, dos guetos, das favelas, enfim a realidade da maioria dos brasileiros.

A batida é forte, as letras são contundentes, EXTREMISTAS na abordagem dos fatos, REALISTAS na composição dos temas, esta é o chamado GANGSTA RAP BRASIL, vertente musical do hip hop que tem por finalidade narrar e denunciar em forma de versos as mazelas sociais , o descaso do governo, a dura realidade de quem sobrevive as margens da sociedade brasileira, que em sua grande maioria são vítimas da ação truculenta da polícia por terem que optar pelo crime como forma de subsistência.

O RAP GANGSTA é o que o próprio RAP NACIONAL muitas vezes segrega musicalmente, SOMOS A VOZ QUE NÃO SE CALA, ou seja, A VOZ DO FAVELADO, oprimido e excluído pelo próprio país.

Conheci o RAP a pouco tempo e a cada dia aprendo mais, cresço mais, me impressiono mais e me apaixono mais, pelo som, pelas letras, pelas ideias e principalmente pelas pessoas que fazem o movimento rap no DF e no Brasil. 

Pra começar um ótimo rap de um grupo de São Paulo. 

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Respostas a este tópico

Ceilândia é uma cidade satélite do DF que já revelou inúmeros "heróis" do RAP. Um pouco da história da Ceilândia e do RAP-DF estão nesse documentário de Adirley Queirós.

 

Tenho poucas ou quase nenhuma referencia do rap gringo, gosto e curto mesmo é o rap nacional e gosto muito mais do rap do DF e mais ainda do rap de Planaltina-DF (minha maloca, minha quebrada). Foi lá que conheci o rap e a favela e aprendi a respeitar esse movimento. O rap só diz a verdade!

Nina, pessoalmente detesto rap, enquanto música. Mas reconheço a verdade do que você diz. Mesmo algumas vertentes do funk têm tb esse efeito: nao só criticam mazelas, mas defendem a auto-estima de favelados e moradores de periferias. Esse é o lado interessante, e nao vêm só de agora, venho notando isso há já bastante tempo. 

Analú, valeu mesmo por ter dado uma moral aqui pro tópico dos manos. O rap como estilo musical e principalmente como movimento me impressiona bastante pela maneira como uni as pessoas e as leva a reflexão de um jeito que nenhum texto marxista faria. A linguagem do rap aproxima as pessoas das ideias. 

Não me agrada muito as letras que "defendem a auto-estima de favelados". Na boa, essa história de favelado feliz só existe em novela da globo, nas favelas os direitos humanos mais básicos são violados a todo o instante e fica difícil manter a auto-estima num ambiente hostil até mesmo pra quem nasceu lá.

O rap cumpre muito bem seu papel social quando denuncia as desagregações sociais, desperta nas pessoas o sentimento de indignação e mostra a perspectiva de luta inclusive no âmbito político.

Pra quem não curti o rap como música, dá pra curtir como poesia.

Esse é o Clã Nordestino - A peste negra do nordeste, um grupo de São Luiz Maranhão que representa muito bem o rap nordestino.

Todo Ódio a Burguesia

Clã Nordestino

Sai, sai, sai, sai da frente!
A peste negra do nordeste glocka os pentes
Engatilha as rimas africanas, por um mundo diferente
Não improvisa! A Miséria é uma ferida que nunca cicatriza
Avisa as tias que reciclam a vida, num quilo de latinha
Na quebrada a burguesia financia a chacina
Na esquina a pretinha roda a bolsa e completa a renda mínima
Entenda a armadilha e saiba que a ferida na perna do pretinho é quem paga
O cruzeiro, o transatlântico romântico do casal de canalhas
Pragas são como ricos e os ricos são como pragas
Um dia desse o transatlântico naufraga
Se a sua vida é doce, a minha fome é amarga
Nem o seu cheque ouro custeia as minhas lágrimas
Ver você burguês sofrer, sangrar, pra mim é dádiva!
Odeio o teu jeito de ser, já não suporto mais vocês no poder!
E pros cristãos que juntam ouro e tem casas de aluguel:
"Mais fácil um camelo passar no buraco da agulha
do que um rico entrar no reino dos céus"

Dos pretos, pelos pretos, para os pretos, com os pretos
Todo ódio à burguesia!
Orgulho de ser da periferia!

