SERGIO BUARQUE DE HOLANDA e o repúdio ao mito das três raças:

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                        Embora não seja nem historiador nem cientista social foi na condição de ativista radical contra a classificação racial dos humanos que, convidado, participei desse debate do sabático aos dois volumes de escritos não clássicos de SBH na busca de mais subsídios para a luta contra o racialismo estatal e contra os defensores da raça estatal, pois, aprendi em “Raízes do Brasil”  a utopia de ser simplesmente humanista e de repúdio à falaciosa classificação racial dos humanos. O desafio da luta contra o racismo é a destruição da crença em ´raças humanas´ a base nuclear do sentimento racista que é a classificação biológica dos humanos em grupos raciais e sua hierarquia implícita, conforme a tradição legada por Aristóteles e que tantos males já produziram à humanidade.


                        Com precisão acadêmica, a partir de 1930, RAÍZES DO BRASIL e CASA GRANDE & SENZALA, romperam e descredenciaram o racialismo até então crescente nas universidades e intelectualidade brasileira, a tempo de nos salvar da cumplicidade com a tragédia do nazi-fascismo que se anunciava. Em Raízes, SBH não só repudia o mito de que no Brasil se dava o encontro e mestiçagem das três raças: ele recusava o conceito biológico de ´raças humanas´. Não aceitava que o brasileiro seja o fruto da mistura, até então considerada degenerativa, das ´raças´, conforme afirmava a eugenia com base em falsas premissas da biologia ainda rudimentar.

                        Hoje, tanto a biologia avançada e a genética, comprovam que SBH tinha inteira razão: se não há raças biológicas, não poderia haver o ´encontro´ das raças diferentes, repudiando assim o mito. Para Sérgio o pertencimento ´racial´ nos impõe a prisão a uma condição biológica da qual não podemos nos libertar. O “ser nacional” brasileiro, para ele, é fruto da condição humana pelas transições culturais de cada um, de cada povo, de cada momento histórico nos fazendo simplesmente, brasileiros. O "ser nacional", dizia, é fruto de uma determinada cultura. "É um ser cultural´ (mutante) e não um " ser biológico" (imutável). Na condição de humanos podemos optar, como fez ´Che´ GUEVARA por ser universal, continental, nacional ou regional. Podemos ou não mudar a nossa condição e nosso pertencimento. Como pertencentes a uma ´raça´, estaremos dentro de uma jaula biológica, da qual, por ser imutável, jamais podemos nos libertar. Nós não precisamos de direitos segregados, pois apenas queremos  “ser brasileiros” dizia, em 2001, o saudoso professor MILTON SANTOS.

                         A atualidade dessa distinção está entre ser simplesmente humanista e a aceitação dos ideais racistas do século 19 e início do...

continua:

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Militão

 

Acho que corretamente estás posicionando a discussão da negação que devemos ter ao falso conceito de raças humanas, no período temporal que este conceito causava mais estrago. As atuais gerações, brincam com este conceito adulterando-o um pouco para que ele se assemelhe ao conceito de Etnia.

 

Vejo a tua luta permanente contra este cancro que é a idéia de raças distintas, e que se distintas deveriam haver especificidades entre elas. Os jovens não se dão conta que conceito de raça, tras embutido conceitos eugênicos tão caros tanto aos nazi-fascistas europeus como os puramente racistas norte americanos do início do século vinte.

 

Talvez, se trouxeres a luz toda a gênese deste processo, que tentava justificar a opressão e a exploração através de diferenças raciais, a tua luta fique mais simples e proveitosa. Vejo que muitas pessoas com perfil progressista adotam a denominação racial desconhecendo toda a implicação e pior o passado desta postura.

 

Parabéns pela luta, e tenha em mim sempre um aliado.

O racismo ao contrário do que o Militão prega, existe a revelia do conceito de "raça". Ou os judeus alemães eram de uma "raça" diferente do outros alemães? !"Raça" é um /construção/conceito politico ideológico e subexiste à revelia do conceito biológico de "raças".

Militão brinca com a questão semântica. Como se ao extinguirmos a palavra "raça" desaparecesse o racismo.

