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Rigorosamente, começamos a perder a Cidade Maravilhosa pela fusão da Guanabara com o Rio de Janeiro.

Já, a violência escancarada está nas “comunidades”, no mínimo, há mais de 40 anos, se entranhando e expandindo, progressivamente, também, graças a essa guerrinha civil infame (determinada pelo Tio Sam – a famigerada guerra contra as drogas), alcançando a lumpemburguesia, alarmada pela contaminação por este estado de coisas, a lhe infligir essa "coisa de pobre": sangue no asfalto, assalto à porta, estupro glamurizado, entre outras tristezas dessa vida "pós-muderna", pós-verdade, pós qualquer coisa que o capitalismo selvagem/desregulamentado, o neoliberalismo, esses teologismos de algibeira são exclusivos em produzir.

E vai piorar! com ou sem agravamento da intervenção militar (há dois séculos há na polícia militar!), pena de morte e tais ferocidades conclamadas por esses desatentos imbecilizados na estupidez fascistíssima do "Lei e Ordem".

Veja-se, entretanto, apesar de indivisável horizonte, é de se crer fervorosamente, mesmo, na possibilidade de des-imbecilização pelo esclarecimento, pelo senso crítico, pela elevação do espírito, claro, não como querem as religiões institucionalizadas, grandes infantilizadoras, assim, debilitadoras do bípede sem penas.

Não! Cumpre, sim, como aponta Spinoza, percorrer os ascendentes graus de conhecimento: (a) das meras paixões, (b) das causas/razões, e (c) da compreensão).

Vai, entretanto, piorar, simples e principalmente, porque, o último umbral da esperança social, a magistratura, foi alvejado de morte, ao longo dos últimos quase 30 anos. A magistratura foi fagocitada, digerida, assimilada, reduzida, funcionalizada/operacionalizada, cegada em especifismos incultos, egoísmo, narcisismo, autoritarismo truculento, em obsessão cleptocrata, incontinência de "libidos dominandi et possidendi", enfim, pervertida, ética e moralmente corrompida.

Conquanto a repercussão macrossistêmica, é de supor, tratar-se de quadro de uma maioria silenciosamente acantonada por minoria, esta, até a medula, midiatizada, teologizada, afascistada, quase  histriônica, não fosse deletéria por sua própria natureza.

Destarte, não há esperança (por ora!), senão, a inaceitável via da difusa violência bruta, em autodefesa, desde as odientas e revoltosas do pivete da esquina, até..., seja, de todos seus agentes – isso é da natureza das coisas, caros nihilistas[1]!

Mas, dizer inadmissível, já é admitir – disse Aron sobre a postura da França e da Inglaterra em face dos primeiros passos da guerra dados por Hitler –, preciso atitude, ficar reclamando, lastimando, ou congêneres encenações de impotência, como se assistindo a algo distante, doutras terras, apenas configura grave síndrome de esquizoidismo psicossocial.

Este é o apocalipsis – palavra grega que significa desvelamento, ou seja, as verdades vêm à tona, tempos de ostentação, também, do ódio semeado, evidencia das desmedidas criminosas (hýbris), sempre, ao alcance dos espasmos desta besta-fera, o humano, em fomento do khaos (estado primitivo do universo), com o qual, entretanto, há-de se cultivar, de sustentar a temperança, empreender com inteligência (melhor escolha), de mostrar kósmos.

Nestes tempos, todavia, a impressão deixada pelo terrorismo midiático e pelo antagonismo do Estado contra os cidadãos (ao menos assim apelidados, mesmo por estas terras de meu D’us), Estado, esta megacorporação a serviço de corporações, é de se crer em pleno império do mal, mal confundido com khaos, ao qual pretendem as hordas escravocratas darem ordem.

[1] Vale meditar com João C, Galvão Jr., em seu Dialética da Violência e Relações de Força, ed. NPL, 2007

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