Vai, chama o padre pra me exorcizar

Faz uma demanda, manda o tambor rufar
Chama os crentes, faz uma corrente
Fecha o condomínio, esconde os filhos e parentes
Guarda os carros, esconde as jóias
Toca o alarme das mansões luxuosas
Gasta grana, reforça a segurança
Blinda o teu carro, refugia as crianças
Esconde o Roléx, cancela o caviar
Tem medo de morrer? Parou de ostentar
Mais-valia: a palavra mágica pra uma noite trágica
É terror, é terror, na casa da madame
Cena sádica, vamos comemorar
No braço, no saque, na quadrada automática
Na greve, no piquete, na porta de uma fábrica
Um drink do inferno aos canalhas da capa
No gatilho do meu ferro o flash na revista Caras

Cê vai ter que engolir minha carteira de trabalho

Cê vai lembrar de mim na redução de quadro
Logo eu que não fazia, partido, sindicato
Sempre obedeci, sempre cheguei no horário
Agora eu sou o terror de canhão politizado
Então segura a fuga, armadilha de desempregado
Desemprego, desespero, filhos com medo, não é segredo não!

 

Dos pretos, pelos pretos, para os pretos, com os pretos
Todo ódio à burguesia!
Orgulho de ser da periferia!

 

Cinqüenta famílias dominando o Brasil,
Me liga, me avisa, que eu troco a minha rima por um fuzil
Hey, dizem que é azul o sangue da nobreza
Então vamos sangra-los e encher nossas canetas
Vambora, então não demora, essa é a hora de rimar
Foi a falta de escola que mandou matar
Vambora, então não demora, essa é a hora de rimar
Foi a falta d'água que mandou matar
Vambora, então não demora, essa é a hora de rimar
Foi a falta de pão que mandou matar
Então, deixa o meu som bater forte no teu carro
Deixa o meu som ecoar no teu barraco
Deixa o meu som viajar pelo teu rádio
Afinal, eu e você estamos do mesmo lado
Sem direito a brinquedo, sem direito a um hobbie
Maioridade na grade garante os pontos pro seu Ibope
Não é papo de louco, não é papo de loc
No puro-sangue da minha gangue a vingança vem a galope
Nos versos locomunistas, nos pretos mais loucos do norte
Palavras feitas das lágrimas de quem não pára de sorrir
Palavras feitas de sangue de quem não tem pra onde ir
Ressuscita Negro Cosme, ressuscita Rei Zumbi!
Por vocês meu rap é mantra contra o FMI!

Dos pretos, pelos pretos, para os pretos, com os pretos
Todo ódio à burguesia!
Orgulho de ser da periferia!

No compasso dos soluços de quem morreu de bruços
Nos braços dos abraços de quem conhece o luto
No rito dos sorrisos de quem visita o filho
Nos olhos, bem nos olhos de quem ouviu o grito
Nos dedos já sem medo de quem aperta o gatilho
Nos versos controvérsos de quem quer mudar o mundo

Revolução na periferia!

 

Na verdade eu estava pensando numa letra em especial, Nina, que reivindicava o direito de ser feliz na favela em que nasci. Nao dizia que tudo era bom, reivindicava isso. 

Acho importante isso, o equivalente do "black is beautiful" nos EUA. Importante gostar do próprio rosto, do próprio lugar; nao quer dizer que entao se esteja dizendo que tudo vai bem. 

Não vou dizer nada. Infelizmente, apesar de ser filho de um marxista convicto e de ter-me aderido ao pensamento igualitário do equilibrio entre capital e trabalho e de desejar sempre a ascensão das camadas materialmente menos favorecidas, em matéria de música e literatura, sou muito elitizado. Só aprecio música erudita. Lírica principalmente. Mas estarei de olho, lendo tudo que aqui vai ser escrito. O tema é ótimo.

Euripedes, =)

Eu também aprecio a música erudita, acho de veras linda. Mas é que uns tempos pra cá conheci esse tal de rap e percebi que as letras dão conta do mundo que eu vivo e do mundo que eu ainda quero viver. Respeito muito seu bom gosto.