É muito mais complexo do que, simplesmente e ingenuamente, abolir [se é que isso é possível] o uso de uma palavra. No caso negro. Que no final das contas é só mais um signo [significante+significado] e sua origem e conceito é, sobretudo, politico, ideológica e cultural - com variantes no espaço e tempo.

No entanto, além da língua há a linguagem - muito mais ampla e complexa. Ou seja, todos os signos racistas que se encontram na literatura, música, artes visuais, culinária, gestos religião etc. Ou seja, o racismo se manifesta por meio de uma ampla e intrincada teia de situações que, grosso modo, não são verbais.


O racismo é uma construção politico e ideológica e não biológica. Portanto se existem ou não "raças" é irrelevante. O racismo é focado nas diferenças. Logo, se as minhas "diferenças" não agradam a determinado grupo social e politico, será que o ideal seria desconstruir as minhas "diferenças" e ser "igual"? Talvez o melhor fosse valorizar [autoestima/respeito próprio] minhas "diferenças"? 

Sempre haverá um grupo hegemônico - faz parte da natureza humana almejar a singularidade. Portanto, estaremos sempre lidando com as "diferenças" e, sobretudo, divididos entre pertencer ao grupo dominante ou valorizarmos nossas "diferenças".

O discurso dele [Militão] é semântico, pois, ele usa “raça” de forma ambígua. Por um lado não existem “raças” e por outro lado o discurso “racialista” [sic] é responsável pelo racismo. De fato, a construção - ideológica e politica - eu não chamaria de “raças”, mas a construção de "comunidade de excluídos": negros, índios, homosexuais, “gordos”, “feios” etc., tem toda uma dinâmica que é impossível ser acompanhada ou contida. Portanto, abolir, por decreto, os tais termos “racialistas”, como quer o Militão, não acabará com o racismo e, tampouco, impedirá as pessoas de usá-los. É muito mais complexo do que isso.

Militão quer que, nós negros, em função da palavra negro estar estigmatizada com o significado de escravo, a troquemos por preto [muito mais ofensiva, para os negros no Brasil, do que negro]. Para sermos coerentes com o argumento do Militão, deveríamos mudar mulato, que significa mula para qualquer outra palavra.

Enfim, Freire e Buarque de Holanda, Euclides da Cunha na literatura, dentre outros, apenas repercurtiam, de forma a acadêmica, a idéia de uam democracia étnica brasileira, o que, com efeito, era/é, apenas e tão somente, uma maneira mais sofisticada de branqueamento eugênico.

Um abraço



Já trabalhei acadêmicamente com o tema da história e cultura afro em Salvador. Foi com dificuldade que consegui alertar meus alunos para as possíveis conseguências dos nossos atos de afirmação cultural (atos, de resto, perfeitamente legitimos).

 

Afirmar-se afro-brasileiro é uma desvantagem, quanto à identidade nacional, quando não há ninguém no Brasil declarando-se euro-brasileiro. Fica parecendo que o "natural" do ser brasileiro é ter a pele branca, ou até, sobrenome Bünchen...

 

Pessoalmente, tenho uma utopia que me tem faltado tempo para sistematizar. Gostaria muito que a sociedade brasileira fosse levada a discutir se o conceito de brasilidade seria a receptividade ao bio-etnico do outro, seja ele quem for. Essa "postura-identidade" seria expressa numa atitude anti-apartheid. Poucos regiões do mundo cultivam a miscigenação como a América Latina e, dentro dela, a América do Sul. É sabido que o Brasil é, hoje, o país mais miscigenado do planeta (não há paralelo sequer aproximado).

 

Nós não convivemos (na verdade nem fazemos questão disto, uma vez que o mundo não é só etnico é também social, politico, econômico...), nós miscigenamos. Isso quanto ao bios. Quanto ao étnico, minha fantasia, utopia, delirio, é que algum dia tenhamos governantes que se empenhem na função de Chefe de Estado.

 

Só um chefe de Estado para estruturar a educação das gerações futuras, não como sendo a tolerância de viver ao lado, mas a impregnação de ter dentro de sí, o outro. De tornar o espaço escolar o espaço de descobrir não a miscigenação que teremos ou queremos, mas a que já temos. Etnicidade afro, ibérica, árabe, pataxó, guarani, nipônica...

