“Uma nova onda de ataques violentos contra acadêmicos está varrendo os campi em Atenas e Tessalônica, levando os professores gregos a questionarem a lei que proíbe policiais de entrarem nos espaços universitários”, Herald Tribune (14/12/09)

“Está escrito: ´Destruirei a sabedoria dos sábios e anularei a prudência dos prudentes´. Onde está o sábio? Onde está o erudito? Onde está o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? (...) O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios e o que é fraco no mundo Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo Deus o escolheu como também aquelas coisas que nada são para destruir as que são”, carta de Paulo Apóstolo aos gregos.

“Tudo que tem preço não tem valor”, Nietzsche, filósofo.

Mundus Venectus (o mundo está envelhecendo). Na Idade Média o homem conheceu este fenômeno que gerou o Renascimento. Dirão os astrólogos que a conjunção dos planetas fará com que de 15 de janeiro até julho do próximo ano o mundo sentirá mais forte a “opressão do tempo”, explodindo nos corações e mentes a “exigência do novo”. Fenômeno semelhante ocorreu nos anos 30, que, em contrapartida, gerou líderes fortes como Hitler, Mussolini e Stalin, vistos como “revolucionários” naquele tempo. Mas também Roosevelt, que manteve a democracia. Curiosamente, em julho já estarão definidos os candidatos a presidente do Brasil. Se você não acredita nos astrólogos, eu creio no processo histórico que gera mudanças, como a queda do Muro de Berlim e Maio de 68, o ano que ainda não terminou. Os sintomas de inquietações já começam a aparecer no mundo. Na Grécia, os estudantes usam da violência para exigir mudanças no ensino e no modelo econômico do País. O reitor da Universidade de Atenas, Christos Kittas, chegou a ser enviado para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva), após ser atacado por alunos. Os agressores usaram barras de ferro para expulsá-lo de seu gabinete. Ele disse que se sentiu morto por dentro ao assistir jovens alunos que poderiam ser seus netos cometendo crimes e vandalizando o “templo da liberdade de pensamento". Na semana retrasada, um professor da Universidade de Economia e Administração de Atenas, Gerasimos Sapountzoglou, foi agredido por alunos extremistas quando se recusou a interromper uma aula. Como pano de fundo: estudantes que não querem “perder tempo” para gerar um sistema que provoca a “alienação” e o “desemprego”. Quando não se vê o caminho, o recurso é a violência. Sem esperança, resta apenas o caos.

“Durante os últimos dois anos, os muçulmanos britânicos têm podido também recorrer a tribunais de arbítrio que são baseados na lei Sharia. As decisões desses tribunais têm peso legal para ambas as partes em um conflito. Se necessário, um funcionário do judiciário britânico faz cumprir a sentença. Esta prática é única na Europa”, revista alemã “Der Spiegel”.

Os europeus caminham para o nacional-socialismo com xenofobia principalmente aos árabes. Há uma nova denominação da “Grande Imprensa”: "Eurábia". E não é restrito à Suíça. A preocupação atual é de que a Europa se transforme numa extensão dos países muçulmanos. Hoje, o nome Muhammad (Maomé) já é o mais comum entre os garotos recém-nascidos em Bruxelas e Amsterdã, e o terceiro mais comum na Inglaterra. No distrito de Bury Park, em Luton, que fica 50 quilômetros ao norte de Londres, muçulmanos britânicos são regidos pela Sharia. Por enquanto, são apenas para casos de partilha definidos pela lei islâmica e não de penas como o apedrejamento de adúlteras, como ocorre no Médio Oriente. Mas a precedência já preocupa os britânicos porque as famílias muçulmanas procriam mais que as européias. Ou seja, o “Velho Continente” teme que a sua civilização seja contaminada por um “retrocesso”. Na projeção de futuro, o “medo do desconhecido”: a lei britânica se basear na islâmica Sharia, permitindo o apedrejamento de adúlteras em vez de um processo de divórcio. Assim substituiria o “civilizado” pelo pensamento ocidental, cuja solução para o conflito se baseie na “liberdade individual” e não no julgamento do “coletivo”. Como pano de fundo: a dialética sobre a melhor “lei” para construir a “verdadeira comunidade”. Os europeus estão se sentindo “oprimidos” dentro de sua própria casa. Medo provocado pela Grande Mídia? O concreto é que cada vez que os europeus enxergam mulheres usando niqabs, o véu islâmico de face inteira que traz apenas uma pequena abertura para os olhos, e de homens com barbas grisalhas, o sentimento de xenofobia recrudesce, assim como a ira dos estudantes gregos contra a casa dos “sábios”: o “templo da liberdade de pensamento", a universidade.

“No mês passado, o reitor da Universidade Técnica Nacional e dois outros diretores da universidade enfrentaram acusações criminais por "violação do dever", devido ao fracasso da instituição em impedir que seus computadores fossem usados para atualizar o “saite” da divisão de Atenas da rede de notícias anti-capitalista, pró-anarquista, Indymedia. Respondendo às acusações, a universidade disse que não promoveria qualquer tipo de censura "independente das diferenças de opinião ideológicas ou políticas que possam separá-la das opiniões expressadas", Herald Tribune.