Estou conhecendo agora o que chamam de "hip hop militante". Acho que você pode gostar, as letras são bem construídas e a música agrega instrumentos mais comumente usados na música clássica. Rapaz, eu admito que fiquei bem balançada.

O imortal

Gíria Vermelha

O imortal ... quem é o imortal?
O imortal é um pivete nascido no gueto
De tanto chorar não consegue sorrir, de tanto sofrer já não sente mais medo
O imortal é aquele pivete que cê humilhou no hiper-bompreço
Só que agora não pede esmola , ele quer a jóia , a bolsa e o dinheiro
Suas palavras já não o comovem
Acho bom dá a senha do cofre
Seja chic madame não grite, seja forte não chore, não chore
Nossas forças foram sugadas, nossas vidas nem foram cotadas
Fora no sermão da igreja minha alma não valia nada
Desconheço suas leis e regras e meu pai viciado em merla
Apanhava três vezes ao dia hoje meu coração é de pedra
Meu sentimento é só de vingança
Só que ainda sou uma criança
Que herdará o reino do céu ou o fel no fiel da balança
Sou um monstro criado por ti no lixão do jaracati
Foi ali que vi minha mãe garimpando o rango pra mim
Foi ali que vi os irmão todos negros com calos nas mãos
Atração pro boy que filmava da sacada de sua mansão
Foi ali que vi o contraste duas cidades numa cidade
Foi ali que eu vi que nós era patrimônio da desigualdade
Foi ali que encostei os lábios na taça do ódio
E tomei o elixir da vida com a erva colhida no jardim da morte ... virei imortal.


Eu sou imortal..... virei imortal


O imortal tem cheiro de morte moleque pobre no esgoto da vida
Não teme a morte nem a policia no noticiário da mídia
O sistema fabrica imortais o ciclo não se desfaz
Morre um nasce três no lugar, eis ai o plano eficaz
O presente é sempre o meu tempo, o meu tempo é sempre o presente
Meu passado é só sofrimento , meu futuro eu carrego nos pentes
Vocês arrancaram minha alma não foi?, vocês me jogaram na vala não foi?
Vocês me tiraram o feijão com arroz, vocês me deram uma arma depois
Vocês humilharam minha mãe, vocês viciaram meu pai
Vocês sabem como faz para fabricar imortais
Minha vida não vale a moldura da obra de arte de portinari
Nem o vídeo de cicarelli sendo possuída na praia
Mesmo assim sou mais resistente, fui criado na lama
O seu filho é cheio de frescura, chama a empregada de mama
Vocês que se abanam com leque arrancaram o sorriso da plebe
Na satisfeito cês quer arrancar o estatuto que mal me protege
Vocês não respeitam direito é só preconceito do lado de cá
Vocês criam o bope os robocop's pra me matar
Mas ai eu não temo a morte, eu não posso morrer
Imortais seremos milhões enquanto o capitalismo viver... serei imortal.


Eu sou imortal...virei imortal


O imortal é um pára - normal, manimal, psicopata
Sem direito a porra nenhuma, transformado num homem de patas
Se protege como pode da tropa de choque os marionetes
Despenou um boy que cheirava na entrada do stúdio 7
Foi manchete no o imparcial, foi destaque no bandeira ii
Contemplado pelo governo isso ai ele nunca foi
É o terror seu tataravô liderou revolta de escravos
Hoje os boy's pede pro homi, elimina esse desgraçado
Tá encurralado faz passeata pede mais repressão da polícia
Incrimina cantor de rap, bate palma pro tropa de elite
Esse é o pique da luta de classes, o imortal ressuscita marx
Os coveiros da burguesia espalhados por todas as partes
Olha o contraste na cena da ponte, olha que ta debaixo da ponte
Olha o carro em cima da ponte, é um ferrari de quinhentos contos
Atiça os monstros ai jânio arley, filma o contraste
Ou então cala a boca cadela que queima a favela de segunda a sábado
Esse é o cenário é ou não é?, o imortal também já foi anjo
Arrancado do paraíso transformado num belo de um monstro
Sobre os escombros do capital, então sangra você burguesia
Cospe foge no renascença i, tiamate da periferia
Não era isso que cês queria ódio na veia revolver e capuz
Pra você que enriqueceu desviando dinheiro do sus
Pra você que compra canal de tv com dinheiro de favelado
Com milhões na conta da tia que nem sabia lá no coroado
Esses são fatos esse é o fardo pra quem vive nesse inferno
Tira o sono de vidigal, tira o sono do coronel melo
No verde, amarelo , azul e branco manchado de sangue
O imortal é tua cria burguesia assassina e gangster