 

Na minha utopia, a repulsa total do bio-etnico do outro, elimina a possibilidade de ser brasileiro. Na Alemanha só é alemão quem é filho de pai e mãe alemão. No Brasil, só seria brasileiro quem: a) se sentisse espiritualmente à vontade de encontrar traços culturais do outro dentro de sí ou; b) não criasse obstaculos á miscigenação. A miscigenação não precisa (e talvez, nem deva) ser estimulada. Ela nos é, hoje, natural.

 

Aceitar o Brasil que há dentro de sí e que pode vir a haver na sua vida. Muito disso já é praticado sem perceber, a proposta é conscientizarmo-nos do quanto isso (por incrivel que pareça) nos singulariza e, portanto, nos identifica como povo, como nação.

 

Minha utopia não me parece tão delirante quando lembro que o designativo "neguinho" e "neguinha" é muito mais utilizado para chamar a pessoa a quem se ama (seja ele de que etnia for...), do que para exprimir intolerância. O oposto disto é a histeria religiosa, o ódio racial, a eugenia e a total ausência da curtição da vida....

 

Militão abaixo um pouco na nossa conversa na qual você elogia Demétrio Magnoli.

 

[[[...Prezado Militão

O que eu disse é que, em nenhuma ocasião, você criticou, pelo menos publicamente, o sr Demétrio Magnoli, por ter, por meio da mídia chamado [Magnoli] os negros brasileiros de racistas e nazistas e, sobretudo, de os negros no Brasil quererem fomentar o ódio racial.

 

 

Um abraço

 

     ORLANDO,

     Como criticar o DEMÉTRIO por ter dito uma verdade?.. Eu fui dos primeiros a dizer isso em 1999 nos debates dentro do movimento negro a respeito do primeiro projeto de lei do então Deputado PAULO PAIM, que havia incorporado um projeto de lei anterior (1997) de autoria do Senador Sarney: cotas em universidades e cotas nos concursos públicos de todo o Brasil.

     Disse então que o Senador Sarney era racista ao propor lei de ´cotas raciais´, e, portanto quem aderia à proposta de um racista também era.

     Ora, alegava, se o Maranhão é o estado de maior pobreza dos afro-brasileiros (menor IDH equivalente dos países mais pobres da África) em todo o Brasil, onde tem a maior quantidade de Quilombos já reconhecidos pela Fundação Palmares (mais de 300) o que significa uma imensa população de excluidos, marginalizados, sem terra (são ocupações), sem escola, sem serviço público algum, e com práticas tão racistas quanto as descritas por ALUISIO DE AZEVEDO no século 19, então como não poderia ser o Chefe patriarcal daquele poder político de coronelismo senão um racista convicto que em 50 anos de poder nada fez para alterar aquela realidade, aliás, mantida, para fins de curral político-eleitoral.

 

     ORLANDO quem propõe leis raciais admitindo uma desigualdade presumida com classificação jurídica racial é racista e nazista. DEMÉTRIO está correto em dar o nome aos bois. Sinto-me confortável com essa adjetivação.

 

     Veja o que diz o Doutor BARBUJANI a respeito da adesão aos privilégios raciais através do estado: cria-se um paradoxo. Qual? A adesão da vítima à lógica do opressor. O que alimenta essa adesão é a criação e renovação de uma clientela cativa para garantir projetos racialistas das Foudacions e cargos públicos de 5º escalão nos governos federal, estadual e municipais onde hoje estão instalados cerca de 150 profissionais da ´raça estatal´, prontos para fazer ´claque´.

 

     É triste, mas é a mais pura verdade: são racistas e nazistas que leem pelas cartilhas dos ´democratas´ e sua Foudacion´s. Não se esqueça que os democratas eram os escravistas. Depois com financiamento do Sr. HENRY FORD sustentou a KuKlusKan para colocar os ´negros´ em seu devido lugar. Foram os democratas que criaram a jurisprudência de ´iguais, mas separados´, e por fim, criaram as ´cotas raciais´, portanto, os democratas sempre consideraram os afro-americanos na condiçãod de inferioridade que não merecia a condição de igualdade.