Liberdade de expressão ou repressão policial do Estado? O debate está na mesa de Atenas, berço do pensamento ocidental: a “democracia”. Terra dos filósofos que ergueram o Império Grego, hoje resumido apenas em monumentos. Aristóteles definiria assim a dialética: os “anciãos de direita” se baseiam na “ordem”, enquanto os “anciãos de esquerda” buscam a vanguarda. No meio do caminho: o conflito que se manifesta no “sangue derramado”. Em ambos os casos, a busca pela “formação da verdade” como “fundamento de vida”. Como projeção de futuro, a ótica dos anciãos de direita é a eliminação do que ferem a “ordem”, manifestada em seus olhos como “escândalo”, porque significa “mudança de paradigma”. Os anciãos de esquerda vêem na “ordem” a “alienação” e encontram na “pena” a resposta para libertar os “oprimidos”. O concreto é a definição do rei Salomão sobre o mundo: “há tempos de paz e tempos de guerra”. A dialética evolucionista alterando os tempos. A ciência de Darwin. E a lógica: a única “verdade do mundo” é a morte. Para Nietzsche, a culpa foi dos filósofos gregos que preferiram a “casa dos sábios” (a universidade) em vez do teatro, o espaço onde se manifestam os conflitos de interesse. Segundo ele, o teatro provoca no espectador a catarse: sentir o drama dos personagens para se colocar no lugar deles e chegar à razão sobre a luta entre as forças opostas. No caso da universidade, o filósofo dizia que geraria sempre “trabalhadores burocratas”.

"Quando colocamos a Internet no ar, eu não tinha idéia de que as pessoas queriam tanto partilhar informação. A quantidade de informação é enorme, mas há aquela inútil e a que não tem preço", Vinton Cerf, considerado o pai da Internet.

Em 1968, os jovens explodiram em manifestações que significassem a “nova sociedade”, sem os vícios dos “anciãos das horas”. O que se verificou foi uma dura batalha entre a direita e a esquerda, cada lado defendendo o seu “fundamentalismo”. A direita no poder censurava tudo que representasse “idéias subversivas”, porque se subverteria a “ordem”. Já a esquerda censurava até a própria esquerda porque cada um se sentia mais vanguardista que o outro para libertar os “oprimidos” de seus “opressores”. Quem viveu naquele tempo sabe como funcionava a “ditadura do proletariado”. Intelectuais e estudantes bloqueavam qualquer outro “ponto de vista” que não fosse o de sua liderança. Os métodos eram mais cruéis do que a própria direita: corte de som, roubo de urnas. Bloquear a informação que fosse diferente da sua “verdade”. Na esquerda só se ouvia muito: “Cala-te!” Quarenta e um anos depois, uma outra realidade: a direita não se estabelece porque se proliferam blogs construindo o conhecimento e denunciando as suas manipulações e nem a esquerda consegue “impor” a sua “verdade”. A distribuição da informação é “democrática” e vencerá o melhor “conteúdo”: se aproximar do princípio da realidade. Tudo graças aos “iluministas americanos” em sua “iniciativa privada”. A profecia de Marx de que a “verdadeira comunidade” nasceria do capitalismo avançado, nunca da economia em estágio feudal. A geração de Bill Gates, o "companheiro revolucionário", que não terminou a universidade, mas revolucionou a tecnologia da informação. O líder de toda uma nova “geração de bytes”, que quer "fluxo" e não aceita a "limitação". Fruto da “América Livre” e não da economia planificada da União Soviética, que não gera hits, nem Michael Jackson, nem Madona. Não se perdeu nas escolas “exigentes” de Moscou, onde seria “discriminado” pelo Estado por não ter concluído o ensino superior. A “norma” de calar-se para ouvir o "mestre". Ele trouxe a novidade ao “mercado” e se tornou celebridade porque o seu processador de bytes era mais “turbinado” do que os seus colegas universitários “oprimidos”. Muitos estão hoje “desempregados”. Outros sairam da garagem da periferia para ganhar o mundo. Viva a dinâmica capitalista! Viva!

"Eu não quero saber se o (prefeito de São Luís) João Castelo é do PSDB, se o outro é do PFL (atual DEM) ou se é do PT. Eu quero saber se o povo está na merda e quero tirar o povo da merda em que ele se encontra", presidente Lula, sendo aplaudido pelo povo (2 mil pessoas)

Nos anos 60, o cineasta Glauber Rocha expunha o drama dos “oprimidos” em “Terra em Transe”. Ao dar voz aos pobres para que se manifestassem, eles ficam mudos. O impacto no público era imediato: o oprimido precisava de um “pai patrão” para se sentir “seguro” e lhe ensinar como vencer as adversidades da Natureza. A inspiração do “quadro” pintado pelo gênio Glauber Rocha veio durante as filmagens do documentário “Maranhão 66” quando o cineasta filmou a posse do então governador José Sarney. O discurso do político “Bossa Nova”, hoje senador pelo Amapá, era de que inauguraria uma “nova era” para eliminar a miséria do estado. O registro é histórico e estará muito provavelmente algum dia no “santo” “Canal Brasil”. Quarenta e três anos depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao Maranhão para dizer que quer tirar o “povo da merda”. Ou seja, o “sonhador” Sarney, o progressista da UDN, que fez o pedido a Glauber, não conseguiu tirar o povo da merda, mas o Lula promete que vai. Por que? Porque é “iluminado” e faz parte do “revolucionário” PT. O registro feito pelas emissoras é documental, assim como “Maranhão 66”. O “distanciamento histórico” dirá se o atual presidente da República estava certo ou se será um “novo Sarney”. Vai depender se o Maranhão continuar na merda. Ou se os maranhenses necessitarão de um “pai patrão” ou um “pai dos pobres”. Ou se serão “livres” como muitos produtores de "bens de capital" da geração bytes que se proliferam nas favelas cariocas. Com a palavra, o povo.

Próximo texto: “Procura-se JK”

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