Sobre o Gíria Vermelha: http://giriavermelha.blogspot.com.br/

O gangsta rap é um vertente radical, importada dos EU. Denunciaram as tragédias de um modo que idolatrava a ignorância e a violência, contra brancos, racistas, tiras, mulheres, machistas mesmo, contra a polícia e favor do tráfico, do crime e da promiscuidade no gueto. Reforçam a condição marginal dos guetos ameaçando ouvidos  brancos com poesia tosca, pregando o ódio racial. Os brancos morrem de medo? Enriqueceram os melhores, money para shows, cd e clips com carros e roupas da burguesia.

No Brasil, Mc Racionais, da hora antropofágica, onda boa. É cordel urbanóide. Diferente dessa coisa aqui:

 

Funk vem do rap, funk carioca é outra coisa de muito bom e de porcarias também. A burguesia entrou a mil como furacão. O centro está na espinha dorsal, dançar  de outro jeito, bailar, exorcisar. Fiscalizado pela polícia UPP, tá amarrado. Na dança do passinho, grande Passinho, pra não dançar geral, pra não dançar total, dois pra trás pra avançar, o camarda Lenin lembrava a importância do bom gosto da burgueria. Rosa e Gramsci também disseram coisa parecida, não li nenhum dos dois, só no google, arquivos, porém acho normal conhecer as armas do alemão, não são apenas as escopetas.

Que o rap do DF tenha boa sorte. Rap do goiás. Aquilo tá precisando de um pancadão.

Não tenho conhecimento o bastante para engatar uma discussão sobre fank. Foi mal mesmo! Ainda não conheço de boa o rap de Góias, mas acredite, o Rap do DF me deixa muito orgulhosa, não apenas pela qualidade e autenticidade do som que é referencia para quem curti rap no Brasil inteiro, mas também pelo compromisso social, pela criatividade e competência de quem faz esse som.

Tipo assim:

 

Palco MP3 - Cirurgia Moral - Ceilândia - DF

Por muitos o Gangsta Rap é visto  exatamente como a postagem acima descreve. Mas para mim ele é a expressão nua da realidade, nada é inventado, infelizmente tudo que é dito nas letras do Gangsta Rap é verdade. Não se trata de idolatrar ou fazer apologia a ignorância, a violência, a ao crime ao tráfico etc. Essa é a realidade que se apresenta como fato social na vida da maioria das pessoas que escrevem rap, essas pessoas sofrem todos os tipos de violência diariamente, elas não podem falar de casas em Itapuã e coisas assim, o futuro delas não será cantado por Caetano. Ser subversivo quase sempre é unica maneira de sobreviver nas favelas e isso já era assim antes do Facção Central em SP ou do Código Penal do DF. Os rapper´s em suas letras representam um monte de gente que não tem acesso a tal "liberdade de expressão" e fatalmente chocam aqueles que não imaginam o que viver fora do asfalto.

Mas quando eu falo de Rap Gangsta eu penso em coisas mais parecidas com esse som aqui:

Palco MP3 - Código Penal - Planaltina - DF

Seu entusiasmo é legal. Rap é música poética, cada um com seu verso. Free, a polícia não tá nem aqui no meu asfalto é sócia dos maiorais de qualquer lugar, da favela também. Não gosta é do MStê. Se fosse rap do Stedile, cantariam o refrão "burguesia de merda" , já ouviu o rap do cara? Na cara das reuniões burguesas? Terrífico.

Conhecer o rap é 10, como música engajada nos Estados Unidos, terrinha boa, conheço muito bem, pode ser uma. Falavam de Malcon Exe, não de Marx, sabe como americano é esquerda, encheram o gueto dos blacks com o crack dos latinos, brigam que nem cachorros até hoje. Os afrouseis se deram bem, os "mexicanos". Uns votam no Obama, outros no Bush, todo mundo quer votar.

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