       ORLANDO é um complexo jogo político que visa continuar impondo a ´raça´ como pré-condição para retirar a nossa inteira humanindade.

abraço,

Militão.

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Prezado Militão

[[[....ORLANDO quem propõe leis raciais admitindo uma desigualdade presumida com classificação jurídica racial é racista e nazista. DEMÉTRIO está correto em dar o nome aos bois. Sinto-me confortável com essa adjetivação....]]]

 

Mano Militão, você usa a lógica do opressor ou daquele que não gosta de negros.

Meu caro, dentre muitas coisas, racismo é um exercício de poder ou um "estupro" moral e ético de um outro semelhante. Se você você não detém o poder você não pode subjugar, portanto, o negro não pode ser racista. O negro se defende e resiste.

Essa sua lógica canhestra de que se um negro denuncia o racismo, ele negro, é, segundo suas próprias palavras, racista e nazista, é, com efeito, evidência de que assimilastes, muito bem, o discurso daqueles que odeiam os negros no Brasil.

Se você Militão, como negro, se sente confortável chamando - outros negros - de racistas e nazistas, eu acho que que, de fato, o sr Magnoli, e não os negros: sr Abdias Nascimento ou sr Milton Santos  e, sobretudo, não os negros, é seu verdadeiro guru.

Posto isso, por favor, não use o nome do sr Martin Luther King e do sr Malcom X em vão... Tenha mais respeito para com os negros... 

 

Prezado acho que quem sofre da sindrome de Estolcomo é você...

 

Um abraço

 

     Prezado prof. Francisco,

     Comungamos da mesma utopia. Vale a pena lutar para que se realize. Parabéns, também tenho me dedicado a debates com os jovens, especialmente no nível pré-vestibular e nas universidades, onde sou chamado.

     Temos o dever de preparar as futuras gerações para que recebam um ambiente social melhor do que recebemos, conforme as lições de ORTEGA Y GASSET. Aliás, essa é a grande sacanagem dos defensores de leis raciais e de um estado racialista: estão envenenando o ambiente social que entregaremos.

      Por decorrência, não temos esse direito, mesmo por que, nossos avós não nos entregaram uma sociedade dividida em ´raças´ e no Brasil, felizmente, a maioria absoluta de pretos, pardos e brancos não pensam e não querem pensar em termos raciais. São apenas brasileiros.

      As nossas utopias é a preservaçao desse sentimento, sem deixar de lutar por melhoria nas condições sociais, de forma universal.

 

 

grande abraço,

Militão

Prezado Militão

No final das contas, é tudo uma questão semãntica.

Primeiro veio o objeto [significante], uma pedra por exemplo, e depois essa pedra foi carregada de significado, ou seja, conceito/idéia. Não raro, o significado é politico, ideológico ou cultural. O significante [palavra] "puto", em Portugal, não tem o mesmo significado que tem no Brasil. Em Portugal é criança e no Brasil é ofensivo.

Primeiro veio o "objeto", "homem negro" ou da cor preta/escura/negra, e, depois, esse "objeto" recebe um significado politico/ideológico, isto é, escravo ou coisa que o valha. No entanto, significantes [palavras] mudam de significado no espaço e no tempo. Portanto, cabe, ao negro brasileiro, dar um novo e digno significado ao significante/palavra negro. Ou seja, negro é só um signo [significante+significado] ou  palavra e nós é que a carregamos de conceitos e idéias - positivas ou não...

Logo, mudar de raça para ser humano [coisa que já somos] ou de raça para etnia, será irrelevante se não dermos ao significante/palavra negro um novo e edificante significado. E, sobretudo, se não mudarmos, nós negros, a maneira como nos vemos [que, de certo modo, carrega um pouco de como as pessoas nos veem]. Isto é, se não tivermos respeito por aquilo que somos e não por aquilo que pensam da gente, nós negros não seremos nada. Você propõe a diluição da negritude na hegemonia da cultura branca e, eu, quero que o  negro seja o que é. Sem reparos ou vergonhas.

 

Um abraço  

 

       ORLANDO, o racismo é uma enfermidade social da qual você é uma vítima. Como não tenho e não quero pertencimento racial nenhum, sou um ´ser cultural´, o que luto é pelo fim do racismo, seja ele de brancos ou de pretos.

       Outra coisa, por serem pretos, não terão minha solidariedade nem deixarei de condenar os ´Papa´ e ´Baby´ Doc´s, os Idi Amin´s e tantos outros centenas e centenas de canalhas assassinos e genocidas.

       Se há afro-brasileiros defendendo a posição racialista das Foudacion´s, tal como você as defende, são todos racistas e nazistas, pois comungam da ideologia de segregação racial.

       Terão sempre a minha oposição radical.

       ORLANDO assuma que você também é um racialista preso à imutável e perversa prisão biológica do pertencimento a ´uma raça´, aquela que o racista diz ser a ´raça inferior´. E que isso te faz um sofredor, psicologicamente vulnerável, incapaz de negar os ideais do opressor.

       Conforme a psicanálise, se você assumir a paranóia, fica mais fácil curar-se da doença.

bye,

A ação de afirmação etnica mais violenta em curso no país acontece em Salvador, em todos os dias em que se comemora o Senhor do Bonfim.

 

É violenta por tantos motivos que é dificil até enumerá-los. Vão lá os baianos afro-brasileiros e derramam seus alguidares de água-de-cheiro no chão do templo católico, lavam e lavam...

 

O sacerdote da religião do opressor escravista um dia se deu conta e fechou a porta do templo. A justificativa pública era a "bagunça" dentro do templo, depois, uma vez que essa história tinha pernas curtas, a desculpa era o "animismo" dos ritos afro. Nunca, nenhum rito afro foi praticado dentro do templo católico. Porque então criar impecilhos à lavagem do Bonfim?

 

Porque a lavagem do Bonfim é um ato genial, contundente e violento de soft-power. Gandhi, Luther King, Dalai Lama, nada se iguala.

 

Não é o cristianismo, que legitimou a escravidão, a religião da humildade? Da docilidade? Da aceitação? A religião "maior"? Como poderia uma reles religião de escravos ensinar tolerância ao Deus branco? Como poderia constrangê-la?

 

Espere mil anos para ver um Papa católico (um bispo serve...), ou um Bispo protestante (vá lá que seja, um pastor...), se dispondo a varrer o terreiro de um Candomblé. Não verá. Trata-se de uma cultura que precisa ser "auxiliada" a crescer, nesse sentido. Por sí só não chega a esse nível de sofisticação.

 

Se algo parecido algum dia acontecer, vai ser tanta bazofia, tanto cinema, tanta presepada disfarçada de humildade! E tudo isso violento como uma longa tortura, ano após ano, "você tem o que aprender comigo", "a sua fé é feita de palavras, só palavras"... E a pior de todas: "eu te amo", ano após ano, "eu te amo", "I've got you under my skin" ("eu quero ter você sob a minha pele"). Com muuuuita elegância. Muita festa, muita fitinha... "Eu não me rebaixarei a lhe odiar, eu lhe observo, eu te amo e você, uma hora, vai cair... vai cair... de amores".

 

Para mim, é inequivoco: a fé que os ibéricos trouxeram da europa era um ritual sangrento, baseado em sacrificios humanos, vulgarmente denominados de autos de inquisição. A fé e a cultura indigena (essa eterna esquecida...) e a africana, incorporaram a possibilidade da aceitação da mulher (é uma fé matriarcal), do homossexual (através dos orixás), do diferente, a miscigenação franca, amorosa e desabrida.

 

A cultura indigena e africana cumpriu uma função civilizatória essencial para uma nação brasileira elegante e sofisticada. O europeu existe, diverso e multicultural, numa atmosfera que não é francamente fratricida, porque o europeu foi civilizado (e muito) quase tanto quanto "civilizou". A cultura ibérica nos legou instituições e essa língua que saborosa. Cada um deu uma parte. Não há porque reputar à cultura ibérica um papel menor. Embora... rústico.

 

Não há porque deixar o ibérico ficar complexado. Não é verdade?

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